Desmatamento

Agropecuária foi responsável por 90% da perda de vegetação natural do Brasil, aponta levantamento

28 de agosto de 2020

Pesquisadores lançam novos dados do Mapbiomas, projeto que observa o uso da terra no país. De 1985 a 2019, 10% da vegetação do território nacional foi perdida.

 

 

Árco-íris na floresta da bacia do Xingu pouco antes de chover — Foto: Carolina Dantas/G1

Árco-íris na floresta da bacia do Xingu pouco antes de chover — Foto: Carolina Dantas/G1
 
 
 
 
O uso da terra para a agropecuária foi responsável por 90% da perda de vegetação natural do Brasil. Os dados, contabilizados entre os anos 1985 e 2019, foram divulgados nesta sexta-feira (28) e são monitorados pelo Mapbiomas, um projeto que envolve ONGs, universidades e empresas de tecnologia.
 
 
Dados importantes:
 
  • Brasil perdeu área de vegetação nativa equivalente a 10,25% do território nacional entre 1985 e 2019;
  • A área perdida acumulada é de 87,2 milhões de hectares – 573 cidades de São Paulo;
  • 9,3% da mata natural do país é secundária, ou seja, já foi desmatada em algum momento e voltou a crescer;
  • O Cerrado é o bioma que perdeu mais vegetação nativa: – 21,3%.
 
"O levantamento do MapBiomas aponta que pelo menos 9,3% de toda a vegetação natural do Brasil é secundária, ou seja, são áreas que já foram desmatadas e convertidas para uso antrópico pelo menos uma vez", explica Tasso Azevedo, coordenador-geral do projeto.
 
"Da área que nunca foi desmatada, há uma fração que já foi degradada por fogo ou exploração madeireira predatória. Quantificar esse processo de degradação das florestas é um dos próximos desafios que vamos enfrentar".
 
 
Perda de vegetação nativa por bioma (%)
 
Dados somam desmatamento entre 1085 e 2019.
 
 
 
-10,2-10,2-21,3-21,3-12-12-10,9-10,9-10,3-10,3-21-21AmazôniaCerradoPantanalCaatingaMata AtlânticaPampa-22,5-20-17,5-15-12,5-10-7,5-5-2,50

Pampa

-21

Fonte: Mapbiomas

Os dados do Mapbiomas são públicos e levam em consideração diferentes bases de dados, algumas criadas por universidades, outras com base em imagens de satélite, como as do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ou até dados demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Participam do grupo de monitoramento ONGs como Imazon, SOS Mata Atlântica, Observatório do Clima e Ipam. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Feira de Santana também são co-criadoras, além de empresas de tecnologia, como o Google.

 

Divisão do território por tipo de uso da terra (%)

Dados são referentes ao ano de 2019.

 

 
Florestas: 61,5Vegetação natural não-florestal: 5,9Agropecuária: 30Área não vegetada : 0,6Água: 2

Florestas

61,5

Fonte: Mapbiomas
 
 
 
Alta do desmatamento
 
As áreas com alerta de desmatamento na Amazônia aumentaram 34,5% no período de um ano, segundo dados divulgados pelo Inpe, vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.
 
De agosto de 2019 até o dia 31 de julho deste ano, houve alerta de desmatamento de 9.205 km² de área da floresta, uma área mais que seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Entre agosto de 2018 e julho de 2019, esse número tinha ficado em 6.844 km².
 
 
Áreas da Amazônia sob alerta de desmatamento
 
Floresta teve 34,5% de aumento em área desmatada em um ano
 
 
5.3775.3774.6394.6394.5714.5716.8446.8449.2059.205Ago 2015-Jul 2016Ago 2016-Jul 2017Ago 2017-Jul 2018Ago 2018-Jul 2019Ago-2019-Jul 2020010k2,5k5k7,5k

Ago 2017-Jul 2018

4.571

Fonte: Deter/TerraBrasilis/Inpe/MCTIC
 
 
 
 
 
Áreas em alerta de desmatamento na Amazônia por mês
 
Período considerado vai de agosto a julho do ano seguinte
 
Área (em km²)1.7131.7131.4531.4535555555635631901902842841851853273274074078338331.0391.0391.6541.6545265267467462772771361362472472.2552.2552782784034035505504884885965961.0251.025750750161674743633637397392019-20202018-192017-182016-172015-16AgostoSetembroOutubroNovembroDezembroJaneiroFevereiroMarçoAbrilMaioJunhoJulho05001000150020002500

Novembro

 2018-19: 277

Fonte: Deter/TerraBrasilis/Inpe/MCTIC