Cartas

Com a palavra, o leitor

20 de dezembro de 2006

Libélulas: luz e transparênciasA reportagem sobre libélula (edição 172 de setembro/06) ficou ótima. Lembro-me, ainda, da matéria sobre as borboletas – Flores que voam –  (edição 162 outubro/05). Fico pensando em quantas criaturas desapareceram sem que ninguém tivesse dado por isso. Em Ouro Preto, antigamente, existiam joaninhas vermelhas com pintas pretas como as dos livros… Ver artigo


Libélulas: luz e transparências
A reportagem sobre libélula (edição 172 de setembro/06) ficou ótima. Lembro-me, ainda, da matéria sobre as borboletas – Flores que voam –  (edição 162 outubro/05). Fico pensando em quantas criaturas desapareceram sem que ninguém tivesse dado por isso. Em Ouro Preto, antigamente, existiam joaninhas vermelhas com pintas pretas como as dos livros infantis ingleses. Não sei se foi a poluição da Alcan, hoje já controlada, ou se foi um outro fator, só sei que desapareceram para sempre.
Por falar em libélulas, para mim esses são uns dos seres mais maravilhosos do universo. Pura luz e transparência. Serve-lhes, perfeitamente, a descrição que Cecília Meirelles faz das borboletas:
 “Criatura de pólen, de aragem, transparente anêmona aérea, diáfana pétala da vida”.
Encomendei um livro da Inglaterra, British Dragonflies e acabei doando para o Museu de Paleontologia de Santana do Cariri onde será bem mais útil.
Outro dia fiz uma palestra, acho que no Nordeste, e mencionei a libélula fossilizada de Santana do Cariri. Citei então um hai-kai feito por um discípulos de Ba-sho. Esse poema foi por todos considerado perfeito na forma, na cadência, na estrutura:


 Uma libélula rubra.
Arranquemo-lhe as asas:
Uma pimenta.


Ba-sho, autor do poema considerado como o mais belo do mundo reparou: a poesia não pode estimular a violência. E alterou o hai-kai para:
 
Uma pimenta rubra.
Coloquemo-lhe asas:
Uma libélula .
 
Não é perfeito? Só quem tem esta perfeição pode entender a beleza das libélulas.
Carlos Fernando de Moura
Delphim – Rio de Janeiro – RJ   


Canto das aves
Estou encantada com o jornal, com os CDs de cantos de pássaros brasileiros e com o livro do Dalgas Frisch. Fiquei até umas duas horas da manhã lendo. Nunca pensei que existisse um trabalho tão delicado, tão fabuloso e fantástico. Hoje estive com um amigo-médico, diretor do Hospital HRAN, e sugeri que ele deveria usar esses CDs dos cantos das aves como terapia  nas salas de cirurgia e pós-cirurgia…
Li que, em São Paulo, tem um hospital que contratou uma harpista para tocar todos os dias nos finais de tarde. Não seria fantástico! Me sinto privilegiada de poder ter um material tão precioso.
Dolores Tomé – Brasília – DF


Muda de Pau Brasil
Um pedido inusitado, mas importante para mim. Gostaria de saber qual a melhor forma de plantar uma muda de pau-brasil. Ganhei esta muda e precisava de mais detalhes para não perdê-la.
Márcia 
marcia@marquecerto.com.br
NR: Seria importante dizer de onde você é e qual o tipo de terra da sua região. Quem responde é Nikolaus von Behr, que tem um viveiro de mudas, aliás, chamado Pau Brasília. Diz ele: O pau brasil é uma árvore que deve ser plantada em pleno sol, mas não embaixo de fiação elétrica, para não ser cortado no futuro. Faça uma cova de 60cm de fundura por 60cm de largura e adube com bastante matéria orgânica, de preferência esterco de gado. Coloque um tutor ao lado da planta (pedaço de cabo de vassoura, por exemplo). Amarre a plantinha ao tutor usando um fio biodegradável, de origem vegetal, como o fio do algodão ou sisal. Nunca use arame ou plástico. Molhe bem a plantinha depois de plantar e mantenha o solo da planta úmido, sem encharcar. Boa sorte!


