Folha do Meio HÁ 14 ANOS

Garimpo destrói homem e natureza

1 de abril de 2004

Garimpeiros foram flagrados, em Mato Grosso, com 170 gramas de pasta de cocaína, além de porte ilegal de armas. O fato ocorreu em batida policial realizada em garimpos nos rios Teles Pires e Peixoto de Azevedo, onde foram encontradas também 200 dragas escariantes, proibidas por lei. Até agora os garimpeiros se destacavam por serem os… Ver artigo

Garimpeiros foram flagrados, em Mato Grosso, com 170 gramas de pasta de cocaína, além de porte ilegal de armas. O fato ocorreu em batida policial realizada em garimpos nos rios Teles Pires e Peixoto de Azevedo, onde foram encontradas também 200 dragas escariantes, proibidas por lei.


Até agora os garimpeiros se destacavam por serem os maiores predadores do meio ambiente e por envenenarem os rios com mercúrio, provocando a morte ou o acúmulo desse metal em peixes e vegetais. Assim, todo homem que ingere pescado ou outro alimento contaminado com mercúrio, pode morrer ou contrair graves distúrbios e doenças, a longo prazo, inclusive câncer. Além de tudo isso, agora há uma novidade: o uso de pasta de cocaína, não se sabe ainda se para o consumo ou se para tráfico.


INVASÕES – A par do que foi achado em Mato Grosso, não menos graves foram os fatos ocorridos recentemente em Roraima. Para pressionar o governo federal a voltar atrás na sua disposição de fazer cumprir a lei (retirar os garimpeiros de áreas indígenas, proteger as terras e águas de Roraima e evitar incômodos à população da vizinha Venezuela, país que cuida da saúde de seus cidadãos), os garimpeiros, reunidos no centro de Boa Vista, incitaram a invasão do Palácio Episcopal e dos Correios, num claro desafio à ordem pública e à propriedade, privada e pública. O governador Romero Jucá – sempre apoiando os garimpeiros e de olho em sua candidatura ao Senado – anunciou, na ocasião, a liberação dos garimpos interditados poucos dias antes pela Polícia Federal, inclusive de pistas de aviação. Muitas destas são clandestinas e ilegais, afrontando a Aeronáutica brasileira, por não possuírem registro no Ministério da Aeronáutica e não oferecerem condições de segurança.


E para completar o quadro, o presidente do Sindicato dos Garimpeiros de Roraima, José Teixeira Peixoto, foi preso, acusado de ter mandado matar um policial que investigava as inúmeras irregularidades e crimes praticados pelos garimpeiros.


Estudo do DNPM condena a atividade


Entre 1980 e 1988, os garimpos instalados na Amazônia Legal foram responsáveis pelo lançamento de 1,8 mil toneladas de mercúrio na região. Neste mesmo período, o Brasil produziu 295 toneladas de ouro, sendo que 216 saíram dos garimpos e o restante da exploração industrial. Isso sem contar a enorme produção contrabandeada. Estes dados constam de uma pesquisa do 5º Distrito do Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM, sediado em Belém, juntamente com o Centro Tecnológico da Universidade do Pará – UFPA. A partir da análise de 641 amostras de sangue, cabelo, peixes, urina, sedimentos e solo, abrangendo 16.690 hectares, que representam toda a área de garimpo da Amazônia, os técnicos concluíram que a região está vivendo uma “tragédia silenciosa”.


A Folha do Meio Ambiente circulou pela 1ª vez em 23 de junho de 1989. Nestes 14 anos, o jornal passou a chegar a 3.250 municípios, a todos os postos diplomáticos brasileiros no exterior, a todas embaixadas estrangeiras no Brasil e a mais de 15 mil escolas no País.

