COLUNA DO MEIO

Atitude solitária cidadã

8 de agosto de 2005

Na última edição, a Folha do Meio dedicou oito páginas sobre a Movimento de Cidadania pelas Águas. Foi um balanço deste mutirão pelas águas. Evidente que todo esforço organizado, bem orientado e constante é importantíssimo para o meio ambiente. Para despoluir, basta deixar de poluir, pois a natureza – sempre magnânima – se encarrega do… Ver artigo


  • Na última edição, a Folha do Meio dedicou oito páginas sobre a Movimento de Cidadania pelas Águas. Foi um balanço deste mutirão pelas águas. Evidente que todo esforço organizado, bem orientado e constante é importantíssimo para o meio ambiente.

  • Para despoluir, basta deixar de poluir, pois a natureza – sempre magnânima – se encarrega do resto.

  • Mas tem muita gente que não gosta de dar as mãos, não gosta de participar de reuniões e diz não ter tempo para entrar nestes movimentos. Mesmo que eles sejam positivos e os considere essenciais. Questão de personalidade.

  • No entanto, tem um movimento que qualquer um pode participar. Não precisa de reunião, de encontro e de agenda. É um movimento solitário. Simples. Que não precisa perder (se é que é perder) tempo com discussões e estratégias: é o movimento do cidadão consciente.

  • Em que consiste? Na simplicidade de cumprir, no dia a dia, os compromissos da civilidade, da educação e das boas maneiras. Por exemplo: não desperdiçar água, não jogar lixo no chão, não jogar guimba de cigarro, papel de bala, chiclete na rua.

  • Todos esses descartes vão acabar sendo levados pelas chuvas para os bueiros e o destino da água pluvial é certo: um rio, algum lago ou o próprio mar.

“Nunca sinta ódio pelos seus inimigos.
Isto pode afetar seu raciocínio em relação a eles.”
De Michel Corleone, sabiamente, no filme Poderoso Chefão 3.


Poder político da Mulher



  • Apenas como referência, um dado interessante: nesta última eleição, os 27 estados brasileiros tiveram 3.417 candidatos à Câmara Federal. Deste total, apenas 352 eram do sexo feminino. Foram eleitos 484 homens e 29 mulheres. Ou seja, Câmara Federal é feminino apenas no vernáculo, pois na essência é masculino: 94,35% dos parlamentares são homens.

  • Se acharam a estatística interessante, lá vai mais: as Assembléias Legislativas elegeram 105 deputadas ou 9,92% do total de parlamentares. Já os homens ocupam nada menos do que 1.059 cadeiras nas Assembléias, ou seja, 90,08%. Foi um total de 10.668 candidaturas e, delas, apenas 1.388 eram de mulheres. A Paraíba foi o estado que mais elegeu mulheres: 7 mulheres num total de 36 eleitos.

  • As mulheres (que têm apenas uma governadora, Roseana Sarney, do Maranhão) fizeram ainda duas senadoras: Maria do Carmo Alves, do Sergipe, e Heloísa Helena, de Alagoas. Assim, nesta próxima Legislatura, o Senado terá um total de 5 senadoras. Além de Maria do Carmo (PFL-SE) e Heloísa Helena (PT-AL), que estão chegando, cumprem mais quatro anos de mandato as senadoras Marina Silva (PT-AC), Emília Fernandes (PDT-RS) e Marluce Pinto (PMDB-RR). As senadoras Júnia Marise (PDT-MG) não se reelegeu e Benedita da Silva (PT-RJ) foi eleita vice-governadora do Rio e dará lugar ao suplente Geraldo Cândido da Silva.

  • Diante deste quadro, vale a pena estudar o resgate da importância das cotas para as candidaturas eleitorais, que é de um mínimo de 25% das vagas para o sexo feminino. Não foi fácil preencher estas vagas, tanto assim que apenas o estado de Tocantins conseguiu atingir esta cota mínima estabelecida em lei.

Antártica, Antárctica ou Antártida



  • Há 15 anos o Brasil montou a “Estação Antártica Comandante Ferraz”. (Veja matéria na página 8 do Caderno de Ecoturismo). A gente está sempre deparando com esta confusão: alguns jornais escrevem Antárctica, outros Antártica (sem o “c”) e outros Antártida.

  • Por via das dúvidas, resolvi ouvir o serviço de consultoria de Língua Portuguesa, que a Universidade de Brasília mantêm de longa data e com muita eficiência (061) 340-6162.

  • Veio então a explicação da professora Letícia Magro Del Gaudio:

  • Antártida é uma grafia aceitável e não totalmente correta. Mas Antárctica é a forma oficial, erudita e a preferida pelos especialistas. Vem do grego: o prefixo Anti + Artikós, que significa o oposto à região Ártica. Sempre com “c” antes do “t”.

  • Quanto à forma Antártica, (sem o c antes do t) ela se popularizou e a Marinha brasileira acabou por batizar sua base no continente branco de “Estação Antártica Comandante Ferraz”.

  • Pelo sim, pelo não, vale lembrar que Antárctica, a forma mais correta, é a mesma da cerveja. Com certeza, o marketing da cervejaria não ia dormir no ponto.

Celular, herói ou vilão?



  • O mundo avança, as pessoas conseguem mais conforto, a ciência traz melhorias na qualidade de vida, os negócios crescem, a comunicação evolui e, quem diria, os avanços tecnológicos que trazem tantos benefícios trazem também muitos problemas. Um exemplo é a nova categoria de resíduos tóxicos que começa, já em progressão geométrica a provocar as maiores agressões ao meio ambiente: o descarte em grande quantidade de baterias de celular.

  • O problema cresce. Nem o governo, nem as indústrias e nem as empresas que operam com a telefonia celular tomam uma iniciativa séria e definitiva para resolver a questão.

  • Nesse novo lixo tóxico entram componentes como mercúrio, níquel e cádmio que afetam tanto o solo e a água como o próprio organismo humano.

  • E mais: atrás do lixo das baterias de celular vem o descarte das pilhas, das lâmpadas fluorescentes, das peças de computador, dos “tonner” de impressoras etc.

  • Se o Conama funcionasse, quem sabe já se teria encontrado uma saída?

* * *


SERIEDADE – Civilidade é isso: na Alemanha só se compra bateria de celular ou pilha de câmera fotográfica, se o cliente apresentar ao vendedor da loja a bateria e pilha usadas.
SINAL DOS TEMPOS – Os tempos andam tão bicudos, a vida tão difícil e a crise tão grande, que um respeitável empresário de Brasília não se deixou intimidar, foi à forra e bronqueou legal com um guarda que o interpelou: – O senhor sabe com quem está falindo? E o velho empresário ainda justificou: – Lutei tanto para deixar de ser pobre e atingir a classe média. Puxa vida! Quando consegui, a classe média ficou pobre!
VERDADE – Sempre é bom lembrar: o saneamento é mais barato do que construir ambulatórios e hospitais, onde 65% das doenças têm origem em problemas com água poluída.

COLUNA DO MEIO

Ciência e brasilidade

8 de agosto de 2005

Uma vez assisti a uma palestra do professor Eliseu Roberto de Andrade Alves (fundador e ex-presidente da Embrapa) que, com seu jeitão mineiro, fez uma afirmação tão forte quanto verdadeira:  “O país que não investir em ciência, portanto, em educação, está condenando seu povo a vender apenas o suor de seus rostos. Como suor é… Ver artigo

Uma vez assisti a uma palestra do professor Eliseu Roberto de Andrade Alves (fundador e ex-presidente da Embrapa) que, com seu jeitão mineiro, fez uma afirmação tão forte quanto verdadeira:  “O país que não investir em ciência, portanto, em educação, está condenando seu povo a vender apenas o suor de seus rostos. Como suor é coisa barata, quem não investe em ciência e educação, condena seu povo à miséria e ao sofrimento”. Nunca mais esqueci esta frase.


Quando se lê jornais e revistas no mundo inteiro, a gente descobre não sei quantos índices que os tecnocratas inventaram para separar os países desenvolvidos dos países pobres: renda per capita, inflação, PIB, balanço de pagamentos, déficit comercial, taxa de natalidade etc. Mas, com a era da tecnologia e da informática, esses índices foram diminuindo. Na verdade, o que separa, hoje, um país avançado de um país atrasado simplificou: os avançados vendem inteligência e os atrasados vendem o suor de seu povo. 


Veja esses dados que o professor Eliseu Alves lembrou: no comércio dos países avançados, apenas 20% do valor da produção decorrem da matéria prima básica. Os outros 80% são conseqüência do trabalho de cientistas e pesquisadores nos mais diversos setores da agricultura, indústria e serviços.


Enfim, o que vale é a capacidade inventiva do homem. O que vale é investir em educação. É hora, portanto, não só dos governos, mas também da iniciativa particular, assumirem suas responsabilidades e investirem em ciência. E ciência é educação.  


Desorientação política
A palestra do professor Eliseu Alves (aliás, uma competência e honestidade que o atual governo brasileiro não está sabendo aproveitar) foi além. Bem didático, ele explicou que a nossa classe política está totalmente desorientada. Sabe por quê? Porque está presa a padrões de raciocínios que o tempo se encarregou de sepultar. É difícil fazê-la entender que é o povo que enriquece os recursos naturais. E não o oposto. Exemplo: Por que o petróleo tem valor? Simples: porque a ciência ensinou como descobri-lo e usá-lo. E quem lucra com o petróleo? São os países que souberam desenvolver a sua tecnologia. Aliás, lucram muito mais do que os países produtores. Esses só sabem acumular disputas, fanatismo, ressentimentos e violência.


Violência e Tevê
Esta é a prova de que as crianças usam seus heróis como modelos. Uma pesquisa realizada pela Unesco sobre os efeitos da violência da mídia no comportamento infantil revelou que 88% das crianças conhecem o “Exterminador do Futuro” (personagem de Arnold Schwarzenegger, o ícone moderno da violência).


E mais: das 5 mil crianças de 12 anos entrevistadas em 23 países, 26% apontaram como seu maior modelo de comportamento os heróis de filmes de ação. E 51% das crianças gostariam de ser como Schwarzenegger na pele de o Exterminador.


Pela pesquisa ficou muito claro que o maior meio de acesso à violência na mídia é a tevê.


De tudo isto, fica uma triste conclusão: pena que as tevês (e os video-games) apresentam muito mais programas de entretenimento do que educativos.


Thiago de Mello
Misturando com a costumeira genialidade sua prosa e poesia, o poeta amazônico Thiago de Mello acaba de lançar seu 300 livro: Amazonas – Águas, Pássaros, Seres e Milagres. (Editora Moderna, 011- 60901300)


Vivendo em Barreirinhas (AM) cidade onde nasceu, Thiago faz do livro uma homenagem à natureza, dando ricas e interessantes informações sobre o Rio Amazonas.


Os textos do poeta receberam tratamento especial do ilustrador Demóstenes e das premiadas irmãs Dumont, que apresentam 16 imagens bordadas a mão.


” Um homem inteligente, sem amigos inteligentes, é menos inteligente”.
Daniel Piza
na sua coluna semanal “Sinopse” publicada na Gazeta Mercantil.


Resposta da natureza
Vocês se lembram daquele encarte feito pela Folha do Meio sobre a Lei Contra os Crimes Ambientais?


Pois é, ele começava assim: “A natureza é sábia. Sábia, abundante e paciente”.


É verdade. Sempre generosa, a natureza acolhe o homem com sua inteligência, com seu espírito desbravador e insaciável.


Mas o lado conquistador do homem leva a um confronto. Sobretudo quando ele extrapola seus poderes. Aí, então, muitas vezes, a natureza se cala. Noutras vezes ela se volta, numa autodefesa, sobre a obra humana.


Veja agora esse exemplo de São Paulo: construíram prédios e mais prédios, asfaltaram, fizeram túneis, enfim, impermeabilizaram a cidade. Resultado: a natureza remontou seu império sobre a obra dos homens. E o preço pago foi alto. São Paulo viveu, neste início de março, um dilúvio que destruiu e matou.


E o pior é que chuva em São Paulo virou sinônimo de caos.

COLUNA DO MEIO

Por que o Dia do Meio Ambiente?

29 de abril de 2004

l Em rápida enquete feita por um jornalista, entre doze deputados ouvidos rapidamente no Plenário da Câmara, apenas um sabia por que no dia 5 de junho se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Com ares de Rolando Lero, um parlamentar paulista respondeu interrogativo:– Amado mestre, não teria sido por que no dia 5… Ver artigo

l Em rápida enquete feita por um jornalista, entre doze deputados ouvidos rapidamente no Plenário da Câmara, apenas um sabia por que no dia 5 de junho se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Com ares de Rolando Lero, um parlamentar paulista respondeu interrogativo:
– Amado mestre, não teria sido por que no dia 5 de junho um velho banqueiro paulistano conseguiu emplacar um PROER o que fez melhorar, em muito, o ambiente na Avenida Paulista?
– Ou não seria, oh imperscrutável guru, porque em 5 de junho de 1.500, Pedro Álvares Cabral já de volta à Portugal, teria dito: – Oh! Caminha, tua carta foi quase perfeita. Só esqueceste de dizer que o meio ambiente na Terra de Vera Cruz ainda vai dar muito pano prás mangas?
l Salvou-o, como sempre, um jovem parlamentar mineiro:
– Essa efeméride foi criada pela ONU, justamente para comemorar a data da primeira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 5 de junho de 1972. Foi esta primeira Conferência que lançou o alerta sobre o futuro ameaçado: “Há uma só Terra, mas não há um só mundo. Todos nós dependemos de uma biosfera para conservamos nossas vidas”. E, assim, desde esse dia, a ONU iniciou grande trabalho que resultou na criação do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, conhecido pela sigla PNUMA.
l Quem é que não queria ter um filho-deputado assim?


Realidade nova
Ainda dentro das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, vale
lembrar o primeiro parágrafo da visão panorâmica da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU, cujo título é “Da Terra ao Mundo”.


l Em meado do século XX, vimos nosso planeta do espaço pela primeira vez.
l Talvez os historiadores venham a considerar que este fato teve maior impacto sobre o pensamento do que a revolução copérnica do século XVI, que abalou a auto-imagem do homem ao revelar que a Terra não era o centro do Universo.
l Vista do espaço, a Terra é uma bola frágil e pequena, dominada não pela ação e pela obra do homem, mas por um conjunto ordenado de nuvens, oceanos, vegetação e solos.
l O fato de a humanidade ser incapaz de agir conforme essa ordenação natural está alterando fundamentalmente os sistemas planetários.
l E algumas dessas alterações acarretam ameaças à vida. Essa é uma realidade nova, da qual não há como fugir. Tem que ser enfrentada.


O céu e a Anjee
l Vale a pena conhecer o Guia do Paraíso.
l Um livro/revista muito bem editado e  que traz os melhores roteiros e serviços da Chapada dos Veadeiros: a chapada das cachoeiras e dos cristais que pulsa bem no coração do Brasil.
l A coordenação e edição é da jornalista Anjee Cristina que, com certeza, está deixando muitos leitores da Folha do Meio com saudades.
l Anjee já foi editora deste jornal, ainda  é colaboradora, mas faz tempo que não escreve uma matéria com aquele seu estilo leve e sereno. Como são os ares da Chapada.


Sabedoria
l Em tempo de tantas CPIs, vale lembrar o ensinamento de uma velha raposa política de Minas Gerais.
l Em política, o que se diz oficialmente nunca é tão importante quanto o que se escuta sem querer.
l Resumindo: em público, se enrola. Em particular, se diz a verdade.


“Eleitor é igualzinho torcedor. Só se lembra do último jogo”.
Essa é a última esperança de muitos políticos que compareceram às CPIs ou que ocupam gabinetes na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.


8 BELEZA – Qualquer cirurgião plástico sabe. A beleza humana também é ecológica, portanto passível de ser destruída.
8 CULTURA – Essa é uma boa discussão: o Ministério da Cultura acha que Meio Ambiente é educação. Não é cultura. Daí que a Lei Rouanet não vale para projetos de meio ambiente. Já aprovar incentivos para um filme sobre o bandido da luz vermelha, vale. Isso é cultura.
8 CELULAR – O progresso traz conforto e mais agressões ao meio ambiente. Estão aí as baterias de telefone celular que não deixam mentir. Vão todas para o lixão, mesmo contendo cadmo e outros materiais radioativos. Estamos preparando uma ampla matéria sobre o assunto para a próxima edição.
8 ALERTA – O negócio está tão feio, mas tão feio que quem estiver vendo uma luzinha no fim do túnel pode se mandar porque é o trem bala.

Coluna do Meio

Goiás em contradição

23 de abril de 2004

 Uma verdade: os empreendimentos de turismo rural, no Brasil, têm dado uma demonstração de como fazer desenvolvimento sustentável. Para atrair turistas, esses pequenos empresários têm buscado preservar a história, a cultura e a natureza para encantar seus hóspedes. Uma contradição: quando se esperava para esses empreendimentos apoio institucional dos governos, pois são micro-empresas que geram emprego,… Ver artigo

 Uma verdade: os empreendimentos de turismo rural, no Brasil, têm dado uma demonstração de como fazer desenvolvimento sustentável. Para atrair turistas, esses pequenos empresários têm buscado preservar a história, a cultura e a natureza para encantar seus hóspedes.
 Uma contradição: quando se esperava para esses empreendimentos apoio institucional dos governos, pois são micro-empresas que geram emprego, renda e pagam impostos, eles recebem um grande desestímulo.
 O fato: em Goiás, dezenas de empreendimentos na área de turismo rural foram pegos de surpresa com uma medida nada confortável. Sem qualquer indicativo, começaram a receber da Companhia de Energia Elétrica de Goiás (Celg) uma carta informando que, a partir de agora, começarão a ter sua energia elétrica taxada como empreendimento urbano.
 A surpresa: atônitos, esses empresários uniram-se ao presidente da Associação Goiana das Atividades de Turismo Rural, Gabriel Bretas Soares, para reverter a intenção da Celg.
 São estas as perguntas que os empresários goianos deixam para o secretário estadual do Meio Ambiente, Paulo Souza Neto, responder: se esses empreendimentos preservam a cultura e o ambiente, por que são ameaçadas de punição com aumentos que chegam a 100%? Será que é por que lutam, sozinhos, pela preservação ambiental de suas áreas? Será isso um incentivo para que desistam de seus projetos, desmatem e plantem soja em suas propriedades?


Vaga na ANA


 Vários nomes concorrem para vaga na diretoria da ANA, vaga desde dezembro do ano passado, para substituir o madato de Dilma Seli Pereira:
 O primeiro deles: recentemente defenestrado da Codevasf, Francisco Guedes Alcoforado pode ser indicado para sabatina no Senado;
 Ainda concorrem por fora: Oscar Cordeiro Neto, prof. da UnB e ex-ABRH, e Paulo Varella, ex-secretário de Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte.


“O consumidor deve deixar de viver na era da estupidez e da ingenuidade. É incrível, mas vive-se num tempo tão ingênuo que as pessoas compram produtos cuja excelência é anunciada por quem os vende”.
Do escritor Jorge Luiz Borges, mesmo sem saber da guerra das cervejas no Brasil que envolveu quebra de contrato, falta de ética saia-justa do Zeca Pagodinho.


A bancada do PV (Sarney Filho MA) Edson Duarte (BA) Leonardo Matos (MG) Deley (RJ) Marcelo Ortiz (SP) e Jovino Cândido (SP) pediu que o presidente João Paulo Cunha convoque do presidente da Nestlé e João Cesar Pinheiro, do DNPM, para comparecerem à Comissão de Meio Ambiente da Câmara.
Assunto: a superexploração e desmineralização da água mineral de São Lourenço


As águas da Rosinha 1


 A violência e o narcotráfico podem ser um caso federal, mas a maioria das águas dos rios do RJ é do domínio do Estado.
 A governadora Rosinha Garotinho sancionou, no apagar das luzes de 2003, a lei  4247, que contraria os princípios da Política Nacional de Recursos Hídricos. Todos os postulados da PNRH defendem a gestão participativa.
 Mas no caso do Rio, não.
 Quem vai mandar na cobrança dos rios estaduais é a Serla – Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas.
 E todos – inclusive o governo federal – terão que entoar louvaminhas à autarquia fluminense.
 Os governadores do Nordeste fazem muito melhor.


