Produção de soja

Brasil e Alemanha firmam acordo para inovação na produção de soja, madeira e carne com proteção da Amazônia

10 de dezembro de 2019

Serão investidos 25,5 milhões de euros em melhorias de técnicas e para a agregação de valor aos produtos.

 

 

Plantação de soja na BR-163, no Pará — Foto: Marcelo Brandt/G1

Plantação de soja na BR-163, no Pará — Foto: Marcelo Brandt/G1
 
 
 
 
 
O Ministério da Agricultura e a embaixada da Alemanha assinaram nesta segunda-feira (9) um convênio de cooperação, com prazo de quatro anos, que cria o projeto Inovação das Cadeias Produtivas da Agropecuária para Conservação Florestal na Amazônia, de acordo com informações do jornal "Valor Econômico". Também foi firmado o contrato de contribuição financeira para o projeto, com participação do Instituto Interamericano para Cooperação para a Agricultura (IICA).
 
Serão investidos 25,5 milhões de euros em melhorias de técnicas empregadas e para a agregação de valor aos produtos nas cadeias da soja, madeira e carne. Os recursos são do banco alemão KfW.
 
Por meio de bases de dados como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a Guia de Trânsito Animal (GTA), o Ministério da Agricultura vai acompanhar diretamente propriedades dessas cadeias nos estados de Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins.
 
Será criado um índice de adequação socioambiental, para medir a implementação de técnicas sustentáveis nessas propriedades. Quanto melhor colocados no índice, mais os produtores terão incentivos de agregação de valor aos produtos e promoção da imagem dos mesmos no exterior. Quem tiver colocações piores receberá assistência técnica para melhorar o nível e se igualar aos demais. Um dos objetivos é aumentar a rastreabilidade dos produtos, principalmente das carnes.
 
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, batizou o projeto de "Nova Carne" e afirmou que ele ajudará a incluir pessoas no processo produtivo e de geração de renda com conservação. "Precisamos fazer a inclusão, não temos que excluir ninguém, temos que trazer para dentro e fazer com que entendam que a tecnologia vai dar renda e que a renda vai permitir que conservem e tenham outro padrão de vida. A exclusão só leva as pessoas à ilegalidade. Este é o primeiro projeto para trabalhar com inclusão dos pequenos produtores dessa região".
 
Ela ainda comentou a forma de “pontuação” do índice de adequação ambiental. "Quem estiver bem vai ganhar impulso para ter mais qualidade e renda; quem estiver abaixo dos indicadores, terá que ter a mão do Estado e assistência técnica para que também ultrapasse essa linha e seja produtivo, cumprindo a lei brasileira, o Código Florestal", concluiu.
 
O representante do IICA, Hernán Chiriboga, disse que o projeto é um "trabalho para mostrar que o Brasil está produzindo de forma sustentável e que vai se tornar o maior produtor de alimentos de forma sustentável".
 
O embaixador da Alemanha no Brasil, Gerog Witschel, avaliou que o projeto vai melhorar a imagem do Brasil no exterior. "Nós apoiamos esforços do Mapa para desenvolver ações para melhorar a sustentabilidade na produção agrícola. Estamos convencidos de que isso melhorará o posicionamento e oportunidades de mercado para produtos agrícolas do Brasil e vai contribuir para harmonização dos objetivos de conservação dos recursos naturais e da floresta amazônica."