Migração de Aves

As Aves Migratórias

23 de fevereiro de 2016

Relatório do Cemave atualiza relatório de rotas de aves migratórias

 

 

O Cemave – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, do ICMBio, atualizou o Relatório Anual de Rotas e Áreas de Concentração de Aves Migratórias. O relatório possui mapas por estado, recomendações de estudos, ações e medidas mitigatórias para as áreas consideradas importantes para as aves migratórias. Além de delimitar as áreas consideradas importantes para concentração, rota, pouso e descanso das aves migratórias, o relatório aprofunda também a questão de alimentação e reprodução das aves.
 
 
A partir do relatório, os órgãos licenciadores federais, estaduais e municipais determinarão quais estudos deverão ser realizados durante o processo de licenciamento. Empreendimentos localizados nas áreas definidas no relatório deverão apresentar Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Para esta nova versão, o Cemave atualizou a lista nacional de aves migratórias e aprimorou os critérios para definição das áreas consideradas importantes para as aves migratórias no Brasil.
 
 
RELATÓRIO do ICMBio
 
Segundo o relatório, o Brasil é o segundo país do mundo em diversidade de aves, com 1.901 espécies (CBRO 2014). O conhecimento atual da avifauna brasileira sugere que ao menos 197 espécies apresentam algum padrão de deslocamento considerado migratório. 
Desse total, 53% (104 espécies) reproduzem no Brasil e 47% (93 espécies) possuem seus sítios de reprodução em outros países, seja na região circumpolar relacionada à América do Norte e Groenlândia (aves setentrionais), ou em áreas no sul da América do Sul e Antártida (meridionais).
Na verdade, as áreas propícias a receber as aves migratórias estão sendo drasticamente reduzidas e alteradas por atividades antrópicas. Exemplos: avanço do plantio de soja, criação de gado e até a implantação de parques eólicos. 
A questão dos parques eólicos é complexa. Os projetos têm ganhado bastante espaço e incentivo por ser considerada fonte de energia limpa, renovável e de baixo impacto ao meio ambiente. Entre os efeitos gerados pela implantação desses parques estão a criação de barreiras à livre movimentação das populações, mortalidade devido a colisões e perda de habitat durante a instalação de turbinas e infraestrutura.
 
 
 As áreas propícias a receber as aves migratórias estão sendo drasticamente reduzidas e alteradas por atividades antrópicas. Exemplos: avanço do plantio de soja, criação de gado e até a implantação de parques eólicos. 
 
 
Bando de aves em migração em busca de tempo bom e alimento
 

Observar aves, o novo produto do ecoturismo

13 de fevereiro de 2004

Além do prazer, esta atividade esportiva favorece a formação de uma consciência ecológica










“Cores, cantos, plumagens, o jeito de olhar, pular e voar, olhos pequeninos, assustados ou alertas, princípio de todos os sonhos, habitantes do céu, do ar, das matas, campos e florestas, amigos dos deuses, criação divina que a todos seduz. Não há neste mundo quem não sinta admiração pela beleza ímpar de um pássaro”. 


Jornalista Alexandre Accioly, apresentando o livro “Brasil 500 Pásssaros”



Pica-Pau do Campo



 


 


A observação de aves, integrada ao turismo rural e ao ecoturismo, torna-se uma perfeita, empolgante e dinâmica atividade. O objetivo é direcionar corretamente as ações definidas pelo conceito do ecoturismo, procurando conciliar e harmonizar o uso dos recursos naturais e culturais, através de um contato íntimo do turista com a natureza. Assim, além do prazer, esta atividade esportiva favorece a formação de uma consciência ecológica.


Silêncio e paciência – A observação de aves, é considerada uma atividade de baixo impacto ambiental. Pode ser praticada isoladamente ou em pequenos grupos. Mas é preciso silêncio, paciência, e sentidos aguçados para garantir o contato com a avifauna local, sendo os esforços recompensados pela a percepção dos cantos, cores das plumagens, variedades de ninhos e comportamento no ambiente em que vivem.








Curiosidades


Brasil: possui 1.650 espécies (86 famílias e 23 ordens) 55% das 2.645 espécies de aves da América do Sul
Espécies ameaçadas: 134 no Brasil 
Dia da Ave: Dia 5 de outubro no Brasil (Decreto Fed. 63.234, de 12 de setembro de 1968). O mês de outubro é o mês das aves no mundo todo (dia 12). 
Birdwatchers: mais de 80 milhões no mundo


Objetivos da OAP


Os Observadores de Aves de Pernambuco – OAP, tem como principais objetivos, o estudo, conhecimento e catalogação da avifauna que ocorrem em Pernambuco e estados vizinhos, além de planejar, apoiar e divulgar o desenvolvimento da ornitologia amadora , contribuindo para a ampliação dos conhecimentos que envolvem a vidas das aves e da conservação dos ambientes onde se desenvolvem as suas atividades de importância ecológica e científica.


Além de contribuir para a conscientização universal da preservação das diversas espécies de aves silvestres, a OAP divulga nas comunidades e escolas a ornitologia amadora e realiza pesquisas científicas para o maior conhecimento das aves, além de difundir os conhecimentos ornitológicos, através de atividades culturais e educativas.


A Associação dos Observadores de Aves de Pernambuco – OAP, há 15 anos realiza o levantamento das espécies de aves que ocorrem no estado, e promove o desenvolvimento e popularização da ornitologia. Realizou centenas de saídas à campo, e utilizando binóculos, máquinas fotográficas, micro-cassetes e cadernetas para anotações, visitaram os mais diversificados ambientes como engenhos, fazendas, reservas particulares e unidades de conservação, no litoral, zona da mata, agreste e sertão. 


Segundo o Presidente da Associação OAP, Gustavo Pacheco, “embora não haja estatísticas sobre a dimensão do mercado do ecoturismo, segmento de atividade recente na América Latina, existem estimativas de organizações internacionais, de que viagens orientadas para a natureza representam 10% das viagens dos americanos e europeus. Também grandes operadoras internacionais estimam que 4 a 6 milhões de americanos fazem turismo da natureza fora da América do Norte”. 