As águas da Rosinha 2


 O Conselho Nacional de Recursos Hídricos passou recibo.
 Sentindo-se ultrajado, levou à última plenária uma proposta de moção à governadora Rosinha para que ela encaminhe à Assembléia Legislativa uma mensagem propondo rever os estragos feitos.
 Para um membro do CNRH, quem está certo é o ministro Thomaz Bastos: os Garotinhos estão querendo tudo a prêt-à-porter…
 Quem foi bem disciplinado foi Jerson Kelman, presidente da ANA.
 Ao dar início aos trabalhos na plenária do CNRH, a ministra Marina Silva sugeriu a Kelman que não pedisse vista à moção, em nome da unidade de pensamento do MMA.
 Disciplinado, o presidente da ANA então caiu no proselitismo entre os companheiros conselheiros. Mas, no final, vendo que não conseguiu mudar os conselheiros, Jerson Kelman não deixou que a aprovação da moão se consumasse: pediu verificação de quorum e adiou a decisão.

COLUNA DO MEIO

Poluição dentro da Terra Poluição dentro da Terra

20 de abril de 2004

· Passou da hora de rever um antigo ditado: “O que os olhos não vêem o coração não sente”. Veja bem:· O lixo nas ruas, o desmatamento, a poluição dos rios e das praias são agressões diárias ao meio ambiente e que incomodam muito as pessoas civilizadas. Poluição que os olhos vêem e o coração… Ver artigo

· Passou da hora de rever um antigo ditado: “O que os olhos não vêem o coração não sente”. Veja bem:
· O lixo nas ruas, o desmatamento, a poluição dos rios e das praias são agressões diárias ao meio ambiente e que incomodam muito as pessoas civilizadas. Poluição que os olhos vêem e o coração sente. Mas o mundo vive um outro drama, mais grave ainda: a poluição que os olhos não vêem.
· Dois exemplos: na Terra, a contaminação dos lençóis freáticos; no céu, a poluição provocada pelo lixo espacial.
· Os lençóis freáticos estão sendo poluídos pelos postos de gasolina, pelas fossas, pelos agrotóxicos, pelos rejeitos e aterros industriais, pelos lixões, pelos cemitérios e até pela comercialização da água do subsolo. É verdade, a exploração excessiva dos aqüíferos rebaixa o lençol freático e resulta na infiltração de água salgada ou outro tipo de água poluída. Aí são cerca de 300 anos para despoluir um lençol freático.
· Tão grave como a poluição das entranhas da Terra é a poluição dos céus: uma centena de objetos de grande porte e várias centenas de objetos de médio e pequenas dimensões circulam a grandes velocidades ao redor da Terra. Segundo a NASA, milhões de resíduos metálicos, parafusos, lascas de pintura, plásticos, pouco menoes que um centímetro, estão orbitando no espaço. São toneladas de lixo espacial que se transformam em formidáveis projéteis, sempre ameaçando todos os objetos com os quais venham a se chocar. Pior: as estimativas mais otimistas garantem que até o Ano de 2008, essa quantidade deve duplicar.
· Bem, nem vou tocar numa poluição mais grave ainda, tanto nas entranhas da Terra como lá no azul dos céus: a poluição nuclear. Afinal, quais serão as conseqüências dos testes atômicos no subsolo e o uso de reatores nucleares em satélites? Muitos destes satélites com reatores nucleares já deram o que tinham que dar e agora burlequeiam pelo espaço sem fim.SOS pelos manguezais
· Os manguezais, além da importante função na estabilização da linha da costa marítima, são os berços da biodiversidade do mar.
· A crescente antropização (ação do homem sobre a vegetação natural) sobre os manguezais é perigo iminente para o equilíbrio ambiental e a vida nos rios e no mar.
· Os nossos manguezais estão sendo destruídos pela ganância dos loteamentos e pela omissão das políticas públicas municipais, estaduais e federal.
· Um grito de alerta importante acontecerá nesse mês, durante o Simpósio sobre Manguezais do Sul da Bahia. O evento acontecerá no auditório da Ceplac, em Ilhéus, BA, nos dias 29 e 30 de julho.


Rio de Janeiro
· Recebi muitos emails sobre a coluna onde falei das “bombas ambientais” prestes a explodir no Rio de Janeiro.
· Alguns emails diziam que não é bem assim, mas a grande maioria concordava que, de fato, o Rio de Janeiro  tem sido maquiado para as reuniões de Cúpula, como aconteceu na RIO-92  e, em 96, quando recebeu os membros do Comitê Olímpico Internacional que vieram até o Rio para avaliar se a cidade tinha condições de sediar a Olimpíada de 2.004.
· Pois é, mais uma vez maquiaram o Rio de Janeiro. Para a Cimeira da América Latina, Caribe e Europa, em fins de junho passado, o Rio de Janeiro ficou mais seguro, mais bonito, com menos lixo, monumentos limpinhos, tudo perfeito. Gastou-se R$ 25 milhões para deixar o Rio mais Cidade Maravilhosa, a fim de receber os 23 Chefes de Estado que participaram da Cimeira.


Cimeira
· E o que é Cimeira?
· Na verdade, todos os outros oito países de língua portuguesa usam o termo cimeira para definir reuniões de cúpula. Mas, segundo o “Aurélio”, cimeira é um tipo de planta ou significa “ornato no cimo dos capacetes e elmos”. No Brasil não tem (ou não tinha) o significado de encontro.
· Segundo o Itamaraty, a conferência ganhou esse nome por um motivo simples: na ata da reunião do Grupo do Rio em que se decidiu sua realização, em 1977, no Panamá, foi usado o termo inglês “summit” para designá-la. Os tradutores dos documentos (possivelmente portugueses) conheciam o termo “cimeira” por seu uso nos outros países lusófonos. Aí decidiram empregá-lo.
· E, assim, os brasileiros enriqueceram seu vocabulário com uma “nova” palavra que, com certeza, estará nas próximas edições do “Aurélio”. (veja matéria na página 27)


ASPARTAME,
o veneno
O adoçante aspartame está nos bancos dos réus. Criado pela multinacional Monsanto,  é incrível como ninguém vai a fundo nas denúncias dos médicos americanos H. J. Roberts e Louis Elsas, professor de genética na Universidade de Emory. Ei-las:
· O consumo de aspartame na época da concepção pode causar danos ao feto, pois a fenilalanina se concentra na placenta, causando retardo mental. Mais: a fenilalanina tem um subproduto que é o DXP, um agente causador de tumores cerebrais.
· Quando a temperatura do aspartame excede 86 graus F (30 graus centígrados) o álcool contido no produto se converte em formaldeído e daí para o ácido fórmico, que provoca acidose metabólica. O ácido fórmico é veneno de formiga.
· Resumindo: o aspartame muda a química do cérebro e é especialmente mortal para os diabéticos.


“Cidade limpa não é apenas uma cidade civilizada.
Mas é, sobretudo, a imagem
de seus habitantes”.


Para ler, meditar e praticar.

COLUNA DO MEIO

Cidadania: pessoa física e jurídica

19 de abril de 2004

· Quem é verdadeiramente cidadão cumpre seus deveres para com o Estado e para com sua comunidade e está sempre disposto a colaborar e a ajudar. O cidadão quer que seu País desenvolva, quer que seus semelhantes melhorem de vida, quer acabar com o analfabetismo e exige sempre que o Estado cumpra com suas obrigações.·… Ver artigo

· Quem é verdadeiramente cidadão cumpre seus deveres para com o Estado e para com sua comunidade e está sempre disposto a colaborar e a ajudar. O cidadão quer que seu País desenvolva, quer que seus semelhantes melhorem de vida, quer acabar com o analfabetismo e exige sempre que o Estado cumpra com suas obrigações.
· Ser cidadão é ajudar a construir sua pátria. Diferente de ser patriota, que é dar a vida por sua pátria.
· Ser cidadão vale para pessoa física e jurídica. Quando uma empresa é cidadã, é solidária, tem responsabilidade social, é sinal que seus funcionários também acompanham essa filosofia.
· Existem duas formas de contribuir, tanto para a pessoa física como para a pessoa jurídica.
· A primeira está no assistencialismo. Começa e termina com a doação de algum bem.
· A segunda forma é mais moderna, mais ampla, mais cidadã. Está dentro do conceito de construir, de ensinar as pessoas a crescer e a serem úteis.
· Como? várias maneiras: podem ser coisas simples, sem custos financeiros, como dar palestras educativas sobre família, sobre higiene, sobre qualidade de vida. Participar de trabalhos comunitários. Apesar de não envolver dinheiro, são mais difíceis de fazer, pois envolve compromisso. Pense bem: é muito mais fácil dar uma esmola a uma criança carente no sinal do que acelerar o carro e virar as costas.
· Isso vale também para as empresas. A empresa cidadã vai muito além do simples ato de pagar impostos. Isso é obrigação. Vai, ainda, além dos desembolsos e das ajudas financeiras. A empresa cidadã é aquela que tem compromissos com a comunidade, que ajuda as pessoas e as entidades a construir, a crescer e a serem auto-suficientes.
· Hoje temos que ter consciência que governo não é mais responsável por tudo. Cada cidadão tem que dar sua parte, inclusive de participar da formulação das políticas do governo. Não basta exercer o direito do voto. Há que exigir, reclamar, cobrar e marcar cerrado cada passo dos eleitos.
· Quer mudar o País? – seja cidadão!


Alô ecológico


· Depois do “apagão” telefônico, uma realidade constatada pelos serviços de saúde: os telefones públicos estão contaminados.
· A contaminação atinge 92% dos telefones públicos da periferia das cidades e 40% dos telefones públicos dos centros urbanos.
· Mais civilidade do usuário e um pouco de limpeza, associada a uma simples desinfeção, vão tornar o alô muito mais higiênico.



É fogo, irmão!


· Tempo de queimadas, tempo de incêndios nas florestas.
· Para ter fogo há necessidade de juntar três elementos: combustível, ar e calor. Como a madeira é um ótimo combustível e estamos em plena seca, é tempo, também, de redobrar os cuidados.
· Controlar o fogo foi um processo evolutivo do homem.
· Pelo seu domínio, o homem começou a abrir espaços, alterar o ecossistema e aumentar suas conquistas, tanto no que diz respeito à agricultura como às diversas atividades que significam progresso.
· A combustão produziu ferramentas, movimentou máquinas, criou belos enfeites e melhorou a alimentação do homem.
· O homem é o único ser do planeta que soube apoderar-se do poder do fogo. E o que era só para ser vida, para ser construção, virou morte e destruição: pessoas foram queimadas vivas, incêndios apagaram documentos incriminatórios, um cigarro pode ser acendido com inocência e florestas ardem e continuam ardendo em chamas.
· É fogo, meu irmão!


“A vida é um eco: se você não gosta do que está recebendo,
preste atenção no que está emitindo”.               Lair Ribeiro


Rótulos: Diet ou Light?


· A Embrapa  Agroindústria de Alimentos (RJ) lançou o Manual de Rotulagem, um guia para empresários e consumidores que desejam se informar sobre a nova legislação dos rótulos dos produtos brasileiros.
· Sempre é bom lembrar que os empresários da agroindústria têm até janeiro do próximo ano para adaptar em produtos às novas portarias do Ministério da Saúde.
· Depois desta data, podem sofrer penalidades da Vigilância Sanitária por não cumprimento da lei.
· Veja um exemplo do que pode acontecer na prática, com a nova legislação: um fabricante de óleo de milho não pode afirmar na embalagem que seu produto não tem colesterol. Isso porque todo óleo vegetal é isento de colesterol. Se quiser insistir nesta informação, será obrigado a divulgar que todos os óleos vegetais não possuem colesterol.
· As portarias também ditam as normas para o fabricante poder afirmar que seu produto é light, diet e vitaminado.

COLUNA DO MEIO

Transgênicos, Lobato e o Conama

19 de abril de 2004

· Monteiro Lobato, o mesmo do Sítio do Pica-Pau Amarelo, em sua obra para adultos ousou fazer previsões. Uma delas está sub-repticiamente incrustada em “O Presidente Negro”. Lá, se me lembro bem, ele se refere a um futuro longínquo, ao que parece, 2038, hoje quase presente, quando os Estados Unidos elegem o seu primeiro presidente… Ver artigo

· Monteiro Lobato, o mesmo do Sítio do Pica-Pau Amarelo, em sua obra para adultos ousou fazer previsões. Uma delas está sub-repticiamente incrustada em “O Presidente Negro”. Lá, se me lembro bem, ele se refere a um futuro longínquo, ao que parece, 2038, hoje quase presente, quando os Estados Unidos elegem o seu primeiro presidente negro. As rusgas raciais descritas pelo autor não vem ao caso, no momento, se bem que sempre repugnantes, mas sim as conseqüências narradas.
· A engenharia genética da época comentada por Monteiro Lobato já havia resolvido o problema da cor da pele, ou seja, não havia mais pele negra no mundo. No entanto, o cabelo enrolado, característico da raça, continuava identificando-a. Cientistas contratados por multinacionais procuravam, por todos os meios, formas que alisassem geneticamente os cabelos dos então negros de pele branca, até que foi descoberto o processo que dependia, para ser implantado, da autorização presidencial.
· Após relutar a se aconselhar com seus assessores, o presidente consentiu em autorizar a aplicação da radiação ômega 3 na população negra de pele branca e em si próprio. Observem, senhores conselheiros, até a nomenclatura e sinonímia, o nosso querido e irreverente Monteiro Lobato soube prever.
· Foi resolvido o problema dos cabelos de sua raça, no entanto, os responsáveis pela descoberta não comunicaram aos consumidores que a radiação os esterilizava…
· Esta pequena estória é dedicada a todos os que estão envolvidos com os processos de engenharia genética e produtos transgênicos deste País.Onze em dez
· A autoridade monetária de um país chama-se Banco Central.
· Um sistema financeiro é sério e vai bem se a autoridade monetária é respeitada, é exigente, é responsável, é incorruptível, tem continuidade administrativa, tem uma política a longo prazo para que todos conheçam bem a regra do jogo.
· Nos últimos 10 anos, o Brasil teve pre-ci-sa-men-te 11 presidentes do Banco Central.
· A saber: Elmo Camões, Wadico Bucchi, Ibrahim Eris, Francisco Gros, Gustavo Loyola, Paulo Cesar Ximenes, Pedro Malan, Gustavo Loyola, Gustavo Franco, Chico Lopes e Armínio Fraga.
· A conclusão desta descontinuidade administrativa o contribuinte, o cidadão, o correntista e o amigo leitor vivem no dia-a-dia.


Péssima distribuição de renda, devastação da Amazônia, analfabetismo, sistema de saneamento básico precário, tratamento de água deficitário, poluição dos rios e dos lençóis freáticos, uso indiscriminado de agrotóxico, falsificação de remédios, rodovias em péssimo estado, corrupções e mais corrupções mostradas pelas CPIs do Judiciário e do Sistema Financeiro… Definitivamente, tem muita gente empurrando o Brasil para fora do mapa-mundi.


Pornografia


· Quem entra numa locadora de vídeo por esse Brasil a fora (também em bancas de jornais) encontra, freqüentemente, crianças de pouca idade se divertindo com o manuseio de caixas de fitas pornográficas.
· É hora do Juizado de Menores abrir os olhos contra esse comércio que, cada dia que passa, está ficando mais escrachado.
· Uma das medidas cautelares é o uso de catálogos e não a mostra explícita das fitas em suas caixas, geralmente pornográficas também.
· Já não chega o que a Internet e as tevês a cabo proporcionam…MÚSICA – O Festival de Música Ecológica de Limeira (SP) está no ar. A primeira etapa de seleção acontecerá agora dia 11 de setembro, no Ginásio Santo André, com apresentação de 12 músicas. A segunda seleção será dia 18 de setembro e a terceira dia 25 de setembro. De cada seleção serão escolhidas quatro músicas que vão disputar a grande final dia 2 de outubro.
VENENO – O adoçante aspartame continua no banco dos réus. A cada dia sai uma nova reportagem ratificando as denúncias dos médicos americanos H. J. Roberts e Louis Elsas, professor de genética na Universidade de Emory. O consumo de aspartame na época da concepção pode causar danos ao feto, pois a fenilalanina se concentra na placenta causando retardo mental. Mais: a fenilalanina tem um subproduto que é o DXP, um agente causador de tumores cerebrais. Todo cuidado é pouco!
PRÊMIO ESSO – Estão abertas as inscrições para o Prêmio Esso ’99. Os trabalhos devem ser entregues até o dia 30 de setembro. Além dos Prêmios Esso de Reportagem e Fotografia, estão em disputa os prêmios especiais de Informação Econômica; Informação Científica/Tecnológica/ Ecológica; Criação Gráfica e os cinco prêmios regionais. O Prêmio Esso existe há 44 anos e é a mais importante premiação jornalística brasileira.
ÁGUA – De 29 de setembro a 2 de outubro acontece em Salvador, Bahia, o I Encontro Sul-Americano sobre Qualidade da Água. Sempre é bom lembrar que água é vida e morte. Vida porque é essencial à sobrevivência humana e é morte porque a falta de saneamento, o consumo de água não tratada continua fazendo vítimas. Mais de 65% das internações hospitalares no Brasil são motivadas por doenças provenientes da água mal tratada.
LEMBRETE – “Toda perda é dor e toda dor é aprendizado. Dor e aprendizado sempre foram as linhas tortas preferidas de Deus”.

COLUNA DO MEIO

Calha Norte: mais transparência

14 de abril de 2004

· As reações chegaram: primeiro, de boca a boca, bem ao pé do ouvido, e assim os militares começaram a fazer seu lobby na surdina. Eles que sempre esconderam informações, acham que agora é a hora de falar e mostrar toda estratégia para ocupação e defesa da Amazônia.· Depois foi a grita política, no Congresso… Ver artigo

· As reações chegaram: primeiro, de boca a boca, bem ao pé do ouvido, e assim os militares começaram a fazer seu lobby na surdina. Eles que sempre esconderam informações, acham que agora é a hora de falar e mostrar toda estratégia para ocupação e defesa da Amazônia.
· Depois foi a grita política, no Congresso Nacional, promovida pelos senadores Bernardo Cabral (PFL-AM) e Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), mostrando que a liquidação do Projeto Calha Norte favorecia não só o narcotráfico, mas deixava nossas fronteiras abertas até para os terroristas dos países vizinhos.
· E no final de setembro, foi o encontro realizado pelo ministro da Defesa, Élcio Álvares, com os integrantes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, para tratar do tema Calha Norte e Sistema de Vigilância da Amazônia.
· O abandono do Programa Calha Norte, em última análise, significa abandonar uma área de 1.219.098 km2 da Amazônia, que compreende 72 municípios (31 no Amazonas, 15 em Roraima, 9 no Pará e 17 no Amapá). Mais do que tudo isso: significa desamparar uma população de 2 milhões e 300 mil brasileiros que vivem na área.
· Mas uma verdade deve ser exposta. Como diz a jornalista Zenaide Azeredo, os militares brasileiros têm mania de tratar todas as questões a eles ligadas como se secretas fossem. Aí, na hora que precisam do apoio da sociedade, da imprensa e dos parlamentares para mostrarem a importância estratégica do Calha Norte, onde encontrar “o povo esclarecido”,  para conseguir esta forcinha? Como conseguir dos tecnocratas sensibilidade para dotação de verbas?
· O Projeto Calha Norte tem que ser tocado com toda transparência. Todos os detalhes devem ser do conhecimento da imprensa e do Congresso Nacional. A força impulsora deste projeto está na razão direta do que o povo pensa da sua importância política e estratégica.


Morte e vida… e a grandeza de um homem


· Morreu João Cabral de Melo Neto, que foi se juntar, lá nos céus, aos dois outros azes da poesia brasileira: o mineiro Carlos Drummond de Andrade e o conterrâneo pernambucano Manuel Bandeira.
· Morreu João Cabral de Melo Neto, o poeta da saga nordestina, o poeta dos “Sem Terra”. Muito já se falou e muito há, ainda, o que falar sobre a obra de João Cabral. Gostaria de lembrar apenas um fato para mostrar a grandeza da alma do poeta.
· Quando Chico Buarque de Holanda colocou música em “Morte e Vida Severina”, João Cabral, de início, achava que era um poema impossível de ser musicado. Mas foi ver a primeira apresentação do musical. Terminado o espetáculo, João Cabral foi simples, digno e magnânimo em seu comentário: “A música do Chico Buarque está muito melhor do que a letra!”
· Isso é grandeza! Grandeza de um poeta que deixou esse alerta: “ É difícil defender, só coma palavras, a vida…”


Plantas em extinção não é só no Brasil


· Segundo a ONG Traffic International, o contrabando e a exploração desordenada estão acabando com plantas medicinais da região dos Andes.
· Algumas já desapareceram e outras estão em extinção. São 228 plantas mais usadas com finalidades terapêuticas nos países andinos e pelos laboratórios multinacionais. As plantas medicinais com propriedades cicatrizantes, com a sangue de dragão, são cobiçadíssimas por empresas farmacêuticas americanas e européias.
· E, por tudo isso, a biopirataria não tem fim…


Ética, estética e paz


· Os 10 mandamentos deste próximo século podem ser resumidos a um: agir sempre com ética e estética.
· Ética e estética serão as duas palavras básicas, melhor dizendo, os dois conceitos básicos para as ações de cada ser humano neste novo tempo. Na vida profissional, nos serviços prestados, nos produtos fabricados, nas atitudes de autoridades ou de simples cidadãos, nos governos, nas empresas, nas famílias, nos sindicatos, nos jornais, nos tribunais, nas sentenças, no trabalho, no comportamento do dia-a-dia, na alegria e na dor, há que ter ética e estética.
· Com toda certeza, onde houver ética e estética haverá excelência, qualidade, precisão, ordem, vitórias, compreensão, harmonia, amizade e … Paz.


