As Chagas do Solo

1 de março de 2021

Cicatrizes gigantes são deixadas sobre a Terra pela mineração com grandes máquinas e explosivos.

O desejo desenfreado por eletrônicos, combustíveis e riquezas geológicas está estampado de forma devastadora em todo planeta.

 

Carajás, no Brasil, é uma das maiores minas de minério de ferro do planeta. — Foto: Getty Images via BBC

 

Quando cavamos o solo para extrair metais preciosos, combustível fóssil ou minérios antigos, removemos um capítulo de outra era. Tais substâncias são, nas palavras do escritor Astra Taylor, o “passado condensado”, remetendo a períodos épicos de fúria magmática, florestas tropicais ou vapor hidrotermal.

Levam milhões de anos para se formar ou cristalizar, e apenas alguns instantes para serem removidas com maquinário e explosivos.

Desde que o homem percebeu pela primeira vez que o solo abaixo dele continha riquezas ocultas, passou a cavar para descobrir o que repousa sob seus pés.

A mineração torna possíveis quase todos os aspectos de nossas vidas modernas, e muitas vezes os efeitos sobre a natureza estão a muitos quilômetros de nossas casas.

Quando você depara visualmente com o impacto de uma mina, pode mudar sutilmente a forma como avalia seu consumo. Inclusive este texto chegou até você por meio de materiais geológicos — por trás dessa tela, emaranhada em eletrônicos, há metais que outrora estiveram retidos por milênios em uma rocha.

E, em algum lugar do mundo neste momento, nosso desejo crescente por tecnologia está alimentando pesquisas subterrâneas cada vez mais profundas e abrangentes em busca desses recursos.

A seguir, você vai ver inúmeras maneiras pelas quais a mineração transformou a superfície da Terra — sejam os tons surpreendentes e artificiais das “bacias de rejeitos” ou as paisagens a céu aberto que parecem ser as verdadeiras impressões digitais da humanidade.

Se os antigos minérios e minerais que cobiçamos são o “passado condensado”, então, infelizmente, o que nos espera é um futuro com cicatrizes.

CICATRIZES GIGANTES PELO MUNDO

As imagens são duras e falam por si. Veja as crateras provocadas pelos homens em busca de riquezas escondidas nos minerais dos mais variados tipos.

 

Mina ‘pegmatito nº 3’ em Xinjiang, na China. O Lago Esmeralda, na província de Qinghai, na China, é uma zona de mineração abandonada. Lá, a mineração histórica deixou para trás sal e outros minerais em lagos gigantes de tom esverdeado.  Foto: Getty Images via BBC

 

Lago Esmeralda, na província de Qinghai, na China. Minerais de ferro oxidados dão cor à área de mineração do Rio Tinto, na província de Huelva, na Espanha.  Foto: Getty Images via BBC

 

Área de mineração do Rio Tinto, na província de Huelva, na Espanha. Misturados com água, os minerais de ferro se espalham como uma aquarela pela paisagem. Quando os minerais entram em contato com o ar, ficam avermelhados e depois escurecem à medida que se acumulam em águas mais profundas. Foto: Getty Images via BBC

 

A mina de ouro Los Filos, no México. — Foto: Getty Images via BBC

 

Em outra parte da Amazônia, no Peru, encontra-se uma área desmatada em decorrência da mineração ilegal de ouro na bacia do rio Madre de Dios. Foto: Getty Images via BBC

 

Mina de linhito (tipo de carvão) a céu aberto de Garzweiler em Juechen, na Alemanha. O linhito é um combustível fóssil feito de turfa comprimida naturalmente. Foto: Getty Images via BBC

 

Mina de carvão a céu aberto encontra o horizonte perto de Mahagama, no estado indiano de Jharkhand — Foto: Getty Images via BBC

 

Uma das maiores minas de urânio a céu aberto do mundo, está localizada no deserto da Namíbia. Foto: Getty Images via BBC

 

A mina de diamantes Mir na Rússia, coberta de neve, dá uma ideia do que nossos descendentes podem descobrir. O que será feito desses legados do nosso consumo? Foto: Getty Images via BBC