Biodiversidade em PE – A biodiversidade do Brasil é riquíssima e sua avifauna é estimada em 1.678 espécies, 17% das aves do mundo, sendo o estado de Pernambuco possuidor de mais de 500 espécies, sendo 21 delas ameaçadas de extinção. Para quem pretende observar aves em Pernambuco, a Associação OAP recomenda alguns locais como:


? O arquipélago de Fernando de Noronha, rico em espécies de aves marinhas; 
? A Ilha de Itamaracá, (Reserva da Biosfera) com seus manguezais, matas e a Coroa do Avião (importante ponto de pouso, descanso e alimentação de aves migratórias);
? O Vale do Catimbau no município do Buíque, um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil, a área se distingue por uma formação geológica generosa que premiou o local com uma das mais belas paisagens do Brasil;
? Outros municípios que possuem áreas diversificadas de matas e campos, permitindo encontrar grande variedade de aves;
? E a Caatinga com suas serras, serrotes, chapadas, pedras, riachos e açudes apresenta um conjunto de singular beleza com suas cactáceas, bromélias e flores.


A fauna nativa guarda as características do ecossistema regional, sendo a riqueza ornitológica a mais considerável.


Um dado importante e que sempre é bom lembrar: o ecoturismo é um produto frágil, que tem de ser manuseado com cautela, pois o uso inadequado pode causar irreversíveis danos econômicos, ambientais e sociais.


Mais informações: Associação OAP – (81) 3436-0709 – www.hotlink.com.br/users/oapaveswww.birding.com.br


 







João-de-Barro


 







Sanhaço









Brasil também quer ter sua ave nacional

11 de fevereiro de 2004

A proposta é que o sabiá, com forte presença na cultura e alma brasileira, seja a escolhida







 








Os países e suas aves nacionais maravilhosas


Os pássaros são destaque na obra de Deus e na vida dos homens. Para Johan Dalgas Frish a importância das aves começa na Bíblia. Diz o Deuternonômio 22/6: “Se indo por um caminho achares numa árvore ou na terra o ninho de uma ave e a mãe posta sobre os filhos ou sobre os ovos, não apanharás a mãe com os filhotes”. Evangelho de São Mateus, 2/26: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem regam, nem fazem provimentos nos celeiros e contudo Vosso Pai Celestial as sustenta. Por ventura não sois vós muito mais do que elas?”


Dalgas lembra que a Bíblia diz que Deus criou os seres dos mares e as aves do céu antes do homem. Aliás, é interessante notar que todas as histórias e citações da Bíblia estão situadas num contexto de região semi-árida e as aves citadas são: pombas, águias, avestruzes, corujas, pavões, pelicanos, codornizes, corvos, pardais, cegonhas, andorinhas, rolas e falcões e corvo marinho.


Na mitologia Grega e Romana as aves tiveram uma importância extraordinária. Os romanos não faziam nenhuma ação militar ou negócios importantes sem consultar os bulários que dividiam o céu em quatro pontos. Se aparecesse uma ave num determinado quadrante a observação era interpretada por bom ou mau agouro! No Egito o falcão peregrino se confundia com deus, o Sol e os faraós.


As aves típicas das diversas regiões do mundo se identificam com as populações, seus costumes e suas crenças. Fazem parte do folclore e da cultura dos países, argumenta Dalgas Frisch. Essa simbologia tem uma fantástica ligação com a História e com a vida de cada país.


Na Inglaterra, o poeta William Shakespeare se inspirou na ave Robyn e seu canto para justificar o romance de Romeu e Julieta. Por isso o Robyn tornou-se Ave Nacional da Grã Bretanha. Assim, a ave nacional representa o espírito poético de cada povo: nos Estados Unidos a águia de cabeça branca, representa a imagem da força e beleza da união dos diversos estados norte-americanos que tinham divisões históricas até de línguas, como a inglesa, francesa, espanhola e até russa, no caso do Alaska.

Na Alemanha, a cegonha que se aninha nas chaminés das casas das fazendas, representa a antiga lenda que ela trazia as crianças ao mundo. Os poetas alemães escreveram inúmeras poesias e músicas inspirados nas cegonhas.

Na Índia, o pavão representa a beleza e pujança de uma Índia misteriosa, rica com um povo pacífico e religioso.

Na Islândia, o Gyr Falcão, falcão tão procurado por reis para a falcoaria em regiões árticas, representa a força e o esplendor das terras gélidas e brancas da Islândia.

Na Dinamarca, a cotovia sempre foi adorada por poetas. A cotovia canta em pleno mergulho de vôo sobre as planícies da Jutlândia, um canto lindo e singelo.

Na Nova Zelândia, o Kiwi – uma ave misteriosa de hábitos noturnos e sem asas, simboliza a magia dos povos nativos, pois o seu ovo é quase do tamanho de uma ave jovem! Representa a sorte, o amor e a felicidade dos povos nativos da ilha. E esta crença foi incorporada aos novos habitantes de descendência britânica com grande alegria.

A Áustria adotou a andorinha, como a expressão de liberdade pelos seus poetas e músicos, lembrando que a sua presença indicava a primavera e verão. A andorinha é uma ave migradora da Europa para África do Sul nos meses de inverno.

 A Guatemala adotou o quetzal como ave nacional. O quetzal é uma espécie de surucuá dos mais lindos do mundo.

A Argentina adotou o hornero, que é o nosso João de Barro. Ele representa o gaúcho portenho que vive nos pampas e se abriga dentro de seu ninho de barro que o protege contra o gelado vento minuano.

O Uruguai escolheu como ave nacional o federal. É uma ave com cores vermelhas que simboliza a coragem do soldado sempre alerta para defender a independência de suas terras.


E o Brasil, quando terá sua ave nacional? Enquanto ?as aves que aqui gorgeiam, não gorgeiam como lá?, vale a pena fazer essa viagem pelos muitos países do mundo e conhecer suas aves nacionais maravilhosas sempre um símbolo de beleza, de tradição e de grande representatividade de seu folclore e cultura.