“O Estado só é democrático na medida em que houver uma cidadania ativa e participativa. Enquanto os pobres não puderem acessar alguns instrumentos jurídicos básicos para defender seus direitos e enquanto a sociedade não for democrática, não haverá Estado democrático”.


Rubens Harry Born, Coordenador Executivo da LEAD Internacional, que prega um novo padrão de desenvolvimento e ética.



Bicho homem


· A que ponto se chegou!
· O comércio ilegal de peixes ornamentais, mamíferos, aves e primatas está movimentando mais de US$ 40 milhões só, vejam bem, quarenta milhões de dólares só pela Internet. A Rede Nacional contra o Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) fez a denúncia à Polícia Federal, já que foram identificados 4.892 anúncios na Internet vendendo e comprando animais.
· Como esta própria Folha do Meio Ambiente denunciou na sua edição de julho, o comércio ilegal de animais movimenta U$ 10 bi por ano, só perdendo para o tráfico de drogas e de armamentos.
· Verdadeiramente, está difícil de entender o bicho homem …

COLUNA DO MEIO

Em busca da paz

12 de abril de 2004

=Para que um país, uma cidade ou uma comunidade funcione bem, há que haver regras e leis. Há que haver, ainda, aplicação e fiscalização desses princípios e  normas. =Para que a ordem prevaleça, precisa mais: há que haver justiça para dirimir as contendas que vão aparecer pela aplicação e fiscalização das leis. =Essa é a… Ver artigo

=Para que um país, uma cidade ou uma comunidade funcione bem, há que haver regras e leis. Há que haver, ainda, aplicação e fiscalização desses princípios e  normas.
=Para que a ordem prevaleça, precisa mais: há que haver justiça para dirimir as contendas que vão aparecer pela aplicação e fiscalização das leis.
=Essa é a engrenagem que movimenta uma relação civilizada entre os homens e as nações, já que cada um corre atrás de seus próprios interesses.
=Na cabeça das pessoas o ano 2000 chegou como um divisor de águas: é hora de, sobre os erros do passado, construir um futuro que vá muito além da simples sobrevivência.
=Urge buscar um novo tempo de fraternidade e de paz. Para um novo milênio, um novo homem.



Ética e estética


E como será o novo milênio? Qual será sua principal característica? Quem tem sensibilidade para acompanhar a revolução que chega pelas asas da informática, das telecomunicações, da Internet, impulsionadas pela tecnologia e pelo valor da cidadania, não tem a menor dúvida: os 10 mandamentos deste próximo século podem ser resumidos em um só: o ser humano tem que ser cidadão e promover suas ações tendo em mente, sempre, a ética e a estética.
=Ética e estética serão as duas palavras mágicas, os dois conceitos básicos para todas as ações nesse novo tempo.
=Na vida profissional, nos serviços prestados, nos produtos fabricados há que ter ética e estética;
=Para o empregado e o empregador, para o professor e o aluno, há que haver ética e estética.
=Nas atitudes de autoridades, nos governos, nas empresas, nas famílias, nos sindicatos, nos jornais, nos tribunais, nas sentenças e no trabalho há que ter ética e estética;
=No comportamento do dia a dia, na alegria e na dor, há que ter ética e estética.
=Onde houver ética e estética haverá excelência, qualidade, precisão, ordem, vitória, compreensão, harmonia e amizade.
=Onde houver ética e estética, com certeza, haverá paz.


Erro fatal


=O homem, com sua inteligência, busca na ciência a saída para suas necessidades e faz das tecnologias sua defesa e seu ataque. Sua comodidade e seu bem-viver.
=É incrível como a produção de bens, dos mais simples aos mais sofisticados, traz o prazer e o desespero. Traz a vida e a morte.
=Podia dar mil exemplos, mas são tantos que nem vale a pena. A descoberta sucessiva de novas tecnologias, produzem aparelhos, equipamentos, brinquedos, peças de vestuário, automóveis, computadores que em pouco tempo ficam ultrapassados. Fora de moda! Tudo isso vai contribuindo para a necessidade de trocas e up-grade. Conseqüência imediata: o aumento irreversível do lixo.


Sucata e sucateiros


=As embalagens, sobretudo as descartáveis, facilitam a vida, mas dificultam o viver. É mais lixo e mais poluição.
=E quando esse lixo é tóxico como as baterias, pilhas, tonner, embalagens de produtos químicos? Daí, o lixo não apenas polui, mas vai matando aos pouquinhos…
=Agora cheguei no ponto. O máximo da negligência: o lixo que mata e que espalha a morte rapidamente. Negligência do fabricante, dos usuários e das autoridades fiscalizadoras.
=Dois exemplos recentes, ambos envolvendo o lixo das sucatas e dos sucateiros.
=Em setembro de 1987, Goiânia sofre com o maior acidente radiológico do Brasil. Devair Alves Ferreira, dono de um ferro velho, buscou um cilindro no lixo e abriu para retirar o chumbo. Estava recheado de césio 137. Encontrou, com a pedra brilhante de Césio 137, a morte para algumas pessoas e a contaminação para mais de 200.
=Em janeiro de 2000, na Ceilândia (DF), outro dono de ferro velho, Edivaldo Batista Pereira, consegue no lixo das sucatas um cilindro de gás cloro. Ao abri-lo espalha, mais uma vez o pânico e a morte.
=De quem é a culpa pela dança desses cilindros entre hospitais, indústrias e sucatas? Quem são os responsáveis pela negligência profissional de fornecedores, usuários e sucateiros? Ninguém se apresenta.
=Uma pergunta: algum órgão do governo tem o inventário dos cilindros que contêm material radioativo e químico?
=Enquanto não aparecem os culpados, a população corre riscos sem saber o que seu vizinho (de trabalho ou residência) guarda e transporta bem ao seu lado.
=Talvez o menos culpado disso tudo seja o sucateiro do ferro velho lá da esquina que, na sua ignorância e atrás do pão nosso de cada dia, busca os cilindros da morte que os fabricantes e a fiscalização pública teimam em ignorar.
=A lei ambiental é clara: a responsabilidade é de quem industrializa e comercializa. Mas fica a pergunta: e a fiscalização?

Despoluição da Baía da Guanabara, pobre programa milionário

7 de abril de 2004

  Sabe o que é PDBG? Simples: é o Programa de Despoluição da Baía da Guanabara que, no papel, fez muita gente sonhar com uma baía mais ou menos igual à encontrada por portugueses e franceses no século XVI: um lugar privilegiado, com água cristalina descendo das serras, florestas, praias e ilhas, tudo de uma… Ver artigo

 

Sabe o que é PDBG? Simples: é o Programa de Despoluição da Baía da Guanabara que, no papel, fez muita gente sonhar com uma baía mais ou menos igual à encontrada por portugueses e franceses no século XVI: um lugar privilegiado, com água cristalina descendo das serras, florestas, praias e ilhas, tudo de uma beleza rara. Hoje, poluída por todos os lados e enlameada de todas as formas, não há quem não defenda a despoluição da Baía da Guanabara. Até os banqueiros – inclusive os do bicho – defenderam ardorosamente o PDBG como uma forma de promoção social e de saneamento da Cidade Maravilhosa.

Depois de meia dezena de anos, a população carioca parece descrente do sonho da despoluição. Se bem que uns poucos continuam sonhando, porque continuam atrelados administrativa e financeiramente ao Programa. Quem são esses? São algumas construtoras, alguns funcionários do governo e até alguns profissionais liberais, que fizeram especializações no exterior com essa finalidade. Bons salários em multinacionais ou bons contratos de consultoria não faltaram. E o PDBG, uma mãe, pagou e continua pagando a conta.

E como está hoje a Baía da Guanabara, esse símbolo da Cidade Maravilhosa? Bem que poderia estar despoluída e brilhando para a passagem do Milênio. Mas, infelizmente, coitada, continua na me…  mesma. Espantando turistas, piorando a qualidade de vida e deixando a população da periferia contrair doenças pela falta de saneamento.

Diante disso, será que não está na hora de se propor uma CPI para apurar o destino dos milhões de dólares gastos em nome da despoluição da Baía da Guanabara? Será que não tem mais gente vivendo da despoluição da Baía da Guanabara do que ganhando para despoluí-la?

Se a despoluição da Baía da Guanabara é apenas uma fantasia, que pelo menos alguém feche o esgoto por onde as verbas estão contaminando gabinetes, escritórios, pessoas e fazendo o contribuinte de bobo.

Globalização, aldeias e furacões

Os meios de comunicação, sobretudo o rádio e a televisão, foram os serviços que mais contribuíram para tornar esse planeta uma aldeia e esse mundo mais globalizante. A informática casou com a telecomunicação e está fazendo uma revolução tamanha que ninguém sabe onde vai parar. Satélites, internet, pager, imagens, máquinas de precisão, consultas transatlânticas, tudo isso está, hoje, praticamente dentro de um simples telefone celular. É a realidade da globalização. E, pensando bem, foi a globalização que abreviou o longo sofrimento político de Timor Leste, de Kosovo. Os massacres e injustiças chegando todos os dias nas telas das tevês, nas páginas dos jornais e nas ondas do rádio aumentaram a indignação dos povos. E foram esses massacres, mostrados praticamente ao vivo, que mexeram com os brios das lideranças políticas mundiais.

Furacão tem nome?

Essa globalização traz para nossos olhos, durante uma inocente refeição, imagens que parecem serem logo ali: um incêndio num hotel da Ásia, uma escola em apuros nos Estados Unidos, uma rebelião no presídio do interior de Goiás, uma enchente na Europa e, até, chegamos a acompanhar passo a passo a trajetória de um furacão lá no Caribe que sobe célere as costas dos Estados Unidos. E, assim, a milhares de quilômetros dos furacões, eles acabam entrando na nossa conversa do dia-a-dia. O Floyd desviou da Flórida mas pegou a Carolina! O Georges colocou a população de Miami de prontidão! O Brian fez estragos em Nassau. É tão verdade o fato de que esses fenômenos climáticos assustam, quanto é verdade que eles são tratados pelos nomes, como velhos conhecidos.

Aí  surge a primeira pergunta: – Por que os furacões têm nome de gente?
E a segunda pergunta é inevitável: – Quem dá nome a esses furacões?
Com certeza não é o primeiro repórter que anuncia a tormenta. É muito interessante conhecer essa história. Quem sabe, algum dia, o amigo leitor não terá algum furacão como xará? Algumas curiosidades sobre essa escolha de nomes:
A cada seis anos, cientistas da Organização Mundial de Meteorologia se reúnem e escolhem uma lista de 72 nomes de furacões. Esses serão os nomes que vão identificar os furacões daquele período. Um detalhe: são excluídos os nomes que começam com as letras q, x e y.

Até a Segunda Guerra, todo furacão recebia uma identificação numérica. Depois, eles começaram a ser batizados com nomes de mulheres. Só a partir dos anos 60, quando nasceu o movimento feminista, é que o machismo descobriu que furacão não tem sexo. Ai começou-se a dar, também, nomes masculinos aos furacões. Os nomes dos furacões de 1999 foram: Alex, Bonnie, Charley, Daniel, Earl Frances, Georges, Hermine, Ivan, Jeanne, Karl Lisa, Mitch, Nicole, Otto, Paula, Richard Shary, Thomas, Virginie, Walter.

COLUNA DO MEIO

6 de abril de 2004

Pauta para 2000 Estrela maior na constelação do movimento ambientalista brasileiro, sempre muito sério e seguro em suas posições, o professor e escritor Paulo Nogueira Neto, conversando com amigos, resumiu muito bem os principais temas ambientais que estarão em pauta nesse ano 2000: 1. A forte entrada do plantio de soja na região de Santarém… Ver artigo

Pauta para 2000

Estrela maior na constelação do movimento ambientalista brasileiro, sempre muito sério e seguro em suas posições, o professor e escritor Paulo Nogueira Neto, conversando com amigos, resumiu muito bem os principais temas ambientais que estarão em pauta nesse ano 2000:
1. A forte entrada do plantio de soja na região de Santarém (PA), conseguindo boa produtividade, deixa mais uma vez vulnerável a floresta amazônica;
2. O problema da mudança no Código Florestal (Projeto de Lei propõe área menor de reserva florestal no Cerrado e na Amazônia) foi apenas adiado. A disputa entre a bancada ruralista e a bancada ambientalista da Câmara Federal voltará com toda intensidade em março do ano que vem. A guerra vai continuar.
3. A nova postura do Banco Mundial diante do poder político do Ministério do Meio Ambiente, mais precisamente da Secretaria da Amazônia, que resolveu coordenar de fato os programas internacionais de financiamento ambiental.
4. Água – o recurso natural mais estratégico deste novo milênio, a água vai ser objeto de disputa econômica e política em todas as casas legislativas e em todos os fóruns judiciais. A criação da Agência Nacional de Águas vai acirrar ainda mais essa discussão e essa disputa.
Tudo o mais será discussão periférica e sazonal das questões que estão sempre em pauta nos debates que vão surgindo dia-a-dia.

As ingerências do capital
Poder é para quem tem informação, canhão e dinheiro. Esse é o tripé que mexe com a vida das nações, das empresas e dos homens. Daí o poder das CIAs, dos FBIs, dos SNIs, dos ministros da Fazenda, do FMI e, é claro, dos bancos. Sim, dos bancos. Com um pé do tripé, o dinheiro em caixa, eles podem ir atrás dos informes, relatórios, estudos e acabam recebendo o outro pé, a informação privilegiada. Mesmo sem canhão, acabam acumulando um poder político razoável. Banco é igual em qualquer lugar do mundo. Tendo espaço, eles não perdem tempo. Ninguém mais senhor de si e mais influente do que dirigente de banco. 
Toda essa introdução foi para analisar o comportamento, nos últimos tempos, do Banco Mundial. Ou melhor, da representação do BIRD em Brasília, que para muita gente do primeiro escalão do governo tem desenvolvido ações "politicamente incorretas". Avançando, mesmo, o sinal. Digamos assim, promovendo ações mais corporativa pela instituição e pela equipe do que, propriamente, pelo interesse do país.

Três exemplos
1. A nomeação do novo secretário de Recursos Hídricos, Raymundo Garrido passou pelo BIRD (ver Folha do Meio, ed. 95/ julho 99, pág.18). Na briga do PFL da Bahia com o PFL de Minas, prevaleceu a força do "senior" de Recursos Hídricos do Banco Mundial, Gabriel Azevedo, que forçou a balança pelo lado baiano.
2. O mesmo Gabriel Azevedo, com seu então assessor Jerson Kelman (hoje na assessoria do Sarney Filho) foram ao governador cearense para vender a idéia da Agência Nacional de Águas. Tasso Jereissati gostou da idéia e acertou imediatamente uma audiência de Kelman com FHC. O presidente, por sua vez, também ficou encantado com a proposta, mandou fazer o Projeto de Lei da ANA e ainda pediu urgência constitucional. A verdade é que o governo acabou ficando em má situação ao forçar a tramitação muito rápida da criação da Agência, pois o projeto não estava maduro e recebeu mais de 120 emendas, além de duas propostas de substitutivo. Resultado: o governo recuou, retirando a urgência constitucional.
3. Podia dar outros exemplos, mas vou ficar com um mais recente: o caso do PPG-7. Bem que o ministro Sarney Filho, do Meio Ambiente, avisou ainda em outubro, numa entrevista à Folha do Meio: "O Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais (PPG-7) tem que ser desburocratizado". Veio o encontro de Brasília, quando se reuniu aqui na Academia de Tênis os representantes dos países ricos, alguns organismos internacionais e o governo brasileiro. Tão logo terminou o encontro, dia 29 de outubro, as mudanças começaram, e o Brasil resolveu, de fato, assumir a liderança do Programa.

Simplesmente, banco
Agora no início de dezembro, houve uma nova redistribuição de poderes no PPG-7: aumentaram os poderes do Ministério do Meio Ambiente e diminuiu o poder do Banco Mundial, que exercia uma influência forte no Programa.
Causas das mudanças – As causas são várias. Mas todas podem ser resumidas numa só: disposição e garra da nova secretária da Amazônia, Mary Alegretti, que quer trabalhar com menos amarras. Ela resolveu assumir um desafio. Aqui mesmo na Folha do Meio Mary anunciou, antes do encontro do PPG-7:  "O Ministério vai trabalhar em dobro para mostrar que é capaz de liderar – e bem – esse processo".
Conseqüências das mudanças – Evidente que muita coisa vai mudar dentro do PPG-7, um programa que executou apenas US$ 140 milhões dos US$ 250 milhões que lhe foram destinados, em 1994. É só esperar para conferir. Mas, desde já, a primeira grande mudança: o governo brasileiro, pelo Ministério do Meio Ambiente, está com mais poder. Do outro lado da balança, o Banco Mundial viu diminuir em muito sua influência. Sem a administração de recursos, terá menos informes para analisar. Pelo andar da carruagem, voltará a ser simplesmente banco…

Despoluição da Guanabara
· Vários emails, fax e comentários chegaram a esta coluna sobre a nota que saiu na edição de novembro sobre a despoluição da Baía da Guanabara, um pobre programa milionário.
· Mais do que um  simples comentário foi a ação do deputado estadual Carlos Minc, presidente da Comissão do Meio Ambiente do RJ, solicitando ao presidente do Tribunal de Contas uma auditoria especial técnica e financeira do PDBG.
· A auditoria tem 3 meses para dar sua palavra final. (Veja matéria na página 3)

Coluna do Meio

Como destruir a melhor gestão pelo uso das águas

1 de abril de 2004

As primeiras experiências de cobrança pelo uso da água no Brasil aconteceram no Ceará, em novembro de 1996. Antes, em 90, o setor elétrico pagava, a título de compensação financeira por área inundada, 6% do valor comercial da energia, obedecendo a seguinte distribuição 45% para os municípios, 45% para os estados e 10% para o… Ver artigo

As primeiras experiências de cobrança pelo uso da água no Brasil aconteceram no Ceará, em novembro de 1996. Antes, em 90, o setor elétrico pagava, a título de compensação financeira por área inundada, 6% do valor comercial da energia, obedecendo a seguinte distribuição 45% para os municípios, 45% para os estados e 10% para o governo federal. Só quatro anos depois, em 2001, começou a ser cobrado do setor elétrico o verdadeiro uso da água.
A experiência estadual cearense, só é aplicável aos rios de domínio de uma determinada Unidade da Federação.
No caso do setor elétrico o pagamento é feito com base em um percentual fixo do valor da energia gerada (0,75%), É importante frisar que essa cobrança é feita a um setor em grande medida, ainda estatal.
A experiência mais ansiosamente esperada em termos de bacia com corpos d’água dos dois domínios (da União e estaduais), é a do Paraíba do Sul, aprovada em 14 de março de 2002 pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos e iniciada em 2003.
A ansiedade advém do fato de se tratar de uma bacia cobrindo partes territoriais de 180 municípios, três estados (coincidentemente os mais ricos da Federação), além de ser uma cobrança feita a vários e diferentes usos da água.
Portanto, um laboratório importante de trabalho sobre o tema.
A cobrança foi concebida para funcionar como acontece em um condomínio de moradores que pagam para ter seu condomínio funcionando satisfatoriamente. Portanto, o dinheiro arrecadado por meio da cobrança, tem que ficar para aplicações na bacia que o tiver gerado. Correto? No caso dos condomínios, sim. Mas no caso da água, infelizmente, não.


