Supercâmera

Supercâmera registra imagens exclusivas do mundo pelo olhar de ave durante voo; veja vídeos

27 de março de 2017

A ave Maya tem 4 anos e está acostumada a sobrevoar o céu de SC com câmera de 40g. Reportagem faz parte da série Plano de Voo, da EPTV.

 

Ave se prepara para levantar voo (Foto: Reprodução / EPTV)
 
 
 
“É muito magnífico, os mergulhos, a velocidade descendo. São uns mísseis. Quando o bicho está vindo é surreal", afirma o falcoeiro Michel Velem, sobre o voo das aves de rapina. Ele, que também é piloto de parapente há 20 anos, adestra gaviões e águias no Morro Azul, em Pomerode, interior de Santa Catarina.
 
"Ela é uma águia de cauda branca. Foi uma experiência, como se tivesse voando, mostrando pra gente. Como piloto, gosto de coisas que voam", explica.
 
Sob o olhar do ave de rapina, ele conseguiu imagens extraordinárias da região. Para ver o resultado é só embarcar nessa viagem com a Maya e se preparar para sentir um pouco dessa sensação de liberdade.
 
A reportagem faz parte de um conteúdo extra da série “Plano de Voo”, da EPTV, afiliada da TV Globo, que apresenta histórias sobre aviação a partir desta segunda-feira (27) até o próximo sábado (1º).

 

Voo rasante de Maya (Foto: Reprodução/ EPTV)
 
 
 
 
Testes
 
No entanto, Velem conta que conseguir as imagens não foi um processo simples. Foram necessários vários meses de testes até que a aerodinâmica da ave não fosse prejudicada. Havia sempre uma preocupação, em primeiro lugar, com o bem-estar dela.
 
"Tudo que incomodava a gente retirava e substituía […] comecei com uma GoPro, depois, gravei com Polaroid, de 40 g. Não tirou a mobilidade, ela voa bem", conta
 
Depois que a câmera é colocada, a bateria dura cerca de uma hora e trinta minutos. No entanto, a ave pode voar até seis horas direto. "Então, se eu soltar e deixar ela voando, ela vai voar até descarregar a bateria e depois, você vai ali e seleciona as melhores partes", detalha.
 
 
 
 
Ave Maya é registrada por supercâmera lenta em Santa Catarina (Foto: Reprodução / EPTV)
 
 
 
 
Voos no Morro Azul
 
Os voos da Maya normalmente ocorrem no Morro Azul, em Pomerode (SC). No primeiro vídeo [no início da reportagem], a câmera está atrás da cabeça da ave. É possível observar que Maya sai dos braços de Velem e vai ganhando velocidade. E, seguindo o olhar dela, nos deparamos com uma vista de tirar o fôlego, com a cidade de Pomerode emoldurada pela natureza.
 
No segundo vídeo vemos o voo a partir de sua asa. É possível observar pelas imagens a estabilidade que ela proporciona para a ave. Ela plana pelo céu por pouco mais de um minuto e depois vai descansar na sombra de uma árvore.

 

Direção
 
Segundo o falcoeiro, quem decide o destino do voo e o que será filmado é a ave. "Um drone faz o que a gente quer, a ave não. Fica voando como um urubu, vai até o ponto alto da nuvem, só que ninguém sabe que ela está lá. Ela fica me vendo de cima", afirma.
 
Velem explica, ainda, que Maya é uma ave extremamente independente e faz apenas o que tem vontade.
 
"Ela é minha legalmente porque tenho nota fiscal, mas eu digo que ela é minha […] parceira pelo tempo que quiser", destaca.
 
Essa independência se reflete no relacionamento entre homem e ave, já que ela não gosta de contato como um cachorro ou um gato. "Essas aves têm um vínculo de alimento com você, de parceria. Elas veem você como um parceiro de caça e provedor de alimento […] se você passar a mão nela ou não, não vai fazer diferença nenhuma", revela.
 
 
 
Maya e Michel Velem depois de voo da ave (Foto: Reprodução/ EPTV)
 
 
 
Monitoramento
 
Como a Maya é uma ave muito independente, para saber onde ela está, Velem conta que usa um sistema de monitoramento especial.
 
"Ela tem um transmissor. Não é GPS. Se a bateria tá apitando, tá perto, o sinal fica forte. A gente tem as manhas de ver se tá perto, pousada ou a 15 km", pontua
 
Ainda de acordo com o falcoeiro, quando ele quer chamar Maya de volta, basta esticar o braço e bater na luva, porque,mesmo estando muito longe, a ave tem uma ótima visão. "Essa ave vê muito bem, é muito poderosa a visão deles", ressalta.

 

 

Supercâmera lenta flagra ave durante voo em Santa Catarina (Foto: Reprodução / EPTV)
 
 
 
Parceria
 
Velem ressalta ainda que como piloto sempre voou com as aves, mas destaca que essa relação de "simbiose" até hoje o encanta. Ele destaca ainda que essa parceria, por ele, não tem prazo para terminar.
 
"Eu sou piloto, então sempre estive junto, a gente voa ao lado de várias aves. Aqui você sente no olhar como o bicho tá […] essa relação é legal, de sentir o bicho", conclui
 
 
 
Maya tem 4 anos e está acostumada a voar o céu de SC com uma câmera (Foto: Reprodução/ EPTV)