O Senhor dos Pássaros

AVE DALGAS!

20 de novembro de 2013

Johan Dalgas Frisch, bisneto de herói e filho de artista dinamarquês, faz de sua vida um movimento pró-natureza e de defesa das aves.

 
"No Brasil e na Dinamarca, a família Dalgas tem uma longa história ligada ao Meio Ambiente, à Cultura e à preservação da vida selvagem. Dalgas Frisch é o presidente da APVS  – Associação de Preservação da Vida Selvagem."
 
 
Fotos: Silvestre Gorgulho

Dalgas e o embaixador da Dinamarca, em Brasília, Svend R. Nielsen. O embaixador durante a audiência fez questão de frisar que o bisavô de Dalgas não foi apenas herói na Dinamarca mas que toda Escandinávia o reverencia. “Já ouvi referências às suas heroicas ações e ao seu trabalho inclusive na China”, lembrou o embaixador Nielsen.

 

O engenheiro e ornitólogo brasileiro Johan Dalgas Frisch pertence a uma genuína família de ecologistas dinamarqueses. Seu bisavô materno, Enrico Mylius Dalgas, foi influente na Coroa dinamarquesa e conseguiu transformar uma vasta região desértica daquele país em uma imensa floresta, contando com a única tecnologia disponível na época, os arados puxados por bois. Ele inventou um tipo diferente de arado, puxado não por um, mas por 12 bois. Era o único capaz de quebrar a superfície dura do solo, resultado de muitas queimadas. Rompida a crosta, as raízes das árvores podiam se desenvolver e em poucas décadas uma grande floresta estava de pé.  Foi também o Enrico Dalgas que criou o instituto de pesquisa e de desenvolvimento da agricultura da Dinamarca. 
Para o embaixador da Dinamarca, em Brasília, Svend R. Nielsen, Enrico Mylius Dalgas – bisavô de Dalgas Frisch,  não é apenas herói na Dinamarca, mas toda Escandinávia o reverencia. “Já ouvi referências às suas heroicas ações e ao seu trabalho inclusive na China”, lembrou R. Nielsen durante a audiência que o ornitólogo teve com ele na Embaixada da Dinamarca, em Brasília
O avô paterno de Dalgas era médico do exército dinamarquês e sabia de tudo sobre a narceja, uma ave ribeirinha muito arisca. Seu pai era um artista nato, o pintor Svend Frisch, foi amigo de Pablo Picasso. Svend trocou a Dinamarca pelo o exótico Brasil.
Svend Frisch formou família em São Paulo e desde que o filho Dalgas, aos seis anos, revelou seu amor pelas aves, o pai não parou mais de pintar cada espécie de aves brasileiras. Ao longo de quatro décadas, Svend desenhou cerca de dois mil exemplares de aves, coletados pelo próprio Dalgas. 
Em 1964, pai e filho publicaram a primeira edição do livro “Aves Brasileiras”.  Esta obra foi atualizada em 1981 e  hoje está na terceira edição com o nome de “Aves Brasileiras e Plantas que as Atraem”. É o mais detalhado manual de identificação das espécies ornitológicas existentes no País. Este livro vem acompanhado de “Aves Brasileiras Minha Paixão”, que é a história de sua vida.
Depois de lançar um livro de arte “Jardim dos Beija-Flores”, Dalgas escreveu, em 2012, “Para que as Primaveras não se Calem para Sempre”. O livro é acompanhado por um relógio do canto de pássaros. 
Dalgas tem sua história ligada às questões ambientais desde que nasceu. Mas foi a partir da década de 60 que seus sonhos passaram a ter realidade. Pioneiro na gravação dos cantos dos pássaros brasileiros, Dalgas com seus amigos Amador Aguiar (Bradesco) Omar Fontana (Transbrasil) e Assis Chateaubriand (Diários Associados) foi protagonista de várias façanhas ambientais. Algumas delas: criação do Dia da Ave, a criação e a demarcação do Parque do Tumucumaque, estudo das aves migratórias, peixamento das barragens das hidroelétricas, campanha de arborização e defesa das aves na cidade de São Paulo e a definição do Sabiá como Ave Nacional.
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Johan Dalgas Frisch recebe das mãos da Presidente da República, Dilma Rousseff, no Itamaraty, a ORDEM DO RIO BRANCO, por indicação do senador José Sarney. A Ordem do Rio Branco foi instituída em1963 e é destinada a homenagear aqueles que se tenham  tornado merecedores de reconhecimento do Governo Brasileiro.
 