Contingenciando



Ocorre que o decreto presidencial que regulamenta a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2004, ao organizar as fontes de recursos, o que é feito por meio de anexos, classificou os recursos oriundos da arrecadação no Paraíba do Sul na Fonte 129, que integra o Anexo I ao Decreto.
Vamos entender melhor. São três os anexos: o Anexo I contém as fontes certamente sujeitas ao contingenciamento.
O Anexo II contém as fontes apenas sujeitas ao contingenciamento.
E o Anexo III contém as fontes pouco sujeitas ao contingenciamento.
O contingenciamento se dá normalmente na execução orçamentária, ou seja, cortando-se o empenho.
Pode se dar também não se fazendo o repasse financeiro, isto é, o empenho é feito, mas o recurso não é liberado para aplicação.


Promessa não cumprida



Tudo bem! Chegou até haver um entendimentos entre a ANA e o Ministério do Planejamento.
Aí o ministro Guido Mantega prometeu classificar a arrecadação captada no rio Paraíba do Sul no Anexo III, ou seja, pouco sujeitas ao contingenciamento. Mas ficou só na promessa.
O fato é que os usuários pagadores do Paraíba do Sul começam a desconfiar do sistema.
E o que significa isso? Significa que esta atitude do governo pode destruir toda uma filosofia discutida por mais de quinze anos.
No governo passado isto não teria ocorrido. O motivo é simples: havia a vontade política de fazer o sistema de gestão hídrica prosperar.
Afinal de contas, se os condôminos não vêem seu dinheiro arrecadado ser aplicado no próprio condomínio, eles próprios deixarão de recolher as taxas.
Justamente por isso, os ministros Sarney Filho e José Carlos Carvalho – no governo Fernando Henrique – lutaram muito para que o dinheiro arrecadado “no condomínio” das bacias hidrográficas não sofresse contingenciamento.


Por água abaixo



Será que a melhor coisa que se fez na gestão dos recursos hídricos no Brasil – os usuários pagam pelo uso da água e vão receber de volta o dinheiro arrecadado em investimento sustentável na sua bacia hidrográfica, vai acabar?
Será que o contingenciamento dos recursos arrecadados pelos comitês de Bacia vai ajudar a fazer o superávit do Tesouro e só pagar os juros dos banqueiros?
Gostaria, sinceramente, de não ver um retrocesso destes no meu País.

COLUNA DO MEIO

A falta de gerência nos parques é fogo!

24 de março de 2004

   Todo incêndio florestal é um problema, mas a grande maioria deles poderiam muito bem ser evitada. Sobretudo nos parques nacionais, como o que aconteceu no mês passado no Parque Nacional do Itatiaia. Ocasionado por turistas perdidos no parque, o incêndio acabou alcançando graves proporções justamente por falta de pessoal. Imaginem que o Parque do Itatiaia precisa… Ver artigo





 


 Todo incêndio florestal é um problema, mas a grande maioria deles poderiam muito bem ser evitada. Sobretudo nos parques nacionais, como o que aconteceu no mês passado no Parque Nacional do Itatiaia.
 Ocasionado por turistas perdidos no parque, o incêndio acabou alcançando graves proporções justamente por falta de pessoal.
 Imaginem que o Parque do Itatiaia precisa de pelo menos 60 agentes de defesa florestal. Atualmente só tem quatro.
 Pior: quatro em idade de se aposentar, com mais de 30 anos de serviço.
 Por culpa do governo, do Ibama e da sociedade, os incêndios começam justamente na burocracia.


***


Transposição, já era


 Todo projeto eleitoreiro é assim mesmo.
 E o desvio de águas do Velho Chico foi para onde já devia ter ido: p’ras cucuias! Para que não se diga que o brasileiro tem memória curta, quando ele voltar a ser badalado, se é que tem a audácia de voltar, lembremo-nos que o tema já cansou a boa vontade dos leitores e eleitores. 
O que o rio São Francisco precisa é de revitalização; que os múltiplos usuários de sua grande e rica bacia tenham mais consciência e saibam que a preservação e o respeito pelas nascentes, pelas matas ciliares e pela utilização de suas águas para energia e irrigação sejam mais racionais.
 Outros projetos, como o programa para a seca (Proágua Semiárido) tem mais chance de transpor e conseguir resultados positivos.
 Questão de pura racionalidade e gerência.


***


Por que parou? Parou por quê?


 O Conselho Nacional de Recursos Hídricos vinha em excelente ritmo de trabalho, por suas câmaras técnicas e reuniões plenárias. 
Subitamente, e sem maiores explicações, o seu secretário executivo, Raymundo Garrido, interrompeu esse fluxo de ação.
 Algumas perguntas vão por água abaixo: A quem interessa isso? Onde está a gestão participativa? Quando serão retomados os trabalhos? 
Tanto os conselheiros como outros interessados no problema estão à procura de respostas para estas perguntas.
 Em vão!


***


Transarmação


 O apelido foi dado por baianos e mineiros à transposição.
 Depois da passagem transposicionada de Fernando Bezerra pelo Ministério de uma obra só, resta no ar uma perguntinha: a que mesmo veio o Ministro Tebet? 
As más línguas dizem que ele veio para demonstrar, com sua sofreguidão, que só vai trabalhar para o Pantanal, e assim mesmo só na parte sul desse bioma. 
Pobre Ministério que nasceu como o projeto da transposição. Morto.







“Não jogue lixo no seu papel de Cidadão”
Instituto Recicle Milhões de Vida/SP


Namorando a ANA


 Na edição passada, esta coluna deu, em primeira mão, a possível ida de Kelman para a ANEEL.
 E que Vinícius Benavides e Benedito Braga aspiravam o atual lugar de Jérson Kelman. 
Agora, sabe-se, há outros candidatos para a cadeira da ANA: Jair Sarmento, Superintendente da própria Agência, e Marcos Freitas, diretor para o Rio de Janeiro.
 Enfim, os apoios políticos não se sabe de onde vem, mas é sabido que essas modificações devem ficar mais para o fim do ano.
 Para quando as chuvas voltarem.


***


Mais ou menos estratégico


 A Agência Nacional de Águas realizou, recentemente, uma jornada de planejamento estratégico. 
Nada mais razoável para um órgão público complexo e que acaba de ser instalado. 
O internamento deu-se na Fundação Israel Pinheiro, em Brasília. 
Só que o trabalho ficou por menos da metade em termos de alcance, pois alguns diretores estiveram alheios a esse processo de planejamento.
 Como cada diretoria é estruturada por divisão geográfica, pode-se facilmente saber o nome destes diretores: a área de atuação dos mesmos é de cerca de cinco milhões de quilômetros quadrados.

Coluna do Meio

Outorga

22 de março de 2004

A pão e água








 

 






 




  • A Agência Nacional de Águas foi criada em 17 de julho do último milênio. em boa hora.



  • Decreto que autorizou a sua instalação é de 19 de dezembro, antes do Natal do século passado.



  • Mas até hoje nada foi outorgado pela ANA, apesar de em 3 meses a Agência já ter mudado duas vezes de prédio.



  • Tem muita gente por aí achando que o Governo Federal pretende tratar o usuário dos recursos hídricos a pão e água.


Transposição 1
Não captaram a mensagem


A mídia pouco falou, mas dia 26 de março, em Aracaju, teve uma audiência pública para aprovação do Estudo de Impacto Ambiental -EIA-RIMA – do projeto de Transposição do Rio São Francisco.


Na audiência teve de tudo, até copo de água na cara do representante do Ibama, .


A leitura das autoridades presentes foi clara: o Governo Federal se meteu numa complicação danada, pois o assunto transposição foi para a praça pública… de guerra.


Tudo porque o Ministério da Integração Nacional, que cuida do projeto, não entendeu, ou não quis aprender com a experiência americana do Rio Colorado, onde a Casa Branca colocou os estados (Colorado, Utah, Arizona, Califórnia e Nevada) para discutir o projeto e firmar um pacto. 


Acontece que esse pacto foi um parto que só saiu com a interveniência do Senado dos Estados Unidos. 


Aliás, o Ministro (e senador) Fernando Bezerra visitou, em abril do ano passado, a região do Rio Colorado. A viagem foi uma festa, com mais de 20 pessoas. Parece que o que o erário gastou muito com uma viagem que não serviu para nada.


Transposição 2
O bicho está pegando


A frase já é ouvida com certa frequência na Esplanada dos Ministérios:


– “A pressa com que o Ministro da Integração quer fazer a transposição do São Francisco põe em risco a qualidade do empreendimento. Fora a polêmica política em ano eleitoral, com eleição casada, ou seja, para Presidente da República, Governadores, dois terços do Senado e Deputados Federais e Estaduais”.


– Mas a conclusão da frase ainda é mais dura:


– “Esse projeto pode acabar virando um elefante branco!”


Transposição 3
Taxa negativa e política positiva




  • Mais do que em conversa de pé de ouvido, tem xerox correndo alguns gabinetes da República, com a avaliação econômica do projeto de transposição do Rio São Francisco feita por uma importante agência internacional. Importante? Ela é nada menos do que o próprio Banco Mundial.



  • O estudo do BIRD dá uma taxa de retorno negativa de quase 30%.



  • Será que o Brasil pode jogar essa dinheirama pelo ralo?



  • Será que a pressa pode ser justificada apenas por pretensões políticas de interessados no projeto?



  • Tem muita gente quieta, que tem bala na agulha, mas ainda não quis abrir o bico sobre o projeto da transposição.


Transposição 4 
Um centavo lá e outro cá




  • Primeiro foi Aracaju, e agora foi Belo Horizonte.



  • A Audiência Pública para aprovação do Estudo de Impacto Ambiental foi outro fracasso.



  • Presidida pelo Secretário do Meio Ambiente de Minas, o ex-ministro das Minas e Energia Paulino Cícero, Minas Gerais disse não concordar com o projeto de transposição.



  • E foi mais longe: em se fazendo a obra faraônica, qualquer centavo aplicado lá terá que ter um outro centavo equivalente aplicado cá para revitalização de toda bacia do São Francisco.



  • É o marketing do Santo, com aquela frase que todo mundo conhece: é dando que se recebe.







Historinha


Ainda na porta do Ministério, um repórter foi logo perguntando ao Ministro Sarney Filho, na base do “deixa que eu chuto”.


– Ministro, por que o senhor tirou a Marília Marreco da presidência do Ibama? Ela não ía bem?


– Ela ía muito bem. Apenas precisei colocar um técnico mais voltado para a atividade de campo. Foi então que encontrei o Casara. A Marília era perfeita, tanto que a convidei para uma assessoria minha.


O reporter não entendeu que perfeito pode ser apenas um tempo de verbo. Nesse caso, Casara é mais-que-perfeito…


“O conhecimento é a única ferramenta de produção 
que não está sujeita a nenhum tipo de depreciação”.


Economista John Maurice Clark

Coluna do Meio

Compra de esgoto

22 de março de 2004

O que é mais fácil: jogar solvente na gasolina, água no leite ou água no esgoto?








 



COLUNA DO MEIO




  • A idéia é brilhante!



  • E foi muito bem concebida nos gabinetes da Agência Nacional de Águas: a compra de esgoto tratado. Aliás, o tema já se encontra no site da ANA para teste. 



  • Na verdade, essa é uma política inteligente, pois o Ministério do Meio Ambiente vai ajudar em muito na salvação dos rios brasileiros. Como todo mundo sabe, rios, lagos e mar são os grandes esgotos a céu aberto por esse Brasil afora. 



  • Agora uma constatação: há uma enorme fila de vendedores do esgoto tratado. 



  • Mas, seguro morreu de velho. 



  • Imagina que num país onde se comete o crime de jogar solvente na gasolina e até água no leite, será que ninguém iria pensar em jogar água no esgoto só para aumentar o volume?


 


“Nenhum homem é rico o bastante para comprar seu passado”


De Oscar Wilde, agora em tempo de CPIs, de denúncias e de degravação de fitas


 


Manual do Conselho


Guia para quem trabalha com RH




  • Um importante ponto a favor do Ministro Sarney Filho e a favor dos burocratas gestores dos recursos hídricos pela edição de um trabalho que condensa todas as resoluções aprovadas desde o início do funcionamento do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, dia 5 de novembro de 1998.



  • A publicação, que é um importante guia para os agentes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, teve o apoio da Rede Brasileira de Organismos de Bacia – REBOB.



  • Quem quiser obter esse manual prático das diretrizes complementares da Política Nacional de Recursos Hídricos é só ligar para 317-1348.







Sem EIA-RIMA


A olho nu lá da lua


As 7 Maravilhas do Mundo foram construídas sem o competente, insubstituível e moderno EIA-RIMA. 


Aliás, a imponente Grande Muralha da China, de 6.400 km, que não faz parte das 7 Maravilhas, é a mais complexa obra do homem antigo. E, é claro, também foi construída sem o tal Relatório. O que é justificável, pois na época, não havia legislação a respeito.


Engraçado ou não, mas foi na Lua que se deu o maior impacto negativo da cons-trução da Muralha. E foi um impacto visual, pois a Muralha da China é a única obra feita pela mão do homem que é visível, a olho nu, lá da Lua.


Em tempo: as 7 Maravilhas do mundo eram: Pirâmides do Egito, Jardins Suspensos da Babilônia, Estátua de Júpiter em Olímpia, Colosso de Rhodes, Templo de Diana, Túmulo do Rei Mausolo e Farol de Alexandria. 


Das 7 Maravilhas, as Pirâmides do Egito são as únicas sobreviventes. 


Alforria na ANA


Diretores da Agência de Águas mais livres




  • Finalmente chegou a imunidade.



  • Jerson Kelman, Lauro Figueiredo, Benedito Braga, Ivo Brasil e Marcos Aurélio Freitas, diretores da Agência Nacional de Águas, ganharam alforria dia 20 de abril.



  • Motivo: foram passados justamente os 120 dias após a publicação do decreto de instalação da ANA



  • Trata-se de dispositivo estabelecido pela Lei 9.984, de 17 de Julho de 2000, que exclui a possibilidade de demissão não motivada, após o referido período de quatro meses. 



  • E o que se diz por aí? Diz-se que esses diretores agora são independentes.



  • Sempre é bom lembrar que, em outras agências, havia diretores que se rebelavam inclusive contra o ministro da pasta de vinculação.



  • O que se escuta sempre nos corredores da ANA é que a gestão de recursos hídricos deve ser participativa. Explicando melhor: não comporta decisões de cima para baixo.



  • Todo cuidado é pouco…


Parlamento das Águas




  • As bacias dos rios Jundiaí, Piracicaba e Capivari abrangem um total de 58 municípios paulistas e quatro de Minas Gerais. Essa é uma região que concentra cerca de 4% do PIB nacional e onde vivem quatro milhões de habitantes. Bem, foi nesta área – com graves problemas de poluição hídrica, falta de saneamento e forte ocupação do solo – que nasceu, há 10 anos, o primeiro e mais importante consórcio de bacias, o do Piracicaba, seguido do comitê do Piracicaba-Jundiaí, criao pelo Estado de São Paulo.



  • Agora em 19 de abril, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos realizou uma reunião extraordinária, quando foram tomadas várias decisões.



  • Entre elas, a aprovação do pleito de criação do comitê do rio Piracicaba (SP-MG), bacia cujo consórcio vem atuando, exemplarmente, desde 1991. 



  • A experiência em gestão do uso dos mananciais dessa região, costuma-se dizer, serviu de inspiração para a construção da política brasileira de recursos hídricos.



  • Aplausos para o Consórcio Piracicaba-Capivari e para seu Secretário-Executivo Luiz Roberto Moretti, que administra um verdadeiro parlamento das águas.


Farra do poço artesiano


Depois do “caça gato” da água vem aí o “caça poço” do artesiano




  • Como a Folha do Meio anunciou em primeira mão, o governador Joaquim Roriz cumpriu a promessa e regulamentou o uso de poço artesiano no DF.



  • Pelo decreto 22.018, de 21 de março, foi regulamentado o uso de água subterrânea e a Caesb passará a cobrar pelo uso de água captada em poços que usam bomba de sucção.



  • Hotéis, Shopping-Center e Supermercados de Brasília já tiveram poços interditados.



  • E a Secretaria do Meio Ambiente do DF adverte: vem mais chumbo grosso por aí.



  • Depois do “caça gatos” nas ligações clandestinas de água, vem aí o “caça poço”, para acabar com a farra dos poços artesianos.


Erro da Transposição




  • Com a queda de Fernando Bezerra do Ministério da Integração Nacional caiu junto a pressa em se fazer a transposição do Rio São Francisco.



  • No Brasil é assim, tudo que tem conotação apenas política, pode morrer do dia para a noite.



  • E a correria para viabilizar o projeto, mostrou que a transposição era mais importante que a revitalização e preservação das águas do Velho Chico e de seus afluentes.



  • Bem feito!


CREA de José Chacon…




  • A revista do CREA-RJ mostra em seu último número a grave crise do “Lixo nosso de cada dia”.



  • Quem sustenta esse trabalho editorial e quem também promove uma luta pela conscientização ambiental no Rio de Janeiro é o engenheiro José Chacon de Assis, presidente da entidade.



  • Apenas, José Chacon poderia ser mais simples ou, quem sabe, um pouquinho mais humilde.



  • Não precisava, por exemplo, em 26 páginas da Revista do Crea, ter estampado nada menos de 34 fotos suas.Todas coloridas.



  • Parece revista de candidato…

Coluna do Meio

ANA, água e apagão

22 de março de 2004

    A Lei que criou a ANA atribuiu à essa Agência a responsabilidade pela definição e fiscalização da operação de reservatórios, de modo a garantir os usos múltiplos da água. Como se sabe, os reservatórios do Sudeste e do Nordeste estão bem abaixo do nível que deveriam ter nesta época do ano, o que… Ver artigo








 



 




  • A Lei que criou a ANA atribuiu à essa Agência a responsabilidade pela definição e fiscalização da operação de reservatórios, de modo a garantir os usos múltiplos da água.



  • Como se sabe, os reservatórios do Sudeste e do Nordeste estão bem abaixo do nível que deveriam ter nesta época do ano, o que motivou a criação do “Ministério do Apagão”.



  • Todo mundo já falou em racionamento de energia e medidas correlatas. A ANEEL deu palpite, a ONS deu explicações, juízes falaram, a ANATEL chamou a imprensa para esclarecimentos, o presidente Fernando Henrique assumiu alguns erros e até a OAB deu seu pitaco.



  • Mas ainda não se viu uma palavra da ANA em relação a um plano de operação dos reservatórios. E muito menos sobre a abordagem emergencial do problema.


Do fantasma das trevas ao inferno da seca




  • Era só o que faltava!



  • Além de amedrontar a população brasileira com o fantasma das trevas (Ministério do Apagão), o Governo entendeu de assustar o povo com o inferno da seca.



  • Criou, para tanto, o Ministério da Seca, entregue a Raul Jungman que, a partir de Recife, roubará a cena do moribundo Ministério da Integração Nacional (aquele da obra única e inacabada, a transposição do Rio S. Francisco) e da prestigiosa Agência Nacional de Águas – ANA, que mal chegou a sentir o gosto do poder.



  • Na Esplanada dos Ministérios o que se comenta é que Raul Jungman está para a ANA e o Ministério da Integração, assim como Pedro Parente está para o Ministério das Minas e Energia



  • Cruzcredo! Crendeuspai!







Saneamento e Democracia




  • O Projeto de Lei 4.147, que trata da Política Nacional de Saneamento, vai a toque de caixa, com urgência constitucional, devendo o prazo de 45 sessões expirar-se agora na primeira quinzena de junho.



  • Mas o problema é que não houve um mínimo de debate com a sociedade, pois somente agora é que algumas Associações (especialmente ABES e a ASSEMAE) tiveram algum acesso a essa importante discussão.



  • Pior: “rifaram” o Ministro Ovídio de Ângelis, que tomou conhecimento da reposição do pedido de urgência ao voltar de uma viagem ao exterior.



  • Da mesma forma, o presidente e o relator da Comissão (deputados Rodrigo Maia/PTB-RJ e Adolfo Marinho/PSDB-CE) sequer sabiam que a urgência iria ser pedida novamente.



  • Tem muita gente apelando para a sensibilidade do Governo Federal, para que a urgência constitucional seja retirada, abrindo-se, assim, para a possibilidade de um amplo e tão esperado debate.


Os sem poder




  • O comentário que corre no cafezinho da Câmara dos Deputados é que há Ministérios e Secretarias Especiais formando uma nova família: a dos “sem titular”.



  • Aí enquadram-se o Ministério da Integração Nacional (Ramez Tebet), o das Minas e Energia (José Jorge) e a Secretaria Especial do Desenvolvimento Urbano (Ovídio de Angelis).



  • Aliás, o Ministério da Integração Nacional ficou tanto tempo sem ministro… E ninguém notou. Nem fez falta!


