Brigadistas Ambientais

Queimadas e incêndios florestais

5 de julho de 2016

O alerta geral do brigadistas ambientais

 

Chegou a seca, baixou a umidade do ar e os produtores rurais começam a preparar a terra para plantar… pronto, pode ficar em alerta. Vem aí a temporada de incêndios florestais. Em Brasília, o fogo já chegou bem próximo ao Parque Nacional. E o Corpo de Bombeiro levou o dia todo para apagar um incêndio que devastou rapidamente 80 hectares. E o que preocupa mais ainda é lembrar que de janeiro a julho, a área de Brasília já teve 1825 focos de incêndios florestais. E mais grave: ainda não se chegou ao período crítico de seca, que ocorre nos meses de agosto e setembro. Na região de Mato Grosso, Goiás e Tocantins o problema se repete. Entra ano sai ano, os incêndios florestais chegam, preocupam e quase sempre provocados pela ação humana.

 

 

Não só a fauna e flora sofrem efeitos dos incêndios,

mas cercas e linhas de transmissão de energia.

Descrição: http://www.folhadomeio.com.br/fma/imagens/spacer.gif

Foto: Alexandre Curado

 

 

 

Tanto o Corpo de Bombeiro como os técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia têm a mesma opinião: de ano para ano aumentam os focos de incêndio e as causas estão aí nos jornais: aquecimento global, mudanças climáticas e falta de atenção da população e produtores rurais. Segundo o major Rogério Santos Soares, do CBDF, somente em junho, a temperatura aumentou em média 2°C em comparação ao mesmo período do ano passado. Também a umidade do ar vem sofrendo alterações. Em 2006, a umidade mínima esteve em torno dos 37%, já neste ano de 2007 chegou a 21%.
 
 
FOGO NAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS
 
O descontrole do fogo com a  prática das queimadas na agricultura cria um desequilíbrio ambiental, perda de fertilidade do solo, poluição, destruição das redes de eletricidade,  de cercas e muitos acidentes rodoviários e até aéreos, quando a fumaça atinge regiões próximas a aeroportos. Em toda estação seca, quando acontecem os incêndios florestais, há grandes prejuízos para o Brasil.
 
 
IMPACTO AMBIENTAL
 
É grande a preocupação das comunidades científica e ambientalista com as queimadas e com os incêndios florestais. Pedem, inclusive, mais atenção do governo para mobilizarem a sociedade em geral e os produtores rurais em particular no sentido de divulgarem ações e campanhas de controle do uso do fogo na agricultura. Entre estas ações, os ambientalistas pedem a divulgação de tecnologias alternativas já disponibilizadas pela reduzir a prática da queimada no manejo da terra. São tecnologias que evitam os incêndios e queimadas e ainda podem garantir a produtividade da lavoura. 
 
A verdade é que o uso das queimadas pelos agricultores é antigo e tem como finalidade a limpeza das áreas, a queima de resíduos para eliminar pragas e doenças,  a renovação de pastagens, a queima de dejetos de serrarias e de lixo urbano ou ainda como técnica de caça.
 
Segundo os cientistas, o fogo afeta diretamente os processos físico-químicos e biológicos dos solos, deteriora a qualidade do ar, reduz a biodiversidade e prejudica a saúde humana. Isso sem falar na alteração da composição química da atmosfera, com o aumento do efeito estufa, e a maior penetração da radiação ultravioleta, com a destruição da camada de ozônio. E mais: ao escapar do controle, o fogo atinge tanto o patrimônio público quanto o privado, como florestas, cercas, linhas de transmissão e de telefonia e construções.
 
 
 
 
ONDE É PROIBIDO USAR FOGO
 
1) Nas florestas e demais formas de vegetação;
2) Para queima pura e simples de aparas de madeira, resíduos florestais e material lenhoso;
3) Também não se pode usar fogo numa faixa de 15m dos limites de segurança das linhas de transmissão de energia elétrica;
4) Cem metros ao redor da área de domínio de subestação de energia elétrica;
5) 25m ao redor da área de domínio de estações de telecomunicações;
6) 50m a partir do aceiro existente nas Unidades de Conservação;
7) 15m de cada lado das rodovias estaduais e federais e das ferrovias, medidos a partir da faixa de domínio;
8) Em área definida pela circunferência de raio igual a 11 mil metros, tendo como referência o centro geométrico da pista de pouso dos aeroportos.
 
 
QUEIMADAS E INCÊNDIOS
 
Para entender melhor as nomenclaturas, vale saber o que é fogo, o que é queimada e o que é incêndio florestal. O fogo é um fenômeno natural. É o desenvolvimento simultâneo de calor e luz, produzido pela combustão de certos corpos. Toda a biomassa da floresta consiste de acúmulo de energia produzida pela fotossíntese. 
 
O dióxido de carbono, a água e a energia solar combinam-se para produzir celulose e outros carboidratos. Esse material é armazenado em todas as plantas verdes. O fogo reverte rapidamente esse processo, liberando a energia armazenada. 
 
Queimada – É uma prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de forma controlada para ajudar na agricultura. A queimada deve ser regida pela aplicação controlada do fogo à vegetação natural ou plantada, sob  determinadas condições ambientais que permitam que o fogo mantenha confinada a área, dentro de uma intensidade de calor e uma velocidade de propagação compatíveis com os objetivos do manejo. A queima deve ser autorizada pelo Ibama ou pelo órgão estadual competente.
 
Incêndio florestal – É o fogo sem controle que incida sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem quanto por uma causa natural.
 
A QUEIMA CONTROLADA
 
O interessado na obtenção de autorização para a queima controlada deve:
 
1) Definir as técnicas, os equipamentos e mão-de-obra a serem utilizados;
2) Fazer o reconhecimento da área e avaliar o material a ser queimado;
3) Promover o enleiramento dos resíduos de vegetação, de forma a limitar a ação do fogo;
4) Preparar aceiros de três metros de largura, ampliando essa faixa quando as condições climáticas, ambientais e topográficas assim o permitirem;
5) Providenciar pessoal treinado pra atuar no local da operação, com equipamentos apropriados;
6) Informar formalmente vizinhos a realização da queimada controlada;
7) Prever a realização da queima em dia e horário certos, evitando-se os períodos de temperatura mais alta;
8) Providenciar o acompanhamento de toda a operação de queima, para adotar, se necessário e a tempo, medidas de contenção do fogo.