Bahia

Sobe para 124 número de praias atingidas por manchas de óleo; contaminação chega à Bahia

4 de outubro de 2019

    Número de localidades afetadas pelo petróleo, que chegou à costa no começo de setembro, continua aumentando. Último estado livre das manchas no Nordeste, a Bahia foi afetada nesta quinta (3), segundo o Projeto Tamar, mas ainda não consta em levantamento oficial.   Manchas de óleo na Praia dos Artistas, em Sergipe — Foto:… Ver artigo

 

 

Número de localidades afetadas pelo petróleo, que chegou à costa no começo de setembro, continua aumentando. Último estado livre das manchas no Nordeste, a Bahia foi afetada nesta quinta (3), segundo o Projeto Tamar, mas ainda não consta em levantamento oficial.

 

Manchas de óleo na Praia dos Artistas, em Sergipe — Foto: Adema/SE

Manchas de óleo na Praia dos Artistas, em Sergipe — Foto: Adema/SE
 
 
 
 
Já são 124 praias atingidas por manchas de óleo no Nordeste, segundo o último balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), publicado na manhã desta quinta-feira (3). Oficialmente, 59 municípios foram afetados em 8 estados.
 
Apesar de não constar no balanço oficial do Ibama, a Bahia também foi afetada. O estado era o único do Nordeste que não tinha registros do problema. As manchas de óleo chegaram ao litoral norte do estado nesta quinta, segundo o Projeto Tamar, que atua na preservação de espécies marinhas em extinção na região.
 
De acordo com o biólogo João Arthur há ao menos dois pontos de contaminação no estado: Mangue Seco, na cidade de Jandaíra, e Siribinha, no município de Conde. O Instituto do Meio-Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) da Bahia informou nesta sexta-feira (4) que técnicos estão a caminho do local.
 
 
 
Manchas de óleo que atingem mar no Nordeste chegam na Bahia — Foto: João Arthur/Tamar
 
Manchas de óleo que atingem mar no Nordeste chegam na Bahia — Foto: João Arthur/Tamar
 
 
 
 
Segundo o relatório do Ibama, o maior aumento foi no estado de Sergipe: no último balanço, apenas 4 praias no estado haviam sido atingidas. Agora, já são 10.
 
Dentre as 124 praias afetadas em todo o Nordeste desde o início de setembro, 10 estão em processo de limpeza, 70 ainda tem manchas visíveis e 44 já estão livres da substância na areia.
 
Pelo menos 12 animais foram atingidos pelo óleo – nove tartarugas e uma ave foram encontradas mortas ou morreram após o resgate.
Uma investigação do Ibama aponta que as manchas são de petróleo puro e que todas as amostras têm a mesma origem, mas ainda não é possível afirmar de onde ele veio. Em nota, a Petrobras afirma que o material não é produzido pela companhia.
 
A suspeita é que o petróleo tenha vindo de navios que passam pela região, segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), que está analisando imagens de satélite da costa. A pesquisa, no entanto, ainda está em estágio inicial.
 
As manchas começaram a aparecer no início de setembro. Até quinta-feira (26), eram 99 localidades atingidas. Na sexta (27), o número subiu para 109. No domingo (29), chegou a 113 e na terça-feira (1) foi para 115. Agora, já são 124 praias afetadas.
 
 
Confira quantos locais foram atingidos em cada estado:
 
Alagoas: 13 locais
 
Ceará: 10 locais
 
Maranhão: 11 locais
 
Paraíba: 16 locais
 
Pernambuco: 19 locais
 
Piauí: 2 locais
 
Rio Grande do Norte: 43 locais
 
Sergipe: 10 locais
 
Bahia: 2 locais (dado do Projeto Tamar, estado ainda não consta em levantamento do Ibama)
 
A lista completa de municípios e praias atingidos está disponível no site do Ibama.
 
 
Origem da substância
 
 
Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Ibama/SE
 
Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Ibama/SE
 
 
 
 
Na terça-feira (1) uma reunião foi realizada no Recife com representantes de seis dos nove estados nordestinos para discutir estratégias para diminuir os impactos das manchas de óleo. A Bahia foi o único estado da região que não foi afetado.
 
Na reunião, os estados decidiram protocolar, em conjunto, uma denúncia sobre o caso, a ser enviada à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.
 
Nesta quarta-feira (2) a Polícia Federal do Rio Grande do Norte comunicou que um inquérito foi instaurado para investigar a origem das manchas. A apuração sobre a possibilidade da ocorrência de dano ambiental começou no mês passado.

