Corais

Mecanismo de defesa dos corais pode desaparecer com aquecimento do mar

15 de abril de 2016

Quando calor é previsto, corais podem reduzir danos de branqueamento. Eventos devem acontecer com mais frequência e risco nos próximos verões.

Mergulhador tira fotos durante inspeção de corais na área conhecida como ‘Coral Gardens’, na ilha Lady Elliot, a 80 quilômetros de Queensland, na Austrália, em foto de 11 de junho de 2015 (Foto: Reuters/David Gray/Files)

Mergulhador tira fotos durante inspeção de corais na área conhecida como ‘Coral Gardens’, na ilha Lady Elliot, a 80 quilômetros de Queensland, na Austrália, em foto de 11 de junho de 2015 (Foto: Reuters/David Gray/Files)

 

Alguns corais da Grande Barreira de Corais são conhecidos por sua resistência ao aumento da temperatura, mas um estudo divulgado nesta quinta-feira (14) alerta que este mecanismo de proteção pode desaparecer em breve.
 
Se as temperaturas da superfície do oceano subirem cerca de 0,5 grau Celsius, o fenômeno de branqueamento de corais no famoso recife australiano poderia se espalhar de forma dramática, adverte o estudo, publicado na revista Science.
 
Esse processo tem a ver com uma resposta natural ao estresse que os corais sofrem como resultado do aquecimento das águas e que os cientistas analisam a partir do estudo, durante 27 anos, dos registros de satélite da Grande Barreira de Corais.
 
"Quando os corais se veem expostos a um período de pré-estresse nas semanas que antecedem ao aumento das temperaturas, formam uma barreira e os corais se preparam" para este fenômeno, explica o principal autor do estudo, Tracy Ainsworth, do Center of Excellence for Coral Reef Studies da universidade de James Cook.
 
"Os corais expostos a esse padrão tem menos estresse e são mais tolerantes ao branqueamento", indica o texto.
 
Mas, se em uma determinada região as temperaturas da superfície do mar aumentarem mais de dois graus Celsius acima da média mensal das últimas três décadas, este mecanismo de proteção poderá ser perdido e os danos aos corais seriam mais severos.
 
 
Mergulhador inspeciona corais na área conhecida como ‘Coral Gardens’, na ilha Lady Elliot, a 80 quilômetros de Queensland, na Austrália, em foto de 11 de junho de 2015 (Foto: Reuters/David Gray/Files)
 
Mergulhador inspeciona corais na área conhecida como ‘Coral Gardens’, na ilha Lady Elliot, a 80 quilômetros de Queensland, na Austrália, em foto de 11 de junho de 2015 (Foto: Reuters/David Gray/Files)
 
 
 
A maioria dos corais protegidos "começará a experimentar o fenômeno de branqueamento de maneira repetitiva quando a temperatura da superfície do mar se situar cerca de 0,5 graus Celsius acima da atual, o que deve ocorre num intervalo de quatro décadas", informa o estudo.
 
Atualmente, cerca de três quartos dos corais da Grande Barreira beneficiam deste mecanismo de proteção. Mas, se a temperatura da superfície do mar aumentar, apenas 22% se verá protegida.
 
"Nos verões futuros, os eventos de branqueamento vão ocorrer com mais frequência e o risco de mortalidade do coral será maior", afirma Scott Heron, do Observatório da Barreira de Corais da Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA), e co-autor o estudo.
 
O branqueamento ocorre quando condições ambientais anormais, tais como temperaturas mais quentes do mar, levam os corais a expelir pequenas algas fotossintéticas, que perdem a sua cor.