Coluna do Meio

24 de abril de 2008

regina@folhadomeio.com.br

Fronteiras sangrentas
“Outro assunto sensível, que diz respeito à soberania, é a existência de reservas indígenas em faixas de fronteira. Quando eu era presidente, não permiti demarcar reservas na fronteira, mas fizemos reservas isoladas e descontínuas, que resguardavam a soberania nacional”.
Do ex-presidente da República José Sarney,
para quem a Pátria e as fronteiras são
de todos os brasileiros, pardos, brancos, negros e índios.


Raposa Serra do Sol
 Para o general Augusto Heleno, Comandante Militar da Amazônia, a política indigenista e a demarcação em terra contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol não é nada boa para o Brasil. Mais: o Exército não serve a governos, mas ao Estado.
 O presidente Lula não gostou da declaração do general.
 Convocou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, de quem cobrou explicações.
 Segundo uma raposa felpuda palaciana, estas críticas podem configurar quebra dos princípios de disciplina e hierarquia.
 Polêmica à vista. Mas tudo se acomodará na terra do sol tropical.


Parque da Tiririca
 Viva! uma área semi-úmida em volta da Lagoa da Itapu, onde seriam construídos 900 prédios, virou o Parque da Tiririca.
 O Parque Estadual da Serra da Tiririca, entre os municípios de Niterói e Maricá, foi ampliado em 181 hectares, por decreto do governador do Rio, Sérgio Cabral.
 A ampliação do parque, abrangendo as áreas secas e úmidas no entorno da Laguna de Itaipu e das Dunas Grande e Pequena, marcou uma das maiores vitórias do movimento ambientalista do Rio.
 Com a ampliação, o Parque da Serra da Tiririca passa a ter área de 2.262 hectares.
 
Cana invade o Cerrado
 Uma total de 142 mil hectares de Cerrado – equivalente ao tamanho da cidade de São Paulo – considerados prioritários para abrigar unidades de conservação, foram transformados em canavial na safra 2006/2007.
 Os dados são de estudo do ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza).
 Ambientalistas temem que a febre dos biocombustíveis acelere a devastação do Cerrado e empurre a pecuária para a Amazônia.
Olho vivo
 O Brasil é o 13º de uma lista de 53 países na zona tropical com maior potencial para desenvolver uma epidemia de grandes proporções.
 Motivos: as condições socioeconômicas e os níveis de alteração e devastação ambiental.
 Estudo da USP analisou a incidência de quatro doenças hemorrágicas (febre amarela, dengue hemorrágica, Ebola e Marburg), entre 1980 e 2005.
 A conclusão é que não só a reemergência dessas doenças é cada vez maior, como também a possibilidade de surgir novas epidemias, ainda desconhecidas.
 Segundo Paulo Roberto Moraes, autor da pesquisa, o desmatamento contribui para apressar o contato do homem com microrganismos que hoje estão em equilíbrio no meio ambiente.


A polêmica do Álcool
 O FMI estima que mais da metade do aumento da demanda por milho no mundo nos últimos três anos tenha tido como causa a alta da produção de álcool nos EUA.
 Na reunião do Comitê do Banco Mundial e do FMI, Guido Mantega, ministro da Fazenda, disse que a produção de álcool a partir da cana-de-açúcar “deve ser apoiada como uma fonte estratégica de energia limpa com potencial para gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos”.
 Já o ministro das Finanças da Índia, Palaniappan Chidambaram, disse que “em um mundo onde ainda existe fome e miséria, não há nenhuma justificativa para converter lavouras destinadas a alimentos para a produção de biocombustíveis”.
 Em planeta que tem gente passando fome, todo mundo chora e todo mundo tem razão.


Navio retido


 Tem que doer no bolso.
 Navio deixa Santarém após receber multa.
 O navio BSLE Express, de bandeira do Chipre, deixou o porto de Santarém-PA, depois de ficar retido pelo Ibama quase um mês.
 Motivo: carregava madeira ilegal para a Europa. Os documentos apresentados eram falsos.
 Só que a multa podia ser maior: R$ 290 mil, apenas.


CPI das ONGs


 A CPI das ONGs identificou mais de 100 integrantes do governo que são ou foram dirigentes de ONGs.
 A suspeita de senadores empenhados na investigação é de que essa conexão garante às ONGs facilidade para captar recursos federais até para partidos políticos.
 O presidente da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), diz que há “claros indícios dessa dupla militância ou proximidade político-administrativa”.
 O cruzamento de informações foi feito em cima de uma lista com cerca de 700 funcionários.
 A questão é tão grave quanto ao exagerado e descontrolado uso dos cartões de crédito cooperativos do governo federal.