Cartas

22 de outubro de 2015

Quando a água vira lama de minério Há 18 anos, em 1997 , essa repórter foi convidada para fazer parte de uma expedição com a Universidade Federal do Mato Grosso para percorrer  o Caminho Contrário dos Irmãos Vilas-Boas. Nossa expedição partiu do Posto Leonardo Vilas Boas, no Alto Xingu, onde eles chegaram em 1949, até… Ver artigo

Quando a água vira lama de minério
Há 18 anos, em 1997 , essa repórter foi convidada para fazer parte de uma expedição com a Universidade Federal do Mato Grosso para percorrer  o Caminho Contrário dos Irmãos Vilas-Boas. Nossa expedição partiu do Posto Leonardo Vilas Boas, no Alto Xingu, onde eles chegaram em 1949, até Xavantina, de onde eles partiram  na Expedição Roncador Xingu, em 1943.  A idéia era trazer o conhecimento indígena á civilização. A Folha do Meio Ambiente era o único jornal presente. O Grupo era coordenado pelo geólogo Jose Domingues Godoi Filho, chefe do Departamento de Geologia da UFMT. Havia antropólogos, médicos e outros profissionais. Resolvi indagar porque havia mais geólogos do que outros profissionais. Responderam com uma ironia, o que não entendi, porque não conhecia o problema. 
–  Você conhece o Projeto “Amansa a Terra”
–  Não, respondi.
–  A mídia espalha que há muito ouro, ou pedras preciosas e os garimpeiros todos rumam para o lugar. Depois as ONGs patrocinadas pelas empresas denunciam que os garimpeiros acabaram com o meio ambiente. Em seguida, as mineradoras se instalavam e não há mais denúncias. Isso, não é apenas ironia, acontecia e continua acontecendo. Atualmente, aqui no Brasil, quase todos desconhecem as denúncias de que uma mineradora Anglo-Americana está poluindo as nascentes do Rio Amazonas no Peru. E por coincidência, a cidade mais poluída do Continente Sul Americano fica nos Andes peruanos, La Oroya, um pólo minerador. 
(Veja o editorial na página 4 – Mineradoras, um câncer ambiental)
 
Zilda Ferreira 
zc_ferreira@yaWhoo.com.br – Rio de Janeiro – RJ
 
 
 
Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto
É interessante saber que se inicia uma reação. Criou-se a Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous. Seu coordenador, Luiz Paulo Guimarães, diz que, se for implantado, o mineroduto vai impactar 30 nascentes ou mananciais do ribeirão São Bartolomeu, que abastece 50% da cidade e 100% da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Também vai impactar o rio Turvo Limpo, que é a alternativa de expansão do sistema de abastecimento da cidade. Viçosa vive uma severa crise de abastecimento desde fevereiro e enfrenta racionamento há cerca de 40 dias. O receio é que ocorra em Viçosa, sede da mais importante universidade rural mineira, o que se observa em municípios onde a Anglo American implantou o projeto Minas-Rio. Ou seja, aquele maior mineroduto do mundo.
A expansão dos minerodutos em Minas, de três para cinco, vai levar o Estado a exportar água transformada em lama “em quantidade equivalente a 30,4% do consumo residencial, industrial e comercial de Belo Horizonte”.
Luiz Paulo Guimarães – coordenador Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous 
 
 
 
