Coluna do meio

26 de novembro de 2014

silvestre@folhadomeio.com.br

”Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho: 1 abridor de amanhecer , 1 prego que farfalha, 
1 encolhedor de rios e 1 esticador de horizontes”.
 
Manoel de Barros, Poeta do Pantanal que nos deixou aos 97 anos
 
 
 
A mineração nas campanhas políticas
• O  lobby político das mineradoras é agressivo.
Basta ver que as empresas de mineração e metalurgia foram responsáveis por quase 30% (R$ 4,3 milhões de um total de R$ 15,2 milhões) dos gastos de campanha dos quatro deputados que encabeçam a comissão encarregada de regulamentar o setor. 
• O relator do Código de Mineração, Leonardo Quintão (PMDB) recebeu do setor R$ 1,8 milhão (37% do gasto). 
• Marcos Montes (PSD) e Rodrigo de Castro (PSDB) receberam quase R$ 1 milhão cada. 
• Gabriel Guimarães (PT) arrecadou R$ 476 mil. 
• Mineradoras lideram o rol de doadores dos quatro: Vale Mina do Azul (R$ 700 mil para  Quintão), Minerações Brasileiras Reunidas (R$ 500 mil para Montes) e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (R$ 300 mil para Castro e R$ 100 mil para Guimarães).

 

Mais termoelétricas
• Barragens vazias, entressafra da cana-de-açucar, contribuição das térmicas movidas a biomassa e período de ventos mais fracos no Nordeste mostram que não há luz no fim do túnel.
• A olho nu já se pode ver a queda na produção de energia eólica e de biomassa.
•  Isto significa uma grande pressão sobre o setor elétrico.
• Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica mostram que a geração menor dessas fontes, aliada à demanda mais forte, vai provocar nesse verão de janeiro um buraco de 9.241 megawatts médios.
• Vazio que terá de ser suprido por termoelétricas.

 

PIB Ambiental

• E a nação Inca se prepara para a 20a Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU  – COP-20.

• Um dos debates que acontecerá em Lima, no Peru, é justamente sobre os pagamentos por serviços ambientais, ou seja, uma forma de atribuir valor aos ecossistemas e aos benefícios que a biodiversidade presta à sociedade.
• No Brasil, o Acre é o estado com regulamentação mais avançada sobre esses benefícios.
• No estado de Marina Silva, existe um sistema de incentivo que remunera quem trabalha em prol da conservação das florestas e valoriza os ativos ambientais.
• Como? 
• Simples: dando incentivos econômicos fiscais e oferta de crédito para as cadeias produtivas sustentáveis.
 
 
Avanços esperados
• A COP-19 aconteceu em Varsóvia, na Polônia, e houve discussão sobre o funcionamento desses mecanismos de valoração real dos serviços e ações de sustentabilidade florestal.
• Mas os mecanismos de mercado não foram detalhados.
• É o que se espera agora na COP-20 que acontece em dezembro no Peru.
 
 
Rios morrem de sede
• Uma verdade triste e bem brasileira.
• Os verdadeiros lixões por aqui continuam sendo os rios e o mar.
• Só na bacia do rio Paraíba do Sul são despejados diariamente 600 milhões de litros de esgoto doméstico.
• O Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Paraíba do Sul estima que Rio, Minas e São Paulo deveriam investir R$ 4,4 bilhões em duas décadas – R$ 220 milhões por ano – para melhorar a situação ambiental. 
• A perda da qualidade das águas é uma realidade crescente.
• Das 90 espécies de peixe encontradas na bacia do Paraíba do Sul, pelo menos 5 estão ameaçadas de extinção.
 
 
Inferno urbano
• Se correr o bicho pega. E se ficar…
• Se não chove, falta água. Se chove, tem alagamentos e o trânsito vira um inferno.
• E ainda tem outro agravante: com poucas chuvas, São Paulo tem o ar com a pior qualidade dos últimos sete anos.