Queimadas

Com 2,5 mil focos de incêndio em 14 dias, Pantanal já tem segundo pior outubro da história

15 de outubro de 2020

    Jacaré morto é visto ao lado da Transpantaneira em Mato Grosso, no dia 14 de setembro, em meio a área queimada do Pantanal. — Foto: Mauro Pimentel/AFP       O Pantanal registrou, nos primeiros 14 dias de outubro, 2.536 focos de incêndio, apontam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O… Ver artigo

 

 

Jacaré morto é visto ao lado da Transpantaneira em Mato Grosso, no dia 14 de setembro, em meio a área queimada do Pantanal. — Foto: Mauro Pimentel/AFP

Jacaré morto é visto ao lado da Transpantaneira em Mato Grosso, no dia 14 de setembro, em meio a área queimada do Pantanal. — Foto: Mauro Pimentel/AFP
 
 
 
O Pantanal registrou, nos primeiros 14 dias de outubro, 2.536 focos de incêndio, apontam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número significa que o mês já é o segundo pior outubro em queimadas para o bioma desde 1998, atrás apenas de outubro de 2002 – quando houve 2.761 focos.
 
Os registros das primeiras duas semanas de outubro de 2020 também já são maiores do que os vistos em todo o mês no ano passado, quando o bioma teve 2.430 focos de incêndio (veja gráfico abaixo).
 
 
Focos de incêndio no Pantanal em outubro
 
Com 2,5 mil focos de incêndio em 14 dias, Pantanal já tem segundo pior outubro da história
 
 
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2012

 Número de focos: 832

Fonte: Inpe
 
 
 
As altas de outubro vêm depois de o bioma ter a pior quantidade de incêndios mensais na história – para qualquer mês – em setembro. Antes disso, nos primeiros 17 dias de setembro, os recordes para o mês já haviam sido batidos.
 
O Pantanal também teve o pior julho e o segundo pior agosto em número de focos de incêndio desde 1998, quando começaram as medições do Inpe. Este ano já é o pior em pontos de fogo no bioma – que, até 2018, era o mais preservado do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
O Pantanal enfrenta uma seca histórica – a maior em 47 anos – que contribui para o alastramento das chamas.
 
"Na região, os meses de chuva começam em outubro, novembro, dezembro. Esse ano a chuva está demorando mais que o normal", explica Felipe Augusto Dias, diretor-executivo da SOS Pantanal. O mesmo fenômeno ocorreu no ano passado, segundo ele.
 
"Evidentemente que o fogo pega porque alguém colocou, mas é muito evidente também que, principalmente em lugares que estariam inundados, esse ano não estando, tem muita matéria orgânica. A seca de fato contribui para aumentar a intensidade", afirma Dias.
 
"Você precisa de algumas coisas para que de fato o fogo aconteça – primeiro, acender; depois, todas as características viáveis pro fogo – vento, umidade baixa, extremo calor são aspectos da atmosfera que contribuem para que ele se prolifere", explica.
 
"Inclusive a agricultra está com dificuldade de plantio exatamente por falta de chuva. São períodos em que normalmente a soja já está plantando, tem normalmente toda a área plantada", diz.
 
 
Amazônia

 

Foto mostra tamanduá morto depois de incêndio na Amazônia perto de Mirante do Norte, Rondônia, no dia 20 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Foto mostra tamanduá morto depois de incêndio na Amazônia perto de Mirante do Norte, Rondônia, no dia 20 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
 
 
 
 
O número de focos de incêndio na Amazônia também teve uma alta histórica neste ano: a quantidade de pontos de fogo registrados de 1º de janeiro até 30 de setembro foi a maior desde 2010, segundo os dados do Inpe.
 
De janeiro até quarta-feira (14), o bioma tinha registrado 86.160 pontos de incêndio, quase a mesma quantidade vista no ano passado inteiro.
 
 
Embates com o governo: 'boi bombeiro'
 
Os dados do Inpe têm causado embates com o governo federal.
 
No mais recente, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou em audiência pública no Senado que as queimadas que têm consumido o Pantanal seriam menos intensas caso houvesse mais gado no bioma. Ao comer capim seco e inflamável, segundo ela, o boi acabaria prevenindo o avanço do fogo.
 
Especialistas afirmaram, entretanto, que a fala é incorreta
 
"A razão por que estamos tendo fogo é: temos um clima propício, temos material combustível mas, essencialmente, porque tem alguém colocando fogo onde não deveria", avaliou Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.