Petróleo

Óleo encontrado em praias de Cabo Frio, RJ, não é o mesmo do Nordeste, diz Marinha

1 de dezembro de 2019

Material foi analisado no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, em Arraial do Cabo.

 

 

Óleo foi encontrado na quinta-feira (28) nas praias das Conchas e do Peró, em Cabo Frio — Foto: Divulgação/Prefeitura de Cabo Frio

Óleo foi encontrado na quinta-feira (28) nas praias das Conchas e do Peró, em Cabo Frio — Foto: Divulgação/Prefeitura de Cabo Frio
 
 
 
 
 
O Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), divulgou neste sábado (30) que o óleo encontrado na quinta-feira (28) nas praias das Conchas e do Peró, em Cabo Frio (RJ), não é o mesmo que atingiu a costa do Nordeste, do Espírito Santo e de duas praias do Norte Fluminense.
 
Segundo o GAA, o material foi analisado pelo Instituto de Estudo do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), em Arraial do Cabo.
 
A Defesa Civil de Cabo Frio já havia informado na sexta (30) que os fragmentos encontrados na cidade não eram do mesmo óleo do Nordeste.
 
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente de Cabo Frio, os fragmentos podem ser resíduos de um vazamento de óleo que ocorreu em abril que se desprenderam das pedras devido à ressaca.
 
A Prefeitura informou que está tomando todas as providências necessárias e está de prontidão para que as praias não sofram danos.
 
 
Óleo no litoral do RJ
 
O GAA confirmou a presença do óleo que atingiu o Nordeste em duas praias do Rio: Grussaí, em São João da Barra, e Santa Clara, em São Francisco de Itabapoana, ambas no Norte Fluminense.
 
Foram encontrados aproximadamente 300 gramas do material em Grussaí e 20 gramas em Santa Clara.
 
Segundo o GAA, as praias já estão limpas e equipes fazem monitoramento. Ainda de acordo com o grupo, até o momento, não foram encontrados novos vestígios de óleo no estado do Rio.
 
 
Mais de 700 localidades atingidas
 
As primeiras manchas de óleo foram localizadas na Paraíba em 30 de agosto. Desde então, o óleo já foi visto em mais de 700 localidades. Entre os municípios do litoral nordestino, principal região do Brasil atingida, 72% dos municípios tiveram praias afetadas.
 
Durante mais de um mês, o óleo ficou concentrado em praias de oito estados: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
 
Um marco na cronologia da crise ocorreu em 3 de outubro, quando o óleo chegou ao litoral da Bahia. Depois disso, no começo de novembro, no dia 8, a Marinha apontou que fragmentos chegaram ao Espírito Santo. Em quase três meses de desastre, os dados mostraram que a cada 10 locais atingidos, 3 voltaram a apresentar manchas de óleo após limpeza no Nordeste. Nas semanas recentes, o ritmo da reincidência diminuiu e aumentou o número de localidades afetadas por fragmentos classificados como "esparsos" pela força-tarefa.
 
Oito dos 11 estados afetados pela manchas de óleo que contaminam o litoral brasileiro desde agosto estão destinando os resíduos para aterros sanitários ou fábricas de cimento que reaproveitam o material.
 
 
Investigação federal
 
O governo federal não concluiu as investigações sobre a origem do óleo. As investigações já apontaram que a substância é a mesma em todos os locais afetados: petróleo cru. Uma investigação da Polícia Federal no Rio Grande do Norte chegou a apontar que o navio grego Bouboulina como o principal suspeito pelo vazamento. A Marinha disse que a embarcação é uma entre as 30 suspeitas.
 
A empresa Delta Tankers, responsável pelo navio, afirma ter provas de que o Bouboulina não tem relação com o incidente. A Delta foi notificada pela Marinha brasileira junto com responsáveis por outras quatro embarcações de bandeira grega.