Covid-19

Após contato com aldeia do AC, MPF pede medidas da Funai e Sesai para proteger índios isolados contra a Covid-19

20 de agosto de 2020

MPF enviou ofícios para a Funai e Sesai pedindo que sejam tomadas medidas que visem proteger e garantir a saúde dos índios isolados.

 

 

Em busca de alimentos, índios isolados fizeram contato em aldeia no Acre, no Rio Envira — Foto: Divulgação/Funai/Arquivo G1

Em busca de alimentos, índios isolados fizeram contato em aldeia no Acre, no Rio Envira — Foto: Divulgação/Funai/Arquivo G1
 
 
 
 
Após um grupo de dez índios isolados fazer contato com a Aldeia Terra Nova, onde vivem os Kulina Madiha, do Alto Rio Envira, o Ministério Público Federal encaminhou à presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai) e à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) ofícios solicitando que sejam tomadas providências para proteger a saúde dos índios isolados contra o novo coronavírus.
 
Ao G1, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou, por meio de nota, que uma equipe está em campo verificando as informações. O órgão disse ainda que a fundação aguarda a consolidação dos dados.
 
"Cabe ressaltar que qualquer medida açodada poderia colocar essas populações em risco, por isso o órgão preza pela cautela no esclarecimento dos fatos e na condução dos trabalhos. Por fim, a Funai reforça que tem tomado todas as medidas para proteção dos povos indígenas isolados no âmbito da covid-19".
 
A Sesai ainda não se posicionou até a última atualização desta reportagem.
 
Os documentos foram encaminhados pela Câmara de População Indígena e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (6CCR/MPF) e destacam que não há casos confirmados de Covid-19 na Aldeia Terra Nova, mas existem indígenas com sintomas associados aos da doença.
 
Com o contato, a preocupação é de que a Covid-19 se espalhe entre os indígenas, principalmente entre isolados.
 
A aldeia fica próxima ao município de Feijó, no interior do Acre, na fronteira do estado acreano com o Peru.
 
Ao G1, no sábado (18), o chefe da Aldeia Terra Nova, cacique Cazuza Kulina, disse que um “índio brabo”, como os isolados são chamados, fez contato no local e ainda chegou a passar a noite na casa de um parente do cacique.
 
“Demos roupas, cobertas, alguns utensílios, macaxeira, banana, dormiu na casa do meu genro. Ele pegou tudo e foi embora, nem vimos quando ele foi embora,” disse.
 
O cacique disse ainda que no dia seguinte um grupo com mais de 10 índios isolados voltou na aldeia em busca do que tinha pernoitado no local. “Eram mulheres, crianças e homens adultos, depois voltaram pelo rio para a aldeia deles. Fica a mais de quatro horas daqui onde eles vivem isolados, mas eles são parentes bons, não mexem com a gente”, afirmou.
 
 
Proteção
 
Nos documentos, a coordenadoria questiona ainda se os órgãos indígenas colocaram em prática o Plano de Contingência para Situações de Contato e se a sala de situação foi ativada após o contato entre os indígenas.
 
Essas estratégias foram definidas pelo Ministério da Saúde e a Funai para atenção à saúde dos povos indígenas.
 
Com a preocupação de que os índios isolados sejam contaminados com a Covid-19, é exigido também dados epidemiológicos dos povos indígenas localizados ao longo do Rio Envira e que os órgãos encaminhem quais as estratégias adotadas para evitar a proliferação do coronavírus entre a população indígena.