Volkswagen

Ex-presidente da Volkswagen e outros 5 executivos são acusados nos EUA por ‘dieselgate’

7 de maio de 2018

Martin Winterkorn renunciou ao cargo quando o escândalo estourou, no fim de 2015.

 

 

Martin Winterkorn, ex-presidente da Volkswagen, após prestar depoimento a comissão que investiga o escândalo do diesel na Alemanha, em 2017 (Foto: Odd Andersen/AFP)

Martin Winterkorn, ex-presidente da Volkswagen, após prestar depoimento a comissão que investiga o escândalo do diesel na Alemanha, em 2017 (Foto: Odd Andersen/AFP)
 
 
 
 
O ex-presidente mundial da Volkswagen, Martin Winterkorn, foi acusado de fraude e conspiração no escândalo "dieselgate" pela Promotoria de Justiça dos Estados Unidos.
 
O processo afirma que ele e outros 5 executivos todos estavam cientes sobre o programa instalado em veículos para falsificar os resultados das emissões poluentes pelo menos desde maio de 2014, mas que decidiram seguir em frente com a fraude.
 
Winterkorn enfrentará penas de até 20 anos de prisão e multas de US$ 250 mil, mas ele dificilmente cumprirá alguma delas porque a Alemanha proíbe extradição de cidadãos para fora da União Europeia.
 
"A acusação formal apresentada hoje alega que o plano da Volkswagen para enganar os requerimentos legais chegou ao topo da companhia", disse o procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, citado na nota.
 
Segundo o Departamento de Justiça, em meados de 2015, meses antes de o escândalo vir à tona, Winterkorn presidiu uma "reunião executiva de danos" na sede da Volkswagen em Wolfsburg, na Alemanha, na qual a equipe de desenvolvimento de motores fez uma apresentação da forma como a companhia estava enganando os reguladores dos Estados Unidos e as consequências que a empresa enfrentaria se isso fosse constatado.
 
Segundo os procuradores, depois dessa reunião, Winterkorn autorizou a companhia nos EUA a continuar mentindo para os reguladores americanos.
 
Winterkorn renunciou em setembro de 2015, após as revelações da fraude sobre as emissões de gases em veículos da companhia. A Volkswagen configurou até 11 milhões de veículos no mundo todo para emitir até 40 vezes acima dos níveis permitidos de óxido de nitrogênio danoso, mas ocultava isso durante as revisões.
 
O chefão da Volkswagen é o 9º executivo processado nos EUA – dois deles se declararam culpados e cumprem pena na prisão, enquanto outros seis estão na Alemanha e se encontram na mesma situação de Winterkorn.
 
 
Protesto
 
Ativistas protestam em encontro de acionistas da Volkswagen (Foto: Axel Schmidt/Reuters)
 
Ativistas protestam em encontro de acionistas da Volkswagen (Foto: Axel Schmidt/Reuters)
 
 
 
Nesta quinta-feira (3), a Volkswagen realizou uma conferência anual com os acionistas. No evento, o novo presidente do grupo, Herbert Diess, afirmou que "a Volkswagen tem que se tornar mais honesta, mais aberta e mais verdadeira".
 
Antes do encontro, um grupo de uma associação pelos direitos dos animais fez um protesto. A Volkswagen, além de outras fabricantes alemãs, foi acusada de realizar testes dos efeitos do diesel em macacos.