Pioneiro na gravação de cantos de pássaros brasileiros, Dalgas lança novo CD







Quem não conhece Johan Dalgas Frisch? Quem ainda não ouviu seus CDs com os cantos dos mais variados pássaros brasileiros? Quem ainda não leu seus livros? Antes desta entrevista com Dalgas, vale a pena conhecer um pouco de sua história. Corria o ano de 1961 quando o engenheiro químico Johan Dalgas Frisch foi informado da vinda ao Brasil, do ornitólogo norte-americano Crawford H. Greenwalt, que pretendia realizar um documentário de canto de aves brasileiras. Disposto a defender a primazia desta atividade, Dalgas Frisch formou rápido uma expedição e se embrenhou pelo Sudeste e Centro-Oeste onde coletou o canto de 36 aves que faltavam para a composição do seu primeiro disco LP. O roteiro foi escrito por Martim Bueno de Mesquita. Com esse LP, Dalgas levou os brasileiros a ouvir a beleza dos cantos das aves e a fazer – na imaginação – uma viagem fantástica, sem limites de tempo e de espaço. Assim, ele antecipou-se à iniciativa do norte-americano Greenwalt, que por muitas dificuldades técnicas encontradas, desistiu da empreitada. O disco “Cantos de Aves do Brasil ” foi o precursor de uma coleção de mais oito Long-Plays. Em 1962, o disco de Dalgas se manteve na liderança das “paradas de sucesso” durante 18 semanas consecutivas, em primeiro lugar entre os mais vendidos no Brasil. Esgotou-se como esgotaram-se todos os outros CDs que ele gravou posteriormente. Agora em julho de 2002, 40 anos depois, Dalgas Frisch reapresenta um moderno CD pela EMI. Esta nova edição de “Cantos de Aves do Brasil” já está na praça, para quem quiser.



Dalgas entregou o novo CD autografado a José Carlos Carvalho e explicou ao ministro do Meio Ambiente que neste disco ele homenageiou os velhos companheiros que colaboraram na iniciativa pioneira. Foram mantidos intactos o desenho da capa original, o roteiro de Martim Bueno de Mesquita, a narração do locutor Osvaldo Calfat e os créditos aos naturalistas José Carlos Reis de Magalhães, Lauro Travassos e Fernando Novais.


 


Dalgas: o sabiá tem o espírito brasileiro


Poetas, escritores e ornitólogos pedem o sabiá como a ave nacional do Brasil


Dia 18 de junho passado, o engenheiro e ornitólogo Johan Dalgas Frisch, presidente da Associação de Preservação da Vida Selvagem (*), em nome da diretoria da APVS, veio a Brasília trazer um estudo ao ministro José Carlos Carvalho, do Meio Ambiente, e fazer um pedido muito especial: a indicação do sabiá (Turdus rufiventris) como ave nacional do Brasil. O documento entregue ao ministro era assinado, além de Dalgas Frisch, pelo vice-presidente da APVS, jornalista Ciro Porto, e pelo diretor da entidade, Rogério Marinho, da Rede Globo. Nesta entrevista exclusiva à Folha do Meio Ambiente, Dalgas Frisch explica a importância sócio-cultural do pedido. Vale a pena conferir.


FMA – O que significa uma ave nacional?


Dalgas Frisch – É justamente o retrato vivo de um país, de sua gente e de sua cultura. Como a logomarca representa uma empresa, os símbolos nacionais representam a nação, seu povo e seus costumes. E para que se mantenham vivos na mente dos cidadãos, é necessário respeitá-los e difundi-los. Uma ave nacional representa a alma, o folcore e a cultura de um país. Mas só tem legitimidade quando for oficializada pelo governo.


FMA – Por que existe o Dia da Ave no Brasil e até hoje não tem nenhuma ave nacional?


Dalgas – Foi uma falha no decreto 63.234, publicado no Diário Oficial de 12 de setembro de 1968 e assinado pelo presidente Arthur da Costa e Silva. Durante reunião que tivemos no Palácio do Planalto, o presidente Costa e Silva falou com veemência sobre o sabiá, um pássaro que deu muitas emoções a ele, na sua infância no Rio Grande do Sul.


Todos os jornais da época noticiaram o sabiá como ave nacional, tanto que o sabiá foi festejado durante décadas. Em todas as solenidades, governadores, prefeitos e diretores de escolas soltavam um sabiá de uma gaiola como símbolo de liberdade e de poesia, para motivar os jovens estudantes. Foram feitos todos anos diplomas comemorativos ao Dia da Ave e as crianças que faziam os melhores trabalhos sobre o tema recebiam de presente passagens aéreas com todas despesas pagas para diversos lugares do Brasil como Foz de Iguaçu, Bahia, Rio de Janeiro. Tudo financiado pela Associação de Preservação da Vida Selvagem.


Há pouco tempo, um jornalista descobriu que o Diário Oficial, que publicou o decreto do Dia da Ave no Brasil, não trouxe o nome da ave. Quando o senador Jorge Borhausen foi ministro da Educação, tentou-se corrigir a falha. Bornhausen fez um ofício ao então presidente José Sarney para retificar o Decreto número 63.234 que criou o Dia da Ave. O objetivo era fazer do sabiá a ave nacional. Mas um novo erro foi cometido, pois esqueceu-se de dar o nome científico do sabiá e acabou que a correção nunca foi publicada. A verdade é que até hoje este lamentável engano ainda permanece “em berço esplêndido”.


FMA – Todos países tem uma ave nacional?


Dalgas – Praticamente todos tem! E é muito bonito ver ave típica como símbolo de uma nação. Tal qual o hino nacional, a bandeira e os brazões. A ave nacional acaba por ser um símbolo vivo de um país.


FMA – Por que a maioria dos ornitólogos e intelectuais defendem o sabiá como ave nacional brasileira?


