Editorial

Mineradoras: um câncer ambiental

22 de outubro de 2015

As mineradoras estão poluindo o solo, o ar e água. Além disso, pelos minerodutos sugam milhões de litros de água sem que a população e as autoridades percebam que estão secando nascentes em regiões onde água era abundante.   Pequá de Baixo, bairro rural de Açailândia (MA), em 1985, com a inauguração da ferrovia para… Ver artigo

As mineradoras estão poluindo o solo, o ar e água. Além disso, pelos minerodutos sugam milhões de litros de água sem que a população e as autoridades percebam que estão secando nascentes em regiões onde água era abundante.
 
Pequá de Baixo, bairro rural de Açailândia (MA), em 1985, com a inauguração da ferrovia para transportar minério de ferro de Carajás, tornou-se  um forte pólo siderúrgico. Atualmente, com cinco unidades de produção de ferro gusa, liderada pelo Vale do Rio Doce, é considerado “O inferno siderúrgico na Amazônia”. Ali a terra, o ar e a água estão sendo poluídos diariamente. A justiça já reconheceu que a vida no lugar é inviável e solicitou o reassentamento da população em outro lugar. Para agravar, o carvão vegetal para alimentar as caldeiras das siderúrgicas fez de Açailândia um foco de desmatamento e trabalho escravo.
 Mas não há denúncias de ONGs ou mesmo pesquisadores sobre a catástrofe ambiental que as mineradoras provocam. As mineradoras patrocinam  ONGs, financiam pesquisas acadêmicas, e nas últimas eleições, foram as maiores doadoras de recursos às campanhas legislativas, estaduais e federais.
Em Minas Gerais as mineradoras estão desviando recursos hídricos sem que a sociedade saiba. Os minerodutos, tubulações usadas para transporte rápido e barato de minérios a longas distâncias, estão sendo multiplicados. A Samarco, que já possui dois minerodutos ativos que ligam Germano, em Mariana (MG) a Ubu, em Amchieta,  (ES) projeta  construir mais três – ligando Minas ao litoral. Esse sistema dutoviário com um líquido, que no caso é água, está afetando e causando danos ao abastecimento doméstico, além do impacto no ecossistema provocado pela drenagem excessiva de água para essas mineradoras  abastecer o sistema de dutos.
A Lei das águas 9433/97 prevê pagamento de Royalties, em outorgas, e as mineradoras não pagam. A mesma Lei estabelece que as águas subterrâneas são de Domínio dos Estados e não Federal . O geólogo Milton Matta, que descobriu junto com sua equipe da Universidade Federal do Pará e da Universidade Federal do Ceárá, o potencial do Aquífero Alter do Chão, na Amazônia, assegurou que as mineradoras  usam de graça as águas subterrâneas. O Aquífero Alter do Chão tem quase o dobro do volume de água do Aquifero Guarani.
E para quem não sabe, o Brasil tem mais água subterrânea do que superficiais. Isto significa que o país tem aproximadamente um quarto, ou seja, 25% de toda água do planeta. Somente as águas superficiais dos rios e lagos são 12,5%. 
O grave é que o Brasil está perdendo a soberania de suas águas, principalmente as subterrâneas. Por quê?  Simples, porque grandes empresas, incluindo mineradoras, compram terras em cima desse tesouro, que o poder federal não pode controlar já que é domínio dos Estados que teimam em fazer grandes negócios.
 
SG