Petróleo

Pequenos fragmentos de óleo são detectados na região de Abrolhos

3 de novembro de 2019

Órgão informou, em nota divulgada neste sábado (2), que manchas foram avistadas na Ponta da Baleia, em Caravelas, e na Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos.

 
 
A Marinha informou, neste sábado (2), que pequenos fragmentos de óleo foram detectados em Abrolhos, na Bahia. Desde o início da semana, quando praias de municípios próximos foram contaminadas, pescadores realizavam uma força-tarefa para impedir que o petróleo chegasse a essa região — berço de baleias-jubarte e de espécies raras de corais.
 
Um vídeo divulgado pelo Marinha mostra pequenas manchas no mar. Segundo ela, o órgão que fez a a remoção desses fragmentos na Ponta da Baleia, em Caravelas, e na Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos, foi o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA). Ele é formado pela Marinha do Brasil, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
 
A Marinha afirma que está vistoriando a região.
 
 
Biodiversidade
 
O Banco de Abrolhos tem área total de 48.899 km². Segundo o biólogo Eduardo Camargo, do Instituto Baleia Jubarte, vai da Ponta do Corumbau, no município baiano de Prado, até o norte do Espírito Santo.
 
No local, há o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos — é a única área totalmente protegida dentro do banco, por causa das espécies que abriga.
 
"Todo o Banco de Abrolhos tem uma grande riqueza em biodiversidade, mas o parque é uma mostra de tudo o que há ali", destaca o biólogo. "Ele tem uma grande importância socioeconômica para a região, por conta do turismo, e é fonte de renda para os moradores", explica o biólogo.
 
Em Abrolhos, as águas quentes e cristalinas formam o ambiente ideal para espécies de corais. Os recifes crescem em forma de imensos cogumelos chamados chapeirões, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Já as algas marinhas desenvolvem-se sobre o fundo de areia, compondo, juntamente com as gorgônias, o que se pode chamar de “pradarias submarinas”.
 
O Banco de Abrolhos também é berço da baleia-jubarte, que se reproduz e amamenta entre os meses de julho e novembro.

 

 

Fragmento de óleo na praia norte da Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos — Foto: Divulgação/Marinha

Fragmento de óleo na praia norte da Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos — Foto: Divulgação/Marinha
 
 
 
Fragmento de óleo na praia norte da Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos — Foto: Divulgação/Marinha
 
Fragmento de óleo na praia norte da Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos — Foto: Divulgação/Marinha
 
 
 
Fragmento de óleo na praia norte da Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos — Foto: Divulgação/Marinha
 
Fragmento de óleo na praia norte da Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos — Foto: Divulgação/Marinha
 
 
 
 
 
Investigação da Polícia Federal
 
A Polícia Federal deflagrou, na sexta-feira (1º), a Operação Mácula, que investiga um navio de bandeira grega suspeito de ser o responsável pelo derramamento do óleo. Segundo relatório da empresa HE Tecnologias Espaciais, a embarcação, chamada Bouboulina, foi carregada com 1 milhão de barris do petróleo tipo Merey 16 cru no Porto de José, na Venezuela, no dia 15 de julho. Zarpou no dia 18 com destino à Malásia.
 
 
 
 
Bouboulina, navio petroleiro operado por empresa grega suspeito de derramar o óleo que atinge o Nordeste, segundo a PF — Foto: Carlos Vadir Góñiz Fariñas/Arquivo pessoal
 
Bouboulina, navio petroleiro operado por empresa grega suspeito de derramar o óleo que atinge o Nordeste, segundo a PF — Foto: Carlos Vadir Góñiz Fariñas/Arquivo pessoal
 
 
 
 
Depois, passou a oeste da Paraíba, em 28 de julho. As investigações do governo brasileiro apontam que a primeira mancha no oceano foi registrada no dia seguinte, a 733 km da costa do estado.
 
De acordo com os investigadores, 2,5 mil toneladas de óleo foram derramadas no oceano. A proprietária do navio é a Delta Tankers, fundada em 2006, mesmo ano de fabricação da embarcação. O G1 entrou em contato com a empresa e aguarda um posicionamento. À Reuters, a Delta disse que não foi procurada por autoridades do Brasil.
 
 
Ameaça ao Sudeste
 
O Instituto de Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou, também na sexta-feira (1°), que o óleo pode chegar aos estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. O órgão foi acionado pelo comitê de crise do governo federal e atua para detectar a movimentação do petróleo no mar.
 
 
Manchas na Bahia

 

 

Equipes da Limpurb limparam manchas de óleo que voltaram a aparecer na praia de Stella Maris, em Salvador, na sexta-feira — Foto: Reprodução/TV Bahia

Equipes da Limpurb limparam manchas de óleo que voltaram a aparecer na praia de Stella Maris, em Salvador, na sexta-feira — Foto: Reprodução/TV Bahia
 
 
 
 
 
Na sexta-feira (2), as manchas de óleo voltaram a aparecer em Salvador. A praia atingida foi a de Stella Maris, que fica na região do bairro de mesmo nome e que já havia sido limpa .
 
Equipes da Empresa de Limpeza Urbana do Salvador (Limpurb) fizeram a remoção dos resíduos durante a manhã.
 
As manchas de óleo começaram a chegar à Bahia em 3 de outubro, quase um mês após o início do problema no país. Até o momento, mais de 300 praias já foram afetadas em todo o Nordeste.
 
