Centro do Ibama protege répteis e anfíbios

12 de fevereiro de 2004

Antigo Cenaqua, hoje RAN, fornece subsídios técnicos para proteção e criação de quelônios

 


Pesquisadores identificando e marcando ninhos de tartarugas em uma praia do rio Araguaia

Técnicos do Ibama fazendo a identificação da espécie Podocnemis unifilis (tracajá)

Os quelônios são os mais antigos répteis existentes. Surgiram no princípio da Era dos répteis, há mais de 200 milhões de anos, portanto de linhagem mais antiga que os dinossauros fósseis. As tartarugas constituem o único grupo de répteis que não causam aversão ao homem. Seus movimentos lentos reforçam sua aparência inofensiva e estimulam a curiosidade humana. Algumas espécies são adaptadas para viver exclusivamente em terra, enquanto outras vivem nas águas de rios ou mares.

Estes répteis têm vida mais longa que qualquer animal vertebrado existente e as espécies terrestres podem chegar a mais de 100 anos. Apesar das dificuldades pelo caminho, o Cenaqua, em mais de 20 anos de existência, hoje sob a direção do engenheiro florestal Vítor Hugo Cantarelli, conseguiu retirar da lista oficial de animais ameaçados de extinção a tartaruga da Amazônia.

Metodologia de trabalho – O centro tem uma filosofia de trabalho: "Quando o assunto é tartaruga, a gente tem que andar rápido". Localizado em Goiânia – GO o Cenaqua também definiu e implantou uma metodologia de trabalho especial e única.

• Efetuar e incentivar estudos científicos sobre os quelônios da Amazônia em seu ambiente natural.

• Desenvolver pesquisas que permitam viabilizar o cultivo racional dos quelônios, objetivando sua conservação e utilização econômica.

• Propor e desenvolver métodos de manejo e proteção.

• Promover campanhas permanentes de conscientização e programas de educação ambiental.

• Identificar e promover o controle de áreas de nidificação, alimentação e dispersão dos quelônios, restabelecendo assim suas populações.

• Propor a criação de unidades de conservação que permitam a conservação das espécies.

Os resultados deste trabalho começaram a surgir desde o início. O projeto obteve um aumento considerável na produção de filhotes em todos os estados da bacia Amazônica: Amapá, Roraima, Pará, Acre, Goiás, Tocantins, Rondônia, Mato Grosso e Amazonas.

Campanhas de educação ambiental sempre foram o ponto forte do projeto, direcionadas principalmente às comunidades ribeirinhas e eventualmente estendidas às escolas, grupos comunitários, jornais e revistas.

Em 1998 foi criado o "Clubinho da Tartaruga", que se mantém até hoje. Iniciativa de um grande trabalho que junta crianças de todo o Brasil para falar melhor sobre o ambiente onde vivemos, o ar, a água, discutir, refletir e procurar soluções para problemas como a destruição de nossos rios, mares, florestas e a união de todos os povos em torno de nosso maior patrimônio: a natureza. Crianças de todo o Brasil podem participar. Basta solicitar uma ficha de inscrição ao Clubinho e aguardar em casa sua carteirinha de "Protetor do Meio Ambiente".

Os povos primitivos já se alimentavam da carne de diversos répteis, assim como outros animais silvestres sempre freqüentaram o cardápio dos brasileiros. Muitas espécies estão em vias de extinção, conseqüência da grande procura e da perseguição desmedida do homem, que promove a destruição do habitat natural destes animais.

Porém, índios, antigos colonizadores e moradores de áreas rurais têm como parte importante de suas dietas diversos animais de nossa fauna.

Na tentativa de reverter este quadro, o Ibama encontrou uma alternativa viável: permitir a criação de algumas espécies de animais silvestres em cativeiro. Os criadores, devidamente legalizados, podem reproduzir e comercializar animais sem prejudicar o meio ambiente. O mercado de carnes silvestres tem crescido excepcionalmente no Brasil. O Ibama fiscaliza diversos restaurantes especializados nestes produtos de alto valor nutritivo. Hoje em dia são cerca de 800 criadouros de animais silvestres legalizados (Veja edição 122, de dezembro de 2001, matéria Criação de Animais Silvestres – www.folhadomeioambiente.com.br)

Além de tartarugas, são criados jacarés, capivaras, catetos, emas e queixadas, seguindo o sistema semi-extensivo. Podendo ser desenvolvida por pequenos produtores rurais, a criação de animais silvestres não polui, não queima, nem destrói florestas. No entanto é preciso obter as informações técnicas e legais perante um órgão ambiental competente.

São medidas de uso sustentável que devem ser consideradas.

Com a extinção do Cenaqua em 2001, o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio do Ibama, criou o RAN – Centro de Conservação e Manejo de Répteis e Anfíbios.

Graças às experiências bem sucedidas no manejo de quelônios da Amazônia, o RAN tem entre suas atribuições coordenar e fornecer subsídios técnicos aos criadores de jacarés, tartarugas, rãs e outros em todo o território nacional.

A sobrevivência destas espécies também depende de você:

• Não incentive a captura e coleta de ovos.

• Denuncie a caça predatória e o comércio ilegal destas espécies ao Ibama.

• Divulgue a importância destes animais no planeta.

Mais informações:
RAN – núcleo Goiás – Fones: (62) 225-0770 / 225-0722.
Clubinho da Tartaruga:
(62) 225-0770 clubinho@go.ibama.gov.br
Ibama: (61) 316 1169 / Linha verde: 0800 618080
linhaverde@ibama.gov.br