Revitalização do Velho Chico




  • O Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou, em reunião extraordinária de 29 de maio, a proposta de criação do Comitê da Bacia do São Francisco.? Ninguém acreditava que isto pudesse acontecer ainda no primeiro semestre desse ano.



  • Vai aí um crédito ao Ministro Sarney Filho e ao trabalho incansável, mineiro-capixaba (em silêncio) do Secretário Executivo do MMA, José Carlos Carvalho.



  • Ambos fizeram com que a ANA e o CNRH alcançassem, mediante trabalho articulado, tão importante resultado.



  • A verdade é que, em vez de transposição, a luta agora é pela revitalização da bacia do rio da integração nacional (ver matéria na pág. 31).


Os brasileiros – governantes, empresários e cidadãos comuns – precisam acabar de uma vez por todas com a cultura da abundância. Existe até uma expressão popular que diz “Isso aí tem igual água…” para dizer que tem até demais.
O castigo está chegando…. 

Coluna do Meio

Troca troca entre a Aneel e a ANA

22 de março de 2004

    ? Bem no escurinho, é mais fácil escutar conversas alheias, até mesmo sem precisar denunciar seus autores.? Na ante-sala do ministro José Jorge, três técnicos de luz própria falavam sobre a crise do apagão.? Diziam que até agosto, mês fatídico na política brasileira, haverá estragos inesperados na Esplanada.? Um dos estragos: José Mário… Ver artigo





 


 


? Bem no escurinho, é mais fácil escutar conversas alheias, até mesmo sem precisar denunciar seus autores.
? Na ante-sala do ministro José Jorge, três técnicos de luz própria falavam sobre a crise do apagão.
? Diziam que até agosto, mês fatídico na política brasileira, haverá estragos inesperados na Esplanada.
? Um dos estragos: José Mário Abdo pode deixar a ANEEL e para seu lugar vai ninguém menos do que o presidente da ANA, Jérson Kelman.
? A mudança traz consigo a paradoxal virtude de, ao retirar Kelman do campo da água, torná-lo um “peixe dentro d’água”, pois todos sabem que ele sempre foi um homem do todo poderoso setor elétrico.
? O setor que agora está pifando.



Imprevidência do setor elétrico


? Uma verdade que precisa ficar bem clara: a energia, a irrigação e a indústria, juntas, consomem mais de 90% da água que é retirada dos mananciais.
? Por isso, os técnicos em recursos hídricos reagem com indignação sobre qualquer imputação de culpa ao setor caso se confirmem as previsões segundo as quais poderá faltar água nas residências por falta de energia para bombeamento. 
? Sendo o consumo humano o menor entre tantos usos consuntivos da água, por mais baixos que estejam os níveis dos reservatórios, há sempre água em demasia para o uso doméstico.
? Conclusão: onde as torneiras das casas secarem por falta de energia, muito maior terá sido o pecado da imprevidência do setor elétrico.
? Pela ordem, com a palavra a ANEEL, a quem cabe assegurar o abastecimento de energia do país, o nepotista ONS e os próprios ministérios das Minas e Energia e do Apagão.



Será o Benedito?


? Para a vaga que pode ser aberta na presidência da ANA, alguns nomes já começaram a corrida, na surdina. 
? Além de Vinícius Benavides, também corre por fora o nome do atual diretor Benedito Braga, recém chegado de seu pós-doutorado na Califórnia. 
? Braga, reconhecidamente o mais titulado pela academia entre os atuais diretores da ANA, está vivendo os seus dias de batismo no serviço público.






O homem cresce na direção do que é incentivado. Está aí a economia de energia que não deixa mentir.



Tesouro do povo


? Em eletricidade, o Brasil é como a Arábia Saudita em petróleo: 90% da energia se baseiam em duas coisas gratuitas, a água das chuvas e a força da gravidade. 
? Rios permanentes e caudalosos se espalham pelo país. 
? Explica o técnico César Benjamim que por serem os rios brasileiros de planalto, caudalosos e permanentes, eles seguem trajetórias de suave declive.
? Quando barrados, formam lagos, que são energia estocada. É só fazer a água cair por uma turbina, que gera a energia mais barata do mundo. Renovável e não poluente. Barragens seqüenciadas significam que a mesma gota é usada inúmeras vezes.
? Pelo jeito, estão querendo privatizar um tesouro do povo: água da chuva e a força da gravidade.



Relações Interiores
Meu pirão em primeiro lugar


? Esta coluna comentou na edição de maio que a ANA estava demorando para emitir a primeira outorga, um serviço de utilidade pública.
? Já não se pode mais dizer isso, pois foram publicados pela Agência Nacional de Águas quatro editais no D.O.U. autorizando o uso da água.
? Mas, diga-se de passagem, o primeiro deles é em favor da pessoa física do Ministro Celso Láfer.



Bem selvagem


As anedotas ambientais também circulam no gabinete do Ministro do Meio Ambiente.
Depois de repetir várias vezes que o empresário deve preservar as florestas e matas, o ministro Sarney Filho morreu de rir com o aparte de um visitante: 
– Ministro, quanto mais densa a floresta, melhor é o lugar para o exercício do capitalismo selvagem.
E bota selvagem nisso!

COLUNA DO MEIO

19 de março de 2004

  Sucessor de Zequinha  Está chegando o prazo para descompatibilização e os candidatos a substituir Sarney Filho no Ministério do Meio Ambiente começam a aparecer.  O primeiro que se colocou na corrida é o tucano paulista Fábio Feldman, ex-Secretário de Meio Ambiente de S. Paulo.  Feldman chegou a confessar a amigos que o sonho de… Ver artigo





 


Sucessor de Zequinha


 Está chegando o prazo para descompatibilização e os candidatos a substituir Sarney Filho no Ministério do Meio Ambiente começam a aparecer.


 O primeiro que se colocou na corrida é o tucano paulista Fábio Feldman, ex-Secretário de Meio Ambiente de S. Paulo.


 Feldman chegou a confessar a amigos que o sonho de ser Ministro do Meio Ambiente pode deixá-lo fora da campanha que poderia reconduzí-lo a uma cadeira da Câmara Federal.


 Fernando Henrique tem dado mostra de que fará um ministério de final de governo mais técnico, dando chances assim aos Secretários Executivos.


 Bem, é tudo que Sarney Filho deseja.


 Mais do que seu xará, José Carlos Carvalho conhece bem a área, foi de extrema lealdade ao titular e ajudou a fazer uma boa costura entre o Governo, ONGs e empresariado.



Os Sarneys e a casa própria


 O presidente Sarney extingüiu o BNH na segunda metade dos anos oitenta.


 A autarquia não havia vencido a parada do déficit habitacional e, por ações políticas, começou a custar muito ao brasileiro.


 Agora vem o Ministro Sarney Filho e autoriza o IBAMA a usar toda a madeira ilegal apreendida para construção de casa própria dos pobres nas regiões de origem da madeira.


 É casa construída em regime de mutirão e a custo zero!



Cuspindo maribondo


 Depois de longo e tenebroso inverno, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos volta a funcionar.


 A última reunião havia sido em 29/maio, quando foi aprovado a criação do Comitê de Bacia do Velho Chico.


 A próxima será em Aracaju, em 30/novembro. Temas: Criação do Comitê de Bacia do Rio Doce e posse de três novos conselheiros.


 Aliás, para entrar um membro da ANA, outros do Ministério da Integração e da Secretaria de Desenvolvimento Urbanos, deixaram o CNRH o MEC, o Ministério das Minas e Energia e a ABIN.


 Tem ministro cuspindo maribondo!



Descolegiado


 Em decisão inédita, o presidente da ANA, Jérson Kelman, desfez a regionalização com que operavam seus diretores.


 Agora todos fazem de tudo um pouco.


 Primeira conseqüência: está havendo uma indesejável superposição de trabalho. E, o que é pior, os dez superintendentes, por terem áreas de atuação bem definidas, que são funcionais e não regionais, estão, de fato e de direito, mandando mais do que os diretores da ANA.


 Só não mandam mais do que o presidente, que é o dono sozinho do pedaço.


 Aliás, como todo presidente gosta…



Agora vai?


 O Fundo Setorial de Ciência e Tecnologia de Recursos Hídricos aprovou 143 projetos de estudos tecnológicos e científicos.






“Nossa fauna não é mais preservada nem no jogo do bicho”
Fábio Leite


 É o Brasil consolidando a sua entrada no clube


dos países que produzem conhecimento novo, passaporte para quem quer virar Primeiro Mundo.


 Já há outros fundos em franca atuação, como o de petróleo e o de telecomunicações.


 



Vivendo e aprendendo


 A verdade é que tudo nos leva a viver… e aprender.


 Quem não se admirou pelos livros e pelos filmes feitos por Jacques Cousteau?


 Pois, há pouco li uma declaração que ele deixou numa entrevista para uma revista francesa que achei fantástica.


 Imagina que Cousteau confessou que errou.


 Errei (disse ele) por que não basta mostrar as belezas do mar e dos rios. É preciso também agir e lutar para que essas belezas não sejam destruídas.


 Essa frase fez valorizar mais ainda seu magnífico trabalho.

COLUNA DO MEIO

Protesto do Zequinha

19 de março de 2004

     Barcelona, reunião de ministros de meio ambiente, agora na última semana de setembro. No intervalo do encontro, o ministro Sarney Filho visitou a famosa “rambla” onde há exposição para venda de toda a sorte de artigos. Em uma pequena loja ao ar livre, vendiam-se até papagaios do Brasil.  O protesto de Sarney Filho não… Ver artigo





 

 


 Barcelona, reunião de ministros de meio ambiente, agora na última semana de setembro.
 No intervalo do encontro, o ministro Sarney Filho visitou a famosa “rambla” onde há exposição para venda de toda a sorte de artigos. Em uma pequena loja ao ar livre, vendiam-se até papagaios do Brasil. 
O protesto de Sarney Filho não se fez esperar. Além de se deixar fotografar próximo a uma das gaiolas, o ministro fez questão de colocar polegar para baixo, reprovando a iniciativa. 
Voltando à reunião, tornou a protestar, comprovando com fotos a maldade do cativeiro dos animais, cujo tráfico é proibido. 
Recebeu apoio público do plenário e aperto de mãos em particular depois da reunião.



Ecos do IV Diálogo


 O Ministério do Meio Ambiente, a Secretaria de Recursos Hídricos e a OEA acertaram na mosca com o sucesso absoluto que foi o IV Diálogo Interamericano de Gerenciamento das Águas, realizado em Foz do Iguaçu. 
Mais de 1.300 técnicos de 52 países promoveram um avançado debate sobre a gestão do uso das águas de mananciais dos países das Américas.
 O Brasil deu exemplo em organização e participação.
Pena que as mais altas autoridades do país, como Presidente FHC, ministros das Minas e Energia, da Ciência e Tecnologia e o próprio ministro do Meio Ambiente, não deram a devida importância ao encontro.
 Dizem que não compareceram porque ficaram com medo dos protestos por causa do fechamento da Estrada do Colono, no Parque do Iguaçu.
 Se esse foi o motivo, era mais um argumento para enfrentar a turba e ganhar aplausos.
 A Estrada do Colono servia mais a traficantes de droga e de animais do que aos colonos.







A força moral deste novo milênio deve estar na Tolerância e não na Coragem.? 
Tokio Mao, piloto kamikaze japonês que sobreviveu a um atague suicida
na 2ª Guerra e vive hoje em Niterói – RJ



História dos Diálogos


 A técnica do Diálogo vem de uma recomendação da Conferência da ONU, a Rio-92, na Agenda 21. 
No primeiro Diálogo, em Miami (1993) compareceram somente 60 pessoas; em Buenos Aires (1996) este número elevou-se para 250; na Cidade do Panamá (1999), 300 pessoas. 
Agora, em Foz do Iguaçu realizou-se o maior dos Diálogos (considerado o evento modelo), com 1.330 participantes. O Quinto Diálogo ainda não tem definido o país que o acolherá. 
Há três candidaturas: México, Venezuela e Martinica.



Visita à ANA


 Acompanhados do Secretário de Recursos Hídricos Raymundo Garrido, os dirigentes do Office International de l’Eau Jean François Donzier e Alain Bernard visitaram o presidente da Agência Nacional de Águas, Jérson Kelman, em Brasília.
 Discutiu-se a possibilidade de estudos conjuntos sobre formatos institucionais para as agências de bacia.



Combustíveis 1


 É muito triste a história de grande parte dos postos de gasolina no Brasil.
 Quando não enganam o consumidor na bomba, vendendo gasolina falsificada, estão enganando a socidade operando de forma irregular.
 Imagina que no Distrito Federal, dos 500 postos existentes, 162 operam sem licença ambiental.
 Motivo? Simples: os empresários não têm interesse em entregar os documentos técnicos indispensáveis para a concessão da licença e a fiscalização, que devia fiscalizar, não fiscaliza.
 Estamos falando de Brasília, sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Não estamos falando do interior de Rondônia, Piauí ou Amazonas.



Combustíveis 2


 Colocar postos de gasolina para funcionar sem licença de operação é ilegal e uma constante ameaça ao meio ambiente.
 Que o diga o posto Texaco, do empresário Wilani Marques Ramalho, que está localizado numa área de Proteção Ambiental, em Brazlândia.
 Wilani conseguiu o posto com a ajuda do ex-deputado José Ramalho (PDT-DF). Seu queridíssimo irmão.

COLUNA DO MEIO

16 de março de 2004

  Fazendo água • Chegou aos gabinetes da Esplanada a informação que deixa algumas altas autoridades preocupadas.• Por questão de segurança, a área administrativa da Agência Nacional de Águas (ANA) deve, em breve, providenciar luvas de boxe para seus diretores.• Quando se reúne a diretoria colegiada da ANA, a coisa pega fogo.• Desavenças pessoais são… Ver artigo






 


Fazendo água


• Chegou aos gabinetes da Esplanada a informação que deixa algumas altas autoridades preocupadas.
• Por questão de segurança, a área administrativa da Agência Nacional de Águas (ANA) deve, em breve, providenciar luvas de boxe para seus diretores.
• Quando se reúne a diretoria colegiada da ANA, a coisa pega fogo.
• Desavenças pessoais são de menos. O problema é quando se levanta a famosa questão da improbidade.
• Falando claramente: a razão mais comum são os contratos e outras formas de despesas sem a devida justificativa jurídica ou, como diria uma felpuda raposa mineira, sem o correto certame licitatório.



Reunião do CNRH


• Foi um alívio!
• Finalmente o Conselho Nacional de Recursos Hídricos retomou suas atividades normais, reunindo-se no dia 30 de novembro, em Aracaju-SE, aproveitando a realização do Simpósio de Recursos Hídricos da Associação Brasileira de Recursos Hídricos – ABRH.
• Foram aprovadas as criações dos comitês da Bacia do Rio Doce e do Conjunto de Bacias PCJ – Piracicaba, Capivara e Jundiaí.



Na pista


• Entre as controvérsias do Colegiado da ANA, está a contratação de uma empresa paulista especializada em projetos de estradas.
• O que um dos diretores perguntou, é mais do que razoável:
• – Por que, com tantos problemas de água, a agência vai gastar dinheiro com engenharia rodoviária, mesmo que a bacia hidrográfica seja sofisticada?
• Pelo menos uma solução está a caminho: não colocar no web site da ANA as atas de reuniões, que estão se tornando, pouco a pouco, uma verdadeira lavanderia de roupa suja!



Alternativa correta


• No Rio de Janeiro foi um almoço com carnes de caça.
• Em São Paulo foi um churrasco feito com carvão certificado.
• E assim, o ministro Sarney Filho vai saindo da retórica e mostrando na prática como se promove o desenvolvimento sustentável.
• No Rio, o almoço era para os ministros do Meio Ambiente da América Latina e Caribe à base de carne capivara e cateto, provenientes de criatórios semi-extensivos autorizados pelo Ibama.
• Em São Paulo, o ministro salientou a importância de se usar matéria-prima certificada, no lugar de carvão que apenas desmata.
• Ambas as iniciativas tinham uma mesma mensagem: os mercados têm que se abrir para produtos de uma economia baseadas na sustentabilidade.
• Essa é a chance de produtores rurais que deixarem de utilizar métodos tradicionais de exploração agrícola, passando a interagir melhor com o meio ambiente. (Veja matéria na página “Criação de Animais Silvestres”)



Até o papa


• O ministro Sarney Filho esteve em Roma para abrir o Seminário sobre Desenvolvimento Sustentável na Amazônia.
• A tônica de sua fala foi o crescimento econômico com o uso racional dos recursos naturais, preservando estes e melhorando as condições de trabalho e de vida da população.
• Mais uma vez aproveitou para divulgar o Proecotur, Projeto de Ecoturismo da Amazônia que planeja levar à região um desenvolvimento com o menor impacto ambiental que se pode fazer: o Ecoturismo, que terá um investimento de planejamento de mais de US$ 200 milhões..
• Dizem que até o Vaticano ficou interessado.






“A ambição universal do homem é passar a vida inteira colhendo o máximo daquilo que nunca plantou”.
Do economista escocês Adam Smith

O Amigo da Onça

15 de março de 2004

  Depois de um longo e tenebroso verão, até que enfim apareceu o verdadeiro amigo da onça.Buscando evitar a caça indiscriminada de onças-pintadas e onças pardas no Brasil, ambientalistas conseguiram um pacto com pecuaristas para não matar as onças que porventura estejam comendo gado dos rebanhos, na região de Mato Grosso e Mato Grosso do… Ver artigo

 


Depois de um longo e tenebroso verão, até que enfim apareceu o verdadeiro amigo da onça.
Buscando evitar a caça indiscriminada de onças-pintadas e onças pardas no Brasil, ambientalistas conseguiram um pacto com pecuaristas para não matar as onças que porventura estejam comendo gado dos rebanhos, na região de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Imagina que, por ano, as onças comem cerca de 200 cabeças de gado e, por isso, elas também são implacavelmente caçadas pelos fazendeiros.
Daí a intervenção dos ambientalistas: foi criado um Fundo para Conservação da Onça Pintada, com recursos da Conservation Internacional do Brasil (CI-Brasil) para ressarcir pecuaristas por perda de rebanho.
O Pacto firmado entre pecuaristas e o Fundo estabelece uma moratória de dois anos à caça de onças.
O projeto, uma continuidade do trabalho de pesquisa de biólogos, vem sendo patrocinado há mais de um ano pela CI-Brasil, em parceria com o Earthwath Institute, por meio do Centro de Pesquisa para Conservação da Biodiversidade.
Com a CI-Brasil é assim: se a onça matar o boi, o amigo da onça paga.


Biografia da Marina


Ambientalistas e sonhadores de um Brasil melhor torcem para que a biografia da ministra Marina Silva fique ainda mais rica com sua passagem pelo Governo Lula.
Nos últimos dias, ela deu sinais de que sua história de bravura e coragem não vai ficar comprometida pela grande expectativa que se criou em torno de sua indicação para a Pasta do Meio Ambiente.
Mesmo sem a chamada experiência administrativa, Marina Silva promete não se perder na emaranhada floresta da burocracia ministerial.
E mais: vai enfrentar com serenidade e muito bom senso vários debates cruciais, buscando o que for melhor para o Meio Ambiente: a terceirização das unidades de conservação, a questão do uso e abuso de agrotóxico na lavoura e não vai fugir à polêmica em torno dos transgênicos. E não adianta iniciar qualquer tipo de campanha negativa contra a Ministra, chamando sua Pasta de Ministério Não Governamental.


“Comida, água e ar não são mais bens comuns mundiais, cuja gestão cabe à
responsabilidade pública coletiva. Agora são bens econômicos, cuja gestão,
para ser mais eficaz, dizem, caberá ao setor privado”.

Leonardo Boff, teólogo e criador da Teologia da Libertação, dizendo que o presidente Lula da Silva está fazendo a revolução
da ternura, ou seja, garantindo que todos possam comer ao menos três vezes ao dia.


Rouco de tanto ouvir


A ministra Marina Silva colocou João Bosco Senra, engenheiro, para substituir outro engenheiro, Raymundo Garrido, à frente da Secretaria de Recursos Hídricos.
Se com o baiano Garrido, o processo decisório implicava ouvir, e ouvir muito, antes de decidir, com João Bosco menos não será.
Além da sabedoria mineira, o novo Secretário da SRH traz consigo a prática do PT.
Senra costuma levar ao extremo o processo de consulta antes de decidir.