O malefício dos minerodutos
A prefeitura de Viçosa, na Zona da Mata mineira, revogou todos os atos administrativos que autorizavam ou davam parecer favorável à passagem do mineroduto da Ferrous pelo município. “No decreto, o prefeito Ângelo Chequer alega que o empreendimento causará ‘inúmeras interferências’ ao meio ambiente, com destaque para o prejuízo aos mananciais”.
Vejo que, aos poucos, vão-se descobrindo os malefícios de um meio de transporte de minério de ferro – o mineroduto – que, se deixado por conta exclusiva do mercado, sem atenção às questões ambientais, dominará esse setor no Brasil. Pois, indiscutivelmente, é o meio mais econômico de se transportar minério. Por enquanto, responde por apenas 5% do setor no país. Mas, em Minas, avança impetuosamente.
É aqui que se constrói o maior mineroduto do mundo. O maior mineroduto do mundo liga Conceição do Mato Dentro ao Porto de Açu, no litoral fluminense, e hoje pertence à Anglo American, que comprou o negócio de Eike e vem procurando um sócio, no momento em que começa a transportar o minério, em plena crise de água em Minas e no país.
É em Minas também que surgiu o primeiro desses caminhos fáceis do minério exportado para o mundo e que deixam para o Estado pouco mais que enormes crateras. É o mineroduto da Samarco, do Grupo Belgo-Mineira, que já opera dois minerodutos, com 398 quilômetros de extensão, ligando Mariana a Anchieta, no Espírito Santo, e se prepara para construir um terceiro. Tem feito propaganda na imprensa, dizendo como cuida bem do meio ambiente…
Empresas que pagam pouco em royalties de minério, com a cumplicidade do relator do novo marco da mineração, deputado Leonardo Quintão, do PMDB mineiro, que recebeu doações de mineradoras para sua campanha eleitoral, têm conseguido captar água em rios mineiros, sem pagar nada por isso. Tudo em nome do desenvolvimento.
José de Souza Castro  
Belo Horizonte – MG
 
 
 
Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto
É interessante saber que se inicia uma reação. Criou-se a Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous. Seu coordenador, Luiz Paulo Guimarães, diz que, se for implantado, o mineroduto vai impactar 30 nascentes ou mananciais do ribeirão São Bartolomeu, que abastece 50% da cidade e 100% da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Também vai impactar o rio Turvo Limpo, que é a alternativa de expansão do sistema de abastecimento da cidade. Viçosa vive uma severa crise de abastecimento desde fevereiro e enfrenta racionamento há cerca de 40 dias. O receio é que ocorra em Viçosa, sede da mais importante universidade rural mineira, o que se observa em municípios onde a Anglo American implantou o projeto Minas-Rio. Ou seja, aquele maior mineroduto do mundo.
A expansão dos minerodutos em Minas, de três para cinco, vai levar o Estado a exportar água transformada em lama “em quantidade equivalente a 30,4% do consumo residencial, industrial e comercial de Belo Horizonte”.
Luiz Paulo Guimarães – coordenador Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous 
 
 
 
 
Expedição Langsdorff
Temos alguns amigos que se formaram comigo que querem refazer a Expedição Langsdorff. Temos guardado toda coleção do jornal, pois o material que vocês produziram é de primeira qualidade. Já conseguimos mapas e o material de apoio. Nossa intenção é fazer inclusive um relatório completo e comparação dos desenhos de Florence, Taunay e Rugendas. Tanto das cidades como, se encontrar, de índios. Também da flora e da fauna. O projeto é ambicioso e encantador. Será que vocês aí do jornal conseguem patrocinadores para nos ajudar nos deslocamentos, acampamentos e outras necessidades logísticas? No grupo temos biólogos, jornalistas e desenhistas. 
Ênio T. Santos – Campinas – SP
NR: Por favor, mande para nossa redação o projeto completo. Pode ser por email ou pendrive. Quem sabe se fizermos uma matéria vocês poderão conseguir o apoio logístico com mais facilidade? Parabéns pela iniciativa e pela aventura. 
 
 
 
 
Manguez

ais
Como em outras partes do Brasil, aqui em Maceió não é diferente. Tanto o litoral norte como da região sul, estão sendo devastadoss com empreendimentos sem pé nem cabeça, simplesmente especulação imobiliária e interesse de políticos. Estão aterrando os manguezais indiscriminadamente, passando por cima da lei ambiental e fazendo crescer o interesse imobiliário e financeiro. Acabar com os manguezais é acabar com os berçários da flora marinha.
José Carlos – Maceió – AL