Árvores nobres são resgatadas em Tucuruí

12 de abril de 2004

O que parecia, há quinze anos, ser um desastre ecológico, se transformou em um negócio promissor para madereiras. As árvores submersas do lago permanecem vivas até hoje


A década e meia passada debaixo d’água não foi suficiente para destruir a vegetação da floresta alagada. Pelo contrário, ela se adaptou bem à umidade e hoje o lago é depositário de um dos produtos mais cobiçados pelos comerciantes locais: madeira com selo verde.


A responsável por toda esta revolução no lago de Tucuruí foi a serra hidráulica. Descoberta por um amazonense desconhecido e aperfeiçoada e patenteada pela indústria canadense, ela é capaz de em pouco minutos cortar uma árvore de grande porte dentro d’água. Sua capacidade de produção chega até dez unidades por dia e o melhor, a árvore já sai do lago carimbada com selo que garante a sustentabilidade da Floresta Amazônica. Outro ponto a favor da utilização desta serra é a facilidade de transporte. Logo após cortado, o tronco emerge e sai boiando. 


Na época do enchimento da barragem, a Eletronorte não conseguiu despertar o interesse de nenhuma empresa pelas árvores da área que hoje corresponde ao lago. A dificuldade de acesso e a ausência de rodovias ligando Tucuruí a capital foi a justificativa dada pelos empresários. A falta de atrativos obrigou a Eletronorte a alagar a área sem retirar as árvores. Este fato mobilizou entidades ambientalistas de todo mundo. As acusações foram inúmeras. Dentre elas a de que a decomposição do material orgânico da floresta alagada destruiria toda a fauna aquática e comprometeria a qualidade da água. Além de que, o lago sem vida acabaria com a nação indígena parakanã, tribo consumidora das águas da redondeza. Nada disso aconteceu. Os ambientalista não souberam prever nem os fatos negativos e muito menos os positivos. De todas as catástrofes pressupostas, o fato das árvores continuarem vivas foi a que mais surpreendeu.


Problemas


Mas nem tudo é maravilhoso em Tucuruí. Oportunistas de plantão estão vendendo madeira retirada da Floresta como se fossem do lago para fugir da fiscalização. Outro fato é a velocidade com que a serra hidráulica funciona. Movidos pela ganância, madereiros não se importam com a modificação provocada no ecossistema aquático do lago. Em breve, filhotes de peixes não poderão mais se proteger de predadores nas árvores submersas. Os tucuranés, motivo de orgulho dos municípios banhados pelo lago, em breve desaparecerão. Expostos e sem abrigo, seus filhotes não chegarão a idade adulta. Conclusão: o princípio de planejamento ambiental também serve para o lago de Tucuruí.


Mais informações: accioly@eln.gov.br ou
(61) 429-6142 (Alexandre Accioly)