Ataulfo Alves: um talento que emergiu do preconceito

26 de março de 2013

  Discursos no Congresso, muito samba nas favelas, quintais e barracões lembraram os 90 anos de nascimento de Ataulfo Alves, em dois de maio corrente, e os 30 anos de sua morte, em 20 de abril último.  "Como terá sido possível – e foi – através do talento, emergir em meios que quase só deferiam… Ver artigo

 

Discursos no Congresso, muito samba nas favelas, quintais e barracões lembraram os 90 anos de nascimento de Ataulfo Alves, em dois de maio corrente, e os 30 anos de sua morte, em 20 de abril último. 
"Como terá sido possível – e foi – através do talento, emergir em meios que quase só deferiam prestígio e notoriedade aos brancos, como o rádio, o disco e o show?", pergunta o senador e jornalista Artur da Távola.
O autor de “Ai que Saudades da Amélia”, “A professorinha”, “Leva meu Samba”, “Laranja Madura”, “Pois É”, “Sei que é Covardia”, “Atire a Primeira Pedra”, “Mulata Assanhada” e o clássico “Amélia”, entre outros grandes sucessos inesquecíveis da música popular brasileira, foi um menino de origem paupérrima, vindo de sua Miraí, no interior de Minas, para o Rio de Janeiro, aos 17 anos, sem roupas mas cheio de talento.
Criança pobre, foi marmiteiro, engraxate, menino de recado, condutor de boi, plantador de café, arroz, milho e também leiteiro. Vencendo os preconceitos, administrou uma brilhante carreira numa época em que era quase impossível enfrentar os cantores de sucesso.
As comemorações dos 90 anos de seu nascimento e 30 de sua morte ressaltam a enorme contribuição que os negros deram e continuam dando à arte, à música e às letras brasileiras em todos os tempos, desde a formação da nacionalidade.