La Niña

Os possíveis impactos no clima do planeta com a volta do fenômeno La Niña

27 de dezembro de 2017

Fenômeno atmosférico responsável por invernos rigorosos e secas devastadoras está novamente ativo, mas de forma atípica, já que começou muito tarde.

 

 

Imagem de satélite mostra que o fenômeno La Niña voltou; meteorologistas dizem que ele está mais fraco  (Foto:  Cortesia de William Patzert)

Imagem de satélite mostra que o fenômeno La Niña voltou; meteorologistas dizem que ele está mais fraco (Foto: Cortesia de William Patzert)
 
 
 
 
 
Fenômeno climático responsável por invernos pesados e grandes secas ao redor do mundo, o La Niña está de volta.
 
Seus efeitos serão sentidos por vários meses. E, segundo especialistas ouvidos pela BBC, trará também riscos de formação de novos furacões no oceano Atlântico.
 
A versão deste ano, observam, é bastante atípica.
 
"Desta vez o La Niña chegou muito tarde, no outono (do Hemisfério Norte), e não está claro se continuará se intensificando ou se irá se enfraquecer ainda mais, como aconteceu no inverno passado", diz William Patzert, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês) da Nasa, a agência espacial americana.
 
Segundo Patzert, o fenômeno costuma aparecer no verão do Hemisfério Norte, intensificando-se no outono e no inverno. Neste ano, porém, os primeiros efeitos começaram a ser notados apenas em novembro.
 
Mas o que é o La Niña e como os especialistas constatam que ele está novamente ativo?
 
 
El Niño
 
De acordo com Juan Carlos Cárdenas, meteorologista da empresa de prognósticos climáticos The Weather Company, para entender o La Niña é preciso explicar o fenômeno Enos (El Niño – Oscilação Sul), do qual ele faz parte.
 
 
 
 
 
 
Quando o El Niño está ativo a água do oceano na zona equatorial está mais quente (Foto: Cortesia de William Patzert)
 
 
 
 
"O El Niño é uma oscilação atmosférica que causa o enfraquecimento dos ventos alísios (que ocorrem nas regiões subtropicais) no hemisfério sul do Pacífico. Esses ventos, quando são normais, arrastam as águas superficiais desde a costa até o oceano, e isso faz com que as águas geladas das profundidades surjam ali", explica.
 
 
Essa água gelada, diz, é normal na zona equatorial da costa da América do Sul.
 
"Quando esses ventos alísios se enfraquecem, esse processo cessa, a água quente se acumula e se produz um aumento da superfície do mar, principalmente na costa do Peru e do Equador."
 
Quando esses ventos alísios são muito fortes e a subida das águas geladas é reforçada na zona equatorial, acompanhada de uma temperatura do mar abaixo do normal, aí começa a manifestar-se o La Niña.
 
Cárdenas comenta que também há a "zona neutra", na qual nos encontrávamos há pouco tempo, em que nenhum dos dois eventos estão notavelmente ativos e as temperaturas permanecem na média.
 
Ele acrescenta que, geralmente, os centros meteorológicos podem determinar com antecipação quando a oscilação do sul mudará de sinal.
 
Um dos sintomas é a diferença da pressão atmosférica e os ventos que estão associados a ela. É o primeiro sinal que aparece antes da mudança de temperatura do mar.

 

 

 

O fenômeno El Niño esteve fortemente ativo entre 1997 e 1998 e entre 2015 e 2016 (Foto: Cortesia de William Patzert)
 
 
 
 
"Quando esses sinais começam a ser detectados, sabe-se que o La Niña ou o El Niño podem ser produzidos", diz.
 
Os efeitos de um e outro, que vão desde secas a inundações, de chuvas a furacões, dependerão sempre da zona da oscilação: podem produzir secas na América Latina ou na Austrália e ilhas do Pacífico e nevascas intensas no norte dos Estados Unidos.
 
 
Mas quais são as previsões para essa nova ativação do La Niña?
 
 
O que pode acontecer
 
O meteorologista Patzert diz que é muito cedo para fazer previsões, mas, segundo ele, tudo indica que o La Niña está muito tranquilo este ano.
 
"Mesmo que tenha sido incomum sua aparição nessa época, ele tem se mostrado enfraquecido e não há sinais de que possa se intensificar", afirma.
 
Algo similar aconteceu no ano passado, em que um tardio La Niña se manifestou por alguns meses e logo desapareceu, sem grandes consequências no clima mundial.
 
"Temos que esperar. O inverno deste ano na região norte dos Estados Unidos, por exemplo, parece ter se adiantado, e é algo que costuma estar associado a esse fenômeno", diz o especialista.
 
"Também são previsíveis secas no início do ano na zona sul dos Estados Unidos e na zona equatorial da América Latina", diz.
 
Patzer acredita que mesmo que o La Niña se intensifique nos próximos meses, seus impactos sobre o clima mundial não seriam tão intensos como aconteceu com o El Niño entre 1997 e 1998.
 
"Ali houve uma ativação muito intensa também do La Niña. Entretanto, seu comportamento nos últimos tempos tem sido muito incomum. Após a nova ativação do El Niño em 2015 e 2016, o La Niña tem se mostrado especialmente fraco", diz.
 
"Ele está se comportando de uma forma muito atípica, então tem que haver cuidado em prever qual será o impacto neste ano. Por enquanto, o La Niña começou tarde e muito fraco."