Dalgas – A resposta é simples! É só fazer uma consulta nos registros do ECAD (Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais) sobre as músicas e letras referentes a aves no Brasil. A ave mais cantada, disparado, é o sabiá, por ser a ave mais conhecida de toda população brasileira. O sabiá vive junto às casas e até mesmo nas cidades, desde que haja um pé de laranjeira, jabuticabeira, amoreira, goiabeira, pitangueira. Na primavera, o sabiá é a primeira ave a cantar, ainda no escuro, antes do raiar do dia. Seu canto é sem dúvida nenhuma o que mais motivou poetas, músicos e escritores no Brasil.


O sabiá é uma maravilha de despertador vivo nas fazendas, nas roças e nas cidades bem arborizadas. Pelo seu canto, imagem, docilidade em viver junto às casas dos caboclos, o sabiá passou a fazer parte da vida, do sentimento dos brasileiros.


FMA – Gravar cantos de pássaros em CD é comercialmente rentável?


Dalgas – Olha, Gorgulho, o canto de um pássaro é a perfeição da espécie. Aquele que canta mais bonito, mais melodioso vai atrair a fêmea. Mas é preciso entender que o sentimento humano é diferente. Para que o CD seja comercialmente um sucesso é importante que, além da beleza da música, que a letra também mexa com o sentimento. Que reflita uma profunda sensibilidade. Algo nostálgico, do amor não correspondido, da dor de cotovelo, da conquista e da paixão.


Então o que funciona comercialmente é mesclar, é interagir o canto dos pássaros acompanhando as músicas dos homens. Misturar ritmos, trinados, melodias e gorgeios. Comercialmente correto, pois passarinho não compra CD








O sabiá em notas musicais

No Brasil, a ave mais lembrada pelo folclore, pela poesia
e pelos compositores da Música Popular Brasileira é o Sabiá.
Para comprovar, basta uma pequena pesquisa bibliográfica no ECAD/SOCIMPRO.


Sabiá
Autores: Tom Jobim/Chico Buarque
Editoras: Cara Nova Editora Musical/Jobim Music Ltda.


Sabiá
Autores: Zé Dantas/Gonzagão
Editora: Irmãos Vitale S/A Industria e Comercio Ltda.


Sabiá
Autores: Jararaca/Vicente Paiva
Editora: Mangione Filhos & Cia. Ltda.


Sabiá
Autor: Marcos Viana
Editora: Sonhos e Sons Ltda.


Sabiá
Autor: J.B.da Silva
Editora: Todamerica Musica Ltda.


Sabiá
Autor: Élcio Pureza de Oliveira
Editora: Edições Euterpe Ltda.


Sabiá
Autor: Jango
Editora: R.J. Editora de Músicas Ltda.


Sabiá
Autores: Alberto Trindade/Thadeu/Edílson Del Grossi/Walmor Douglas.


Sabiá
Autor: Cláudio Rios


Sabiá
Autor: Luis Henrique de Nazaré Bulcão


Sabiá Cantou
Autores: Jurandir de Alvarega/Maria das Graças de Alvarenga
Editora: Edições Musicais Tapajós Ltda.


Sabiá Conquistador
Autores: Jadir Ambrozio/Curió
Editora: Rômulo C. Tavares Paes


Sabiá Larangeira
Autor: Enio Pereira


Sabiá do Sertão
Autores: Miguel Lima/Severino Januário
Editora: Wagner Chapell Edições Musicais Ltda.


Amo-te Muito
Autor: João Chaves


Sabiá e Beija-flôr
Autor: Ciro Franca


Sabiá e Eu
Autores: João de Carvalho/Rubinho Silva


Sabiá Engaiolado
Autores: Gervásio Horta/Rômulo Paes
Editora: Edições Euterpe Ltda.


Sabiá Jardim
Autor: Gê Lara


Sabiá lá na Gaiola
Autores: Herve Cordovil/Mário Vieira
Editora: Bandeirante Editora Musical


Sabiá na Bananeira
Autores: Azula/Paulo Duarte
Editora: Warner Chapel Edições Musicais


Sabiá
Autores: Roberto Vilar/Pompilio
Editora: João Olimpio de Souza Produções


O Sabiá
Autor: Flávio Andreazza
Editora: Madrigal Com. de Discos Fitas


Sabiá Rei do Sertão
Autor: Solange de Fátima
Editora: Mel Produção Art.E. Edições Musicais


 


Sabiá é a ave mais cantada em prosa e verso
Muitos intelectuais e ornitólogos consideram o sabiá uma ave típica e extremamente popular no Brasil


Jorge Amado e o Sabiá

?DESEJO MANIFESTAR MEU INTEGRAL APOIO CAMPANHA PARA QUE SABIAH SEJA DEFINITIVAMENTE CONSAGRADO COMO AVE OFICIAL DO BRASIL, DURANTE COMEMORAÇÕES PROXIMO DIA DA AVE. CORDIALMENTE, JORGE AMADO?


?Sempre que as gratuidades pousam em minhas palavras, elas são abençoadas por pássaros e por lírios.
Os pássaros conduzem os homens para o azul, para as águas, para as árvores e para o amor. Ser escolhido por um pássaro para ser a árvore dele: eis o orgulho de uma árvore.
Ser escolhido pelas garças para ser o rio delas: eis a vaidade dos rios.?
Manoel de Barros


?Amo-te muito


Como as flores amam
O frio orvalho que infinito chora.


