Terra

A rocha que registra a história de como surgiram os organismos mais complexos na Terra

7 de julho de 2017

Com mais de 2 bilhões de anos, mineral ‘testemunhou’ uma mudança química crucial para a proliferação do oxigênio na Terra, o que resultou no aparecimento de animais e humanos.

 

As listras refletem os distintos mineirais que compõem a rocha (Foto: Museu de História Natural de Londres)

As listras refletem os distintos mineirais que compõem a rocha (Foto: Museu de História Natural de Londres)
 
 
 
 
A imensa rocha de dois metros de comprimento e um de altura parece retirada de um bolo recheado e colorido.
 
Parte de uma nova mostra permanente do Museu de História Natural de Londres, a peça é um tipo de rocha formado por pedras e ferro bandado. Fica localizada no saguão principal, justamente embaixo do esqueleto de baleia, uma das peças mais famosas do acervo da instituição.
 
Pesando 2,5 toneladas, a rocha representa, na exposição, uma espécie de transição entre o mundo mineral e animal.
 
Formações de ferro bandado surgiram nos oceanos há mais de 2 bilhões de anos. E registram, em suas camadas, uma transformação química crucial na história da Terra: a proliferação do oxigênio.
 
Foi uma mudança profunda que possibilitou o surgimento de formas de vida complexas, como humanos e outros mamíferos — assim como a baleia cujo esqueleto agora faz companhia à rocha.
 
 
Registros
 
As linhas onduladas na pedra são faixas de óxido de ferro, intercaladas com sílica. Os oceanos primitivos da Terra estavam possivelmente repletos de ferro, diluído e arrastado desde os continentes. Quando essa solução se combinou com o oxigênio produzido por bactérias, os óxidos resultantes se depositaram no leito marinho.
 
 
 
A pedra vem de uma mina a céu aberto no noroeste de Austrália (Foto: Rio Tinto)
 
A pedra vem de uma mina a céu aberto no noroeste de Austrália (Foto: Rio Tinto)
 
 
 
 
As diferentes camadas incorporadas à rocha marcam, provavelmente, ciclos de expansão de diminuição das bactérias. À medida que o ferro ia sendo consumido nas águas, o oxigênio liberado não tinha onde ir a não ser para a atmosfera, o que foi permitindo a diversificação da vida terrestre.
 
E assim a Terra foi se tornando um lugar diferente.
 
"A rocha nos conta uma história fantástica", diz à BBC o diretor do departamento de Ciências da Terra do museu, Richard Herrington, explicando que o mineral testemunhou um período de grandes mudanças químicas que moldaram nosso planeta como ele é hoje.
 
"É o prelúido da vida complexa. Respiramos oxigênio. Os organismos necessitam de uma fonte de energia, e queimar carbono na presença de oxigênio é de onde, majoritariamente, tiramos nossa energia", explica Herrington. "Devem ter passado 2 bilhões de anos entre o surgimento da rocha e o dos primeiros organismos multicelulares, mas isso é outra história."

 

A rocha chega ao museu em Londres (Foto: Museu de História Natural de Londres)

A rocha chega ao museu em Londres (Foto: Museu de História Natural de Londres)
 
 
 
A rocha do Museu de História Natural de Londres é proveniente da região de Pilbara, na Austrália.
 
Foi encontrada em uma mina a céu aberto, pertencente à multinacional Rio Tinto. A rocha contém 32% de ferro.