Biodiversidade

Bombardeio de meteoritos não estimulou biodiversidade marinha na Terra

25 de janeiro de 2017

Expansão da vida marinha ocorreu há dois milhões de anos, dizem especialistas, antes do bombardeio de rochas espaciais.

 

 

A explosão de vida oceânica há 471 milhões de anos não foi provocada por um bombardeio de meteoritos, revela um estudo divulgado nesta terça-feira (24), desafiando a teoria predominante sobre o evento.

 

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Trilha de um meteorito é visto em Chelyabinsk, na Rússia (Foto: AP/Chelyabinsk.ru)
 
 
 
Sem oferecer uma explicação alternativa para o que é conhecido como o Grande Evento de Biodiversificação do Ordoviciano (GOBE), pesquisadores da Suécia e da Dinamarca disseram que a expansão de criaturas começou dois milhões de anos antes do bombardeio de rochas espaciais.
 
A conclusão foi baseada na datação de sedimentos de meteoritos na Suécia.
 
"Este estudo mostra que os dois fenômenos não estão relacionados", escreveram os pesquisadores na revista científica Nature Communications.
 
Para o coautor do estudo Anders Lindskog, da Universidade de Lund na Suécia, os dados mostraram que "não há influência 'extraterrestre' mensurável na biodiversidade" nos oceanos da Terra.
 
O GOBE, que expandiu enormemente a diversidade da vida marinha, começou cerca de 70 milhões de anos após a primeira explosão de vida na Terra, durante o período Cambriano, há cerca de 540 milhões de anos.
 
Alguns cientistas afirmam que o evento do Ordoviciano foi provocado por uma colisão de objetos no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, fazendo chover fragmentos no nosso planeta.
 
Tal bombardeio pode ter mudado o ambiente justo o suficiente para estimular a diversificação da vida existente, segundo a teoria.
 
A questão do que causou essa diversificação continua em aberto, mas Lindskog especula que se tratou provavelmente de uma combinação de eventos e processos.
"É razoável que os níveis muito altos do mar que prevaleceram durante o Ordoviciano (…) simplesmente ofereceram mais espaço para a vida prosperar", disse à AFP.
 
"Combinando esse fator com a presença de muitos pequenos continentes (permitindo mais faunas endêmicas) e as mudanças climáticas benéficas (provavelmente resfriamento), temos uma boa 'receita' para a biodiversificação", afirmou o pesquisador por e-mail.