Gente do Meio

O homem da floresta

10 de fevereiro de 2004

Do alto do rio Juruá à Presidência do Ibama

 


Marcus Barros



Nascido na floresta do alto do rio Juruá, no Amazonas, em 1947, o médico Marcus Barros chega à presidência do Ibama após desenvolver um amplo trabalho em benefício da saúde e das tradições da região Norte do país, reconhecido no Brasil e no exterior. Aliás, no próximo mês, Marcus Barros recebe comenda do Rei da Espanha como destaque na defesa do meio ambiente.


Barros é especialista em doenças tropicais, relacionando-as às condições ambientais em que vive a população, com mestrado em Leishmaniose Visceral e especialização em Medicina Tropical pela Universidade de Nagasaki, no Japão.


Ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), onde ingressou por concurso em 1975, exerceu mais de dez cargos de chefia, participa de bancas e comissões examinadoras no Brasil e exterior e é membro da New York Academy of Science.


Marcus Barros chega ao Ibama atendendo convite pessoal da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, companheira desde a época dos seringais, no Acre. Literatura é o seu hobby e, na gastronomia, o prato principal é o peixe, mais ainda quando saboreado com pirão e farofa de banana nas barrancas de rio. Especialmente do rio Juruá, onde nasceu. É casado com a jornalista gaúcha, Isane Barros, e tem quatro filhos.


Sandra Charity


A dama do WWF Brasil


A convite da ministra Marina Silva, Roberto Messias deixou o WWF-Brasil e voltou a Belo Horizonte para assumir Superintendência do Ibama de Minas Gerais.


A brasileira Sandra Charity Lyster foi, então, convidada pelo presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil, Mário Frering, para assumir, interinamente, a Secretaria-Geral do WWF-Brasil, que tem sede em Brasília.


Sandra Charity é do meio. Tem uma longa relação com a causa ambiental e com o próprio WWF. Conhece profundamente o mundo, o Brasil e o setor. Ela já foi a chefe do programa para América Latina do WWF-Reino Unido e vai estar à frente do WWF-Brasil enquanto acontece o processo de escolha do novo secretário-geral.


Veterinária, formada pela USP, com mestrado em Conservação de Recursos Naturais, Sandra Charity integrou a equipe técnica do WWF-Brasil de 1992 a 1995. Mesmo depois de se mudar para a Inglaterra (seu marido é inglês) onde passou a trabalhar para o WWF-Reino Unido, ela continuou colaborando efetivamente com o trabalho executado no Brasil. Em 2000, Sandra esteve no escritório do WWF-Brasília, planejando e desenvolvendo o Programa de Água Doce, já totalmente implementado. O programa mostra como atuar, a importância do trabalho de conscientização pública e das parcerias a serem desenvolvidas para preservação da água doce.


A quem interessar possa: no período em que Sandra Charity estiver respondendo pelo WWF-Brasil, prossegue a seleção para a vaga de secretário-geral, cuja descrição de função pode ser vista no site www.wwf.org.br O envio de documentação deve ser feito para deana@wwf.org.br.


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Morre criador de Mamirauá

5 de fevereiro de 2004

JOSÉ MÁRCIO AYRES (1954 – 2003)

O pesquisador, conservacionista e biólogo paraense José Márcio Ayres faleceu no dia 7 de março, em Nova York – EUA, vítima de câncer. Ayres ficou mundialmente conhecido como o idealizador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), primeira reserva amazônica a produzir resultados econômicos significativos, unindo pesquisa e preservação ambiental. José Márcio Ayres chegou a Mamirauá em 1983.


A reserva, de 1,124 milhão de hectares, está localizada no município de Tefé (AM) e foi criada em 1990. No município, estão sendo desenvolvidas ações bem-sucedidas de manejo participativo, com o desenvolvimento e comercialização de produtos extrativistas e agrícolas. Um dos destaques é o projeto de restabelecimento da população de pirarucus, maior peixe amazônico, comercializado de forma racional na reserva.


Além de ser responsável pela implantação da Reserva de Mamirauá, José Márcio Ayres lutou pela criação, em área contígua, da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, constituída em 1998, com 2,35 milhões de hectares. Junto com o Parque Nacional do Jaú, as duas reservas formam um vasto corredor ecológico, de mais de 5,7 milhões de hectares.


Em dezembro de 2001, em entrevista à Folha do Meio, o pesquisador (poeta e sambista) Paulo Vanzolini, profundo conhecedor da Amazônia brasileira foi muito crítico sobre tudo que se faz na Amazônia e sobre a atuação das ONGs.


A única ressalva de Paulo Vansolini foi em relação a José Márcio Ayres. Vanzolini foi taxativo: “O Márcio está fazendo uma coisa muito inteligente, sensata e importante em Mamirauá. Ele organizou muito bem as comunidades. Para falar a verdade, é a única coisa que eu conheço na defesa e no desenvolvimento sustentável da Amazônia é o trabalho do Márcio”, concluiu Vanzolini.


Mamirauá
a vida em equilíbrio


Mamirauá é um exemplo perfeito de desenvolvimento sustentável. A comunidade tem plena consciência e sabe conviver com a fauna, com a flora, com o rio e com tudo que a floresta lhe dá sem precisar degradar. Mamirauá é o exemplo e o legado que José Márcio Ayres deixa para o Brasil e para o mundo.
Conheça a reserva pelo belíssimo trabalho feito pelo poeta Thiago de Mello (texto) e por Luiz Cláudio Marigo (fotos) que estão no livro MAMIRAUÁ.


Os milagres da floresta estão nas mãos do homem


Já doente, Ayres costumava dizer aos amigos: “Muito do trabalho que nós temos feito juntos para proteger os recursos naturais e construir uma base para uma melhor estratégia de conservação está hoje bem enraizada na sociedade. Então, não será fácil retroceder”. E não há como retroceder quando a semente está bem plantada na alma de cada habitante desta região.
O livro MAMIRAUÁ pela beleza plástica e pelo texto amazônico de Thiago Mello é mais um legado de José Márcio Ayres: “Os milagres da floresta estão nas mãos do homem”.



 


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