Vela contra a dengue

Andiroba: produto de mil utilidades

17 de fevereiro de 2004

Vela produzida a partir da espécie nativa da Amazônia apresenta 100% de eficácia no combate ao mosquito da dengue e da febre amarela e óleo substitui diesel reduzindo a emissão de gases responsáveis p











A árvore e as suas sementes mágicas que tem valor medicinal e energético


     



Um repelente baseado em tecnologia e matéria-prima brasileira pode ser considerado hoje a melhor e mais segura opção no combate à dengue e à febre amarela. Trata-se da vela de Andiroba. Desenvolvida pelo Instituto Far-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a vela é produzida a partir da semente da fruta da Andiroba, que é uma árvore encontrada no norte da Amazônia. 


Em estudos, há seis anos, a vela, ao ser queimada, exala um agente ativo que inibe a fome do mosquito Aedes aegypti, causador da dengue e também vetor da febre amarela, conseqüentemente, reduz a sua necessidade de picar as pessoas. Os testes revelaram uma eficiência de 100% na repelência do mosquito, resultado jamais encontrado em qualquer outro produto existente no mercado destinado ao combate do mosquito. Além desta característica, a vela é totalmente atóxica, não produz fumaça e não contém perfume. 


Pioneira mundialmente no uso sustentável de produtos da Andiroba, a empresa NatuScience é a responsável pela fabricação das velas, através do licenciamento da Fiocruz. Além da vela, a empresa fabrica outros produtos como: sabonetes, óleos “roll on”combinados, famosos por suas aplicações terapêuticas, e tocha sólida, iluminadora e repelente para áreas externas. Todos à base da fruta da Amazônia. 


Mais informações: 0800- 253883 – pedidos@andiroba.com.br



Andiroba fornece energia
Juliana Miura – de Brasília


A central geradora do Roque, responsável pelo serviço de energia no município de Carauari, deixou de ser abastecida por óleo diesel, tradicionalmente usado nas usinas termelétricas das comunidades isoladas da Amazônia. Com isso, os 2.500 habitantes da reserva extrativista do Médio Juruá passaram a receber energia elétrica à base de óleo extraído da semente da andiroba, uma espécie vegetal nativa da região. 






Andiroba


Encontrada somente no norte da Amazônia, a Andiroba, há mais de um século, é utilizada pelas mulheres que extraem o óleo da semente da fruta da árvore para ser aplicado em articulações sofridas e na pele afetada por picadas de cobra, aranha, escorpião e insetos. Enquanto se dedicam à tarefa de depurar o óleo, fazem bolas de bagaço e as queimam também para afugentar os mosquitos com sua fumaça repelente. As pesquisas foram feitas a partir da observação desta prática. 


Vela de Andiroba – Características: 100% eficiente, atóxica, sem perfume, sem fumaça. Ação: fagorepelente com efeitos sobre todos os mosquitos hematófagos responsáveis pela transmissão também da febre amarela, filariose (elefantíase) e até malária.


Essa é uma experiência inédita no mundo e faz parte de uma política governamental para substituir o óleo diesel por fontes renováveis de energia em toda a Amazônia. Além de resolver os problemas de abastecimento de energia na região, a utilização do óleo da andiroba irá colaborar para a redução do efeito estufa, com a produção de energia limpa. 


Para o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel, José Mário Abdo, o objetivo dessa iniciativa é oferecer energia elétrica com mais qualidade para essas comunidades da Amazônia e com a preocupação de preservar o meio ambiente. 


A outra vantagem dessa opção é o incremento da economia local. A colheita e prensa de mais de 70 toneladas de frutos da andiroba envolveu duzentas famílias da comunidade, possibilitando uma melhoria na renda média familiar da região. 


O geólogo, Marcos Freitas, idealizador do projeto, acredita que o mais importante é fazer com que as pessoas da região preservem a floresta e evitem o seu desmatamento: “As pessoas estão vendo que podem valorizar a floresta em pé. Não precisam derrubá-la para ganhar dinheiro”. A geração e distribuição de eletricidade abrange hoje cerca de cinqüenta casas, além da iluminação pública. Dessa forma, a produção de energia vem gerando empregos e a valorização da biodiversidade nativa da floresta tropical da Amazônia. 


O projeto conta ainda com o aproveitamento dos resíduos da andiroba, que podem ser utilizados para a fabricação de velas e repelentes de insetos. A planta ainda pode ser usada com fins medicinais e cosméticos. 


A pesquisa que possibilitou a substituição do óleo diesel nas termelétricas da Amazônia foi desenvolvida pela Aneel, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas. O objetivo é oferecer energia economicamente viável e que, ao mesmo tempo, proporcione o desenvolvimento sustentável dessas comunidades.