Folha do Meio há 14 anos

5 de março de 2004

  Uma onda verde sacode o planeta – A nova Constituição brasileira é das mais avançadas do mundo em relação à questão ambiental. Falta agora a legislação complementar e sua aplicação. “Existe apenas uma questão que pode nos unir agora, e está é o meio ambiente”. A frase, do presidente da seção italiana do Aspen,… Ver artigo

 


Uma onda verde sacode o planeta – A nova Constituição brasileira é das mais avançadas do mundo em relação à questão ambiental. Falta agora a legislação complementar e sua aplicação. “Existe apenas uma questão que pode nos unir agora, e está é o meio ambiente”. A frase, do presidente da seção italiana do Aspen, um instituto norte-americano que estuda questões sociais, revela a preocupação que o europeu vem dedicando à questão ambiental. O ano de 1989, na verdade, está sendo um marco na história da humanidade, no que diz respeito ao despertar das consciências para um problema que se tornou prioritário na pauta de discussões dos povos civilizados. Liberados pelos países europeus que reconhecem, ainda a tempo, terem erguido seus umbrais à custa da destruição do mundo que os cerca, vêem-se os demais continentes embalados na mesma onda verde que sacode o planeta.


Na América do Sul, o Brasil está à frente dessa vanguarda ecológica, pelo menos em termos dos dispositivos constitucionais. Nunca, nenhuma nação dedicou tanto espaço às leis que tratam da questão constitucional.


A nova Constituição brasileira, promulgada em outubro do ano passado (1988), dedica um capítulo inteiro à questão ambiental, numa abordagem inédita em todo mundo, desde o detalhamento das áreas a serem preservadas, até às exigências inovadoras nas relações do povo brasileiro com seu ecossistema. A nova Carta será agora complementada pelas legislações estaduais, que detalharão com rigor o cumprimento das obrigações determinadas no texto constitucional.


Ibama sofre limitações de verba e de estrutura – Criado há quatro meses para ser o órgão gerenciador da política ambiental no País, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama – só pode contar, efetivamente, até agora, com o apoio da comunidade para desenvolver o seu programa de defesa do meio ambiente. Entre os principais obstáculos enfrentados pela instituição estão a escassez de recursos e a falta de uma definição para a sua estruturação interna. A conseqüência imediata disto é o descaso a que fica sujeita a política ambiental do país. Um exemplo é o programa de prevenção e combate a incêndios florestais que vem sendo preparado desde abril, para coincidir com a temporada de queimadas, no início de junho, e que só agora poderá ser deslanchado. Assim mesmo, porque o Congresso Nacional agilizou a liberação de NCZ$ 8 milhões para atender o programa.


“Se o governo resolveu levar a sério a política ambiental no Brasil, então ela terá que ser cumprida”, afirmou o presidente do Ibama, Fernando César Mesquita e acrescentou: “O País possui, atualmente, mais de 130 unidades de conservação, mas elas estão abandonadas porque o Ibama sequer tem funcionários para fiscalizar estas áreas, que totalizam quase 20 milhões de hectares”.


A Folha do Meio Ambiente circulou pela 1ª vez em 23 de junho de 1989.
De uma tiragem inicial de três mil exemplares, o jornal chegou aos 75 mil exemplares no final da década de 90.
Hoje tira 22 mil exemplares. Nestes 14 anos, o jornal passou a chegar a 3.250 municípios, a todos os postos diplomáticos brasileiros no exterior, a todas embaixadas estrangeiras no Brasil e a mais de 15 mil escolas no Brasil.

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Jardim Botânico RJ às traças

4 de março de 2004

  A mais antiga e uma das mais importantes instituições de pesquisas do País, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, está seriamente ameaçada. O motivo é o de sempre: descaso das autoridades, falta de recursos, invasões e ocupações ilegais. Fundado em 1808, por D. João VI, o JB-RJ têm 174 hectares e vem sofrendo… Ver artigo

 


A mais antiga e uma das mais importantes instituições de pesquisas do País, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, está seriamente ameaçada. O motivo é o de sempre: descaso das autoridades, falta de recursos, invasões e ocupações ilegais. Fundado em 1808, por D. João VI, o JB-RJ têm 174 hectares e vem sofrendo com as invasões. São 537 imóveis ilegais, entre oficinas e residências, algumas até com piscina. O rio dos Macacos, que atravessa o JB, está totalmente poluído pelo esgoto das casas e das oficinas clandestinas. Cartão de visitas do Rio, o Jardim Botânico retrata muito bem como está sendo tratada a questão ecológica no Rio de Janeiro.


