Petróleo

IMA divulga laudo que descarta contaminação química em praias de Alagoas

21 de novembro de 2019

Amostras foram coletadas nos dias 13 e 14 de novembro, em Maceió e no interior do estado, em pontos onde havia sido registrado o aparecimento de manchas de óleo.

 

 

Japaratinga foi uma das praias de Alagoas que tiveram amostras examinadas pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) — Foto: Jonathan Lins/G1

Japaratinga foi uma das praias de Alagoas que tiveram amostras examinadas pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) — Foto: Jonathan Lins/G1
 
 
 
 
 
O Instituto do Meio Ambiente (IMA) em Alagoas divulgou, nesta quinta-feira (21), que análises feitas em trechos de praias do litoral alagoano onde ocorreram o surgimento de óleo não apresentam mais contaminação por químicos.
 
De acordo com as amostras coletadas em pontos do litoral e enviadas para laboratório, as concentrações de contaminantes como Benzeno, Etilbenzeno, Tolueno e Xileno estão dentro do Limite de Quantificação do método (LQ), que segue o parâmetro de 0,5µg/L, aferido por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
 
As amostras, analisadas pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), foram coletadas em oito pontos diferentes da capital e dos Litorais Norte e Sul do Estado, nos seguintes municípios:
 
Piaçabuçu;
 
Feliz Deserto;
 
Coruripe;
 
Barra de São Miguel;
 
Maceió;
 
São Miguel dos Milagres;
 
 
Maragogi.
 
As coletas ocorreram nos dias 13 e 14 de novembro. Ao mesmo tempo, a equipe do IMA coletou amostras em 10 diferentes pontos para análise de PH, Salinidade e a presença da bactéria Escherichia coli, já uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) coletou amostras de água, óleo, solo e peixe, e estabeleceram o prazo de 10 dias para divulgação dos resultados preliminares.
 
Os resultados das análises feitas pelo laboratório indicam segurança de uso por parte dos banhistas.
 
Mas o instituto faz um alerta: "em caso de avistamento de manchas de óleo, tanto nos pontos onde foram feitas as coletas como em quaisquer outros trechos de praia, a pessoa deve evitar o contato direto e avisar à prefeitura local para que sejam tomadas as devidas providências".

 

 

Material coletado foi examinado me laboratório — Foto: Divulgação/IMA

Material coletado foi examinado me laboratório — Foto: Divulgação/IMA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Petróleo

Navio suspeito por óleo no Nordeste carregava petróleo Merey 16 cru

2 de novembro de 2019

1 milhão de barris desse óleo foram carregados no navio Bouboulina, apontado pela PF como principal suspeito de ter causado o desastre das manchas de óleo no Nordeste.

 

 

Amostra de petróleo cru é analisada em laboratório universitário  — Foto: Divulgação/Centro Universitário FEI

Amostra de petróleo cru é analisada em laboratório universitário — Foto: Divulgação/Centro Universitário FEI
 
 
 
 
 
O petroleiro grego Bouboulina, suspeito de derramar o óleo que causou um desastre ambiental nas praias do Nordeste, carregou 1 milhão de barris do petróleo cru tipo Merey 16 no Porto de José, na Venezuela, em 15 de julho. A embarcação passou pelo litoral da Paraíba no final do mesmo mês.
 
As informações sobre o navio, sua carga e trajetória foram fornecidos pela agência de geointeligência Kpler, a pedido do G1, com base nos dados da Operação Mácula, desencadeada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (1º).
 
O óleo Merey 16 é uma mistura de petróleo cru extrapesado extraído do Cinturão do Orinoco – território ao sul do rio Orinoco, na Venezuela, que cobre os maiores depósitos de petróleo do mundo – com vários diluentes.
 
Segundo geólogos, engenheiros e químicos ouvidos pelo G1, o óleo do tipo extrapesado é o mais prejudicial ao meio ambiente.
 
"Ele tem mais frações tóxicas do que um óleo leve, cujos componentes seriam vaporizados mais facilmente. Enquanto ele está no mar, você ainda pode retirá-lo com uma separação do tipo líquido-líquido. Mas, depois que ele entra em contato com a areia, a remoção torna-se muito mais difícil", diz Ronaldo Gonçalves, professor de engenharia química no Centro Universitário FEI e especialista em análise de petróleo.
 
Além disso, trata-se de um material de difícil detecção por imagens de satélite. Por ser extrapesado, esse óleo é mais denso que a água salgada e fica parcialmente submerso, o que dificulta sua identificação até chegar próximo à costa, onde forma manchas escuras e assume características similares ao piche.
 
 
Produção venezuelana
 
O óleo Merey 16 é o mais produzido pela Venezuela e corresponde a uma parcela cada vez maior da produção da companhia estatal de petróleo do país, a PDVSA.
 
Estima-se que, em junho de 2019, esta categoria representou 822 mil barris por dia da produção total da PDVSA, que foi de 900 mil barris por dia naquele mês. No início do ano a produção de Merey era de cerca de 500 mil barris por dia, segundo a agência de notícias Reuters.
 
Diante das sanções dos Estados Unidos, a estatal passou a produzir cada vez mais óleo Merey. Isso porque os óleos sintéticos priorizados anteriormente eram destinados majoritariamente aos Estados Unidos, que agora não compram mais óleo da Venezuela. Por isso, diversas instalações da PDVSA foram adaptadas para a produção de óleo Merey nos últimos meses.

 

Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela.  — Foto: Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo

Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela. — Foto: Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo
 
 
 
 
Petróleo bruto
 
O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos e impurezas como enxofre e metais pesados. Ele é gerado ao longo do tempo a partir da decomposição de algas e plânctons em rochas sedimentares submetidas a altas temperaturas em grandes profundidades.

 

 

Professor Ronaldo Gonçalves analisa amostra de petróleo cru em laboratório — Foto: Divulgação/Centro Universitário FEI

Professor Ronaldo Gonçalves analisa amostra de petróleo cru em laboratório — Foto: Divulgação/Centro Universitário FEI
 
 
 
 
O petróleo cru, substância que foi encontrada nas praias do Nordeste, é o óleo bruto, produzido diretamente no reservatório geológico e posteriormente escoado para uma refinaria. Ele precisa ser processado para dar origem a subprodutos comerciais como gasolina, querosene, óleo diesel e lubrificantes.
 
O petróleo cru que apareceu na costa brasileira é denso e pesado, o que faz com que ele se comporte de maneira diferente da que ocorre na maioria dos vazamentos, segundo os pesquisadores.
 
"Grande parte dos vazamentos de petróleo em mar são de óleo leve, que formam uma fina camada translúcida e iridescente que se espalha na superfície dos oceanos, uma vez que este tipo de óleo é menos denso que a água", explica Clarissa Lovato Melo, geóloga e coordenadora de pesquisa do Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUC-RS.
 
"Entretanto, óleos extra-pesados formam plumas de contaminação mais densas que a água e que, portanto, submergem logo após o vazamento, não sendo aparentes superficialmente."