Regulagem nas reguladoras


O governo Lula estuda cautelosamente as alterações que poderão ser feitas nas agências reguladoras.
De pronto, os diretores que tiverem mandato se encerrando serão substituídos por novos, comprometidos com o PT.
Fala-se por aí, entretanto, que no critério de escolha desses novos diretores o perfil de presidenciável da agência será o fator de maior peso.
É que Lula quer ver as agências reguladoras sendo comandadas por gente sua, maneira que o novo governo encontrou para dar uma regulagem nessas autarquias-vedete.

Quem paga a conta?

15 de março de 2004

  A questão é mais grave do que se pensa. Navios imensos, verdadeiras latas velhas ou banheiras do século passado, cruzam os sete mares levando petróleo e cargas tóxicas, sem a mínima segurança. Vez por outra, um deles afunda, como aconteceu agora com o Prestigie, na costa da Espanha, ou com o Gaz Poem, no… Ver artigo

 


A questão é mais grave do que se pensa.
Navios imensos, verdadeiras latas velhas ou banheiras do século passado, cruzam os sete mares levando petróleo e cargas tóxicas, sem a mínima segurança.
Vez por outra, um deles afunda, como aconteceu agora com o Prestigie, na costa da Espanha, ou com o Gaz Poem, no litoral de Hong Kong.
Aí é um Deus nos acuda: população e governos revoltados, pescadores sem trabalho e a natureza morrendo sufocada por tanta poluição.
Até quando, oh Catilina, abusarás de nossa paciência?


Mudanças no WWF Brasil (1)


Na surdina, quase em silêncio, houve uma troca de direção no WWF do Brasil.
O diretor executivo, Garo Batmanian, foi convidado a afastar-se.
E mais: começou um processo de demissões.
Isso não tem nada a ver com contenção de gastos, pois o orçamento do WWF crescerá significativamente em 2003.
Essas mudanças foram feitas pelo Conselho do WWF Brasil, sob a presidência interina de Mário Frering (ex-Caemi).
Interessante é que o ex-presidente, José Roberto Marinho, afastou-se um dia antes das decisões.
O fato é que tudo isso causou um susto na rede WWF nos Estados Unidos, Inglaterra e Holanda, que são os principais financiadores de programas brasileiros.
Cartas manifestando preocupação com o fato chegaram desses escritórios. O Secretariado Internacional do WWF, baseado na Suíça, mandou a Brasilia um enviado ver o que estava acontecendo.


Mudanças no WWF Brasil (2)


Pelos corredores da sede do WWF, no Lago Sul, em Brasília, os comentários são de que todos os procedimentos administrativos foram atropelados, não havendo nenhuma transparência.
Outra coisa: o conselho havia votado uma cláusula de perpetuidade, eliminando o dispositivo dos estatutos que determinava o rodízio dos componentes depois de uns anos.
Tudo isso compromete a maior força do WWF: sua integridade, representatividade política e técnica.


Mudanças no WWF Brasil (3)


Para encarar todos esses desafios e dar um rumo seguro à entidade, volta ao WWF um antigo colaborador: o ambientalista Roberto Messias Franco.
Messias, que deixou a presidência da Biodiversitas, de Belo Horizonte, carrega a preservação ambiental em tudo que faz.
Até seu cartão de visita, no verso, tem um sistema para medir o grau de radiação ultravioleta a que a pessoa está exposta. Depois de 20 segundos à luz, o cartão recomenda o fator de proteção adequado para evitar danos à pele.
Além da Biodiversitas, Roberto Messias foi secretário Nacional do Meio Ambiente, no governo Sarney, diretor da União Internacional para a Conservação da Natureza, entidade que reúne 750 ONGs de 70 países, dirigiu o Instituto Terra e também foi do conselho diretor do próprio WWF.
Tem competência, conhecimento e relacionamento para aterrissar e decolar esse jumbo para vôos tranqüilos e proveitosos.

ANA, muito prazer!

15 de março de 2004

  A questão já levantada pela equipe de transição. Lideranças do PT não consideram correto que o novo governo tenha nas agências reguladoras (Aneel, ANP, ANA, Anatel etc) dirigentes da confiança do tucanato. Dizem que todas essas instituições-vedetes pagam bem, têm dirigentes da confiança de FHC e podem boicotar alguma decisão política petista. A primeira… Ver artigo

 

A questão já levantada pela equipe de transição.
Lideranças do PT não consideram correto que o novo governo tenha nas agências reguladoras (Aneel, ANP, ANA, Anatel etc) dirigentes da confiança do tucanato.
Dizem que todas essas instituições-vedetes pagam bem, têm dirigentes da confiança de FHC e podem boicotar alguma decisão política petista.
A primeira premiada poderá ser a ANA, que já tem em seu quadro diretivo um militante petista, ligado ao ministeriável Luís Pinguelli Rosa (Coppe-RJ).
Ele poderá tornar-se o novo presidente da ANA, logo no primeiro trimestre de 2003.
E dizem mais, até com certo deboche: a ANA será então apresentada à democracia!

ANA, mais vagas

Tem um diretor da ANA que pode integrar a diretoria da Copasa-MG, a convite do governador eleito Aécio Neves.
Abrindo uma vaga na diretoria da ANA, esta pode ser preenchida por escolha pessoal do presidente Lula.
O nome do indicado será levado ao Senado Federal com a mesma ligeireza da apuração de votos da urna eletrônica.

Desvio d}água

E por falar em Agência Nacional de Águas, uma última informação: círculos da alta administração do PT dão conta que, enquanto as mudanças na ANA não se processarem, o titular da Pasta do Meio Ambiente vai canalizar os recursos do setor para a Secretaria de Recursos Hídricos.
A bem da verdade, é bom repetir uma frase do deputado Fernando Gabeira (PT-RJ): A SRH vai deixando atrás de si um bom trabalho através do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.
Aliás, aquele mesmo conselho que a ANA fez de tudo para ser sua própria Secretaria Executiva, mas não conseguiu.
Dizem os entendidos: se com FHC o contingenciamento na ANA em 2002 já foi alto, em 2003 será no mínimo pesado.

Assim de convites…

O ministro José Carlos Carvalho, do MMA, tem futuro garantido a partir de 2003. Conta nos dedos da mão direita os convites que tem para trabalhar.
1 – Fundador da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, já foi sondado pelo governador eleito de Minas, Aécio Neves, para retornar à secretaria e reestruturar totalmente o setor do meio ambiente no estado.
2 – Foi sondado também para presidente da Companhia de Saneamento de Minas – Copasa.
3 – Duas grandes empresas estão de olho no ministro Carvalho que se mostrou um grande gestor sócioambiental como titular da Pasta do Meio Ambiente.
4 – Pelo menos uma ONG tentou engatar uma conversa mais séria para ter José Carlos Carvalho na sua direção.
5 – Impressionado com sua atuação nos encontros pelo mundo afora, especialmente em Johanesburgo, um fortíssimo organismo internacional, acha que já conquistou o atual ministro do meio ambiente para os seus quadros.
Como bom mineiro-capixaba, José Carlos Carvalho conversa, conversa e… conversa. Sorrindo sempre, com a maior civilidade!

"A consciência ambiental caminha de forma artesanal.
A destruição avança de forma industrial.
Enquanto a primeira vai pela escada e a segunda vai pelo elevador".

De Fernando Gabeira, jornalista e deputado federal do PT pelo Rio de Janeiro.

 

Lula, o 41º Presidente?

15 de março de 2004

  “O ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito o 36ª presidente da República”, escreveu O Globo, na primeira página. O mesmo O Globo abriu seu editorial da edição do dia 28 de outubro, dizendo: “ Lula, o 33ª presidente em 113 anos de República…” A Folha de S. Paulo, na primeira página, foi… Ver artigo

 


“O ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito o 36ª presidente da República”, escreveu O Globo, na primeira página. O mesmo O Globo abriu seu editorial da edição do dia 28 de outubro, dizendo: “ Lula, o 33ª presidente em 113 anos de República…”


A Folha de S. Paulo, na primeira página, foi mais longe: “Lula foi eleito o 39ª presidente do Brasil…” Afinal, na escala cronológica, qual é o lugar de Lula na História republicana brasileira?


Para uma resposta correta, outra pergunta: – Qual o critério usado? Afinal, foram sete vices que assumiram o cargo; Tancredo Neves ganhou mas não assumiu; e houve até juntas militares. Assim, o Brasil pode ter tido 40 presidentes até 2002.


Políticas ambientais


Do alto de sua autoridade, Édis Milaré dá seu recado no prefácio.


O livro faz referências constantes à Agenda 21 e à saudável utopia do desenvolvimento sustentável.


A publicação desperta a consciência ecológica que, como um prisma, decompõe a mesma realidade luminosa nas diferentes cores, que refratadas voltam para a luminosidade total, integrando o na mesma realidade o ecossistema planetário.


O livro é uma semente que produzirá cem vezes mais.


Édis Milaré mostra a importância do livro “Política Ambiental”, do professor e advogado Geraldo Ferreira Lanfredi – [(11) 4411-6874].


Na cangalha


Meio ambiente, qualidade de vida, emprego, renda, sucesso profissional, educação, respeito, tudo isto bem administrado significa paz


Pois o ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, ganhou esse ano o Prêmio Nobel da Paz.


Carter derrotou um número recorde de 156 candidatos ao prêmio instituído por Alfred Nobel, filantropo e inventor da dinamite.


É bom registrar esse feito, pois Carter – foi quem levantou no mundo para valer a bandeira dos Direitos Humanos – ele teve um papel importante como mediador de conflitos na América Latina e foi o único presidente americano a entrar em sintonia com Fidel Castro, visitando Cuba em maio deste ano.


Mais do que tudo isso, o Prêmio Nobel foi um recado para George W. Bush.


É aquela história lá do interior de Minas: bater na cangalha para o burro entender.


“Que a luz da ciência ilumine as indústrias para que estas preservem a natureza”.
A frase dita há 150 anos pode ser considerada a primeira alusão ao desenvolvimento sustentado..
 Autor da frase: o paleontólogo Peter Lund, inconformado com a exploração comercial e industrial das grutas ao redor de Lagoa Santa, MG.


Pé frio


Os paleontólogos alertam: a ação dos homens está matando mais do que a Era do Gelo.


Espécies que sobreviveram ao intenso frio da Era Glacial (encerrada há 11 mil anos) como as florestas das montanhas Pindus, no noroeste da Grécia, estão desaparecendo devido a ação predatória do homem.


O estudo é da Universidade de Sussex, na Inglaterra.


Os motivos são os mesmo que engoliram a Mata Atlântica e vão engolindo o Cerrado e a Floresta Amazônica: comércio de madeira, formação de pastagens e crescimento urbano.

Coluna do Meio

Na contramão da dengue

15 de março de 2004

  O ministro Barjas Negri, da Saúde, recebeu um convite no mínimo interessante.Colocar o seu Ministério da Saúde para recolher, em todo país, pneus usados e abandonados, a maior fonte de criação do mosquito da dengue e de poluição.Barjas Negri recebeu o convite, na semana passada, de uma comissão paranaense formada por três grupos: a… Ver artigo


 


O ministro Barjas Negri, da Saúde, recebeu um convite no mínimo interessante.
Colocar o seu Ministério da Saúde para recolher, em todo país, pneus usados e abandonados, a maior fonte de criação do mosquito da dengue e de poluição.
Barjas Negri recebeu o convite, na semana passada, de uma comissão paranaense formada por três grupos: a fabricante de pneus remoldados BS Colway, a Petrobras e a Prefeitura de Curitiba, que tocam o programa Rodando Limpo.
Esse programa já reciclou mais de 2 milhões 377 mil pneus inservíveis no Paraná.
O Rodando Limpo tem mão dupla: na contrapartida ambiental da resolução 258 do Conama, o fabricante ou importador paga tudo, para ter o direito de importar pneus, numa sistemática de pós-consumo que é inédita no mundo.


Perguntas ao Conama


Por falar em recolhimento e reciclagem de pneus usados, valem algumas perguntas:
Por que ainda não se publicou no Diário Oficial da União, seis meses depois de aprovado por unanimidade pelo Conama, o novo texto da resolução 258?
Por que o Ibama, em vez de fiscalizar o cumprimento da resolução, editou instrução normativa desobrigando os importadores de auditoria, substituída por simples declaração deles?
Por que o presidente do Ibama não cumpre determinação nesse sentido – o de fiscalizar como manda a lei – feita pelo Tribunal Regional Federal de Brasília?
Respostas para o 6ª andar do MMA.


Bons frutos da Rio +10


A prefeitura de Curitiba está sempre presente quanto o assunto é meio ambiente.
Da RIO+10, em Johannesburgo, Curitiba trouxe dois bons resultados.
Primeiro: indicação para sediar o Centro Internacional de Treinamento de Prefeitos e gestores de cidades, especializado em transportes e meio ambiente.
Nisso, o Brasil venceu o México, que também queria o centro latinoamericano da Unitar, organização das Nações Unidas para treinamento e pesquisa.
Segundo: comunicação de que a Costa Rica já tem projeto de lei, baseado na iniciativa do Paraná, para coletar e reciclar pneus descartados.
No caso paranaense, os pneus coletados e picados viram óleo e gás combustíveis (inclusive para cozinha) e enxofre, na usina de xisto da Petrobras em São Mateus, a 150km de Curitiba.
Mas também podem servir de combustível em cimenteiras e usinas termelétricas licenciadas pelos órgãos ambientais.
Garante os técnicos da Petrobrás, sem problemas nenhum.


“A experiência turística é visual. O olhar do turista busca a singularidade do lugar.
Os ambientes devem ser vistos como um enigma a ser desvendado pela exploração,
como um texto a ser interpretado pelo explorador”.
Stela Maris Murta e Celina Albano ao apresentar o fantástico livro “Interpretar o Patrimônio – Um exercício do olhar”
que mostra que investir em interpretação significa agregar valor ao produto turístico


Entulho Limpo


Nada mais sujo, mais poluidor e com mais desperdício do que a construção civil.
Por isso, palmas para o Sindicato da Construção Civil do Distrito Federal que, em parceria com a UnB e a ONG Eco Atitude, lançou o Programa Entulho Limpo – PEL.
Um selo vai identificar as empresas de construção civil do DF que aderirem ao PEL.
Para Denise Ros, coordenadora do Programa, “Esse não é um projeto utópico. Pelo contrário é viável e objetivo”.
Poderia completar: super urgente!

COLUNA DO MEIO

15 de março de 2004

  Silvestre Gorgulho Diretoria vaga na ANA • O Carnaval ainda não tinha começado e o diretor da Agência Nacional de Águas, Lauro Figueiredo, colocou seu bloco na rua. • Dia 9 de fevereiro, Figueiredo deu entrada em uma carta endereçada à Diretoria Colegiada da ANA, afirmando que entregara cópia ao então ministro Sarney Filho…. Ver artigo

  Silvestre Gorgulho

Diretoria vaga na ANA

• O Carnaval ainda não tinha começado e o diretor da Agência Nacional de Águas, Lauro Figueiredo, colocou seu bloco na rua.

• Dia 9 de fevereiro, Figueiredo deu entrada em uma carta endereçada à Diretoria Colegiada da ANA, afirmando que entregara cópia ao então ministro Sarney Filho.

• Assunto: pedia exoneração do cargo que vinha ocupando como diretor da Agência.

• O rebuliço foi geral. Motivo: todo mundo na ANA achava que Figueiredo sairia atirando, pois ele foi sempre um crítico ferino da atuação da Agência de Águas.

• Mas, para alívio geral, soube-se que a carta de demissão era lacônica e, … em bons termos.

ANA, meu nome é Dilma

• As especulações para ocupação da diretoria da Agência de Águas foram muitas.

• Entre os nomes estavam alguns superintendentes da Agência, nomes da diretoria da SRH, Paulo Romano, Fernando Rodriguez e José Edil Benedito.

• Corriam por fora: Vinícius Benavides, da Aneel, Luís Eduardo Loureiro, ex-palaciano, José Casadei (consultor paulista do setor elétrico) e Affonso Henriques.

• Mas em tempo de "Ana, Juliana, Roseana – sou a mulher" deu Dilma Seli Pereira.

•Ninguém menos, do que ex-diretora da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, com grande experiência no setor de saneamento, e atual Superintendente da Agência.

•A sabatina do Senado será imediata.

Novo ministro

• Esta coluna antecipou que o mineiro-capixaba José Carlos Carvalho era um dos nomes fortes para o lugar de Zequinha Sarney na Pasta do Meio Ambiente.

• José Carlos Carvalho, nascido em Jerônimo Monteiro (ES) fez sua vida profissional em Minas Gerais, como presidente do IEF e primeiro secretário do Meio Ambiente do Estado.

• Os amigos capixabas de José Carlos Carvalho costumam brincar, lembrando que o nome do Palácio do Governo do Espírito Santo tem o mesmo nome da cidade de natal do novo ministro.

• Essa brincadeira tem duas leituras: primeiro, é uma forma de reconquistar José Carlos Carvalho para sua origem capixaba, mais precisamente para o município de Jerônimo Monteiro.

• Segundo, quem sabe, voltando ao Espírito Santo, José Carlos não resolve ir direto para o Jerônimo Monteiro?

• O palácio, evidentemente!

BID

• Realizou-se, em Fortaleza, entre 4 e 13 de março, a mega reunião de governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

• A sessão dedicada aos recursos hídricos teve como ponto alto, a sua abertura, com a mesa formada pelo governador Tasso Jereissati, Enrique Iglesias (presidente do Banco), Michel Camdessus (ex-FMI) e Raymundo Garrido (representando o ministro do Meio Ambiente).

• Todos os quatro discursos tiveram mensagens fortes sobre a questão dos recursos hídricos.

• Pela palestra de Jerson Kelman, da Agência de Águas, a ANA agora sobe a terrível correnteza…

Dia da Água

• A Câmara dos Deputados entra na discussão sobre os recursos hídricos.

• Dia 25, o Auditório Nereu Ramos vai abrir suas portas para um workshop que comemora o Dia Mundial da Água.

• A comunidade hídrica brasileira marcará presença.

• Bem como todos os candidatos a diretores da ANA, uma das patrocinadoras do evento junto com a SRH.

Para ler, pensar e agir
O erro é sempre um ótimo professor. Mas costuma mandar contas terríveis!!!

Barragem

• O Governo do RN inaugurou, em 11 de março, com a presença de FHC, a barragem de Santa Cruz, em Apodi.

• Santa Cruz acumula cerca de 575 milhões de metros cúbicos de água, uma boa solução para o desenvolvimento da região.

• Trata-se de mais um empreendimento do Proágua Semiárido.

FHC e a tocha ambiental

• Está tudo marcado para julho.

• O presidente FHC, em solenidade a ser realizada no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, vai passar a "tocha" da RIO'92 para a África do Sul.

• Em Joannesburgo acontecerá a RIO+10, quando a ONU espera reunir mais de 190 países para discutir a questão ambiental do planeta.

COLUNA DO MEIO

Marcelo Bagno deixa exemplos e sonhos

15 de março de 2004

      Serão poucas, ainda que somarmos todas as homenagens prestadas ao biólogo e ornitólogo Marcelo Bagno, que perdeu sua vida há um mês no rio Caiapó, em Goiás, quando participava de uma expedição e foi arrastado por uma tromba d}água. Em tempo de tantas violências, de fortes doses de egoísmo e de crescente… Ver artigo






 


 


 


Serão poucas, ainda que somarmos todas as homenagens prestadas ao biólogo e ornitólogo Marcelo Bagno, que perdeu sua vida há um mês no rio Caiapó, em Goiás, quando participava de uma expedição e foi arrastado por uma tromba d}água.


Em tempo de tantas violências, de fortes doses de egoísmo e de crescente disputa pelo bem material, Marcelo Bagno – que fazia mestrado na UnB e era um dos maiores especialistas em aves do Cerrado – morreu por duas causas humanitárias.


Primeiro, porque participava de uma expedição de pesquisa em prol do meio ambiente e pela preservação da natureza.


Segundo, porque já salvo na margem do rio devido a um acidente com o barco, Marcelo Bagno (que vestia um colete salva-vidas) fez questão de voltar ao rio para prestar socorro ao barqueiro que estava se afogando.


Não conseguiu. E perdeu a vida aos 33 anos.


Fica o exemplo de sua dedicação à natureza e ao próximo.



Saldo positivo


? Ninguém tem bola de cristal. Mas valem algumas observações sobre quem comandará o Ministério do Meio Ambiente.


? Uma coisa é certa: Sarney Filho deixa o MMA e se candidata. A quê? Depende, ainda, por onde caminha sua irmã presidenciável Roseana Sarney.


