Coluna do Meio

15 de dezembro de 2008

regina@folhadomeio.com.br

Unha-de-gato contra a dengue


Uma notícia boa – Quando o tema é Amazônia, sempre há alguma esperança de cura na sua rica diversidade.
Agora, uma pesquisa da Fiocruz mostrou que tem uma planta que pode salvar. É a unha-de-gato (Uncaria tomentosa), típica da Amazônia, que pode servir como matéria-prima para um remédio destinado a controlar os efeitos da dengue.
O estudo indicou que o princípio ativo da planta atenua a inflamação causada pela doença e poderá evitar complicações como pressão baixa e hemorragia.
O remédio ainda tem de passar por vários testes. Mas é a primeira vez, segundo a Fiocruz, que se detecta a possibilidade de evitar as complicações da dengue.


Uma notícia ruim – Um alerta: a pesquisadora e bioquímica Ligia Valente explica que a unha-de-gato está em risco de extinção. Motivo: o corte indiscriminado da planta numa ação destruidora dos extrativistas, interessados em sua comercialização devido as propriedades medicinais.
Um alerta: A espécie corre sério risco de desaparecimento e ainda não está na lista oficial do Ibama da flora ameaçada de extinção.


Evaporação amazônica e as chuvas no Sul
 O Pnuma avisa: o desmatamento da floresta amazônica pode causar prejuízos de US$ 1 trilhão.
 Além do órgão de meio ambiente da ONU, outras 29 instituições de pesquisa em todo o mundo alertam que as chuvas geradas no Centro-Oeste brasileiro e nos países do Cone Sul vêm em grande parte da evaporação de água da região amazônica.
 Um desmatamento que comprometa essa evaporação, portanto, afetaria o ciclo de águas e toda a produção agrícola dessa região.
 Daí o alerta do  chefe da divisão econômica do Pnuma:
– O Brasil precisa pensar a preservação da Amazônia como uma questão econômica que terá impacto direto em suas exportações e produção agrícola nos próximos 50 anos.
 Um detalhe científico: levantamento do cientista Antônio Nobre, do Inpa, aponta que 20 bilhões de toneladas de água evaporam todos os dias da região amazônica.


Secas e tempestadades
 A questão climática, hoje, gira em torno de business. 
 Os cientistas dizem que os países em desenvolvimento (o Brasil por exemplo) vão precisar de  50 bilhões de dólares/ano para lidar com as conseqüências da mudança climática.
 O estudo feito pela ONG Oxfam garante que este é o valor que vai precisar ser repassado às nações mais pobres para que consigam se defender de eventos climáticos extremos – como secas e tempestades.
 E quem vai pagar esta conta?
 A própria Oxfam tem a sugestão: os recursos devem ser levantados nos países ricos, num leilão como parte dos direitos de emissão de gases do efeito estufa.
 Os US$ 50 bilhões anuais poderiam ser obtidos se 7,5% dos direitos de emissão de gases estufa fossem confiscados e depois leiloados em um mercado de carbono.
 Por exemplo: a tragédia em Santa Catarina tem causa explícita: as mudanças climáticas.


 


“As mudanças climáticas vão se transformar na maior razão para
imigrações. O problema não é ambiental, mas humano. E já estamos sofrendo estes efeitos”..


Do professor José Herrera, do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, explicando que as alterações climáticas devem forçar 250 milhões de pessoas a migrar de suas regiões nas próximas 4 décadas.


 


Amazônia e suas terras
 Não vai ser fácil, mas o governo vai afastar o Incra da ação sobre terras da Amazônia.
 A intenção é criar uma Agência Executiva de Regularização.
 Fundiária da Amazônia (Aerfa), que será vinculada à Presidência da República e deve normatizar, organizar e coordenar a implementação do processo de regularização de terras na região.
 O ministro Mangabeira Unger estuda a questão e já explicou: a Aerfa vai promover a discriminação das terras devolutas federais na Amazônia Legal, com autoridade para reconhecer as posses legítimas, bem como para incorporar ao patrimônio público as terras devolutas federais ilegalmente ocupadas.
 Pelo jeitão das coisas, sai a ideologia do Incra e entra a racionalidade estratégica para as questões fundiárias.


Cana certificada
 A cana-de-açucar certificada já é uma realidade no Brasil.
 Pequenos e médios produtores de Bariri, região de Jaú (SP), serão os primeiros a fornecer cana-de-açúcar certificada para a fabricação do álcool, já nessa safra 2009/2010.
 A produção deverá ser de 36 milhões de litros.
 Baseada num protocolo de gestão de normas agrícolas, sociais e ambientais adotado pela Associação dos Fornecedores de Cana (Assobari), a certificação abrangerá 4 mil hectares de cana, cultivada por 50 produtores, muitos agricultores familiares.
 Importante: todo o processo é dentro das exigências nacionais e internacionais de sustentabilidade.