Iceberg Gigante

Imagens de satélite mostram que iceberg gigante está se quebrando

18 de julho de 2017

Bloco com 1 trilhão de toneladas está se afastando da plataforma Larsen C

 

 
 
RIO — O iceberg A-68, que se desprendeu semana passada da plataforma Larsen C, na Antártica, está se quebrando em pedaços menores, revelaram imagens capturadas pelo satélite Deimos-1. Na parte mais ao norte, é possível observar vários blocos pequenos se soltando e, no centro, um novo iceberg relativamente grande se formou.
 
 
O desprendimento de icebergs na Antártica é um fenômeno natural, mas o A-68 chamou atenção da comunidade internacional pela sua dimensão. Com 5,8 mil quilômetros quadrados — área equivalente a do Distrito Federal — e peso estimado em 1 trilhão de toneladas, ele é um dos maiores blocos de gelo flutuante já observados. Agora, os cientistas acompanham o destino do iceberg.
 
 
Os modelos de computador indicam que, num primeiro momento, o A68 deve se afastar um pouco da plataforma Larsen C, descendo o oceano pelos ventos no Mar de Weddell, mas o movimento de rotação da Terra deve mantê-lo relativamente próximo à costa. Mas os pequenos blocos, mais leves e menos espessos, podem seguir outras rotas. Thomas Rackow e seus colegas do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha, na Alemanha, estão entre os pesquisadores que acompanham com interesse a movimentação.
 
 
Em artigo publicado recentemente, eles modelaram a movimentação de icebergs em águas antárticas, considerando diferentes influências que agem sobre os blocos, grandes e pequenos. Eles apontam, essencialmente, quatro “rodovias” principais, dependendo do ponto de origem. O A-68, oriundo da Península Antártica, deve seguir pela costa leste da península, rumo norte, em direção ao Atlântico.
— Será mais provável que ele siga o curso norte, seguindo aproximadamente para as Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul (a leste das Ilhas Malvinas) — disse Rackow, à BBC. — Será bem interessante ver se o iceberg vai se mover como esperado, um tipo de checagem da realidade para os modelos atuais e o nosso entendimento.
 
 
Os cientistas também acompanham o que acontecerá com a plataforma Larsen C, que perdeu 12% de sua área com o desprendimento do A-68. Existe a possibilidade que o estresse se alastra para outras regiões, levando à formação de novos iceberg e, potencialmente, o fim da plataforma. Em 2005, o desprendimento de um iceberg da Larsen-B fez com que toda a plataforma se desprendesse em questão de meses.