Amo-te como o Sabiá da praia
Numa sanguínea e deslumbrante aurora.
Oh! não te esqueças
Que te amo assim
Oh não te esqueças
Nunca mais de mim…?
João Chaves


“Minha Terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá
As aves que aqui gorgeiam
Não gorgeiam como lá…”
Gonçalves Dias


” …Tô indo agora prŽum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa para deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade o Sabiá
A majestade o Sabiá!…”
Roberta Miranda


?Sabiá lá na gaiola, fez um buraquinho
Voou… voou… voou…
E a menina que gostava tanto do bichinho
Chorou, chorou, chorou…
Sabiá fugiu pro terreiro. Foi cantar lá no abacateiro
E a menina diz soluçando
Vem cá Sabiá, vem cá…?”
Herve Cordovil/Mário Vieira


“Vou voltar, sei que ainda vou voltar para o meu lugar
Foi lá e ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar uma Sabiá…
Vou voltar,
sei que ainda vou voltar e é pra ficar
Sei que o amor existe
E eu não sou mais triste
Que a nova vida já vai chegar
E que a solidão vai se acabar
Hei de ouvir cantar uma Sabiá…

Chico Buarque e Tom Jobim


Sabiá: canto de saudade


?Estranhamente, o Brasil, que é reconhecido internacionalmente como a terra das aves, é também um dos poucos países do mundo que não tem uma Ave Nacional. A escolha do Sabiá é ideal, pois é muito popular e bem conhecido por seu canto maravilhoso. Este canto bem variado ilustra a alma brasileira: alegre ou cheia de saudade.?
Prof. dr. Jacques M. E. Vielliard Academia Brasileira de Ciências e Unicamp


Sabiá: sensibilidade auditiva


?Após oito anos estudando o canto do Sabiá, tenho uma preferência por esta espécie. A faixa de freqüência emitida pelo seu canto corresponde à de maior sensibilidade auditiva humana. Como ressaltei na minha tese de doutorado, o Sabiá é exaltado em canto, poesia e prosa. Essas manifestações artísticas ilustram sua importância. Não é válido o argumento de que existem Sabiás no mundo todo. Temos aqui no Brasil muitas espécies endêmicas que bem poderiam ser a Ave Nacional?.
Dra. Maria Luiza da Silva Laboratório de Psicolofisiologia Sensorial da USP


 

Anilhamento de aves

Mundo das aves: anilhar para proteger

3 de fevereiro de 2004

Os homens estudam as aves para conhecê-las melhor e, assim, valorizar o ambiente e a vida

 


No mundo animal, as aves têm lugar de destaque, pois exercem
um fascínio fantástico sobre os homens. São elas que mais contribuem
para o equilíbrio da natureza. As aves são úteis no dia-a-dia, podem controlar pragas no campo, disseminam sementes e plantas, têm cantos maravilhosos, embelezam e alegram a vida dos deuses e dos homens. Mais: o grupo das aves é um dos de maior distribuição no mundo, podendo ser encontradas do Brasil ao Japão e do Ártico à Antártida. As aves são coloridas, podem ser grandes como o Avestruz ou minúsculas como um Beija-flor. Emitem cantos melodiosos, como o Curió, ou estridente, como o Ferreiro. Adoradas no passado e veneradas no presente, elas chegam a avisar as horas do dia, podem nos indicar quando estamos agindo de forma incorreta com os ambientes em que vivemos e ser utilizadas como indicadores da qualidade ambiental em qualquer parte do mundo, pois trata-se de um dos grupos menos tolerantes às modificações dos seus habitats. Elas refletem de forma direta a riqueza, a abundância, ou mesmo a pobreza do ambiente. Estudar as aves para preservá-las e protegê-las significa
dar mais valor à vida como um todo. Se existem homens que caçam e matam, existem também aqueles que fazem de seu trabalho pelas aves um meio de vida. E é neste contexto que vamos conhecer as ornitólogas Inês de Lima Serrano do Nascimento, bióloga do Centro de Pesquisa do Cemave/Ibama, e Andreza Clarinda Araújo do Amaral, bióloga do Proaves, trabalhando no Sistema Nacional de Anilhamento/Cemave. Inês e Andreza vão explicar melhor esse trabalho interessantíssimo. É bom saber que o grupo das aves, entre os animais, é o mais pesquisado no mundo, mas no Brasil essas pesquisas ainda engatinham. Para aprofundar estes estudos, é fundamental conhecer e entender melhor um dos mais belos e eficientes trabalhos dos ornitólogos: o anilhamento das aves.


O que é anilhar
Em 1899, na Holanda, o pesquisador Cristopher Mortensen foi o primeiro a utilizar-se de um método de marcação de aves. Êle queria entender porque aves apareciam e desapareciam em algumas épocas do ano. Começou a usar, então, vários materiais como fitas e até mesmo anéis de ouro para marcar as aves. Foi aí que se descobriu que elas viajavam longas distâncias do seu local de origem. Com esses indícios, Mortensen viu a necessidade de aumentar os esforços de marcação para entender esse fenômeno de deslocamento periódico, conhecido como migração.
“As anilhas (anéis de alumínio ou aço) que utilizamos hoje – explica a bióloga Andreza Amaral – são colocadas no tarso das aves, por pessoas treinadas, servindo como uma carteira de identidade do animal. Nesta plaquinha constam uma letra e cinco números que jamais se repetem”.
Segundo as biólogas do Cemave, a técnica de anilhamento tem sido cada vez mais utilizada pela comunidade científica mundial, demonstrando o amplo espectro de objetivos para os quais se podem empregar as anilhas. “Através do anilhamento de aves é possível realizar diversos estudos relacionados à dispersão, migração, comportamento e estrutura social, dinâmica de populações, sobrevivência, sucesso reprodutivo, monitoramento ambiental, toxicologia e manejo”, explica Andreza Amaral. “Mesmo com a implantação de novas técnicas, como a utilização de rádio-transmissores e a colocação de microchips, pesquisas apontam o anilhamento como técnica de monitoramento primordial para a conservação das aves que possuem alta capacidade de responder às modificações ambientais, caracterizando-se como excelentes indicadores da qualidade de um ambiente”, salienta Inês Serrano do Nascimento.
Os anilhadores utilizam-se de redes ornitológicas, puçás e armadilhas para capturar as aves e em seguida, tomam suas medidas e peso e observam se apresentam algum problema. Chegam a coletar, algumas vezes, até amostras de sangue para análise em laboratório, para identificar a qual espécie a ave pertence. E antes de devolver a ave à natureza, colocam o anelzinho na perna dela.