Dalgas: um negócio para financiar 
suas próprias pesquisas
 
Onde Dalgas Frisch busca recursos para sustentar sua luta pelos parques e para patrocinar integralmente suas pesquisas e aventuras “passarinheiras”? Resposta: de seu trabalho como engenheiro, como consultor e como industrial. E mais importante: suas atividades comerciais são também “ecologicamente corretas”, pois seu negócio é a limpeza do ar e de tratamento de efluentes.
 
Explicando melhor. A família comercializa catalizadores de monóxido de carbono para veículos diversos e detém com exclusividade no País, a venda de um sistema canadense de tratamento de efluentes líquidos domésticos e industriais, que consegue zerar a carga de contaminantes.  
Pelas estações de tratamento de efluentes projetadas por Dalgas passam águas com alto grau de poluentes, a exemplo dos efluentes das fábricas de tintas. 
As águas “sujas” passam pelo chamado processo elicoidal, que as “satura” de oxigênio, o que permite a “metabolização” dos poluentes. A água alcança, então, um tal nível de pureza que pode ser usada no combate de incêndios ou acumulada em tanques para criação de peixes. Esses tanques são projetados ao lado das estações de tratamento e abrigam tilápias, lambaris, bagres. que podem ser consumidos com segurança.
Essas estações de tratamento de efluentes com tanques de peixes estão presentes em industrias localizadas em estados como Pernambuco e Goiás. Mas a obra reconhecida como o mais perfeito sistema da América Latina foi projetada por Dalgas Frisch, em 1976, no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
“No Brasil, as empresas seguem à risca o que manda a lei: tratam 80% de seus efluentes. Nosso sistema não se limita a tratar água, o que fazemos é recuperar 100% desse líquido precioso, evitando a mentalidade de desperdício reinante entre nós”, explica Dalgas.
 
 
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      MENINO SONHADOR
        (a Johan Dalgas Frisch)
 
 
 
 
Por Silvestre Gorgulho
 
Era uma vez um menino que vivia de sonhar.
Ele tinha o gen do sonho na alma.
Seu bisavô, Enrico Mylius Dalgas, foi um sonhador:
Plantou todas as florestas da Dinamarca.
Seu pai, Svend, foi outro sonhador:
Desenhou todas espécies de aves brasileiras.
E ele, aos 5 anos, aprendeu a sonhar:  
Assobiava os cantos das aves
que viviam no jardim de sua casa.
 
Seus sonhos sempre tinham floresta no meio.
Ele sonhava com o zumbido do vento,
Com o tilintar das folhas secas que caíam,
com o som das cachoeiras e com a beleza das aves.
Cresceu sonhando com a natureza.
De tanto sonhar, aprendeu que cada floresta
tinha um som diferente,
Porque tinha ruídos diferentes,
Porque tinha cantos diferentes
Porque tinha vida diferente.
 
Aí resolveu cair na realidade e conhecer
Todas as florestas brasileiras. Uma a uma.
Visitou a Mata Atlântica, os Campos do Sul,
A Caatinga, o Cerrado, o Pantanal e
A Floresta Amazônica.
Quanto mais se embrenhava na floresta, mais sonhos ele tinha.
Sonhos que viraram paixão.
Aí sua alma se mudou para os campos e
ele se apaixonou de vez pelos pássaros,
os habitantes mais alegres e
mais charmosos das florestas.
 
Era uma vez um menino que sonhou a vida inteira
e, aos 83, ainda não acordou.
Ainda sonha que os homens façam pelas aves,
o que fazem por si próprios.
Sonha que as cidades respeitem mais 
estas jóias da natureza dando-lhes maior proteção, comer e beber.
Sonha, ainda, em viver eternamente apaixonado e 
que esta paixão escorra das páginas de seus livros 
para dentro dos olhos, das mãos e da alma de cada um dos habitantes desta bendita Terra que possui a maior biodiversidade do mundo.
 
Johan Dalgas Frisch deixa na sua história de menino-passarinho muitas mensagens.
A melhor delas:
Vida sem paixão é vida que se vai como folha seca de uma árvore que cai.
Vida com paixão é vida que se vive intensamente, prazerosamente 
e que deixa um rastro de luz para iluminar eternamente nossas pegadas.
 
Era uma vez um menino que vivia de sonhar…
Seus sonhos tinham sempre floresta,
paixão e o cantar fantástico, doce e
melodioso das Aves Brasileiras.
 

silvestre@gorgulho.com