? Apesar da pesada crítica do presidenciável tucano, José Serra, à “terrível falta de fiscalização no ministério do irmão de Roseana”, os três anos de Sarney Filho à frente do MMA, a bem da verdade, têm saldo positivo. Não foi à toa a grande homenagem que as ONGs lhe fizeram.


? Está quase certo que Sarney Filho deixa o ministério dia 15 de março.



Pragas e doenças


? Nada mais natural.


? Quando se viaja para o exterior, o impulso do turista é trazer flores, sementes, frutas, plantas e até peças de artesanato em madeira é natural.


? Mas cuidado: sem saber, o turista pode trazer também pragas e doenças exóticas, causando sérios problemas para nossa flora, agricultura ou pecuária.


? Foi assim que entrou no Brasil a ferrugem do café, o cancro cítrico, o bicudo do algodoeiro e, mais recentemente, a mosca branca.


? Daí a quarentena fitossanitária, uma vigilância, que por sinal, deveria ser muito mais efetiva e dura nos aeroportos e portos brasileiros.


? Questão de segurança nacional!



Novo ministro


? A pergunta é: quem será o novo ministro do Meio Ambiente?


?Se o PFL fizer uma indicação partidária, o nome hoje, pule de dez, é o de senador Francelino Pereira (PFL-MG). Francelino não vai disputar as próximas eleições e já emplacou seu filho no setor: Luiz Márcio Pereira, é diretor de SNUN do Ibama.


? Mas tem bons apostadores jogando no nome do secretário Executivo do MMA, José Carlos Carvalho: conhece bem o MMA, tem apoio das ONGs, entende de política ambiental e é da confiança do Palácio do Planalto.






“As pessoas devem entender que o desperdício polui e dá prejuízo. Eliminando a ineficiência e reduzindo o uso de matérias-primas, aumentam-se os lucros, a produtividade eficácia ambiental”


Al Gore, ex-vice-presidente dos EEUU


? Outro nome no páreo: o prof. Paulo Nogueira Neto. Seria uma homenagem ao grande nome do ambientalismo do Brasil e uma referência brasileira em qualquer parte do mundo. Paulo Nogueira participou do Encontro de Estocolmo, em 1972; foi o criador da SEMA e primeiro secretário Nacional do Meio Ambiente, mas nunca foi ministro. É amigo pessoal de FHC.


? Tem gente que acha que o presidente pode resgatar uma dívida com Gilberto Gil, o primeiro anunciado quando FHC iniciou o seu segundo mandato. Foi preterido a Sarney Filho.


? Outro nome falado é o de Fábio Feldmann, que só pensa naquilo. Se bem que FHC já lhe deu um prêmio de consolação: coordenador da Rio+10.



A ANA e o poder discricionário


? A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Águas batia no peito para dizer que, em sua autonomia, aplicaria os recursos orçamentários consoante suas próprias decisões.


? No entanto, como já chegava o fim do ano e nada do dinheiro ser aplicado, o ministro Sarney, usando o poder de discricionariedade que lhe compete, comandou o processo de aplicações.


? Acabou evitando o constrangimento de um órgão de seu ministério ter que devolver recursos ao Tesouro.

Coluna do Meio

5 de março de 2004

Água Mineral 1 – Audiência? A segunda audiência pública promovida pela Assembléia Legislativa de MG, dia 22 de agosto, em São Lourenço, foi definitiva: o DNPM provou os erros da Nestlé e a empresa tem prazo de 60 dias para entregar novo plano de aproveitamento econômico da água mineral do Poço Primavera.? O DNPM deixou… Ver artigo


Água Mineral 1 – Audiência
? A segunda audiência pública promovida pela Assembléia Legislativa de MG, dia 22 de agosto, em São Lourenço, foi definitiva: o DNPM provou os erros da Nestlé e a empresa tem prazo de 60 dias para entregar novo plano de aproveitamento econômico da água mineral do Poço Primavera.
? O DNPM deixou bem claro suas exigências em relação à exploração de águas minerais, feita pela Nestlé na cidade. Quer o fim da desmineralização da água ferruginosa.
? As conclusões expostas foram resultado de um longo processo: houve audiências, vistorias técnicas, reuniões tanto com a empresa como com a comunidade.
? Foi constatado o uso indevido da água do Poço Primavera, utilizada para produzir Pure Life, e o diretor do DNPM, João César Pinheiro, declarou que a Nestlé tem 60 dias para apresentar novo plano de aproveitamento econômico, pois não poderá mais fazer a Pure Life, em São Lourenço.
? João César também destacou a importância de se valorizar a cidade como estância hidromineral: “A Nestlé deve agir aqui como age em outros países. Contamos com o apoio do governo Aécio Neves para que possamos colocar as águas de Minas Gerais no patamar que elas merecem”, declarou.


Água Mineral 2 – Desculpa
? Carlos Faccina, diretor da Nestlé, afirmou que a empresa estava tranqüila, pois não havia trabalhado na ilegalidade e concordava em atender às exigências do DNPM.
? Um detalhe: pela primeira vez, nos quase três anos de conflito em São Lourenço, a Nestlé compareceu a uma reunião levando um grupo de funcionários, devidamente uniformizados, com faixas de apoio a si própria.
? Já é uma mudança de estratégia.


Água Mineral 3 – Perguntas
Quatro perguntas prcisam de respostas objetivas:
1 – O prazo de 60 dias dado pelo DNPM é para a Nestlé estancar o crime da desmineralização da água em definitivo?
2 – O- O forte discurso do DNPM na audiência pública foi para valer ou foi apenas para serenar os ânimos da comunidade ambientalista?
3 – A Nestlé vai cumprir a promessa pública de fazer de São Lourenço uma referência mundial em turismo e desenvolvimento sustentáveis?
4 – A Nestlé quer diálogo com a comunidade? Vai continuar sendo um estorvo ou um orgulho para São Lourenço?


Água Mineral 4 – Visita do Senado
? O Senado Federal acompanha de perto as denúncias sobre a superexploração da Água Mineral em MG.
? A Sub-Comissão de Extração Mineral da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidida pela senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) deliberou visitar as estâncias mineiras.
? A depredação de recursos minerais por parte das empresas detentoras dos direitos de exploração das águas é grave e a viagem mais do que oportuna.


Os sonhos e as virtudes
? “A vida de um homem não se mede pelos anos que ele viveu, mas sim pelos sonhos que realizou”.
? A frase calha muito bem para se lembrar do jornalista Roberto Marinho, que faleceu dia 6 de agosto, aos 98 anos, pela sua fantástica obra: a TV Globo.
? A Globo é o carro chefe de uma empresa que integrou o Brasil pela valorização da cultura nacional, pela preservação dos monumentos históricos, pela educação e pela informação.
? Socialmente me encontrei várias vezes com o dr. Roberto Marinho, mas apenas uma vez, em 1978, estive longamente com ele, almoçando no seu gabinete na TV Globo.
? Éramos três: ele, Harry Amorim, ex-governador do Mato Grosso do Sul, e eu. Foi um encontro interessante, pois dr. Roberto, aos 73 anos, estava no auge de sua vivacidade e influência. Contou algumas histórias, queria saber muito sobre o Pantanal e sobre a criação do novo Estado. Mas uma das coisas que guardo até hoje foi quando a conversa, depois de um licor, tomou ares de filosofia e o tema era as virtudes humanas.
? Dr. Roberto foi incisivo: – Meus amigos, a maior virtude humana é o bom senso. Sem bom senso, até a maior das virtudes fica chata.
? É a pura verdade!


*** TOME NOTA: Goiás será o primeiro estado brasileiro a criar uma Agência Estadual de Águas, nos moldes da Agência Nacional, a ANA. O secretário Paulo Souza Neto, do Meio Ambiente, sabe das coisas. ***

Coluna do Meio

5 de março de 2004

Destucanizando as agências reguladorasNo princípio era a extinção pura e simples. Depois o PT viu que precisava de novas leis: fazer por medida provisória era por demais desgastante. Mais tarde pensou-se em mudar apenas as diretorias. Mas viram que não era tão fácil assim, pois depende também de lei. Finalmente, chegou-se a uma conclusão: as… Ver artigo

Destucanizando as agências reguladoras
No princípio era a extinção pura e simples.
Depois o PT viu que precisava de novas leis: fazer por medida provisória era por demais desgastante.
Mais tarde pensou-se em mudar apenas as diretorias. Mas viram que não era tão fácil assim, pois depende também de lei.
Finalmente, chegou-se a uma conclusão: as agências reguladoras vão ficar como estão, mas precisam ur-gen-te-men-te ser “destucanizadas”.
E a ordem é de quem manda!


Presidência da ANA
No caso da Agência Nacional de Águas, outras premissas estão sendo estudadas.
A chamada “destucanização” passaria por uma reforma: transformação da ANA em autarquia igual ao Ibama, dando-lhe o papel tão-somente de fiscalização. O que, aliás, é um equívoco.
Se não der, porque precisa de lei, a espera será só até dezembro, quando o primeiro rodízio vai ser feito com o término de mandato da diretora Dilma Seli Pereira.
Aí vão aparecer os candidatos de sempre: Vinícius Benavides, do antigo Dnaee, e o paulista José Casadei.
Mas quem vai emplacar mesmo – inclusive como presidente – deve ser o atual secretário de Recursos Hídricos, João Bosco Senra.
E o atual presidente, Jerson Kelman, passa para diretor de hidrologia da ANA ou vai para o Banco Mundial.
Quanto ao novo secretário de Recursos Hídricos, bem, aí tem outra jogada no meio: a propalada reforma ministerial… que, dizem, está para acontecer.


Novos cargos
Caso a reforma ministerial não atinja o Ministério do Meio Ambiente (é bom lembrar que a ministra Marina Silva só sai se ela própria quiser) o secretário de Recursos Hídricos poderá ser o atual diretor da ANA, Marcos Antonio Freitas, muito ligado ao presidente Pingueli Rosa, da Eletrobrás.
Caso a ministra Marina Silva, por questões pessoais, resolva voltar para o Senado, bem, aí tem uma outra força política que vem justamente do Senado: o presidente do Congresso, José Sarney, tem cacife para aumentar sua cota de participação no governo Lula.
Em qualquer hipótese, uma confirmação: a Casa Civil estuda a criação de uma diretoria a mais em cada agência.
Serão sete novos cargos, a R$ 9 mil por mês cada. Fora a mordomia.


Bioprospecção
A forma mais eficaz de combate à biopirataria é o investimento na bioprospecção, a implantação de pólos de bioindústrias, propiciada por ações em favor da pesquisa e do desenvolvimento e de parcerias entre os centros de pesquisa, laboratórios e empresas.
Quem garante é do senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) ao comentar as conclusões da CPI instituída na Câmara dos Deputados sobre tráfico de animais e plantas silvestres da fauna e flora brasileiras.
Mestrinho garante que a legislação ambiental brasileira é equivocada e que tem contribuído para reforçar a “postura ambivalente, mal-intencionada e astuta do preservacionismo, que preconiza a intocabilidade do patrimônio natural amazônico”.
Enquanto os brasileiros virarem as costas para a bioprospecção os gringos nadam e rolam sobre esse patrimônio genético.


“O Brasil precisa explorar com urgência e melhor a sua riqueza,
porque a probreza não agüenta mais ser explorada”
Max Nunes

Coluna do Meio

5 de março de 2004

Coluna do eioDas duas as duasO secretário nacional do Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, Abelardo Oliveira Filho, esqueceu-se da razão e “colocou” na boca do presidente Lula o seu coração, com a seguinte afirmação: O Brasil não vai mais privatizar o saneamento. Lula da Silva, habitualmente cauteloso desde que se tornou presidente, não disse… Ver artigo

Coluna do eioDas duas as duas
O secretário nacional do Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, Abelardo Oliveira Filho, esqueceu-se da razão e “colocou” na boca do presidente Lula o seu coração, com a seguinte afirmação:
O Brasil não vai mais privatizar o saneamento.
Lula da Silva, habitualmente cauteloso desde que se tornou presidente, não disse isto. E pode ser que nem venha a dizer.
Das duas as duas: ou o secretário atuou de modo corporativo ou apenas externou um pigmento ideológico de um mundo que já ficou para trás.
Para quem interessar possa: Abelardo Oliveira Filho é empregado da Embasa – Empresa Baiana de Águas e Saneamento (que segundo seu presidente Lima Machado tem concessão de 83% dos municípios baianos).
E mais: Abelardo não trabalha há mais de dez anos, vivendo de expedientes sindicais.


Brasil rural e a Embrapa
Integrantes da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados visitaram a sede da Embrapa, em Brasília, onde foi realizada uma audiência pública comemorativa pelo 29o aniversário da mais importante instituição de pesquisa da América Latina.
Dos debates, além dos parlamentares, participaram o presidente da empresa, Clayton Campanhola e vários pesquisadores.
A certo ponto ficou evidente que a Embrapa foi a chave do sucesso do Brasil rural que nosso país ostenta hoje ao mundo, mas que não dispõe de recursos orçamentários para desenvolver um número de pesquisas que o desenvolvimento agropecuário exige ainda mais.
Os parlamentares se comprometeram a, em nome da comissão, apresentar emenda ao Orçamento de 2004, visando ao fortalecimento financeiro da Embrapa.






“Nunca duvide da capacidade de um grupo de dedicados cidadãos para mudar os rumos do planeta. Na verdade eles são a única chance de que isso possa acontecer”
MARGARETH MEAD – Slogan do Movimento Cidadania pelas Águas
exposto no site
www.cidadaniapelasaguas.net

MEC: palmas pela educação ambiental
Muitas coisas vão bem no Governo Lula e outras coisas ainda vão mal.
Uma coisa que vai bem e vale destacar é uma injustiça que o ministro Cristovam Buarque conseguiu reparar: reativação da Coordenação Geral de Educação Ambiental (Coea), extinta no final de março deste ano.
Aliás, extinta justamente para dar oportunidade de se ceder vagas de DAS para criação de outros ministérios. O que têm de ministros de segunda classe para satisfazer lideranças do PT e de partidos políticos não é brincadeira.
De qualquer forma, palmas para Cristovam Buarque pelo fortalecimento da educação ambiental em todos os níveis e modalidades no sistema de ensino.


Marketing ambiental
Gato por lebre
O marketing ambiental é importante. O que não pode acontecer é usá-lo para enganar o consumidor.
Tem muitas empresas que se escondem atrás de um passivo ambiental de todo tamanho e tentam usar o marketing ambiental, vendendo ao cidadão gato por lebre.
Quem ver um exemplo? É só entrar no site da Cataguazes < www.cataguazespapel.com.br > e ler logo na primeira página:
“A preservação ambiental através da reciclagem de papéis originados de grandes centros urbanos, como São Paulo, Vitória, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, é um compromisso da Cataguazes com a sociedade”.
Foi um compromisso. O desastre ambiental de Cataguases, que deixou oito cidades sem água, o rio Pomba morto, o rio Paraíba do Sul poluído e até o mar atingido está aí para provar que gato é gato, lebre é lebre e porco é porco.

Com a palavra, o leitor

5 de março de 2004

Os muros da vidaPrimeiro foi a Muralha da China, feita de pedra e do suor de legiões de escravos e séculos de trabalho. Depois, mais recentemente, o Muro de Berlim, feito de tijolo, arame farpado e fúria ideológica. Agora é a vez do muro do Século 21: sensores remotos de última geração vão separar o… Ver artigo

Os muros da vida
Primeiro foi a Muralha da China, feita de pedra e do suor de legiões de escravos e séculos de trabalho.
Depois, mais recentemente, o Muro de Berlim, feito de tijolo, arame farpado e fúria ideológica.
Agora é a vez do muro do Século 21: sensores remotos de última geração vão separar o Iraque do resto do mundo.
O homem não muda: quanto mais moderno, com mais tecnologias e mais recursos, ele se torna mais violento, mais primitivo, mais mesquinho e mais egoísta.
Parcerias voluntárias
Quem acha que é tudo para inglês ver, se engana.
A organizacão não-governamental inglesa “workingabroad”, que trabalha para arranjar trabalhos voluntários entre ONGs em várias regiões do mundo, está a procura de parcerias brasileiras.
Basta ter dois objetivos em comum: espírito de voluntariado e trabalhar na linha do desenvolvimento sustentável.
Quem quiser mais informações é só navegar no www.workingabroad.com


PT e IPT
Com 449 anos de vida, evidente que a Cidade de São Paulo precisava se mancar no que diz respeito à sua arborização urbana.
Depois de testemunhar a queda de muitas árvores nos últimos anos e até a fatalidade de uma árvore centenária cair em cima de um carro em movimento, matando o motorista, é que a prefeita Martha Suplicy (PT) se deu conta de que é preciso um estudo mais sério sobre as grandes árvores plantadas no século retrasado em solo paulistano.
Hoje elas estão enormes. Pior: sofrendo terrivelmente pelo corte de suas raízes para construção de prédios, metrôs e viadutos e, mais ainda, por uma série de fatores como a poluição, pragas, cupins, maus tratos e impermeabilidade crescente sofrida pela cidade ao longo dos anos com a expansão do concreto por suas ruas e avenidas.
Assim, antes tarde do que nunca, pela primeira vez será realizado um estudo sobre as espécies existentes e as áreas de risco.
Fazer um inventário do número de árvores existentes no município bem como o estado em que elas se encontram é o objetivo do convênio assinado entre a Prefeitura e o Instituto de Pesquisas Técnicas – IPT.


“Não há como solucionar o grave problema da fome se não resolvermos o
problema da distribuição de água e do saneamento”.

Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como Frei Beto


Gestão pública ambiental
O mercado de trabalho está abrindo as portas para as profissões ligadas ao meio ambiente, como biólogos, engenheiros ambientais, advogados especialistas em direito do uso da água, auditores ambientais etc.
Para se ter uma idéia da importância do setor, o próprio presidente do Tribunal de Contas da União, ex-senador Valmir Campelo, programa a realização de um congresso internacional para discutir auditorias ambientais, fiscalização e gestão pública ambiental.
Os três níveis do executivo – federal, estadual e municipal – estão metidos na questão até a cabeça.
E a demanda de gente especializada no assunto é muito grande.


Petróleo e água
O senador João Capiberibe (PSB-AP) não deixou por menos.
Em discurso no Senado, alertou que a eventual decisão unilateral dos Estados Unidos de invadir o Iraque em busca do petróleo possa, no futuro, repetir-se na Amazônia, à procura da água doce e da biodiversidade da região.
Segundo o senador, assim como o petróleo foi o recurso natural mais relevante do século 20, água doce será o insumo mais valorizado no atual século.

Coluna do Meio

4 de março de 2004

Silvestre Gorgulhosilvestre@folhadomeio.com.br Jogo sem fim 1Medidas Provisórias, debates, passeatas, Projeto de Lei, audiências públicas, seminários, uma infinidade de manifestações e votação na Câmara Federal. Quem acha que, finalmente, está resolvida a questão dos transgênicos, se engana redondamente. Além do texto ainda ir para o Senado, onde um novo debate fundamentalista entre ambientalistas e agronegocistas se… Ver artigo


Silvestre Gorgulho
silvestre@folhadomeio.com.br


Jogo sem fim 1
Medidas Provisórias, debates, passeatas, Projeto de Lei, audiências públicas, seminários, uma infinidade de manifestações e votação na Câmara Federal. Quem acha que, finalmente, está resolvida a questão dos transgênicos, se engana redondamente.


Além do texto ainda ir para o Senado, onde um novo debate fundamentalista entre ambientalistas e agronegocistas se avizinha, existem outros campos de guerra: conselhão interministerial, possíveis vetos do presidente da República, CTNbio e Ibama.


O fato é o seguinte: os ambientalistas já ganharam muitas vezes. Até na Justiça. Mas a verdade é que nunca levaram. Por quê? Por muitos motivos. O principal motivo foi muito bem captado pelo jornalista Marcelo Leite, da editoria de Ciência da Folha de S. Paulo: “O agronegócio sempre mostrou força para reabrir a questão e reinstituir os superpoderes da CTNBio. Afinal, é a exportação de soja que produz divisas para o país e não a imagem íntegra que Marina Silva ainda empresta ao governo do PT, no quesito sensível do respeito ao ambiente”.


O caso dos transgênicos é um jogo sem fim que só tempo – e bota tempo nisso – mostrará o vencedor.







?Numa decisão que poderá equiparar o Brasil às mais retrógradas teocracias, a Câmara aprovou um projeto de Lei de Biossegurança que, na prática, proíbe a clonagem terapêutica, uma promessa da ciência para curar doenças
degenerativas e até para restaurar órgãos e tecidos
avariados. Os senadores têm a responsabilidade de não compactuar com o obscurantismo.?

