Baleias

Caçadores japoneses matam 122 baleias grávidas em ‘misão de pesquisa’

31 de maio de 2018

No total, foram 333 baleias-minke mortas em uma expedição à Antártica

 

 

Ativistas acusam o projeto japonês de 'caça ilegal de baleias' (Foto: AFP)

Ativistas acusam o projeto japonês de 'caça ilegal de baleias' (Foto: AFP)
 
 
 
 
Caçadores japoneses capturaram e mataram 122 baleias-minke grávidas durante uma "pesquisa de campo" de verão na Antártica.
 
Um relatório enviado à IWC, comissão internacional que regula a caça de baleias, revela que os baleeiros mataram um total de 333 animais entre novembro de 2017 e março de 2018, período em que o grupo esteve no Polo Sul.
 
O Japão alega que seu projeto de captura de baleias tem "objetivos científicos", apesar de a carne dos animas ser vendida para a alimentação.
 
Uma decisão da Organização das Nações Unidas de 2014 condenou o que chamou de "pesquisa letal".
 
Em um novo "plano de pesquisa" publicado após a decisão da ONU, o país disse que é uma "necessidade científica" entender mais o ecossistema antártico por meio da coleta e da análise de animais.
 
Os caçadores atuam no que o país asiático chama de "Programa de Pesquisa de Baleias no Oceano Antático". A morte dos 333 animais foi durante a terceira investida do projeto na região, o que eles chamam de "pesquisa de campo biológica".
 
O Japão diminuiu a quantidade de captura em dois terços com o programa e assumiu o compromisso de abater cerca de 330 baleias por ano.
 
Os dados do relatório enviado pelos caçadores apontam que, na caçada de 2017/2018, 122 fêmeas estavam grávidas e que 61 machos e 53 fêmeas ainda eram filhotes.
 
 
Por que o Japão caça baleias?
 
Pelo Artigo 8º da IWC, assinada em 1946, países podem "matar, capturar e processar baleias para pesquisa científica" – e é essa a regra que o Japão diz seguir em suas caçadas.
 
Além das alegações de pesquisas, o governo japonês afirma que a caça à baleia é uma antiga tradição cultural do país.
 
Comunidadeiras costerias em Chiba e Ishinomaki praticam a caça na costa há anos, e os distritos de Taiji e Wakayama têm caças a golfinho anuais.
 
 
As expedições japonesa de pesca na Antártica só começaram depois da Segunda Guerra Mundial, quando o país devastado dependia das baleias como principal fonte de carne.
 
Hoje em dia, embora a carne de baleia ainda seja vendida, está se tornando cada vez mais impopular, com um número bem menor de estabelecimentos que vendem esse tipo de alimento.
 
 
Quem mais caça baleias?
 
A IWC declarou uma suspensão da caça comercial de baleias em 1985, mas há muitos países que não seguem a regra.
 
Números da ONG WDC (Conservação de Baleias e Golfinhos) mostram que diversos países além do Japão ainda caçam baleias para o consumo da carne, entre eles a Noruega e a Islândia.
 
A Noruega rejeitou o acordo de suspensão da comissão e a Islândia aceitou em partes.
 
 
 
 
A temporada de caça às baleias na Islândia, em junho de 2013 (Foto: Sigtryggur Johannsson/ Reuters)
 
A temporada de caça às baleias na Islândia, em junho de 2013 (Foto: Sigtryggur Johannsson/ Reuters)
 
 
 
 
A Groelândia, a Rússia e o Estados Unidos também promovem o que chamam de "caça à baleia de subsistência aborígene" para comunidades costeiras.
 
Mas o Japão é o único país que envia navios para a Antártica para capturar os animais, com a justificativa de que se trataria de pesquisa científica.
 
A caça está extinguindo as baleias da Antártica?
 
O Japão diz que está conduzindo sua pesquisa para mostrar que a população de baleias da Antártica é saudável e pode ser pescada de maneira sustentável.
 
A União Internacional para a Conservação da Natureza diz que não há informações suficientes para determinar se as baleias-mink austrais estão ameaçadas ou não.
 
Embora o número de animais da espécie seja claramente de "centenas de milhares", a entidade está investigando uma possível queda nos últimos 50 anos.
 
Dependendo de quão significativa for a queda, a espécie pode vir a ser classificada como ameaçada.