Brasil: meio milhão de aves anilhadas
Nestes 24 anos do Cemave, já foram anilhadas mais de meio milhão de aves,
com registro de mais de 3.500 recuperações de anilhas brasileiras. Houve também muitas recuperações de anilhas estrangeiras. Aliás, as pessoas que relatam tais recuperações, recebem um certificado nominal de agradecimento, oficial do Cemave, onde constam o nome comum e o científico da ave, bem como os dados
de anilhamento e os de recuperação (local e data do anilhamento/recuperação, sexo e idade da ave).
Andreza Amaral gosta de dizer uma verdade: entrar numa mata, percorrer praças e bairros isolados, praias desertas e outros ambientes à procura do maravilhoso mundo das aves, tem sido utilizado como uma válvula de escape e alívio ao estresse das cidades, um canal de religamento do homem com o mundo natural. “Nada mais belo do que ver, ouvir e curtir uma ave em seu habitat natural…”
Aliás, lembra a bióloga Andreza Amaral: “Quem nunca quis estar “livre como um passarinho?” Ou “quem ainda não usou a expressão estou pronto para voar”? A verdade é esta, a sensação que as aves passam: simplicidade e liberdade de ir para onde quiser.
“Vale a pena pensar nisso tudo antes de aprisionar uma ave”, conclui educativamente Andreza.


O que é o Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Aves Silvestres?


O Cemave foi criado em 1977 pelo Ibama com base no compromisso brasileiro em atender a Convenção de Washington (1948), relativa à conservação da fauna, flora e belezas cênicas nas Américas, para a conservação de espécies migrantes entre as Américas. Sua principal missão é subsidiar a conservação das aves silvestres brasileiras e dos ambientes dos quais elas dependem.
Sua sede localiza-se no complexo ambiental da Mata da AMEM, Cabedelo/PB, contando com duas Coordenadorias Regionais: uma para Centro-Oeste e Norte, no Parque Nacional de Brasília/DF, e outra para o Sul e Sudeste, em Porto Alegre/RS , além da Base de Campo em Jeremoabo, Bahia, para os trabalhos com a Arara-azul-de-lear (Anodorynchus leari).
O Cemave conta com parceria diversas de instituições governamentais e privadas, por meio de termos de cooperação técnica e convênios.
Centro pioneiro e único na América Latina, coordena o Sistema Nacional de Anilhamento (SNA), com sistema próprio, possuindo 890 anilhadores cadastrados, cerca de 600 mil aves anilhadas. Todas as informações estão em um Banco de Dados. O sistema tem 187 projetos sob coordenação.
O Cemave realiza ainda a capacitação e treinamento de profissionais através de cursos nacionais e internacionais, participação científica em congressos, publicações especializadas e teses de mestrado e doutorado.


Pesquisa de Campo
Conheça algumas pesquisas do Cemave


Aves Cinegéticas
Monitoramento e controle de populações de aves que sofrem pressão de caça com vistas a garantir o uso sustentável destes recursos. Como exemplo, no controle e análises e elaboração de portarias de caça de perdizes, marrecas e do marrecão-da-patagônia no Rio Grande do Sul.
Aves Ameaçadas, Raras e Endêmicas
Projetos envolvendo o monitoramento das espécies visando a sua recuperação, como o cisne-de-pescoço-negro no Rio Grande do Sul, flamingos no Amapá, trinta-réis-de-bico-amarelo Sterna hirundinacea no Espírito Santo, arara-azul-de-Lear Anodorynchus leari na Bahia.
Aves Migratórias
Projetos desenvolvidos em Áreas Ramsar (Convenção relativa á conservação de ambientes aquáticos de importância internacional) no Brasil em cooperação técnica com outros países tais como o Canadá, Estados Unidos, Holanda, Austrália, Inglaterra e Argentina, visando a conservação de espécies migratórias continentais como os maçaricos e batuíras, bem como dos ambientes dos quais estas dependem.
Problemas relacionados a Aves
Pesquisas de métodos e medidas a serem adotadas para o manejo de espécies que atacam lavouras, como as caturritas Myiopsita monachus no Rio Grande do Sul; colisões com aeronaves (urubus Coragyps atratus) nos aeroportos do Brasil) e mortalidade de albatrozes e petréis pela pesca oceânica com espinhéis.
Aves Coloniais
Monitoramento de aves em ilhas oceânicas brasileiras como nos Arquipélagos e Parques Nacionais de Fernando de Noronha e dos Abrolhos e Reserva Biológica do Atol das Rocas, além da manutenção de banco de dados com os registro de áreas de reprodução colonial no país.
Projetos Especiais
Inventários e estudos da biologia de aves no domínio da caatinga e mata atlântica, como na Reserva Biológica dos Guaribas, na Paraíba.
Mais informações:
www.ibama.gov.br/cemave
cemave@ibama.gov.br
Tel/fax: (61) 465-2009
Tel: (83) 245-2611
Fax: (83) 245-2694


Você Sabia?
Você sabia que as aves se alimentam de pragas que atacam plantações, atuam no combate aos ratos, cobras e insetos, e ainda polinizam flores e espalham sementes?
Você sabia que os maçaricos brancos e os de peito vermelho são espécies migratórias que embora pesem no máximo 100 e 250g respectivamente, conseguem voar longas distâncias, chegando a 7 mil km ininterruptos?
. Você sabia que todo ano, entre agosto e outubro, dezenas de milhares de aves do Hemisfério Norte migram para o Brasil à procura de comida e de um clima favorável?
Você sabia que um maçarico anilhado por técnicos do Cemave nas Reentrâncias Maranhenses em 10/05/2001, foi encontrado capturado, apenas 11 dias depois por pesquisadores americanos, em Delaware, EUA?
Você sabia que algumas espécies migratórias chegam a percorrer 20 mil km entre o Canadá (tundras canadenses) e a Terra do Fogo, na Argentina?
Você sabia que durante o vôo migratório as aves se orientam pelas estrelas e pela lua e ainda aproveitam as correntes de ar, chegando a atingir uma velocidade de até 65 Km/hora?


