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Orçamento para Ministério do Meio Ambiente é a menor em 21 anos

22 de janeiro de 2021

Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021 apresenta redução da verba destinada inclusive às áreas de fiscalização ambiental e combate a incêndios florestais. Queimadas na Amazônia e no Pantanal em 2020 superaram dados do ano anterior.

Por Carolina Dantas, G1

 

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021, que ainda será analisado pelo Congresso, tem a menor proposta de orçamento desde 2000 para o Ministério do Meio Ambiente – R$ 1,72 bilhão -, segundo relatório desta sexta-feira (22) divulgado pelo Observatório do Clima (OC), rede de 56 organizações da sociedade civil.

Além disso, segundo o relatório:

  • O governo propõe uma redução de 27,4% do orçamento destinado para fiscalização ambiental e combate de incêndios florestais em comparação com 2020, incluindo os valores que seriam destinados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio);
  • Essa redução na verba de fiscalização ambiental e combate de incêndios, se comparada com o ano de 2019, é ainda maior: 34,5%;
  • No caso da verba destinada à criação, gestão e implementação de Unidades de Conservação (UCs), a redução em comparação com o ano passado é de 32,8%. Em comparação com o ano de 2018, ainda na gestão de Michel Temer, a queda é de 61,4%.

Em dezembro de 2019, o ministério chegou a propor uma possível fusão entre o Ibama e o ICMBio, mas voltou atrás após críticas de ambientalistas. Em abril de 2020, o assunto voltou a ser discutido, e o governo disse que a hipótese não estava descartada.

Para Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e especialista sênior em políticas públicas do OC, esse corte na verba para as Unidades de Conservação em 2021 pode ser um sinal de que a decisão, na verdade, já está tomada.

“O mais grave hoje em termos de falta de dinheiro é que ter R$ 74 milhões para as áreas protegidas pelo ICMBio vai impedir o trabalho. Então, para mim, esse dinheiro do ICMBio é o sinal mais forte de que a decisão de extinguir o ICMBio já está tomada. Eles devem juntar com o Ibama”, disse a especialista.

 

Na foto, membro da brigada de incêndio do Ibama tenta controlar as chamas em um ponto de queimada em Apuí, no Amazonas, no dia 11 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Na foto, membro da brigada de incêndio do Ibama tenta controlar as chamas em um ponto de queimada em Apuí, no Amazonas, no dia 11 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O corte na previsão de orçamento para o meio ambiente ocorre após um ano com altas taxas de desmatamento e queimadas. Além disso, levantamento feito pelo G1 no final de outubro mostrou que apenas três de quase mil autuações aplicadas pelo Ibama por desmate na Amazônia em 2020 foram quitadas.

As queimadas na Amazônia em 2020, ainda em outubro, já haviam ultrapassado o número registrado durante todo o ano anterior – mesmo que em 2019 o número de focos já tenha sido 30% maior do que em 2018.

Os incêndios no Pantanal também ultrapassaram um recorde: uma alta de 120% em relação a 2019, sendo o maior número de focos da série histórica – desde 1998 – do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora as queimadas nos biomas brasileiros.

Os números do Inpe também mostraram que 2020 foi o segundo pior ano de desmatamento na Amazônia Legal desde 2015, com um total de 8.426 km². O índice do ano passado ficou abaixo apenas do recorde histórico de 2019, com 9.178 km² alertas. Já em 2018, o número foi de 4.951 km².