Calor

Até quando vai durar a onda de calor no Brasil?

6 de outubro de 2020

    SP terá semana de calor e altas temperaturas — Foto: Celso Tavares/G1         Depois de um fim de semana com temperaturas mais amenas e chuvas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, o calor retornou com força na maior parte do país já na segunda-feira (5). Mas até quando o… Ver artigo

 

 

SP terá semana de calor e altas temperaturas  — Foto: Celso Tavares/G1

SP terá semana de calor e altas temperaturas — Foto: Celso Tavares/G1
 
 
 
 
Depois de um fim de semana com temperaturas mais amenas e chuvas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, o calor retornou com força na maior parte do país já na segunda-feira (5). Mas até quando o calorão vai continuar?
 
Meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que ao menos até o fim desta semana.
 
Segundo os especialistas, a frente fria que chegou ao país no fim de semana não teve forças para derrubar as temperaturas no interior do país, mas apenas em Estados do Sul, leste de São Paulo, Rio de Janeiro e algumas regiões de Minas Gerais.
 
O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Maicon Veber disse que nos próximos dias a atuação de uma intensa massa de ar seco na maior parte do país vai fazer as temperaturas subirem ainda mais.
 
"É algo típico para essa época do ano, na transição entre o inverno e a primavera. Temos o calor típico de uma estação mais quente, mas ainda com características do período mais seco", afirmou.
 
Segundo ele, os radares meteorológicos apontam que a situação só deve mudar novamente a partir do dia 12, feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida.
 
"A previsão para daqui a sete dias é de chuvas e aumento da nebulosidade principalmente na região Centro-Oeste, no sul do Amazonas, além dos Estados do Acre e Rondônia", afirmou o meteorologista.
 
João Basso, meteorologista do Climatempo, explica que a massa de ar seco inibe a formação de nuvens e isso aumenta o calor.
 
"Com o sol brilhando forte ao longo do dia e sem a nebulosidade para barrar o calor, as temperaturas se elevam. Estamos entrando na La Niña, um fenômeno que deve intensificar o período de tempo seco", afirmou Basso.
 
Segundo Basso, os dados de satélites também apontam por dias menos quentes entre o fim do mês de outubro e início de novembro.
 
"Podemos dizer que nesta época ocorrerá um alívio no calor, já que estamos registrando temperaturas tão altas. A população vai perceber que o clima vai ficar mais parecido com a média para o ano. Mas não podemos falar em frio", disse o meteorologista.
 
 
 
Temperaturas devem continuar altas até o fim da semana, segundo meteorologistas — Foto: Agência Brasil via BBC
 
Temperaturas devem continuar altas até o fim da semana, segundo meteorologistas — Foto: Agência Brasil via BBC
 
 
 
Acima dos 40ºC
 
Mas até a chegada do alívio previsto para as temperaturas daqui uma semana, alguns Estados registrarão temperaturas acima dos 40ºC, principalmente aqueles localizados nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.
 
"Muitas regiões devem passar dos 40ºC nesta semana, como o norte do Mato Grosso do Sul, Rondônia, Tocantins, Pará e Sul do Amazonas", disse Maicon Veber, do Inpe.
 
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas máximas em Cuiabá ficarão acima dos 42ºC até sexta-feira, quando os termômetros podem chegar a 46ºC.
 
Poucas regiões poderão registrar pancadas de chuva ao longo desta semana. Isso pode acontecer, segundo o Inpe, em Curitiba, no litoral e na capital paulista e no Rio de Janeiro.
 
Segundo o meteorologista do Climatempo João Basso, as temperaturas máximas do interior do Estado de São Paulo e do Centro-Oeste devem ficar entre 5ºC e 7ºC acima da média nesta semana.
 
"Em São José do Rio Preto, no interior paulista, a média das máximas neste mês é de 31,6ºC. Nestes cinco primeiros dias, elas já passaram dos 37ºC, então já podemos esperar por um mês de outubro com temperaturas acima da média", afirmou.
 
Basso diz que não é possível relacionar as queimadas que ocorrem no país há semanas com o aumento da temperatura a curto prazo.
 
"Mas se pensarmos no efeito estufa, a longo prazo, com certeza elas afetam", afirmou.