Desastre ecológico no rio Potengi

21 de agosto de 2007

Urge construir uma ETE no estuário do rio Potengi, RN       Sou autora do projeto de tese “Lagoas  de Estabilização em Área Estuarina” e tenho sofrido muita  perseguição por denunciar à imprensa a mortandade de 40 toneladas de peixes no rio Potengi. Com o apoio da Rebia e do Movimento Voluntário AMA –… Ver artigo

Urge construir uma ETE


no estuário do rio Potengi, RN


 


 


 


Sou autora do projeto de tese “Lagoas  de Estabilização em Área Estuarina” e tenho sofrido muita  perseguição por denunciar à imprensa a mortandade de 40 toneladas de peixes no rio Potengi. Com o apoio da Rebia e do Movimento Voluntário AMA – Amigos do Meio Ambiente,  me senti fortalecida e continuei a desenvolver meus estudos e pesquisas sobre as condições de saneamento e doenças de veiculação hídrica, com qualidade da água e do pescado.


É grande o desafio diante do  complexo e perverso sistema de coleta e despejo de resíduos no estuário do Rio Potengi, local da morte de peixes e crustáceos. Minha pesquisa, iniciada em 2006, está sendo prejudicada por ferir interesses. Mas vou dar continuidade, pois quero fazer um trabalho que seja exemplo em política  pública de saneamento.
Estamos aguardando a análise de laboratório do material que foi coletado logo após o desastre ecológico.  São diversas as hipóteses para a causa da mortandade dos peixes. As características do local aonde vem sendo depositados os dejetos coletados em residências, empresas, instituições e até hospitais, são de extremo descuido com o ambiente. Ao lado dos tanques de coletas desses resíduos existem toneladas de lixo que são depositadas e jogadas ribanceira abaixo, caindo diretamente na área do mangue. É um crime ambiental.
O ecossistema é frágil e as condições históricas de má utilização do local como depósito dos resíduos conta com o aval das autoridades ambientais do Rio Grande do Norte, pela concessão de licença para as empresas coletadoras de resíduos. Somente com a mobilização das comunidades ribeirinhas poderá haver uma mudança. Essas comunidades têm no mangue sua fonte de renda e garantia de sobrevivência, pela mariscagem e pescaria. É muito importante implantar várias ações de preservação e valorização do mangue.
Temos que reforçar, nesse sentido, o valor da identidade ribeirinha. O conhecimento da realidade local, das condições sobre o mar, da diversidade biológica, etno-botânico, as condições das mares, são conhecimentos que essas populações detêm de forma tradicional. Estas informações são valiosas para qualquer pesquisa. Científica ou não.  As famílias que moram no local do desastre ecológico,  situado entre as comunidades de Guarapes, Água Doce, Barro Branco e  Macaíba, estão com sérios  problemas de saúde. Os depoimentos que tenho conseguido são dramáticos. O morador Zé Pedro, de Guarapes, diz que sua está sempre com problemas, desde diarréia, crise de vômitos, até desmaios. “Nossas galinhas – diz ele – que comeram peixes mortos e também morreram. Não adianta cestas básicas. Queremos é voltar a pescar”.
A área tem que ser gerida de forma sustentável. Para isso é necessário que as empresas estabelecidas na área tenham responsabilidade social e ambiental e que as autoridades fiscalizem e cobrem filtros e tratamento dos efluentes. Urge construir uma ETE na área do Estuário do rio Potengi. 


rosedantas1@hotmail.com