EUA

Kerry se diz ‘confiante’ de que compromissos dos EUA sobre clima não serão ‘revertidos’

16 de novembro de 2016

Donald Trump considera mudança climática uma farsa e estuda como tirar os EUA de acordo

 

 

 

John Kerry fala na conferência do clima em marrakesh (Foto: Mark Ralston/AFP)

John Kerry fala na conferência do clima em marrakesh (Foto: Mark Ralston/AFP)

 

 

O cretário de Estado americano, John Kerry, disse nesta quarta-feira (16) que está "confiante" de que os compromissos climáticos de Washington não podem ser revertidos "independentemente de qual política seja escolhida" pelo sucessor de Barack Obama na Casa Branca, Donald Trump.
 
Os Estados Unidos estavam a caminho de cumprir os objetivos assumidos no Acordo de Paris, e "não acredito que isso possa ser ou será revertido", disse Kerry em um discurso durante a Conferência da ONU sobre o clima em Marrakesh (COP22).
 
As forças do mercado, não a política, determinariam o curso do combate às mudanças climáticas, acrescentou.
 
"Ninguém tem o direito de tomar decisões que afetam milhões de pessoas baseado apenas em ideologia" alertou Kerry.
 
Trump já classificou a mudança climática como uma farsa e disse que irá rasgar o acordo parisiense, sustar quaisquer fundos de contribuintes dos EUA destinados a programas da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o aquecimento global e ressuscitar a indústria carvoeira de seu país.
 
Os conselheiros de Trump estão analisando formas de contornar um procedimento que faz com que países signatários levem quatro anos para abandonar o pacto, segundo disse uma fonte que trabalha com a equipe de transição a cargo de energia internacional e política climática.
 
Em seu Artigo 28, o acordo diz que qualquer país que queira se retirar depois de ter assinado precisa esperar quatro anos. Em teoria, a data mais próxima para isso seria 4 de novembro de 2020, na época da próxima eleição presidencial norte-americana.
 
 
Empresas pedem respeito ao acordo
 
Mais de 360 empresas, em sua maioria americanas, pediram a Donald Trump que respeite o acordo contra o aquecimento global, em um comunicado divulgado nesta quarta.
 
"Pedimos a nossos líderes eleitos que apoiem claramente a participação contínua dos Estados Unidos no Acordo de Paris", afirma o texto. Nike, Gap, Starbucks, Levi's e DuPont estão entre as empresas signatárias da carta aberta a Trump e a membros do Congresso.
 
Quatro dias antes da vitória de Trump no último dia 8, o Acordo de Paris de 2015 entrou em vigor, com o apoio de governos que vão da China a pequenos Estados – 195 países o aprovaram na COP 21, em dezembro de 2015.