Líbano
Estive em Beirute, no Consulado brasileiro, no dia da votação para Presidente da República e li a Folha do Meio Ambiente. Não sabia que o jornal chegava aqui. Gostei das colunas e me chamou a atenção a matéria sobre eleições e o meio ambiente. Vim pequena para o Líbano há 26 anos. Não esqueço o Brasil de jeito nenhum. Gostaria de mandar um recado para a TV Globo: voltar a transmitir seus programas para o Líbano.
Samira Youssef Abou Ali –
Almanara Bekaa-el Garbi -Beirute – Líbano
Corpo & Saúde
Gostei muito da edição 173 sobre o Geopark do Araripe. Com dois destaques: a matéria e a entrevista sobre o trabalho “Expedições” de Paula Saldanha e a Pirâmide Alimentar, na coluna Corpo & Saúde, da nutricionista Jussara Helou de Mesquita.
Júlio Camargo – “Bem-Te-Vi” (juliocamargo@globo.com) Rio de Janeiro – RJ


Alimentação
Muito boa idéia de fazer uma coluna sobre alimentação. É impressionante como as pessoas sempre querem comer bem, mas têm um péssimo hábito alimentar. A nutricionista Jussara Helou de Mesquita conseguiu passar as informações de maneira didática. Queria fazer duas perguntas para ela: não existe uma quantidade excessiva de produtos industrializados no cardápio diário? Por que a gente a cada dia acaba consumindo porções maiores de alimentos? Isso é bom?
Sílvia B. Nogueira – Montes Claros – MG


GeoPark do Araripe 1
Vou dizer uma coisa do fundo do coração: fiquei encantada com a matéria sobre o Geopark do Araripe. Sabia que a minha região do Cariri tem esses fósseis e que é uma região muito rica culturalmente. Mas não tinha a dimensão internacional e até humanitária desta importância. A cada edição da FMA eu tenho uma descoberta. Foram as borboletas (flores que voam), foram as libélulas (especialistas na arte de voar) foi aquela matéria sobre as índias Yawanawá – Primeira Pajé Brasileira; e agora é essa matéria sobre os mistérios da vida e da Terra no Araripe. Gostaria de ter o email do paisagista Carlos Fernando, pois o achei de uma sensibilidade acurada e de um conhecimento fantástico.
Silene M. C. Cavalcanti –
Recife – Pernambuco


GeoPark do Araripe 2
Sou professora e precisava muito mais dados sobre o Geopark do Araripe. Gostaria de entrar em contato com o Museu de Santana do Cariri para receber material técnico e científico e programar uma visita de meus alunos à região. Parabéns pela reportagem. Ilustrativa e didática. Como faço para adquirir mais dois jornais?
Bety F. Caldeira – Campina Grande – PB
NR: Quanto ao jornal, entre em contato com nossa redação: (61) 3322-3033 ou folhadomeio@folhadomeio.com.br , que encaminharemos. Quanto à visita ao museu e à região, pode contatar Alexandre Sales, que é o diretor da instituição. Email:  amfsales@uol.com.br .


GeoPark do Araripe 3
Li a matéria do Geopark com muita atenção e gostaria de saber porque só existe um parque nesta modalidade nas Américas? Aqui, mesmo, no Brasil não existem outros sítios que têm as mesmas características e podem virar Geoparques?
Sávio B. Negreiros – Campo Grande – MS
NR: Sua questão nos abriu caminho para outras matérias. Veja que na inauguração ou assinatura do contrato entre o Governo do Ceará e a Unesco, dia 04 de dezembro, para a formalização do Geopark do Araripe o tema veio à tona e a Unesco e o Iphan já começam a estudar outras regiões no Brasil para criação de geoparques. Uma das áreas citadas é aí no seu estado. Os técnicos acham que a região de Bonito tem tudo para virar um geopark.


Editorial e Cultura
Li a reportagem do Geopark do Araripe, mas o que gostei muito, mas muito mesmo, foi do editorial. Bem colocado e mostrando uma realidade brasileiríssima: quem trabalha com meio ambiente não entende que ambiente e cultura são conceitos indissociáveis e que quem trabalha com cultura acha que meio ambiente é só coisa do Ibama.
O jornalista Silvestre Gorgulho, no editorial, colocou esta questão com muita nitidez e competência. Já encaminhei o editorial para alguns colegas meus tanto do Ibama como lá do ministério do Gilberto Gil.
Vanessa G.  Mello – Brasília – DF