Volkswagen

Veja as principais acusações contra a Volkswagen no ‘dieselgate’

7 de maio de 2018

Ex-presidente foi acusado formalmente nos EUA nesta semana; há investigação na Alemanha e outros países. Escândalo veio à tona em 2015.

 

 

Carros Volkswagen são armazenados em deserto próximo a Victorville, na Califórnia. Veículos foram recomprados devido ao escândalo "Dieselgate" (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)

Carros Volkswagen são armazenados em deserto próximo a Victorville, na Califórnia. Veículos foram recomprados devido ao escândalo "Dieselgate" (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
 
 
 
 
 
Aacusação formal contra o ex-presidente da Volkswagen Martin Winterkorn, anunciada na última quinta-feira (3), é o episódio mais recente do "dieselgate", o escândalo dos motores adulterados para dissimular o nível real de emissão de gases poluentes dos veículos do grupo.
 
Essas são as principais acusações em curso contra a empresa:
 
 
Nos Estados Unidos
 
O caso estourou em setembro de 2015, quando a Agência de Proteção Ambiental (EPA) denunciou a Volkswagen por ter instalado em 11 milhões de seus veículos a diesel – 600 mil deles vendidos nos Estados Unidos – um software capaz de manipular os resultados de testes de poluição e de ocultar as verdadeiras emissões até 40 vezes maiores que o permitido.
 
A Volkswagen se declarou culpada às autoridades americanas por fraude e obstrução da Justiça.
 
Em maio de 2017, a Justiça americana aprovou um plano de indenização para os cerca de 600 mil clientes. A marca precisou pagar mais de US$ 22 bilhões em acordos para compensar autoridades, clientes e concessionárias.
 
Embora a Volkswagen não seja judicialmente acusada como empresa, seus funcionários são. Até agora 8 líderes e ex-líderes foram indiciados nos EUA.
 
Entre eles, está Winterkorn, acusado de "fraude" e "conspiração", e um dirigente da Audi, marca que pertence ao grupo.
 
Dessas 9 pessoas, 2 engenheiros foram condenados. Em agosto de 2017, um ex-dirigente da Volkswagen, James Liang, também foi condenado a 40 meses de prisão.
 
Sua colaboração permitiu acusar outros diretores do grupo, entre eles Oliver Schmidt, diretor do serviço de conformidade da regulamentação nos EUA entre 2014 e março de 2015, que se declarou culpado e foi condenado a 7 anos de prisão.
 
 
Na Alemanha
 
Vários promotores estão investigando a Volkswagen e algumas de suas marcas, como Audi e Porsche por fraude, manipulação na bolsa e propaganda enganosa. Mas também estão na mira a Daimler, dona da Mercedes-Benz e Bosch.
 
 
Winterkorn e seu sucessor, Matthias Müller, bem como o atual presidente da Volkswagen, Herbert Diess, estão sendo investigados.
 
As autoridades também fizeram operações de busca e apreensão nas instalações da montadora, da Audi e da Porsche, bem como nos apartamentos particulares de funcionários ou ex-funcionários.
 
A investigação do escritório do promotor de Brunswick, autoridade na região onde a Volkswagen tem sua sede, Wolfsburg, envolve 49 pessoas.
 
A nível privado, a queixa mais importante é a de um grupo de milhares de investidores ante a corte de Brunswick, pedindo cerca de 9 bilhões de euros em indenização.
 
Os investidores, que perderam bilhões de euros quando as ações caíram 40% em 2 dias, acusaram a administração da Volkswagen de não ter informado os mercados financeiros no momento da crise.
 
Por outro lado, há uma queixa em grupo de consumidores e há outra sendo preparada para solicitar o reembolso de carros a diesel.
 
Os proprietários alemães têm até o final de 2018 para apresentar reclamações, antes que o caso prescreva.
 
 
Outros países da Europa
 
O Ministério Público de Paris abriu uma investigação em fevereiro de 2016 contra a Volkswagen por "engano agravado".
 
Na Itália, as autoridades de concorrência condenaram a Volkswagen em agosto de 2016 a uma multa de 5 milhões de euros por "práticas comerciais incorretas".
 
No início de 2017, houve uma queixa coletiva no Reino Unido e também há casos em tribunais na Polônia.