Folha de S. Paulo – Editorial no
dia 08 de fevereiro de 2004

Jogo sem fim 2
A discussão sobre transgênicos não pára. Já chegou até ao Conar – Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária.


O Conar determinou (05/fev) que a empresa Monsanto modificasse sua campanha publicitária que tinha por slogan ?Monsanto – Se você já pensou num mundo melhor, você já pensou em transgênicos?.


Para o Idec, a campanha tem pontos graves como: induz o cidadão ao erro sobre transgênicos; incentiva os produtores rurais à prática ilícita, uma vez que o plantio das sementes foi autorizado só até o final do ano; transmite afirmações de cunho científico, que não representam a opinião unânime da comunidade científica e da sociedade civil.


Na TV, nas ONGs, no governo e no Senado esse é um jogo sem fim.


Ciência livre
O senador Juvêncio da Fonseca (PDT-MS) defendeu a produção de transgênicos, afirmando que os depoimentos de cientistas nas audiências realizadas pelas Comissões de Educação e de Assuntos Sociais do Senado, atestaram que esses produtos não afetam o meio ambiente e nem a saúde.


Juvêncio observou que a preocupação do povo brasileiro é entender qual o rumo que se deve tomar, a favor ou contra os transgênicos. E prevê muita discussão no Senado:


“Se continuar amarrando as mãos dos pesquisadores, o Brasil perderá sua oportunidade de desenvolvimento no agronegócio, como já perdeu algumas décadas com a reserva de mercado para informática”.


Vaga na ANA
Desde o final de 2003, está vaga a Diretoria de Planejamento e Apoio a Comitês da Agência Nacional de Águas. Venceu dia 20 de dezembro o mandato de Dilma Seli Pereira. A ministra Marina Silva não levou, nesse início de ano, nenhum nome ao Palácio do Planalto para ocupar a diretoria vaga. Motivo: estava bem no meio das negociações da reforma ministerial e o cargo poderia entrar na dança das cadeiras do segundo escalão. Tinha muita gente de olho.

Dois nomes são cotados para a diretoria vaga da ANA: o do professor da UnB Oscar Cordeiro Neto, ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos e o do próprio Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone.


Dilma Seli Pereira não deve deixar Brasília: sua conhecida competência, seriedade e discrição como gestora pública devem dar a ela um alto cargo na própria ANA.


Aliás, tem outra mudança no gabinete de Marina Silva: Bruno Bagnochescci será o novo chefe de gabinete da Ministra. O atual, Bazileu Alves Neto, fica com uma assessoria especial do Ministério.

Coluna do Meio

4 de março de 2004

Não é história de pescadorMato Grosso do Sul e Mato Grosso parecem estados irmãos. Compartilham os mesmo maravilhoso Pantanal, os mesmos grandes rios e a mesma sede de desenvolvimento. Poderiam se dar as mãos, pelo menos quando o assunto é pesca e defeso da piracema. Mas aí começam as disputas. Discussões que envolvem o governo… Ver artigo

Não é história de pescador
Mato Grosso do Sul e Mato Grosso parecem estados irmãos. Compartilham os mesmo maravilhoso Pantanal, os mesmos grandes rios e a mesma sede de desenvolvimento. Poderiam se dar as mãos, pelo menos quando o assunto é pesca e defeso da piracema. Mas aí começam as disputas. Discussões que envolvem o governo federal e acabam por prejudicar o desenvolvimento sustentável da região.


Vejam bem: espertamente, Mato Grosso do Sul definiu de forma antecipada o período de defeso da piracema (de 03 de novembro de 2003 a 31 de janeiro de 2004) e criou um fato consumado. Para os técnicos do Ibama esse período deveria ir, pelo menos, até o dia 16 de fevereiro.


Preocupado pela discrepância de datas (e pressionado politicamente) o Ibama promoveu uma reunião de conciliação em Brasília entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.


O governador Zeca do PT mandou seu secretário Márcio Porto Carrero com dados técnicos e um recado de autoridade amiga do poder:


– Diga lá que dia primeiro de fevereiro eu já marquei a minha pescaria. Quem sabe levo até o presidente.


Feita a reunião de conciliação, o secretário de Mato Grosso do Sul bateu o pé e foi no mínimo audacioso:


– Busco solução para meu estado e quero que os peixes lá do Mato Grosso se danem…


Pobres dos peixes que nem conhecem as fronteiras geográficas e muito menos políticas.


Para não jogar mais lenha na fogueira de vaidades, o Ibama deu uma de mineiro e contornou a questão, respaldando-se num argumento técnico-sócioturístico: como em Mato Grosso se faz pesca profissional e em Mato Grosso do Sul se faz mais pesca esportiva pelos turistas, a data oficial ficou assim: fica mantida a data do defeso da piracema nos dois estados para 03/11/2003 a 16/02/2004.


Mas – aí que vem a solução mineira – como no Sul a atividade turística é importante e se faz mais pesca amadora, fica permitida a pesca a partir de primeiro de fevereiro de 2004, desde que na modalidade pesque e solte.


Ou seja, Zeca do PT pode pescar, mas tem que soltar os peixes nas águas que, por sinal, vêm lá do Mato Grosso.
Não parece história de pescador?


Experimente… e pense..
Como o jornalismo contemporâneo procura estar mais afinado com seus anunciantes do que com os leitores, tem razão o médico e escritor Dráuzio Varella quando diz ser um absurdo, até antiético, o que as cervejarias vem fazendo para atrair os jovens e as mulheres.


A estratégia, aliás, é a mesma usada pelas empresas de cigarro para viciar jovens e mulheres nas décadas passadas: paga-se cachê a peso de ouro para modelos, artistas e esportistas aparecerem fumando perante as câmaras de tv e do cinema.


A verdade é que as cervejarias usam os meios de comunicação, a publicidade e eventos para saírem por aí oferecendo bebida alcólica aos adolescentes. Aliás, com muito charme e humor.


As ONGs e o crime organizado
A história humana ensina e prova que em todas atividades há joio e trigo.
E o crime é tão bem organizado que aproveita o que é bom para se infiltrar e faturar com mais tranquilidade.


Veja que as ONGs ganharam relevância e respeitabilidade por desenvolver trabalhos sociais em várias partes do mundo, em áreas que os próprios governos teimam, muitas vezes, em não atuar.


Assim, acendeu um sinal de alerta: as autoridades descobriram que um coreano recebeu em doações US$ 2 milhões para uma série de ONGs espalhadas pelo Paraná. O Banco Central, ao considerar o dinheiro suspeito, ainda descobriu que o tal coreano está sendo investigado nos Estados Unidos e legaliza dinheiro sujo através de ONGs no Brasil. Todo cuidado é pouco.


“Fica decretado que haverá girassóis em todas as janelas.
E que as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o
verde onde cresce a esperança”
Thiago de Mello

Coluna do Meio

28 de janeiro de 2004

Por água abaixoÉ grande a instabilidade na Agência Nacional de Águas.O que mais se fala pelos corredores é que está sendo alinhavado, na Casa Civil, um projeto para acabar com a ANA, como agência reguladora, para criar uma nova autarquia.E o assunto deve pegar fogo na próxima reunião do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, a… Ver artigo

Por água abaixo
É grande a instabilidade na Agência Nacional de Águas.
O que mais se fala pelos corredores é que está sendo alinhavado, na Casa Civil, um projeto para acabar com a ANA, como agência reguladora, para criar uma nova autarquia.
E o assunto deve pegar fogo na próxima reunião do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, a ser realizada agora nos dias 25 e 26 de junho.
É o que podemos chamar de fritura em dose dupla: pega toda a diretoria da ANA (que tem mandato) e pega a própria instituição, que tem liberdade para regular o mercado de água.
Definitivamente, um retrocesso.


Água virtual 1
O mundo virtual chegou para mudar.
Para mudar e criar novos conceitos de trabalho, de comportamento e de vida.
Por exemplo, na área ambiental o que mais se fala agora é na água virtual.
Dizem os entendidos que esse deve ser um dos mais importantes itens dos fluxos internacionais de comércio.
E será que o Brasil está se preparando para mais essa contenta do mundo globalizado na Organização Mundial do Comércio.
Segundo o ambientalista Carlos Tautz, o Brasil é 10ª maior exportador de “água virtual” do mundo, em ranking liderado pelos Estados Unidos, que anualmente vende ao exterior em média 164 milhões de metros cúbicos de água.
Tido como um dos países mais ricos em água potável do planeta, o Brasil foi responsável pela comercialização no mercado internacional, entre 1995 e 1999, de uma quantidade entre 10 milhões e 100 milhões de m3³ de água virtual, tendo a maior parte deles como destino a Europa.


Água virtual 2
Para Carlos Tautz “água virtual” é ainda um conceito muito novo e refinado.
Os técnicos usam muito nos debates e os cientistas estudam as mais diversas variáveis deste produto, devido à escassez que se avizinha.
Para o cientista Arjen Hoekstra, do Instituto Internacional de Infra-estrutura Hidráulica e Engenharia Ambiental, água é virtual porque ela é necessária para produzir um determinado bem, mas após o bem ser produzido, quase ele não contém mais água.


Água virtual 3
O próprio Carlos Tautz dá um exemplo clássico:
Cada quilo de pão, para ser produzido, gasta cerca de 150 litros de água, se for considerado o plantio do trigo até a produção de energia para assar o pão.
No caso da batata, são utilizados entre 100 e 200 litros de água, enquanto a mesma quantidade de arroz consome 1.500 litros.
Cinco mil chips de 32MB, cada um pesando 2g, consomem 16 mil litros de água para serem fabricados.
Qual a lição que fica? Levando em conta a nobreza dos recursos hídricos, sua escassez e que quase 20% da água mundialmente consumida na agricultura é comercializada com outros países sob a forma de produtos derivados das mercadorias agrícolas, é bom o Brasil começar a fazer conta e injetar a água em suas exportações.


“A ministra Marina Silva e o Carlos Langoni não têm tempo para dar retorno,
por telefone mesmo, aos companheiros históricos da mídia ambiental brasileira. Companheiros, veículos e sonhos esses que nunca estiveram tão na ‘lista de extinção’,
como agora, contraditoriamente, no governo do PT”.

Grito de alerta do ambientalista e jornalista mineiro Félis Concolor sobre o esvaziamento ambiental do governo Lula.

Transposição de prioridades

12 de dezembro de 2003

Ainda com vários mananciais locais a serem explorados no Nordeste Setentrional, o governo Lula promete gastar dinheiro para tentar colocar de pé a polêmica idéia da transposição do São Francisco.O fato é que com a transposição, busca-se água a mais de 1000 km. Pior, dizem os técnicos que a água vai chegar ao destino pela… Ver artigo

Ainda com vários mananciais locais a serem explorados no Nordeste Setentrional, o governo Lula promete gastar dinheiro para tentar colocar de pé a polêmica idéia da transposição do São Francisco.
O fato é que com a transposição, busca-se água a mais de 1000 km. Pior, dizem os técnicos que a água vai chegar ao destino pela metade, pois o sol “beberá” a outra metade.
Não custa lembrar que as soluções locais são sempre mais baratas.
Mesmo sabendo que, no Brasil, o que não falta é o promotor da grande obra.

Transficção
Quem leu o artigo do ex-ministro do Trabalho, Marcelo Pimentel, no Correio Braziliense de 15.09.03, ficou com a nítida idéia de que o Orçamento Plurianual do Governo Federal (PPA), de um trilhão de reais, não passa de uma peça de ficção.
Pois bem, o maior projeto nesse orçamento é o da transposição do São Francisco, que já está sendo chamado na Esplanada de “transficção”.


Mineiridade aeciana
Cada estado da região da bacia do São Francisco apresentou sua demanda por compensações para concordar com a transposição.
A melhor “pedida” foi a de Minas que, enxergando de logo que não existem os R$ 20 bilhões para o empreendimento como um todo, propôs fazer logo as barragens que ainda faltam ser feitas em seu território.
De quebra, mudou a geografia e incluiu o Jequitinhonha no Vale do São Francisco, com duas barragens. Ponto para criatividade do governador Aécio Neves.


Nova geografia
A “tirada” dos mineiros em colocar o Jequitinhonha na negociação do São Francisco segue a mesma lógica da governadora Rosinha Garotinho de incluir as areias de Copacabana e de Ipanema na região da Sudene.
É bom avisar aos garotinhos do primeiro grau que tudo isto não passa de artifício.


“Na natureza, todos os experimentos são rigorosamente testados, em milênios.
Pequenas mutações aventuram-se em ecossistemas implacáveis e testam seu vigor.
Tudo o que não funciona é cancelado pelo criador. O que está vivo, hoje,
é o que funcionou: só os sucessos produzem descendências”.

A frase é dos cientistas norte-americanos, Amory Lovins e Rocky Mountain ? http://www.rmi.org

Água Mineral 1 – Audiência

12 de dezembro de 2003

– A segunda audiência pública promovida pela Assembléia Legislativa de MG, dia 22 de agosto, em São Lourenço, foi definitiva: o DNPM provou os erros da Nestlé e a empresa tem prazo de 60 dias para entregar novo plano de aproveitamento econômico da água mineral do Poço Primavera.– O DNPM deixou bem claro suas exigências… Ver artigo

A segunda audiência pública promovida pela Assembléia Legislativa de MG, dia 22 de agosto, em São Lourenço, foi definitiva: o DNPM provou os erros da Nestlé e a empresa tem prazo de 60 dias para entregar novo plano de aproveitamento econômico da água mineral do Poço Primavera.
O DNPM deixou bem claro suas exigências em relação à exploração de águas minerais, feita pela Nestlé na cidade. Quer o fim da desmineralização da água ferruginosa.
As conclusões expostas foram resultado de um longo processo: houve audiências, vistorias técnicas, reuniões tanto com a empresa como com a comunidade.
Foi constatado o uso indevido da água do Poço Primavera, utilizada para produzir Pure Life, e o diretor do DNPM, João César Pinheiro, declarou que a Nestlé tem 60 dias para apresentar novo plano de aproveitamento econômico, pois não poderá mais fazer a Pure Life, em São Lourenço.
João César também destacou a importância de se valorizar a cidade como estância hidromineral: “A Nestlé deve agir aqui como age em outros países. Contamos com o apoio do governo Aécio Neves para que possamos colocar as águas de Minas Gerais no patamar que elas merecem”, declarou.

Água Mineral 2 – Desculpa
Carlos Faccina, diretor da Nestlé, afirmou que a empresa estava tranqüila, pois não havia trabalhado na ilegalidade e concordava em atender às exigências do DNPM.
Um detalhe: pela primeira vez, nos quase três anos de conflito em São Lourenço, a Nestlé compareceu a uma reunião levando um grupo de funcionários, devidamente uniformizados, com faixas de apoio a si própria.
Já é uma mudança de estratégia.


Água Mineral 3 – Perguntas
Quatro perguntas prcisam de respostas objetivas:
1 – O prazo de 60 dias dado pelo DNPM é para a Nestlé estancar o crime da desmineralização da água em definitivo?
2 – O- O forte discurso do DNPM na audiência pública foi para valer ou foi apenas para serenar os ânimos da comunidade ambientalista?
3 – A Nestlé vai cumprir a promessa pública de fazer de São Lourenço uma referência mundial em turismo e desenvolvimento sustentáveis?
4 – A Nestlé quer diálogo com a comunidade? Vai continuar sendo um estorvo ou um orgulho para São Lourenço?


Água Mineral 4 – Visita do Senado
O Senado Federal acompanha de perto as denúncias sobre a superexploração da Água Mineral em MG.
A Sub-Comissão de Extração Mineral da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidida pela senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) deliberou visitar as estâncias mineiras.
A depredação de recursos minerais por parte das empresas detentoras dos direitos de exploração das águas é grave e a viagem mais do que oportuna.


Os sonhos e as virtudes
“A vida de um homem não se mede pelos anos que ele viveu, mas sim pelos sonhos que realizou”.
A frase calha muito bem para se lembrar do jornalista Roberto Marinho, que faleceu dia 6 de agosto, aos 98 anos, pela sua fantástica obra: a TV Globo.
A Globo é o carro chefe de uma empresa que integrou o Brasil pela valorização da cultura nacional, pela preservação dos monumentos históricos, pela educação e pela informação.
Socialmente me encontrei várias vezes com o dr. Roberto Marinho, mas apenas uma vez, em 1978, estive longamente com ele, almoçando no seu gabinete na TV Globo.
Éramos três: ele, Harry Amorim, ex-governador do Mato Grosso do Sul, e eu. Foi um encontro interessante, pois dr. Roberto, aos 73 anos, estava no auge de sua vivacidade e influência. Contou algumas histórias, queria saber muito sobre o Pantanal e sobre a criação do novo Estado. Mas uma das coisas que guardo até hoje foi quando a conversa, depois de um licor, tomou ares de filosofia e o tema era as virtudes humanas.
Dr. Roberto foi incisivo: – Meus amigos, a maior virtude humana é o bom senso. Sem bom senso, até a maior das virtudes fica chata.
É a pura verdade!


*** TOME NOTA: Goiás será o primeiro estado brasileiro a criar uma Agência Estadual de Águas, nos moldes da Agência Nacional, a ANA. O secretário Paulo Souza Neto, do Meio Ambiente, sabe das coisas. ***

Coluna do Meio

18 de novembro de 2003

Dilma deixa a ANA· Avizinha-se o fim do mandato de Dilma Seli, da Agência Nacional de Águas, cumprido com eficiência e discrição. · Neste curto período, atuou como excepcional profissional que é, apoiando de todas as formas a gestão de Jerson Kelman. · Assim, “destucanização” das agências, antecipada nesta coluna, começa agora na ANA. São… Ver artigo

Dilma deixa a ANA
· Avizinha-se o fim do mandato de Dilma Seli, da Agência Nacional de Águas, cumprido com eficiência e discrição.
· Neste curto período, atuou como excepcional profissional que é, apoiando de todas as formas a gestão de Jerson Kelman.
· Assim, “destucanização” das agências, antecipada nesta coluna, começa agora na ANA. São muitos candidatos para o lugar de Dilma.
· Apenas convém avisar aos navegantes que se não forem de carteirinha com dízimo e tudo, será difícil remar nesta maré.
· Tão importante como gerir a ANA é navegar nas eleições dos alcaides brasileiros do ano que vem.


Debate na Câmara
· Tem muita multinacional interessada em entrar no mercado de seqüestro de carbono no Brasil.
· Então é bom tomar nota: em novembro a Câmara dos Deputados vai fazer um seminário para discussão de mudanças climáticas, com enfoque justamente sobre esse tema.
· Dia 15 de outubro, um grupo de parlamentares se reuniu na Comissão de Meio Ambiente para decidir sobre o programa.
· Para quem não se lembra, o deputado Ronaldo Vasconcelos (PTB-MG), um dos articuladores do encontro, explica:
– A convenção sobre mudanças climáticas serviu para os países desenvolvidos e em desenvolvimento assumirem o compromisso de reduzir as suas emissões de gás carbônico e de outros gases causadores de efeito estufa.



Lago de Furnas
· O Fórum do Lago de Furnas está com força total e debatendo temas importantes para o desenvolvimento sustentado da região, no Sul de Minas.
· Há alguns dias, Vicente C. N. Braga escreveu ao Fórum, uma carta que começa assim:
– Sou um turista residente em Campinas, quando posso eu e amigos costumamos visitar a represa de Furnas em Alterosa. Mas atualmente está complicado praticar a pesca esportiva devido ao número excessivo de redes armadas em muitos pontos da represa. Será que não há como controlar esta atividade? Será que todas estas redes estão cadastradas e seus donos registrados regularmente?
· Bem, são mais de quatro mil pescadores que sobrevivem da pesca no lago.
· Bem organizado, com regras rígidas sempre se pode pescar, passear e curtir os grandes lagos brasileiros.
· Mas há que haver fiscalização, muita educação ambiental e uma boa dose de cidadania.


Seguro ambiental
· O deputado Leonardo Monteiro (PT-MG) é defensor ferrenho de um seguro de responsabilidade de poluição ambiental.
· A ONG Ação Total dos Indivíduos da Terra Unidos em Defesa da Ecologia encaminhou sugestão à Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, defendendo a obrigatoriedade do Seguro de Responsabilidade Civil de Poluição Ambiental para as atividades econômicas que exerçam operações de degradação.
· A idéia é possibilitar a reparação dos prejuízos causados ao meio ambiente e, conseqüentemente, combatendo a poluição gradativa, por meio do monitoramento e gerenciamento de riscos ambientais.