Amazônia

Desmatamento na Amazônia cresce 13,7% entre 2017 e 2018, dizem ministérios

25 de novembro de 2018

Área perdida de floresta é de 7.900 km², contra 6.947 km² desmatados no mesmo período analisado anteriormente.

 

 

Vista aérea da floresta Amazônia na região dos arredores do rio Guaporé — Foto: André Edouard/Arquivo/AFP

Vista aérea da floresta Amazônia na região dos arredores do rio Guaporé — Foto: André Edouard/Arquivo/AFP
 
 
 
 
O desmatamento na Amazônia cresceu 13,7% entre agosto de 2017 e julho de 2018, de acordo com nota conjunta divulgada nesta sexta-feira (23) pelos ministérios do Meio Ambiente e Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. A área desmatada é de 7.900 km², contra 6.947 km² perdidos no mesmo período dos anos anteriores.
 
A taxa preliminar foi obtida pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ela é criada por meio de imagens de satélite que registram e quantificam as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. O levantamento usa apenas dados de quando há remoção completa da cobertura florestal por corte raso.
 
O desmatamento registrado é o maior desde 2008, quando a área desmatada de floresta foi de 12.911 km². Veja no gráfico abaixo:
 
 
Taxa PRODES 2004 a 2018 (Km2)
 
 
Ano/Estados AC AM AP MA MT PA RO RR TO AMZ LEGAL
2004 728 1232 46 755 11814 8870 3858 311 158 27772
2005 592 775 33 922 7145 5899 3244 133 271 19014
2006 398 788 30 674 4333 5659 2049 231 124 14286
2007 184 610 39 631 2678 5526 1611 309 63 11651
2008 254 604 100 1271 3258 5607 1136 574 107 12911
2009 167 405 70 828 1049 4281 482 121 61 7464
2010 259 595 53 712 871 3770 435 256 49 7000
2011 280 502 66 396 1120 3008 865 141 40 6418
2012 305 523 27 269 757 1741 773 124 52 4571
2013 221 583 23 403 1139 2346 932 170 74 5891
2014 309 500 31 257 1075 1887 684 219 50 5012
2015 264 712 25 209 1601 2153 1030 156 57 6207
2016 372 1129 17 258 1489 2992 1376 202 58 7893
2017 257 1001 24 265 1561 2433 1243 132 31 6947
2018* 470 1045 -** 281 1749 2840 1314 176 25 7900
Var. 2018-2017* 82.9% 4.4% –      6% 12% 16.7% 5.7% 33.3% -19.4% 13.7%
Var. 2018-2004* -35% -15% –     -63% -85% -68% -66% -43% -84% -72%

(* Atualizado em 23/11/2018; ** Nesta estimativa não foram observados dados do Estado do AP)

 

 

Em nota, o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, disse que "o recrudescimento do crime organizado que atua no desmatamento ilegal da Amazônia, destruindo as riquezas naturais do país e causando danos para toda sociedade, está associado a outras práticas criminosas, como tráfico de armas e animais, trabalho escravo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro".

Os estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas são os que têm a maior área de perda da floresta. O Acre é o estado onde mais cresceu o desmatamento: 82,9% em relação ao mesmo período analisado anteriormente.
 
 
Distribuição do desmatamento por estado.
 
 
 
 
O Observatório do Clima avalia que essa alta na taxa de desmatamento não é surpreendente, e "acontece apesar dos esforços do Ministério do Meio Ambiente de intensificar o combate aos crimes ambientais na Amazônia. É provavelmente fruto de uma série de circunstâncias climáticas e cambiais – o dólar alto eleva os preços dos produtos agrícolas e estimula a devastação".
 
A organização também disse que "ao longo do último ano, o Palácio do Planalto e governos estaduais fizeram uma série de acenos à bancada ruralista, como a anistia à grilagem de terras, assinada pelo Presidente da República em julho de 2017 (pouco antes de começar a contagem dos dados de 2018)".
 
 
Emissões em 2017
 
No ano passado, a taxa de emissões dos gases do efeito estufa caiu 2,3%. De acordo com Carlos Rittl, do Observatório do Clima, isso se deve à queda de 16% na taxa de desmatamento registrada entre agosto de 2016 e julho de 2017. A mudança no uso da terra, indicador ligado à perda das florestas, é a principal causa para uma alta das emissões brasileiras.
 
 
"A principal fonte das emissões, historicamente aqui no Brasil, ainda é o desmatamento, principalmente na Amazônia. Mas não é pequena a contribuição do desmatamento no Cerrado, onde a gente destrói mais floresta do que na Amazônia", disse Rittl.
 
 
Como neste periodo entre 2017 e 2018 o desmatamento voltou a crescer, Rittl acredita que a taxa de emissões também deverá subir neste ano. Os estados do Pará e Mato Grosso, além de serem os que mais desmatam, são os que mais emitem gases do efeito estufa. O dado comprova a relação entre os dois indicadores ambientais.
 
"Embora tenhamos que avaliar cada setor, e dados consolidados para cada um, definitivamente terão aumentado [as emissões em 2018]. E isso ainda não inclui o grosso do período eleitoral, de agosto pra cá. Estamos em curva de ascensão perigosa de desmatamento e emissões", completou Rittl.
 
 
 
 
Emissoes de gases do efeito estufa por estado do Brasil em 2017 — Foto: Alexandre Mauro/G1
Emissoes de gases do efeito estufa por estado do Brasil em 2017 — Foto: Alexandre Mauro/G1