Amazônia

Incêndios florestais na Amazônia contribuíram para o aumento de emissões de CO2 nos últimos anos, aponta IPAM

5 de novembro de 2021

Segundo o instituto, florestas degradadas pelo fogo armazenam 25% menos carbono do que as florestas intactas.

Por g1

 

Ambientalistas dizem que, sem o controle do desmatamento da Amazônia, mundo não consegue alcançar meta contra as mudanças climáticas — Foto: Adriano Machado/Reuters

Ambientalistas dizem que, sem o controle do desmatamento da Amazônia, mundo não consegue alcançar meta contra as mudanças climáticas — Foto: Adriano Machado/Reuters

 

Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) apontou que os incêndios florestais tiveram uma contribuição de 21% nas emissões de carbono na Amazônia desde 2005. A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (5), na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26).

Segundo o IPAM, florestas degradadas pelo fogo armazenam 25% menos carbono do que as florestas intactas.
O estudo analisou o impacto dos incêndios florestais na emissão dos gases do efeito estufa nos últimos 36 anos. Normalmente, esses dados não são contabilizados nos inventários nacionais.

“Desenvolvemos um método com base em vários artigos científicos, de pessoas que mediram o impacto do fogo, dos incêndios florestais na redução da biomassa, na combustão, na mortalidade de árvores. Usamos esses dados para justamente estimar o quanto seriam essas emissões”, explica Ane Alencar, diretora do IPAM.

Mais de 215 mil km² de vegetação nativa (florestas, savanas e pastagens) na Amazônia foi queimada pelo menos uma vez durante as últimas quatro décadas. Quase metade desse desmatamento ocorreu em 2020.

“Uma coisa importante de entender é que a Amazônia não deveria queimar. Ela é úmida e não deveria queimar. Mas as ações humanas estão mudando as condições que fazem com que a floresta comece a ter incêndios florestais”, explica Alencar.

“Florestas precisam de proteção especial para que possam ter uma chance de recuperar sua capacidade para armazenar e absorver carbono”, alerta o instituto.
O IPAM sugere algumas estratégias para proteger as florestas, como o fortalecimento das agências de fiscalização para aplicar a lei. “A fiscalização por si só pode reduzir pelo menos metade do desmatamento em terras públicas”.

Também devemos olhar as emissões por incêndios florestais. Precisamos também reduzir o desmatamento e investir em políticas eficientes que consigam reduzir mais da metade do desmatamento que ocorre em terras públicas. As políticas que estão passando no Congresso têm que ser abortadas, porque elas acabam gerando essa pressão sob a floresta que gera desmatamento e incêndios”, finaliza Ane Alencar.

 

Queimada em Novo Progesso, no Pará, em 23 de agosto de 2020 — Foto: AP Photo/Andre Penner

Queimada em Novo Progesso, no Pará, em 23 de agosto de 2020 — Foto: AP Photo/Andre Penner

 

Desmatamento segue alto

Dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que a Amazônia Legal teve uma área de 796 km² sob alerta de desmatamento até 29 de outubro. Mesmo com o dado parcial, a área já é a segunda maior para o mês desde que o monitoramento começou, em 2015, ficando atrás só de 2020.

Na COP26, o Brasil ignorou os recordes de devastação e prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2028.

Um levantamento feito pelo Instituto Imazon apontou que o desmatamento na Amazônia na temporada 2020/2021 foi o maior dos últimos dez anos. A floresta perdeu uma área equivalente a nove vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro entre agosto de 2020 a julho de 2021, período em que se mede o “calendário do desmatamento”.