Furacões

Furacões estão mais frequentes e destruidores este ano?

6 de outubro de 2017

Especialistas dizem que quantidade de furacões está acima da média; motivo disso seria o aquecimento global.

 

 

Moradores observam inundação causada pelo rio Masachapa após a passagem da tempestade tropical Nate, na Nicarágua (Foto: Inti Ocon/AFP)

Moradores observam inundação causada pelo rio Masachapa após a passagem da tempestade tropical Nate, na Nicarágua (Foto: Inti Ocon/AFP)
 
 
 
 
 
Harvey, Irma, Maria e, agora, Nate – um furacão atrás do outro nos Estados Unidos e no Caribe.
 
Depois de matar mais de 20 pessoas em Honduras, Costa Rica e Nicarágua, a tempestade Nate deve ganhar força e chegar aos EUA como furacão de categoria 1 na escala Saffir-Simpson, que mede os fenômenos pela intensidade dos ventos e o potencial de destruição.
 
Nate está caminho do Texas e da Flórida, que ainda se recuperam dos estragos provocados por outros dois furacões, Harvey e Irma. Ambos derrubaram casas, provocaram inundações e mataram dezenas de pessoas nos EUA e no Caribe.
 
À espera da tempestade, estado de emergência foi declarado em Nova Orleans, no Estado da Louisiana e em 29 municípios da Flórida.
 
 
Por que tanto furacão?
 
Não é só impressão. O mundo está tendo mais furacões este ano que o normal. A quantidade e a intensidade das tempestades de grandes proporções registradas este ano estão acima da média anual.
A principal causa para o aumento da força desses fenômenos é o aquecimento global, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
 
Shuai Wang, pesquisador da Faculdade de Ciências Naturais do Imperial College London, explica que a média anual de furacões no Atlântico é de 6,2, conforme a série histórica de 1968 a 2016 da Agência Norte-Americana de Administração Atmosférica e Oceânica.
 
Em 2017, antes mesmo do término do período de tempestades tropicais, já foram registrados sete furacões, quatro deles de grande proporções – classificados em categorias superiores a 3 na escala Saffir-Simpson. Nate pode ser o oitavo, se cumprir as previsões dos meteorologistas e chegar à escala 1.
 
"Ainda é cedo para sabermos a quantidade de furacões que teremos em 2017. Mas já podemos dizer que tivemos tempestades mais intensas que a média histórica", diz Wang.
 
 
Vários furacões, mesma rota
 
Em agosto, o furacão Harvey provocou estragos no Texas, Houston e Louisiana, matando pelo menos 47 pessoas. Pouco depois, entre nos dias 6 e 7 de setembro, o furacão Irma arrasou várias cidades do Caribe e o sul da Flórida, provocando mais de 60 mortes.
 
 
 
 
O furacão Maria teve ventos de 260 km/h (Foto: Jose Romero/NOAA/RAMMB/AFP)
 
O furacão Maria teve ventos de 260 km/h (Foto: Jose Romero/NOAA/RAMMB/AFP)
 
 
 
 
 
Numa infeliz coincidência, a mesma região afetada pelo Irma se tornou rota do furacão Maria e, agora, do Nate. Os ventos de até 260 km/h do Maria destelharam casas na ilha de Dominica – até o primeiro-ministro do país teve que ser resgatado da residência oficial.
 
Em sua passagem na quinta e sexta-feira por Costa Rica, Nicarágua e Honduras, o Nate provocou inundações, deslizamentos e danificou casas.
 
Além dos mais de 20 mortos, pelo menos 20 pessoas estão desaparecidas. Na Costa Rica, 400 mil pessoas ficaram sem água corrente e milhares estão em abrigos.
 
 
Altas temperaturas
 
O meteorologista Bob Henson, do Weather Underground, serviço norte-americano de previsão meteorológica, diz que as altas temperaturas do oceano alcançadas este ano podem ter contribuído para a força das tempestades.
 
 
"Já alcançamos, antes de terminar o ano, mais tempestades que a média do ano inteiro", disse.
 
 
Segundo Henson, por causa das mudanças climáticas, a intensidade dos furacões aumentou nas últimas três décadas. O ano de 2005 foi o que mais registrou furacões – 15 no total, entre os quais o Katrina, que matou ao menos 1,8 mil pessoas nos Estados Unidos.
 
 
"Podemos estar tendo furacões mais fortes associados ao fenômeno do aquecimento global. A temperatura da água afeta a intensidade da tempestade, embora não haja evidência de que influencie na quantidade", avaliou.
A opinião de que o aquecimento global tem papel relevante na intensidade dos furacões é compartilhada pelo pesquisador Shuai Wang, que prevê tempestades cada vez mais fortes se nada for feito para reverter o aumento da temperatura dos oceanos.
 
 
"O furacão é como um motor que precisa de combustível. A lógica é que, com a mudança climática, o oceano fica mais quente e gera mais energia para o ciclone, que acaba causando mais estragos quando alcança o continente", explicou.
 
"Os pesquisadores divergem sobre o efeito a longo prazo do aquecimento global. Eu acho que, se a temperatura continuar aumentando, teremos ciclones mais intensos", completou Wang.
 
Lógica parecida serve para desastres causados por excesso de chuvas, as chamadas monções. Para Bob Henson, a intensidade pode ter aumentado por causa do aquecimento solar.
 
 
"Temperaturas mais altas favorecem a evaporação das águas. O ambiente úmido da atmosfera permite chuvas mais fortes."