 

Manchas sendo recolhidas por equipes da Adema na Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros (SE) — Foto: Adema/Divulgação

Manchas sendo recolhidas por equipes da Adema na Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros (SE) — Foto: Adema/Divulgação
 
 
 
 
Há suspeita de que a contaminação tenha relação com navios petroleiros. A hipótese é que algum deles tenha efetuado uma limpeza nos tanques e despejado os rejeitos no mar.
 
Segundo o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, os responsáveis pelo problema podem pagar uma multa que vai de R$ 5 milhões a R$ 50 milhões pelo crime ambiental, que é considerado gravíssimo. O governo do estado se preocupa com a repercussão no turismo.
 
Em entrevista ao G1 na última sexta (27), o diretor da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco, Eduardo Elvino, disse que o órgão está atuando em conjunto com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para identificar possíveis fontes do vazamento.
 
O trabalho envolve analisar imagens de satélite que abrangem 187 quilômetros do litoral dos estados de Pernambuco e Paraíba. Segundo Elvino, ainda não é possível apontar quais navios podem ser responsáveis pela tragédia ambiental porque a análise está em estágio inicial.
 
"Com essa varredura das imagens de satélite a gente identificou os pontos no mapa que podem ser navios, e aí estamos analisando a existência de pontos pigmentados ao lado desses possíveis navios. Esses pontos coloridos podem ser realmente manchas de óleo, mas também podem ser cardumes de peixe ou concentrações de alga, por exemplo. São várias possibilidades", explica Elvino.
 
Segundo o coordenador do sindicato dos trabalhadores na indústria do petróleo de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro PE/PB), Rogério Almeida, a prática é proibida, mas ainda é realizada.
 
"É um óleo grosso, quase um piche. Pode ser rejeito de um navio após a limpeza dos tanques. Muitos navios continuam fazendo isso e deve ter caído em uma corrente marítima", disse Almeida.
 
De acordo com Elvino, com a identificação das correntes marinhas, "existe a possibilidade de identificar o navio que fez a referida rota" e tentar rastrear se "o piche encontrado nas praias faz parte do combustível dos navios". Segundo o analista, pela legislação, o produto deve ser descartado nos portos, onde empresas especializadas recolhem o material.
 
 
Animais afetados
 
 
Tartaruga foi encontrada no litoral do RN coberta de óleo e limpa pela equipe do Aquário de Natal — Foto: Heloísa Guimarães/Inter TV Cabugi
 
Tartaruga foi encontrada no litoral do RN coberta de óleo e limpa pela equipe do Aquário de Natal — Foto: Heloísa Guimarães/Inter TV Cabugi
 
 
 
 
O número de animais afetados também é computado pelo Ibama. Segundo o último balanço do órgão, publicado na segunda-feira (30), o óleo já atingiu ao menos 11 tartarugas e uma ave bobo-pequeno ou furabucho (Puffinus puffinus), conhecida pela longa migração. Quatro tartarugas foram encontradas vivas e sete foram encontradas mortas ou morreram após o resgate. A ave também não resistiu ao óleo.
 
1/9 – 1 tartaruga marinha – Praia de Sabiaguaba, Fortaleza (CE) – morta
 
4/9 – 2 tartarugas marinhas – Praia do Paiva, Cabo de Santo Agostinho (PE) – mortas
 
7/9 – 1 ave bobo pequeno – Praia de Cumbuco, Caucaia (CE) – morta
 
11/9 – 1 tartaruga marinha – Praia de Jacumã, Ceará-Mirim (RN) – viva
 
16/9 – 1 tartaruga marinha – Ilha dos Poldos, Aroises (MA) – morta
 
22/9 – 1 tartaruga marinha – Praia de Itatinga, Alcântara (RN) – viva
 
22/9 – 1 tartaruga marinha – Praia da Redinha Nova, Extremoz (RN) – morta
 
23/9 – 1 tartaruga marinha – Praia da Redinha Nova, Extremoz (RN) – viva
 
24/9 – 1 tartaruga marinha – Jericoacoara, Jijoca de Jericoacoara (RN) – morta
 
28/09 – 1 tartaruga marinha – Ilha Grande, Ilha Grande (PI) – morta
 
29/09 – 1 tartaruga marinha – Praia do Serluz, Fortaleza (CE) – viva