Árvores urbanas

14 de fevereiro de 2011

Fácil usufruir o existente, difícil é reconquistar o perdido

Foto: Paulo Castelo Branco


O advogado Paulo Castelo Branco, da janela de seu  hotel, na cidade de São Paulo, documentou como as árvores estão sendo acuadas pela civilização. Veja a luta silenciosa de uma árvore ao fundo da demolição. Por quanto tempo mais ela irá resistir?


A arborização pública é uma prática visando recompor uma parte daquilo que foi vilipendiado da natureza, pela mão do homem. Embora a Organização Mundial da Saúde, da ONU, estabeleça limites para a relação ?número de habitantes por metro quadrado de área verde?, na maioria das cidades isto está abaixo do exigido.
Os espaços e a arquitetura nunca são adequados aos vegetais, os vegetais é que devem se adequar aos propósitos delineados. Dizem que é para não haver agressão e sim, harmonização. Mas, não houve agressão quando derrubaram a vegetação existente naquele lugar? E isto não produziu vários juízos e sentimentos?
O homem aprecia colocar um vazio em todas as coisas ou coloca como vazio aquilo que imagina estar cheio? As árvores não devem obstruir a visão dos prédios, mas estes podem obstruir a das árvores. O desenvolvimento planejado é tão frequente no cotidiano, que torna as áreas verdes cada vez mais escassas. Nas chamadas melhorias urbanas, a interação ecológica é considerada de forma atributiva, diferente das condições naturais. Deseja-se criar paisagens inéditas, mostrando uma engenharia criativa de superioridade e autoconfiança. O ineditismo fica por conta da conveniência. A superioridade pela formação profissional e a autoconfiança, pela certeza do resultado sem contestação. A arborização é manipulada de acordo com os interesses pessoais e a ela são conferidas obrigações fora de suas características. Quando estas melhorias ou imposições não surtem o efeito delineado ou não agrada aos próximos governantes, simplesmente, tudo é desfeito em nome de uma nova conveniência.


A arborização urbana deve observar algumas regrinhas, como:
Plantar espécies nativas da região e adequar a espécie ao espaço disponível. Não esquecer de planejar a arborização de tal modo que a cidade esteja florida o ano inteiro e de estudar o sistema radicular das árvores plantadas para que ele não interfira em redes subterrâneas e edificações.


Com seu gênio inquietante, o homem desvenda o mundo ecológico e através de aplicações incoerentes, substitui a utilização funcional pela prevaricada. Parece que não se conforma que alguns vegetais sejam endêmicos, sendo de difícil adaptação e acarretam transtornos considerados lógicos em suas fontes originais.  Não tardará o tempo em que o urbanismo terá cunho artificial.
Erguerão árvores de mármore e bronze, uma lembrança do ontem, luxo de hoje e vergonha do amanhã. Erguerão árvores de sombra enganosa, tal qual um herói morto em batalha.