O governador da Bahia assinou um Decreto Estadual de Emergência para liberação de recursos a mais 15 municípios do estado, no dia 29 de outubro: Belmonte, Cairu, Camamu, Canavieiras, Igrapiúna, Ilhéus, Itacaré, Itaparica, Ituberá, Maraú, Nilo Peçanha, Taperoá, Una, Uruçuca e Valença.
 
No dia 14 de outubro, Camaçari, Conde, Entre Rios, Esplanada, Jandaíra e Lauro de Freitas já tinham recebido a verba, totalizando 21 cidades atendidas.
 
Segundo a assessoria do governo, com o decreto, fica autorizada a mobilização de todos os órgãos estaduais em ações de resposta ao desastre, de reabilitação e de reconstrução dos cenários.
 
Lista de locais afetados na Bahia:
 
 
Porto Seguro (710 km de Salvador – extremo sul do estado)
 
Praia do Mucugê (praia – distrito de Arraial D'Ajuda)
Praia de Pitinga (praia – distrito de Arraial D'Ajuda)
Praia de Taípe (praia – distrito de Arraial D'Ajuda)
Praia de Trancoso (praia – distrito de Trancoso)
 
 
Camamu (195 km de Salvador – extremo sul do estado)
 
Ilha Grande (praia)
 
 
Belmonte (579 km de Salvador – sul da Bahia)
 
Praia do Peso (praia);
Terminal Marítimo de Belmonte (praia);
Praia de Guaiú;
 
 
Valença (123 km de Salvador – baixo sul do estado)
 
Praia de Taquari (praia)
 
 
Nilo Peçanha (152 km de Salvador – baixo sul)
 
Barra dos Carvalhos (praia)
Praia do Pratigi (praia)
 
 
Jaguaripe (101 km de Salvador – recôncavo baiano)
 
Praia dos Garcês (praia)
Praia de Pirajuia (praia)
 
 
Una (525 km de Salvador – sul do estado)
 
Praia de Comandatuba (praia);
 
 
tuberá (169 km de Salvador – baixo sul do estado)
 
Barra do Serinhaém (praia);
Praia de Pratigi (praia);
Ilha de Kieppe (praia);
 
 
Uruçuca (412 km de Salvador – sudoeste do estado)
 
Serra Grande (praia);
 
 
Canavieiras (423 km de Salvador – sul do estado)
 
Praia de Atalaia;
 
 
Igrapiúna (179 km de Salvador – sudoeste do estado)
 
Ilha do Contrato (praia);
Ilha Coroa Vermelha (praia);
Timbuca (praia);
Itacaré (390 km de Salvador – sul do estado):
 
 
Tiririca (praia);
Itacarezinho (praia);
 
 
Ilhéus (300 km de Salvador – sul do estado)
 
Praia do Norte (praia);
Praia da Avenida Soares Lopes (praia);
Praia da Ponta do Ramo (praia);
 
 
Cairu (300 km de Salvador – baixo sul do estado):
 
Segunda Praia (praia – distrito de Morro de São Paulo);
Terceira Praia (praia – distrito de Morro de São Paulo);
Quarta Praia (praia – distrito de Morro de São Paulo);
Quinta Praia (praia – distrito de Morro de São Paulo);
Praia de Moreré (praia – distrito de Boipeba);
Garapuá (praia);
 
 
Maraú (250 km de Salvador – baixo sul do estado)
 
Praia de Barra Grande (praia – distrito de Barra Grande);
Praia de Cassange;
Praia dos Gringos (praia – distrito de Barra Grande);
Taipu de Fora (praia);
Três Coqueiros (praia);
Saquaíra (praia);
Algodões (praia);
Taipu de Fora (praia);
 
 
Itaparica (Ilha de Itaparica – RMS):
 
Manguinhos (praia);
 
 
Vera Cruz (Ilha de Itaparica – RMS):
 
Jaburu (praia);
Barra Grande (praia);
Barra do Pote (praia);
Tairu (praia);
 
 
Salvador:
 
Piatã (praia);
Praia do Flamengo (praia);
Jardim dos Namorados (praia);
Jardim de Alah (praia);
Praia de Placaford (praia);
Buracão (praia);
Ondina (praia);
Pituba (praia);
Boca do Rio (praia);
Stella Maris (praia);
Farol da Barra (praia);
 
 
Lauro de Freitas (cidade limítrofe – RMS):
 
Ipitanga (praia);
Vilas do Atlântico (praia);
Rio São Joanes (rio);
 
 
Camaçari (47 km de Salvador – RMS):
 
Arembepe (praia);
Guarajuba (praia);
Itacimirim (praia e manguezal);
Jauá (praia);
 
 
Mata de São João (61 km de Salvador – RMS):
 
Praia do Forte (praia);
Imbassaí (praia e manguezal);
Santo Antônio (praia);
Costa do Sauípe (praia);
 
 
Entre Rios (142 km de Salvador):
 
Subaúma (praia);
Porto de Sauípe (praia);
Massarandupió (praia);
 
 
Esplanada (170 km de Salvador):
 
Baixio (praia);
Mamucabo (praia);
Rio Inhambupe (rio);
Rio Subaúma (rio);
 
 
Conde (186 km de Salvador):
 
Barra da Siribinha (praia);
Barra do Itariri (praia);
Sítio do Conde (praia);
Poças (praia);
Rio Itapicuru (rio);
 
 
Jandaíra (205 km de Salvador):
 
Coqueiro (praia);
Mangue Seco (praia);
Três Coqueiros (praia);
Costa Azul (praia);
Rio Itapicuru (rio);
Rio Real (rio);