Queimadas

Rondônia registra quase mil focos de queimadas na 1ª semana de outubro; alta é de 643%, aponta Inpe

8 de outubro de 2020

    Entre 1º e 7 de outubro, foram registrados 996 focos de fogo, enquanto que no mesmo período do ano passado houve 134 pontos ativos; quantidade é também 79% maior do que o captado em todo outubro de 2019. Registros são do satélite de referência do instituto.     Área da floresta amazônica é… Ver artigo

 

 

Entre 1º e 7 de outubro, foram registrados 996 focos de fogo, enquanto que no mesmo período do ano passado houve 134 pontos ativos; quantidade é também 79% maior do que o captado em todo outubro de 2019. Registros são do satélite de referência do instituto.

 

 

Área da floresta amazônica é queimada conforme é desmatada em Rio Pardo (RO). — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Área da floresta amazônica é queimada conforme é desmatada em Rio Pardo (RO). — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
 
 
 
Rondônia acumulou 996 focos de fogo detectados pelo satélite de referência Aqua do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) entre os dias 1º e 7 de outubro de 2020. A quantidade é 643% maior em comparação com igual período de 2019, quando o estado registrou 134 pontos de queimadas.
 
A alta ainda se estende por todo mês de outubro do ano passado, época em que a região somou exatos 556 focos (o equivalente a 79,1%).
 
Nesses sete primeiros dias, Rondônia ocupou a segunda posição nacional dos estados que mais tiveram detecção de focos de queimadas, ficando atrás apenas do Pará (veja gráfico abaixo).
 
Também foi nesse período que o estado representou 21,2% das queimadas na Amazônia, que registrou 4.692 focos. O ano recorde de focos para Rondônia em outubro foi 2003, já que houve 7.593 pontos de fogo captados pelo satélite de referência do Inpe.
 
 
Queimadas por estado (Amazônia)
 
Dados contabilizados entre os dias 1º a 7 de outubro de 2020
 
 
1.7251.725996996818818661661312312114114383814141414ParáRondôniaMato GrossoAcreAmazonasMaranhãoAmapáRoraimaTocantins0500100015002000

Rondônia

996

 

 

Porto Velho aparece na primeira posição com 218 focos de queimadas entre 1º e 7 de outubro deste ano. Já no ano passado, a capital aparecia no sétimo lugar com apenas nove pontos de chamas, uma alta percentual de mais de 2.300%.
 
As cinco cidades que mais tiveram focos na primeira semana de outubro de 2020 foram:
 
  • Porto Velho – 218
  • Nova Mamoré – 71
  • Machadinho D'Oeste – 65
  • Alta Floresta D'Oeste – 55
  • Alto Paraíso – 46
 
A capital rondoniense também se destaca no ranking nacional sendo a primeira cidade com maior número de queimadas:
 
  • Porto Velho (RO) – 218
  • São Félix do Xingu (PA) – 211
  • Xapuri (AC) – 176
  • Brasiléia (AC) – 146
  • Colniza (MT) – 121
  • Altamira (PA) – 108
  • Placas (PA) – 98
 
Dos 996 focos registrados de 1º a 7 de outubro de 2020 em Rondônia, 37 foram detectados em terras indígenas (entre elas as TIs Uru-Eu-Wau-Wau e Karipuna, com um e três pontos de chamas, respectivamente) e outros 132 nas unidades estaduais de conservação.
 
Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o aumento no número de focos de queimadas abrange toda Amazônia, pois a queda na quantidade de pontos de chamas em outubro do ano passado é considerada "fora do normal".
 
"Se olharmos, por exemplo, os outros anos, com exceção do ano passado, há uma média de mil focos no mês de outubro. Então acredito que aconteceu foi que 2019 esteve muito baixo o número de focos em outubro", explicou.
 
Para Ane, o motivo do aumento das queimadas na Amazônia pode envolver dois pontos: se está queimando o que realmente se queimaria em outros anos e um alerta de seca grande em algumas regiões do Brasil. "É preocupante e é preciso observar. Acredito que a chuva é o que pode salvar".
 
 
A coleta dos dados
 
O Inpe realiza medições desde 1986, após ter realizado um experimento de campo em conjunto com pesquisadores da Nasa. O sistema, porém, foi aperfeiçoado em 1998 após a criação de um programa no Ibama para controlar as queimadas no país. Os dados da série histórica estão disponíveis desde junho de 1998.
 
Um foco precisa ter pelo menos 30 metros de extensão por 1 metro de largura para que os chamados satélites de órbita possam detectá-lo. No caso dos satélites geoestacionários, a frente de fogo precisa ter o dobro de tamanho para ser localizada.
 
Os focos de calor, a grosso modo, representam qualquer temperatura registrada acima de 47ºC, mas não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio. Na verdade, um foco indica a existência de chamas em um píxel de imagem. Neste píxel pode haver uma ou várias queimadas distintas.
 
Se uma queimada for muito extensa, será detectada também com píxels vizinhos àquele. Ou seja, vários focos estarão associados a uma só queimada. Neste contexto, o número produzido é um indicador, e não uma medida absoluta.
 
 
Ciclo do desmatamento
 
As queimadas na Amazônia têm relação direta com o desmatamento. O fogo é parte da estratégia de "limpeza" do solo que foi desmatado para posteriormente ser usado na pecuária ou no plantio. É o chamado "ciclo de desmatamento da Amazônia".
 
Após o fogo, o pasto costuma ser o primeiro passo na consolidação da tomada da terra. Nos casos em que a ocupação não é contestada e a terra é de qualidade, o próximo passo é a exploração pela agricultura.
 
 
O que provoca as queimadas?
 
Para haver fogo, é preciso combinar: fontes de ignição (naturais, como raios, ou antrópicas, como isqueiros ou cigarros); material combustível (ter o que queimar, como madeiras e folhas); e condições climáticas (seca).
 
Como a Amazônia é uma floresta tropical úmida, os incêndios mais recorrentes ocorrem quando a madeira desmatada fica "secando" por alguns meses e, depois, é incendiada para abrir espaço para pastagem ou agricultura. Segundo especialistas, um incêndio natural não se alastraria com facilidade na Amazônia.
 
As queimadas são apenas uma das etapas do ciclo de uso da terra na Amazônia. Depois do desmate, se nada de novo acontecer, a floresta pode se regenerar. Uma floresta secundária, no entanto, nunca será como uma original, mesmo que uma parte da biodiversidade consiga se restabelecer. Na prática, o que acontece é que a mata não tem tempo de crescer de novo.