Lutzenberger assume Secretaria de Collor


O ambientalistas José Lutzenberger foi nomeado por Fernando Collor como secretário Nacional do Meio Ambiente. A secretaria está diretamente ligada à Presidência da República. Em sua primeira entrevista, Lutz defendeu a extinção pura e simples dos incentivos fiscais para empresas agropecuárias da Amazônia.







Sugestões das ONGs a Collor


A criação do Ministério do Meio Ambiente, uma antiga reivindicação dos ecologistas do País, ainda está longe de ser alcançada. Mesmo considerando essa instituição imprescindível para a conservação da flora e fauna, a presidente da Funatura, Maria Tereza Jorge Pádua, diz que a política brasileira, em termos de preservação do meio ambiente, está muito atrasada e sem dúvida devem passar ainda umas duas décadas até uma mudança de mentalidade.


Maria Tereza lembra que o Brasil detém a maior parcela de mata tropical do mundo, cerca de 30%, assim como a maior biodiversidade de espécies de flora e fauna, bacia hidrográfica e zona úmida. Mas ao mesmo tempo o País sofre uma degradação ambiental sem limites. Para brecar este processo seria necessário um fortalecimento institucional expressivo. Tereza encara a criação do Ibama como um passo em direção ao surgimento do Ministério do Meio Ambiente, “mas ainda temos que caminhar muito até chegarmos a isto, porque em muitos aspectos o Brasil está aquém da história ecológica do mundo”. Ela diz que o Ibama tem autonomia e seu surgimento foi responsável por uma mudança de mentalidade, uma vez que incorporou a Sudepe, Sudhevea e IBDF.

Folha do Meio HÁ 14 ANOS

4 de março de 2004

  A comunidade é quem decideTese do pesquisador José Fernando Morais: a conservação dos recursos naturais em bacias hidrográficas tem que ser socialmente justa. Secretário de Recursos Naturais do Ministério da Agricultura, Fernando Morais é responsável pela condução do Programa Nacional de Microbacias Hidrográficas, que busca o apoio conjunto dos poderes públicos municipal, estatal e… Ver artigo

 


A comunidade é quem decide
Tese do pesquisador José Fernando Morais: a conservação dos recursos naturais em bacias hidrográficas tem que ser socialmente justa. Secretário de Recursos Naturais do Ministério da Agricultura, Fernando Morais é responsável pela condução do Programa Nacional de Microbacias Hidrográficas, que busca o apoio conjunto dos poderes públicos municipal, estatal e federal no desenvolvimento integrado de comunidades rurais, organizadas em função de uma microbacia, e que privilegia o manejo e a conservação de solos, a recuperação de florestas e de mananciais hídricos, bem como a melhoria do equilíbrio ambiental.


Atento às desigualdades entre comunidades urbanas e rurais, o secretário relaciona dois princípios do que pode se chamar de “ecologia social”, previstos no programa:
1) As comunidades rurais precisam ser tão bem atendidas em serviços públicos quanto as cidades;
2) O meio ambiente começa no meio da gente.