Nome de passarinho


As aves na cultura popular
Nome de passarinho nasce na alma e na boca do povo


Manoel Toscano de Brito e Gilmar Farias, da OAP(*)
Segundo Helmut Sick, no seu livro Ornitologia Brasileira, o povo ao dar um nome a uma ave procura relacioná-la com o seu colorido, à forma do bico, à alimentação, ao modo de caçar, às manifestações sonoras, nidificação, relação ao tempo, ocupações humanas e lendas. Nomes onomatopaicos parecem estranho à maioria, que não conhece as respectivas manifestações sonoras. Cada nome tem a alma do povo. E os nomes fazem parte da cultura. Um nome popular antigo, arraigado, passa de pai para filho. Não muda nunca.


É baseado nestes valores, que a OAP – Associação de Observadores de Aves de Pernambuco estuda e coleciona há 17 anos nomes populares das aves em Pernambuco, bem como sua presença na cultura popular.
Durante este tempo foram colecionados muitos fatos que envolvem as aves no dia-a-dia das pessoas. Por exemplo, em algumas regiões do interior de Pernambuco acredita-se que a Coruja-rasga-mortalha (Tyto alba) quando passa por cima de uma casa e vocaliza é sinal que alguém vai morrer e a cova é anunciada pela Peitica (Tapera naevia), que vocaliza “buraco feito, buraco feito, buraco feito…” Um mata e o outro enterra, dizem os matutos. “Abre o caminho que ele já vem” diz o Pitiguari (Cyclarhis gujanensis) anunciando a chegada de um visitante. Imediatamente o Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) canta avisa: “Eu bem te vi. Eu bem que disse, eu bem te vi”. Algumas histórias de aves já são bastante conhecidas como a da Lavandeira (Fluvicola nengeta). Ela nunca é incomodada, pois acredita-se que ela lavou a roupa do menino Jesus, portanto se estaria cometendo um grande pecado.
Outras crenças são bem regionais. No Recife, por exemplo, acredita-se que criar Pombo doméstico (Columba livia) faz com que se tenha azar e a família empobreça.
Já no município de Gravatá, criar o Cancão (Cyanocorax cyanopogon) possibilitaria a cura da asma. Quando ele é criado em cativeiro, a doença é atraída para si, e o seu dono recupera a saúde.
Outras aves também poderiam auxiliar na cura de enfermidades, o chá de Urubu (Coragyps atratus) serviria para tratar doenças sexualmente transmissíveis.
Em um município do interior de Pernambuco, chamado Limoeiro, ouvimos como o homem do campo interpretava o canto do Galo-de-campina (Paroaria dominicana), é como se ele dissesse: “Mulher é cão/mulher é cão/por causa de mulher lascaram minha cabeça/olha o sangue/olha o sangue” fazendo referência a sua cabeça vermelha.
“O Bacurau (Nyctidromus albicollis) quando perseguido pousa no chão e vira folha” seria esta explicação popular para a cor fuliginosa de sua plumagem.
Existem também ditos populares curiosos envolvendo as aves como, por exemplo, “mais vale um Tico-tico (Zonotrichia capensis) no prato do que um Jacu (Penelope jacucaca) no mato” ou “Indecente que nem papagaio (Amazona aestiva) de pensão” ou ainda “Se carniça fosse dinheiro urubu (Coragyps atratus) era marajá.”


Nas religiões
Encontramos também histórias interessantes nas religiões afro-brasileiras. Existem algumas entidades batizadas com nomes de aves como o Caboclo Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), o Caboclo Acauã (Herpetotheres cachinnans), o Caboclo Jaçanã (Jacana jacana) e o Caboclo Martim-pescador (Ceryle torquata).
Os cangaceiros do bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, recebiam nomes de aves típicas da região de onde viviam: Azulão (Passerina brissonii), Xexéu (Cacicus cela), Curió (Oryzoborus angolensis), Canário (Sicalis flaveola), Zabelê (Crypturelus noctivagus) e Asa-branca (Columba picazuro), entre outros nomes.
A recíproca também é verdadeira. Existem vários tipos de aves que possuem nomes de pessoas: Maria-é-dia (Elaenia flavogaster), Tio-antônio (Synallaxis frontalis), Mané-magro (Sicalis luteola), Pedro-feio (Nystalus maculatus), Maria fita (Coryphospingus pileatus), João-de-barro (Furnarius rufus), João-moleque (Tachyphonus rufus), Frei Vicente (Tangara cayana) e Filipe (Myiophobus fasciatus).
Conhecer a etnobiologia(1), estudar a influência que as aves exercem sobre as pessoas e como elas interpretam o seu comportamento é, de fato, bem curioso e muito gratificante.
Entender como as pessoas comuns compreendem os fenômenos da natureza, é muito importante. Sobretudo no momento de definir o uso dos recursos naturais existentes nos diversos ambientes. E mais, é sempre uma força, uma delicadeza e até uma sabedoria para se respeitar a cultura local.
(*) Manoel Toscano de Brito e Gilmar Farias, da OAP
www.hotlink.com.br/users/oapaves


(1)Etnobiologia é a ciência que estuda a cultura relacionada à nomenclatura e ao uso popular da fauna e flora. O termo tem várias vertentes na etnozoologia, etnoecologia, etnobotânica. A nomenclatura popular é particular de cada cultura, de cada região, por isso alguns animais e plantas recebem um nome num lugar e outro nome em outro. Exemplo: o Vanellus chilensis é conhecido com Teu-Teu, no Nordeste, e como Quero-Quero, no Sul. O Ginglymostoma cirratum é conhecido como Lambaru, no Sul, e como Cação-lixa, no Nordeste.


