França

Governo francês é pressionado por petição em defesa do clima assinada por 1,7 milhão de pessoas

26 de dezembro de 2018

ONGs decidiram processar o governo para que ele respeite os compromissos climáticos. Administração critica a iniciativa.

 

 

Névoa de poluição cobre Paris em entorno da Torre Eiffel, em foto de 27 de julho  — Foto:  Mustafa Yalcin/Anadolu Agency via AFP

Névoa de poluição cobre Paris em entorno da Torre Eiffel, em foto de 27 de julho — Foto: Mustafa Yalcin/Anadolu Agency via AFP
 
 
 
 
A imprensa francesa desta quarta-feira (26) destaca o sucesso de uma petição na internet, criada por quatro ONGs contra o governo francês pela falta de engajamento climático. Em apenas uma semana, o documento foi assinado por mais de um milhão e 700 mil pessoas na França.
 
"O problema do século" é o nome do documento disponibilizado na internet por quatro ONGS, entre elas, o Greenpeace e a Oxfam. Essas organizações decidiram, em nome do interesse dos cidadãos, processar o governo francês para que ele respeite os compromissos climáticos.
 
O sucesso do engajamento dos franceses em prol desta causa é destacado pelo jornal "Les Echos", que lembra que uma petição nunca conseguiu reunir tantas assinaturas no país. Entrevistada pelo diário, Audrey Pulvar, presidente da Fundação Pela Natureza e Pelo Homem, uma das ONGs que idealizaram o movimento, diz que a grande quantidade de assinaturas – mais de de um milhão e 700 mil – mostra que "as questões ligadas ao aquecimento global e à biodiversidade estão no centro das preocupações dos franceses".
 
No documento, as quatro ONGs se dirigem ao primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, e seus doze ministros, dizendo que as emissões de gases de efeito estufa aumentaram na França desde a Assinatura do Acordo de Paris, na COP 21, em 2015.
 
"As mudanças climáticas estão aí: elas já afetam as nossas vidas e não poupam ninguém", diz o texto da petição, destacando que "os Estados e os atores econômicos permanecem surdos aos apelos desesperados de cientistas e associações", enquanto os "investimentos necessários para remediar essa catástrofe deveriam ser financiados majoritariamente pelos mais abastados", mas "é a classe média e os mais desfavorecidos que mais contribuem hoje".
 
 
Ministro francês critica petição
 
A reação do governo francês à petição estampa a capa do jornal Le Parisien/Aujourd'hui en France desta quarta-feira, que entrevistou o ministro da Transição Ecológica, François de Rugy. "Não é no tribunal que vamos fazer com que as emissões de gases poluentes baixem", é a manchete que destaca uma das declarações do ministro.
 
François de Rugy se diz a favor da mobilização pelo clima, mas acredita que a justiça não tem o poder de forçar o governo a respeitar as leis: "não é essa a função de nossas instituições", afirma. No entanto, o ministro reconhece que as emissões de gases poluentes tiveram um aumento em 2017, segundo ele, devido à "recuperação econômica" do país.
 
Na entrevista, o ministro critica o movimento dos "coletes amarelos" e diz acreditar que o sucesso da petição está relacionado com a mobilização que, em suas palavras, "trata da ecologia como se fosse um problema".
 
François de Rugy tenta justificar o aumento sobre o imposto sobre a transição ecológica – alvo da revolta dos "coletes amarelos" e que foi cancelado antes de começar a ser aplicado.
 
O ministro afirma que a medida deveria engajar os franceses que querem reagir e diz que o debate que o governo pretender iniciar em 2019 sobre a questão climática vai decidir as escolhas coletivas para lutar contra o problema.