As comunidades rurais precisam
ser tão bem atendidas em serviços
públicos quanto as cidades

Como preconiza o Programa de Microbacias, Morais defende que os projetos de conservação de recursos naturais devam nascer da decisão da comunidade e que os governos ajudem naquilo que for necessário. “Só assim, respeitando a visão do problema destes cidadãos, e agindo interativamente é que se terá uma consciência da necessidade de conservação. Respeitar sua decisão é reconhecê-los integrante do meio ambiente”, observa.
Baseando-se nos custos da conservação de solos, mananciais, flora, fauna e do trabalho extra que isto acarreta – de que se beneficia a sociedade urbana -, o secretário também acha necessário algum tipo de retribuição, por parte desta sociedade, ao seu esforço conservacionista, através de benefícios e serviços públicos. Ele ilustra sua tese com o exemplo norte-americano, onde o proprietário, que exerce um manejo conservacionista nas cabeceiras dos cursos d’água, recebe do governo mais benefícios dos que estão à jusante.


O Programa de Microbacias, segundo Morais, tenta resgatar parte desta dívida. Ele procura levar às pequenas comunidades rurais todo o conhecimento técnico disponível, através de pesquisas científicas e aporte de assistência técnica no local, pois, na sua opinião, sem livre acesso ao conhecimento científico da natureza não há conservação. Por fim, um lembrete: de inúmeras microbacias é que se fazem as grandes bacias onde se instalam as grandes barragens, para onde, normalmente, se voltam as preocupações ecológicas.


SALÃO DE PROJETOS
O Salão de Projetos é um “mercado ambulante de idéias” presente nos eventos da área de meio ambiente


Salão de Projetos não se restringe e não se extingue com o Seminário sobre Recursos Externos em Projeto de Meio Ambiente: Possibilidades e Critérios Brasileiros. Ele pode ser uma espécie de “mercado ambulante de idéias e projetos” e se fará presente nos principais eventos nacionais e internacionais da área de meio ambiente.


O projeto apresentado nesta primeira versão do Salão, após análise criteriosa de especialistas ambientais, será a entrada inicial deste acervo. Daí se produzirá um catálogo, que é outra forma de manifestação física do Salão, e que serão atualizado paulatinamente, para incorporar novos projetos e novas idéias. Os empreendedores, os conservacionistas, os ambientalistas, os estudiosos, a comunidade científica, as universidades, o setor público e o meio financeiro, entre outros, poderão encontrar, a tempo e à mão, o locus adequado para o livre trânsito de suas idéias e para a realização de seus projetos.


A Folha do Meio Ambiente circulou pela 1ª vez em 23 de junho de 1989.
De uma tiragem inicial de três mil exempla


res, o jornal chegou aos 75 mil exemplares no final da década de 90. Hoje tira 22 mil exemplares. Nestes 14 anos, o jornal passou a chegar a 3.250 municípios, a todos os postos diplomáticos brasileiros no exterior, a todas embaixadas estrangeiras no Brasil e a mais de 15 mil escolas no Brasil.

Há 14 anos

28 de janeiro de 2004

INTENÇÃO E GESTO — O Jardim Botânico do Rio de Janeiro que recentemente completou 181 anos de existência, é o detentor número dois nos arquivos do Tombamento do Patrimônio Histórico Nacional. Ostenta, ainda, o título de primeiro Jardim Botânico das Américas e é o mais rico acervo florístico dos trópicos.Mas o Jardim Botânico do RJ… Ver artigo

INTENÇÃO E GESTO — O Jardim Botânico do Rio de Janeiro que recentemente completou 181 anos de existência, é o detentor número dois nos arquivos do Tombamento do Patrimônio Histórico Nacional. Ostenta, ainda, o título de primeiro Jardim Botânico das Américas e é o mais rico acervo florístico dos trópicos.
Mas o Jardim Botânico do RJ esconde um câncer: um riacho que nasce límpido nas matas do Parque Nacional da Tijuca e que cristalino adentra seus limites, ali se polui, indo desaguar na Lagoa Rodrigo de Freitas poluído que está por esgotos da rua Pacheco Leão e por mais de 3 mil invasores que se instalaram dentro do JB, mercê da negligência do poder público. Pior: com beneplácito dos políticos e da sociedade.