Criação de aves


Novas regras para criar pássaros
Sem o cadastro, o criador é considerado infrator conforme a Lei de Crimes Ambientais


Atenção criadores de pássaros. A partir de agora, quem quiser iniciar a criação amadorista de pássaros brasileiros tais como canário-da-terra, curió, bicudo, pássaro-preto, bigodinho, coleirinha, azulão, trinca-ferro, galo-da-campina e outros pertencentes à ordem dos Passeriformes terá que se ajustar às novas regras publicadas pelo Ibama no Diário Oficial (Instrução Normativa 1, de 24 de janeiro de 2003. Para os interessados, o endereço na internet já está disponível: www.ibama.gov.br/sispass


Cadastro
Criadores de passarinhos vão ter que se cadastrar.
E a nova legislação traz todas as medidas necessárias para os interessados em se cadastrarem como criadores amadoristas de passeriformes da fauna silvestre. Sem o cadastro, o criador é considerado infrator,
conforme a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), que proíbe a manutenção em cativeiro de animais da fauna silvestre brasileira sem a autorização dos órgãos ambientais. Quem não estiver dentro da legalidade pode ter as aves apreendidas e pagar multas que variam de R$ 500 a R$ 5 mil para cada animal em situação irregular. De acordo com o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama, Rômulo Mello, somente com o cadastro é que o criador poderá receber do Ibama a relação de passeriformes e as anilhas de metal que identificarão os pássaros nos casos de fiscalização. Ele lembra que tais registros legais, antes feitos pelas associações e federações de criadores amadoristas de passeriformes são agora de responsabilidade exclusiva do Ibama.


Quem não estiver dentro da legalidade pode ter as aves
apreendidas e pagar multas que variam de R$ 500
a R$ 5 mil por cada animal em situação irregular


Rômulo Mello lembra que, a partir de março deste ano, o cadastramento de novos criadores, a atualização de dados dos criadores recadastrados, conforme a Instrução Normativa anterior – (6/02) e as solicitações de anilhas e autorizações de transações (trocas ou doações de aves entre os amadoristas) para ambos os casos, deverá ser feita pela Internet, por meio do Sistema de Passeriformes-Sispass. Conforme o diretor, o sistema já está consolidado, mas ainda passa pela etapa de atualização dos dados, já que o recadastramento dos criadores amadoristas só foi concluído no dia 15 de janeiro. “Até que o sistema esteja em funcionamento, os cadastros de novos criadores continuarão a ser feitos nas unidades do Ibama nos Estados”, informou Rômulo Mello.
Para Aldemir Apio Júnior, da Associação dos Criadores de Pássaros de Brasília – ACPB, localizada na cidade do Guará, apesar da informatização determinada pelo Ibama, é muito importante que o criador seja associado a algum clube de passarinheiros: “A associação pode ajudar muito o associado. Até buscar anilhas que ele porventura peça ao Ibama, nós podemos buscar para ele”, explica Apio Júnior.


Quem é o criador amadorista?
No Brasil, existem cerca de 70 mil criadores cadastrados nessa categoria. De acordo com a Instrução Normativa 1/2003, é criador amadorista de passeriformes toda pessoa física que cria e mantém em cativeiro aves da ordem dos passeriformes com o objetivo de preservação e conservação do patrimônio genético das espécies, sem finalidade comercial.
Mais informações:
cemave@ibama.gov.br
(61) 316-1015
(61) 465-2009

Aves Nacionais

Os países e suas aves

29 de janeiro de 2004

SUMMARY         A enquete da Folha do Meio Ambiente deu Sabiá na cabeça: pela internet foram computados 2.669 votos, sendo 2.466 (92,36%) para o Sabiá e 203 (7,64%) para a Ararajuba. Por carta, foram 124 votos, sendo 101 para o sabiá e 23 para a ararajuba. Por email foram 325 votos, sendo… Ver artigo














 

 


 



 






A enquete da Folha do Meio Ambiente deu Sabiá na cabeça: pela internet foram computados 2.669 votos, sendo 2.466 (92,36%) para o Sabiá e 203 (7,64%) para a Ararajuba. Por carta, foram 124 votos, sendo 101 para o sabiá e 23 para a ararajuba. Por email foram 325 votos, sendo 291 para o sabiá e 34 para a ararajuba. Total: 2.858 (sabiá) 260 (ararajuba)


– O Sabiá tem seu canto reconhecido em todo território nacional. Além disso está imortalizado na MPB e nos versos do poeta Gonçalves Dias “Minha terra tem palmeiras / onde canta o Sabiá/ As aves que aqui gorgeiam / Não gorgeiam como lá”. Sociedade Ecológica Cavaleiros do Alto Santana soecal@ig.com.br


– Votei no simpático sabiá. A nossa ararajuba só me foi apresentada pelas campanhas de preservação da Petrobrás.
Ricardo Blanco – Brasília – DF

 

O sabiá, cantado em verso e em prosa, faz parte do espírito brasileiro. Está arraigado na nossa cultura. São dezenas de canções, poesias e citações na nossa obra literária.
Não que ela não mereça, mas não se conhece uma única canção ou poesia com a ararajuba.
O sabiá larangeira é encontrado em todo lugar e é praticamente a ave mais conhecida da população brasileira, pois vive junto às casas das cidades, onde existam um mínimo de arborização e parques, e junto às fazendas. Basta ter por perto um pé de larangeira, pitangueira, amoreira ou goiabeira. Na primavera é sempre a primeira ave a cantar, logo ao raiar do dia. Seu canto é o que mais inspirou nossos poetas e compositores. O sabiá, por mais que seja admirado e cobiçado, não é motivo de negócios e muito menos tráfico e contrabando. Ao passo que a ararajuba, pela beleza e por estar em extinção, é cobiçada pelos contrabandistas que chegam a comercializar um casal por até 50 mil dólares. Dizem alguns ornitólogos que se oficializada como Ave Nacional, seu passe seria extremamente valorizado, favorecendo mais ainda os traficantes e contrabandistas e o próprio tráfico de animais.
Para o ornitólogo e presidente da Associação de Preservação da Vida Selvagem, Dalgas Frisch, uma Ave Nacional não é escolhida pela semelhança das cores de sua plumagem com as da bandeira do país. “Ela deve ser aclamada pelo sentimento popular e cultural, pelo que ela inspira os poetas e compositores. Pela obra literária que ela inspirou. Pela presença dela nos terreiros das fazendas, nos jardins das casas e na vida de um povo. Aí o sabiá é imbatível!” Para quem quiser saber mais sobre o sabiá e conhecer as aves nacionais de outros países:
www.folhadomeio.com.br/fma-128/aves.jsp