Boca no trombone!

25 de maio de 2011

Pistoleiros e ameaças em Brejo dos Crioulos-MG

“Precisamos de todos. Vai acontecer um genocídio em Brejo dos Crioulos. A Defensoria Pública e o Ministério Público – federal e estaduais – precisam intervir urgente, antes que aconteça o pior no Norte de Minas”.


Sandra Maria da Silva – Presidente da Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais, N-Golo.

“Atenção, minha gente. Depois do despejo absurdo na última semana, continuam as ameaças contra a vida dos quilombolas. É urgente e necessário que as autoridades de Minas e do Governo Federal tomem providências urgentes. Não aceitamos mais lideranças assassinadas em Minas Gerais na luta pela terra e pelo território”.


Rosely/ Recid-MG

“Já denunciamos uma vez. Estive novamente em Brejo dos Crioulos reunido com os quilombolas e ouvi muitos relatos da ação de jagunços armados. Retornei para Montes Claros e recebi telefonema do presidente da Associação de Brejo dos Crioulos, João Pêra, que foi ontem de moto por volta das 17 horas parado por Fabinho, Roberto e Lucídio, pistoleiros da Fazenda de Raul Lerário, e pelo pistoleiro Barbudo, da Fazenda de Miguel Véo Filho. Todos estavam a cavalo e fortemente armados com carabinas e espingardas 12. Houve ameaças. Mais tarde ele foi novamente parado pelo pistoleiro Lixandão mais outros sete desconhecidos que estavam de carro e também fortemente armados. Novas ameaças. Já sabemos que a Policia Militar de Minas Gerais não vai tomar providências. E se tomar não encontrará ninguém armado lá. Todos sabem quando a polícia chega. Brejo dos Crioulos já teve confrontos entre pistoleiros ferindo gravemente vários quilombolas. Brejo dos Crioulos já teve ação da Polícia federal surpreendendo pistoleiros com armamentos. Só a PM-MG não consegue ver isso. Avisamos as autoridades competentes, pois enxergamos uma ação de pistoleiros de outras fazendas. Estão se organizando e formando milícias armadas para intimidar e ameaçar as lideranças quilombolas. Lideranças quilombolas que denunciaram ação de desmate de aroeiras na região. Policiais de Minas, em vez de averiguar as denúncias, mais uma vez ameaçam as lideranças quilombolas. Será que é preciso acontecer outras chacinas para que as autoridades tomem providências? Será que a vida destas pessoas não tem importância? Esta luta e este sofrimento duram 12 anos”.


Paulo R. Faccion – Comissão Pastoral da Terra – Montes Claros-MG