LUTA DE MEIO SÉCULO — Em entrevista exclusiva ao jornalista Silvestre Gorgulho, o professor Luiz Simões Lopes, então com 86 anos, um dos criadores da FBCN – Fundação Brasileira para Conservação da Natureza, primeiro diretor do Serviço Florestal brasileiro e criador da Fundação Getúlio Vargas, fala das revistas na área ambiental que criou (O Solo – A Palma – a Revista Florestal) e da preservação da Amazônia.


DESAFIO — O presidente da Embrapa, Carlos Magno Campos da Rocha, lança um desafio: por que não financiar mais as instituições de pesquisa agropecuária e biológica do Brasil?


DÍVIDA EXTERNA — Com o auditório do Banco Central lotado, o professor Wanderbilt Duarte de Barros, então presidente da FBCN, e o ministro do Interior (interino) José Carlos Mello, abriram as primeiras discussões no Brasil sobre a possibilidade da conversão da dívida externa em projetos do meio ambiente, durante o Seminário Recursos Externos em Projetos de Meio Ambiente: Possibilidades e Critérios. Na sua fala inicial, Wanderbilt alertou: “Precisamos cuidar de nossa soberania, da nossa dignidade, da grandeza do Brasil. Mas a ajuda externa pode vir e não devemos temê-la, porque ela não provocará melindres a nossa soberania”.


Conversão da Dívida – Já o ex-presidente do BC, Geraldo Langoni, defendeu a conversão da dívida em projetos de meio ambiente. Disse que a poupança internacional pode alavancar o desenvolvimento do País, sem que sua soberania corresse risco. Langoni apontou três formas de captação:


1) Transferências governamentais (doações a fundo perdido)
2) Recursos oriundos de organismos multilaterais (empréstimos a longo prazo)
3) Fontes privadas (doações sem intermediação governamental).


A Folha do Meio Ambiente circulou pela 1a vez em 23 de junho de 1989.
De uma tiragem inicial de três mil exemplares, o jornal chegou aos 75 mil exemplares no final da década de 90. Hoje tira 22 mil exemplares. Nestes 14 anos, o jornal passou a chegar a 3.250 municípios, a todos os postos diplomáticos brasileiros no exterior, a todas embaixadas estrangeiras no Brasil e a mais de 15 mil escolas no Brasil.

Folha do Meio HÁ 14 ANOS

12 de dezembro de 2003

Ministro da Cultura: Meio Ambiente também é CulturaPara o ministro da Cultura, José Aparecido de Oliveira, é da maior importância que o Ministério e as secretarias de Cultura de todos os estados assumam também a responsabilidade das questões ambientais, inclusive da cultura indígena. Acrescentou José Aparecido: “Todos devem estar atentos aos problemas ambientais, porque as… Ver artigo

Ministro da Cultura: Meio Ambiente também é Cultura
Para o ministro da Cultura, José Aparecido de Oliveira, é da maior importância que o Ministério e as secretarias de Cultura de todos os estados assumam também a responsabilidade das questões ambientais, inclusive da cultura indígena. Acrescentou José Aparecido: “Todos devem estar atentos aos problemas ambientais, porque as diferentes culturas são, em grande parte, reflexo do ambiente em que se desenvolvem”.


“Não é possível ocultar o aspecto anticultural da depredação da natureza, quando temos queimadas criminosas, rios poluídos, fauna dizimada e a flora exposta a procedimentos verdadeiramente criminosos. A modificação constante da paisagem natural, sendo substituída pelo avanço tecnológico desequilibrado, tem produzido graves desastres ecológicos”, lembrou José Aparecido de Oliveira.


