Furacão Laura

Por que os EUA estão chamando o furacão Laura de ‘impossível de sobreviver’

27 de agosto de 2020

Autoridades temem que Covid-19 aumente resistência de moradores a deixarem as áreas.

 

 

Ondas se formam em High Island, no Texas, nesta quarta-feira (26). — Foto: Jon Shapley/Houston Chronicle via AP

Ondas se formam em High Island, no Texas, nesta quarta-feira (26). — Foto: Jon Shapley/Houston Chronicle via AP
 
 
 
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês) classificou o furacão Laura, que se aproxima dos Estados do Texas, da Louisiana e do Arkansas nas próximas horas, como "impossível de sobreviver".
 
A tormenta atingirá a costa do Golfo do México na mesma semana em que a tragédia do furacão Katrina, que devastou Nova Orleans e deixou 1,8 mil mortos, completa 15 anos.
 
Na quarta-feira, (26), as autoridades atualizaram a classificação do furacão para a categoria 4, a segunda mais forte da escala.
 
 
Infográfico mostra a rota do furacão Laura nos EUA — Foto: Arte/G1
Infográfico mostra a rota do furacão Laura nos EUA — Foto: Arte/G1
 
 
 
 
Ainda segundo as autoridades, Laura tem potencial de atingir um raio de até 50km em terra no momento em que tocar o solo, comumente um dos pontos mais destrutivos na trajetória de um furacão. A expectativa é que produza ondas de até seis metros de altura.
 
O diretor do NHC, Ken Graham, disse nessa manhã que as condições meteorológicas estão "mudando rapidamente aqui, mas o que não está mudando é o fato de que este será um evento catastrófico com risco de vida (para as pessoas na área)".
 
A linguagem do NHC tem sido uma tentativa de demonstrar aos habitantes locais a gravidade da situação e fazê-los agir.

 

 

Imagem de satélite mostra raios no furacão Laura — Foto: NOAA/ Via REUTERS

Imagem de satélite mostra raios no furacão Laura — Foto: NOAA/ Via REUTERS
 
 
 
 
Medo do furacão, medo da pandemia
 
Cerca de 500 mil pessoas vivem na área que potencialmente será atingida. E, em meio à pandemia de covid-19, a preocupação das autoridades é que a resistência dos habitantes locais a deixar suas casas aumente além do esperado.
 
As autoridades têm sugerido aos moradores que considerem ir para hotéis em áreas seguras em vez de ocupar abrigos públicos, em que as condições de distanciamento social são menores. Mas, em hipótese alguma, eles deveriam ficar em suas casas.
 
"O furacão Laura é muito perigoso e se intensifica rapidamente. Meu governo continua totalmente envolvido com os gestores locais para ajudar as pessoas a se preparar para essa emergência no do Texas, Louisiana e Arkansas. Ouçam as autoridades locais. Estamos com vocês", afirmou o presidente Donald Trump via Twitter na manhã da quarta-feira.
 
 
Issac Alvarado (direota) e Kevin Enriquez colocam tapumes em uma loja de decorações em Galveston, Texas, antes da chegada do furacão Laura, na terça-feira (25) — Foto: AP Photo/David J. Phillip
 
Issac Alvarado (direota) e Kevin Enriquez colocam tapumes em uma loja de decorações em Galveston, Texas, antes da chegada do furacão Laura, na terça-feira (25) — Foto: AP Photo/David J. Phillip
 
 
 
 
A trajetória de Laura tem sido comparada a de outro furacão que atingiu a região há 15 anos, o Rita, que deixou um saldo de 55 mortos e de US$ 10 bilhões em devastação.
 
"Tínhamos planejado ficar", disse ao New York Times o reverendo Joe Miller, morador da cidade de Newton, na rota do Laura. Para ficar, ele teria que se esconder e descumprir a ordem de evacuação obrigatória da liderança local. Nesta manhã, diante das novas informações sobre os riscos, Miller disse que estava reconsiderando sua decisão.
 
"Não sei se é tarde demais", disse. "Quase não conseguimos sair antes do Rita. Estou começando a me preocupar agora", acrescentou.
 
Como as chuvas devem chegar antes mesmo do Laura, é possível que as estradas que permitiriam a saída da família Miller já estejam inundadas. "O relógio está girando", disse Graham, no início da semana. "Se mandaram você sair, é hora de evacuar essas áreas."
 
A passagem da tempestade Laura pela República Dominicana e pelo Haiti no fim de semana deixou, ao menos, 12 mortos. O fenômeno causou inundações, deslizamento de terra e o colapso de imóveis. Também houve destruição em Cuba, mas sem registro de mortes.