Aquecimento Global

Groenlândia perdeu seis piscinas olímpicas de gelo a cada segundo por derretimento em 2019

23 de agosto de 2020

As calotas polares da Groenlândia perderam 532 bilhões de toneladas de gelo em 2019, um novo recorde para este gigantesco território ártico.

 

 

Degelo na baía de Disko, na Groenlândia — Foto: Ian Joughin/Universidade de Washington

Degelo na baía de Disko, na Groenlândia — Foto: Ian Joughin/Universidade de Washington
 
 
 
As calotas polares da Groenlândia perderam 532 bilhões de toneladas de gelo em 2019, um novo recorde para este gigantesco território ártico, o que ameaça acelerar a elevação do nível dos oceanos e o futuro de milhões de pessoas, segundo um novo estudo.
 
Este degelo, equivalente ao conteúdo de seis piscinas olímpicas por segundo, representou a principal fonte de elevação do nível do mar em 2019 – 1,4 milímetros, 40% do total –, de acordo com as conclusões dos pesquisadores, publicadas na quinta-feira (20) na revista "Communications Earth & Environment".
 
Esta perda é pelo menos 15% maior do que o último recorde registrado em 2012 e confirma uma tendência a longo prazo, alertam os autores do estudo.
 
 
 
 
Foto de sexta-feira (16) divulgada nesta terça (20) mostra grandes icebergs durante o amanhecer perto de Kulusuk, na Groenlândia. Os cientistas trabalham para tentar entender o derretimento assustadoramente rápido do gelo — Foto: Felipe Dana/AP
 
Foto de sexta-feira (16) divulgada nesta terça (20) mostra grandes icebergs durante o amanhecer perto de Kulusuk, na Groenlândia. Os cientistas trabalham para tentar entender o derretimento assustadoramente rápido do gelo — Foto: Felipe Dana/AP
 
 
 
 
Além de 2019, "os outros quatro anos recorde foram registrados na última década", explica à AFP o principal autor do estudo, Ingo Sasgen, glaciologista do centro Helmholtze de Pesquisa Polar e Marinha (Alemanha).
 
Na semana passada, outro estudo publicado na mesma revista já havia alertado sobre o degelo irremediável das calotas da Groenlândia, que continuaria "mesmo se a mudança climática fosse contida agora", já que as nevadas não compensam mais as perdas.
 
Os relatórios alarmantes sobre esta ilha de dois milhões de km2 (quase 4 vezes a superfície da França), cercada por 75% do Oceano Ártico e coberta em 85% de gelo, se multiplicam há anos.

 

 

Na imagem, do dia 1º de agosto, rios de água derretendo se formam na camada de gelo no oeste da Groenlândia. A onda de calor que atingiu a Europa na semana passada está agora sobre a Groenlândia. — Foto: Caspar Haarløv, Into the Ice via AP

Na imagem, do dia 1º de agosto, rios de água derretendo se formam na camada de gelo no oeste da Groenlândia. A onda de calor que atingiu a Europa na semana passada está agora sobre a Groenlândia. — Foto: Caspar Haarløv, Into the Ice via AP
 
 
 
 
A região se aquece duas vezes mais rápido do que o restante do planeta. Nos anos 1980 e 1990, as calotas polares perdiam por volta de 450 gigatoneladas (450 bilhões de toneladas) de gelo por ano, mas eram substituídas pelas nevadas.
 
A partir dos anos 2000, o degelo acelerou, aumentando até 500 gigatoneladas anuais que não foram compensadas, segundo os autores do estudo publicado em 13 de agosto.
 
A menor frequência de nevadas, que também é uma consequência da mudança climática, reduz a cobertura das nuvens e, nos dias mais quentes, isso acelera o degelo.
 
 
 
Iceberg flutua em um fiorde próximo à cidade de Tasiilaq, na Groenlândia — Foto: Lucas Jackson/Reuters
 
Iceberg flutua em um fiorde próximo à cidade de Tasiilaq, na Groenlândia — Foto: Lucas Jackson/Reuters
 
 
 
 
No entanto, Ingo Sasgen considerou cedo demais para falar de um ponto sem reversão.
 
"Isso não significa que não seja importante tentar conter o aquecimento. Cada décimo de grau impedirá um pouco o aumento do nível do mar", disse o pesquisador.
 
O degelo neste território provocou uma alta de 1,1 cm entre 1992 e 2018, calcularam os autores de um estudo publicado em dezembro passado na Nature.
 
Segundo o grupo de especialistas climáticos da ONU (IPCC), o nível do mar aumentou 15 cm no século XX.
 
Devido a este fenômeno, combinado com a mudança climática, em 2050 mais de um bilhão de pessoas que vivem em regiões costeiras estarão particularmente expostas a inundações e eventos climáticos extremos.