Paulo Nogueira quer fundo gerenciado pela ONU
Criar um fundo internacional, constituído por parte da dívida externa, com recursos da ordem de 1 a 2 bilhões de dólares por ano, gerenciado pela ONU, foi a proposta apresentada por Paulo Nogueira Neto, professor da USP e primeiro secretário Nacional do Meio Ambiente. Para Paulo Nogueira Neto, esse é o caminho mais rápido para se obter divisas para atacar os problemas ambientais do mundo.


Esse fundo integraria os países desenvolvidos e em desenvolvimento, com quotas distintas, onde os juros seriam utilizados para fins ambientais, saúde e educação.
“O mundo precisa de idéias práticas que não onerem apenas um lado, enquanto um outro lado se beneficia”, argumenta Paulo Nogueira Neto e acrescenta: “A Amazônia é o caso mais urgente, tanto para o Brasil, quanto para o mundo”.


Para a região norte, o ambientalista e professor da USP entende que o Brasil deve trabalhar em três frentes prioritárias: a primeira é o ordenamento territorial ou zooneamento ecológico econômico. O segundo diz respeito à ocupação da área, levando em conta a experiência frustrada. E o terceiro, é um estudo dos impactos climáticos, já que as mudanças nesse setor podem ser bastante rápidas.


Negociação da dívida é boa opção
E mea-culpa da Petrobrás
Para o cientista Paulo de Tarso Alvin, “num país em desenvolvimento como o nosso, não vejo necessidade de pedir dinheiro emprestado para a preservação. É preciso, isso sim, negociar a dívida conseguindo ajuda para melhor utilização dos recursos naturais, através do incentivo à pesquisa e do avanço da tecnologia”.


Philip Fearnside, pesquisador do INPA, condenou o mau uso do solo amazônico, com desgaste sem controle de recursos naturais e a implantação de projetos agropecuários e construção de obras faraônicas sem nenhuma projeção para o alto custo ambiental.


Nélio Paes de Barros, da Divisão de Engenharia e Segurança em Meio Ambiente da Petrobrás, fez um “mea-culpa” da sua empresa, afirmando que nas primeiras prospecções em solo amazônico “não cuidamos do meio ambiente como deveria”. Mas acabou revelando que pelo menos no campo das intenções já existe, na Petrobrás, projetos visando a um melhor gerenciamento dos recursos naturais.

Folha do Meio HÁ 14 ANOS

Entrevista LUIZ SIMÕES LOPES

8 de dezembro de 2003

Mais atual, difícil. Mais oportuno, nunca. Quando vemos hoje a ONU e outras entidades propondo estratégias para se obter um desenvolvimento sustentável, recomendando maneiras e ajudando a definir noções comuns relativas a questões ambientais, não podemos imaginar que, neste mesmo Brasil, tão alvo de agressões do exterior, há 59 anos, precisamente em março de 1930,… Ver artigo

Mais atual, difícil. Mais oportuno, nunca. Quando vemos hoje a ONU e outras entidades propondo estratégias para se obter um desenvolvimento sustentável, recomendando maneiras e ajudando a definir noções comuns relativas a questões ambientais, não podemos imaginar que, neste mesmo Brasil, tão alvo de agressões do exterior, há 59 anos, precisamente em março de 1930, um brasileiro reformista, inconformado, empreendedor e sonhador já estava lutando pela nossa natureza. É fantástico ver que, este brasileiro, com 86 anos, despachando oito horas por dia em seu gabinete, ainda propõe soluções para o hoje e para o amanhã, com a mesma serenidade, lucidez e competência com que, em julho de 1938, por exemplo, promoveu o divisor de águas da administração pública brasileira com a criação do DASP, ou quando assinou a Exposição de Motivos ao presidente da República, para a criação da Fundação Getúlio Vargas.


O professor Luiz Simões Lopes, gaúcho, agrônomo formado em Belo Horizonte, um dos criadores da FBCN – Fundação Brasileira para Conservação da Natureza, mentor e primeiro diretor geral do Serviço Florestal, lançador de revistas sobre cultura e educação, como a Revista Florestal, de onde foram tiradas estas citações, desde a década de 20, sinalizava, pela primeira vez no País, “que a Terra era uma bola frágil e pequena, dominada não pela ação e pela obra do homem, mas por um conjunto ordenado de nuvens, oceanos, vegetação e solos” (Comissão Brundtland-1988) Simões Lopes vislumbrou, desde então, a grandiosidade desta tarefa. A humanidade precisava agir conforme essa ordenação natural. Há mais de meio século, este brasileiro – único na sua medida do País – deu seu grito de alerta. Viva a vida… Silvestre Gorgulho foi até sua sala na FGV, no Rio, e conversou com o professor. Eis a entrevista publicada na Folha do Meio, em 1989:


FMA – Seu pai, Idelfonso Simões Lopes, foi ministro da Agricultura de Epitácio Pessoa. Este fato influenciou sua formação de agrônomo?
Simões Lopes –
Não, talvez tenha me interessado por agronomia, porque meu irmão mais velho estudou agronomia na Argentina. E, também, porque nós tínhamos fazenda. Formei-me em Belo Horizonte, mais fui aluno da Escola Luiz de Queiroz, em Piracicaba. Lá fui presidente de uma associação de classe, que estava parada e que incluía também professores da escola. Consegui uma coisa muito importante que foi reviver a revista da associação que se chamava “O Solo”. Sou um criador de revistas. Em Niterói, trabalhei na revista “A Rama” e, no Ministério da Agricultura, criei a “Revista Florestal”.


FMA – Todos os movimentos de saúde, de educação, de cultura e de valorizado do patrimônio têm seu apoio. Há 31 anos o senhor criou a FBCN…
Simões Lopes –
Não, eu não fui o criador. Fui um dos que tomou parte naquele movimento. A fundação foi criada por um grupo grande. Nesta época, eu trabalhava com e presidente JK.


FMA – Quando o senhor começou a trabalhar com floresta?
Simões Lopes –
Eu fui, em 1925, oficial do Gabinete do ministro Miguel Calmon. Fui convidado para ser secretário da Comissão, que ele tinha designado para preparar a legislação inicial do Serviço Florestal.


FMA – O senhor também foi o criador de várias revistas.
Simões Lopes –
É que eu já tinha um interesse muito grande pelo assunto. Em 1930, eu já tinha a “Revista Florestal”. Este aqui é um número bonito que consegui fazer (mostrando o exemplar). Eu era o diretor técnico, e o Francisco Rodrigues de Alencar, o gerente. Foi em 1930, era impressa no Rio de Janeiro e à minha custa.


FMA – Como compatibilizar ecologia e desenvolvimento?
Simões Lopes –
Não há incompatibilidade. O território onde está situado Berlim, uma das grandes cidades do mundo, tem 75% de cobertura florestal.


FMA – Como o senhor vê a ocupação da Amazônia?
Simões Lopes –
Considero uma destruição. Ela deveria ser ocupada, mas de maneira racional. A tecnologia tem que ir na frente. Conservando as matas densas, explorando, de maneira racional, as florestas. As nossas florestas, inclusive, são muito ricas até em remédios. Tirar uma floresta nativa e substituí-la por uma floresta produtiva é perfeitamente justificável. É só fazer um manejo. As árvores também têm vida e não vivem para sempre. Há uma certa época em que elas podem ser cortadas.

Folha do Meio HÁ 14 ANOS

11 de novembro de 2003

PROJETO BOMBoa receita de captação – Fazer projetos com metodologia, negociar de forma carreta, cumprir o componente ambiental para ter acesso à contrapartida de recursos nacionais constituem o caminho seguro para conseguir dinheiro externo e financiar o desenvolvimento brasileiro. Essa foi a receita apresentada pelo professor de Estudos ambientais da Unesp, Rio Claro (São Paulo),… Ver artigo

PROJETO BOM
Boa receita de captação – Fazer projetos com metodologia, negociar de forma carreta, cumprir o componente ambiental para ter acesso à contrapartida de recursos nacionais constituem o caminho seguro para conseguir dinheiro externo e financiar o desenvolvimento brasileiro. Essa foi a receita apresentada pelo professor de Estudos ambientais da Unesp, Rio Claro (São Paulo), Enéas Salatti, durante painel Recursos Externos na Conservação de Bacias Hidrográficas.

“Se um destes itens for deixado de lado, isto vai prejudicar não só a liberação de recursos por bancos e entidades externas, como também afetará a credibilidade do País”, alertou.

O consultor orienta: quem quiser buscar dinheiro no exterior tem que conhecer as prioridades dos organismos internacionais e avaliar onde é possível e viável desenvolver projetos. “Cada entidade ou banco tem essa definição e é só saber usar”, disse.

O Banco Mundial, por exemplo, definiu nove prioridades para atender a América Latina e o Caribe entre elas, o desmatamento, a poluição hídrica das águas superficiais, a deterioração dos recursos costeiros e a relação entre miséria e meio ambiente.

Como a vigilância sobre o componente ambiental está muito forte, lembrou Salatti, é preciso cumprir todas exigências, sob pena de “ficarmos sempre mais ausentes” na captação de recursos.

Saúde na Floresta
Furo das Onças – “As crianças de Furo das Onças, no interior de Marabá, PA, são mais fortes e saudáveis do que as que vivem na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, RJ, um dos espaços mais valorizados do mundo”. A observação é da bióloga Sônia Maria Dias, da Fundação Brasileira para a Conservação da. Natureza – FBCN. A explicação é simples: enquanto em Furo das Onças come-se e vive-se em ambiente harmônico com a natureza, em Ipanema, RJ, a ameaça à vida saudável começa na praia, com os elevados índices de contaminação da água, o que provoca inúmeras doenças.

Isso, sem falar no “stress” do trânsito, no barulho, preocupação com a violência, na poluição do ar, nas refeições feitas às pressas. Tudo isso também é causa de enfermidades e da má qualidade de vida.

Intromissão
Recado de Bush, o pai – O secretário-geral do Ministério do Interior, José Carlos Melo, resumiu de forma irônica a irritação do governo brasileiro com a alegada intromissão dos governos dos países do Primeiro Mundo na questão ambiental brasileira (vide o presidente Bush – o pai) e o ministro holandês que vieram ao Brasil): “Não se preocupem. Nós também não queremos aumentar o efeito estufa nem que a temperatura deste planeta aumente quatro ou cinco graus”.

José Carlos Melo ponderou que isto “derreteria a calota polar, elevando o nível dos oceanos. Não queremos que se inunde este belo país, que é a Holanda, ainda que boa parte dele tenha sido construída aterrando-se o mar, contra a vontade do mar”.

Parque Dainese
Americana – SP – O parque da Gruta Dainese, localizado na Vila Dainese, no município paulista de Americana, possui um patrimônio geológico, botânico e paisagístico que sempre ocupou, no passado, destaque especial na vida dos americanenses e dos habitantes das cidades vizinhas.

Este precioso patrimônio público está ameaçado e pede socorro a todos os órgãos públicos e entidades interessadas. O apelo é feito pelo Grupo Ecológico Cheiro Verde e pelas divisões de Saúde Ambiental e de Parques e Jardins da Prefeitura Municipal de Americana.

A Folha do Meio Ambiente circulou pela 1a vez em 23 de junho de 1989.
De uma tiragem inicial de três mil exemplares, o jornal chegou aos 75 mil exemplares no final da década de 90. Hoje tira 22 mil exemplares. Nestes 14 anos, o jornal passou a chegar a 3.250 municípios, a todos os postos diplomáticos brasileiros no exterior, a todas embaixadas estrangeiras no Brasil e a mais de 15 mil escolas no Brasil.

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