Ecologia & Saúde

Remédios Mortais

29 de abril de 2004

Por ignorância ou fome de lucro fácil – em alguns casos, com as duas juntas -, alguns agricultores abusam no uso de agrotóxicos nas plantações e, o que é pior, colhem e vendem a produção aos consumidores antes de passar o efeito nocivo à saúde humana dos defensivos químicos. Mas não são só os plantadores… Ver artigo

Por ignorância ou fome de lucro fácil – em alguns casos, com as duas juntas -, alguns agricultores abusam no uso de agrotóxicos nas plantações e, o que é pior, colhem e vendem a produção aos consumidores antes de passar o efeito nocivo à saúde humana dos defensivos químicos. Mas não são só os plantadores nada escrupulosos que estão matando a freguesia pela boca.
Também a parcela de pecuaristas a fim de enriquecer da noite para o dia e de qualquer maneira está atentando contra a saúde pública. Esta gente  abusa nas aplicações de carrapaticidas, bernicidas e outros venenos em seus rebanhos. Dirá o leigo que “isso é problema deles, pois torram dinheiro à toa e ainda  intoxicam suas criações”. Esta conclusão até que faria sentido se os donos dos animais deixassem passar a ação dos venenos para, só depois, comercializar a carne, leite, ovos e outros subprodutos.
Mas a realidade é bem outra. O que acontece mesmo são agressões à saúde do povo cometidas por esses bandidos do meio rural, que vendem alimentos com defensivos tóxicos recém-aplicados. E a bandalheira não fica só nisto, porque os venenos usados a esmo também agridem o meio ambiente, contaminando o solo, água e ar, fazendo mal a humanos e animais aquáticos e terrestres, principalmente às aves que comerem os insetos intoxicados.
Os distintos leitores e leitoras que nos perdoem, mas temos mais coisa ruim para denunciar. É o caso dos antibióticos, que passaram a ter amplo emprego na bovinocultura, suinocultura, avicultura etc. Esta sistemática está “viciando” os microrganismos, levando-os a criar resistência a todos os antibióticos e até provocando o surgimento de micróbios desconhecidos, que ficam livres na ação adoecedora só controlada  após a perda de  muitas vidas, tempo e dinheiro, até a descoberta de vacinas e medicação apropriadas.
Portanto, assim como os agrotóxicos afetam os consumidores se a produção for comercializada antes de passar o efeito dos venenos, também os antibióticos aplicados recentemente nos animais chegam ao organismo das pessoas que os usarem como fonte alimentícia. Então, antes que a população fique viciada em antibióticos, aos quais não poderá recorrer quando de uma infecção, é preciso urgentemente cobrar das autoridades sanitárias e dos Procons que sejam analisados para terem a venda proibida os produtos que  contiverem resíduos desses remédios mortais.


Cemitério e micróbios
Todos já devem ter notado como os leites longa-vida invadiram os mercados, com promoções que os tornam de preços atraentes ao ponto de muita gente fazer estoque. Isto está mexendo com os brios (e a contabilidade) dos produtores de leites pasteurizados de curta duração. Estes já começaram a reagir propagandisticamente, divulgando, por exemplo, que, “nos EUA, apenas 1 em cada 200 pessoas toma leite longa-vida”. Garantem, também, que o leite pasteurizado chega aos consumidores com 100% do teor original de vitamina B6, que cai para 65% no longa-vida estocado, ficando com 0% de vitamina C, que é preservada em 75% no leite pasteurizado. É uma guerra comercial que, na década de 80, chegou ao ponto de o leite longa-vida ser acusado de provir de excedentes terminais da indústria de laticínios levados à fervura infernal. Ao comentar este procedimento, o então presidente da CBCL (Confederação Brasileira das Cooperativas de Laticínios), Saulo W. Bittencourt, quase se meteu numa pendenga porque disse em off e jornalista dedo-duro não segurou a confidência,  divulgando que ele considerava o leite longa-vida um “cemitério de micróbios”.


Um exemplo
Se todos – particulares e governantes – fizessem como os proprietários de sítios com atrativos turísticos de Bonito, no Mato Grosso do Sul, o ecoturismo começaria a dar certo no Brasil. Lá, o acesso de visitantes só é permitido em grupos reduzidos, que não podem sair das trilhas por andarem sempre acompanhados de guias que inclusive os impedem de agredirem a fauna e flora e de jogar lixo pelo caminho. Os donos de terras de Bonito (MS) dão um exemplo para ser copiado em todo o país, principalmente nos parques nacionais, onde o rigor acaba na cobrança de ingressos. Dali para frente, as galeras ficam soltas para promover a maior bagunça contra o meio ambiente.


Fumo e álcool
Demorou, mas o Ministério da Saúde decidiu sair de cima do muro e, finalmente, dizer com todas as letras que o fumo mata mesmo. É uma atitude concreta, bem diferente do chove-não-molha da obrigatoriedade de constar na propaganda de cigarros que “o fumo pode fazer mal à saúde”. Pode, não: faz mal e muito. Que o digam os enfisemáticos, cardíacos e assemelhados. Já que o Ministério da Saúde decidiu serrar as meias palavras em relação ao malefício do tabaco, que tal também dar uma basta nos comerciais de bebidas alcoólicas, já que estas disputam no pênalti com o time dos cigarros a Copa da Matança de Viciados? E que ninguém venha com o argumento de que cigarro e bebidas pagam imposto ao Governo, porque este dinheiro maldito cobre só pequena parcela dos gastos com o tratamento dos fumacentos e pés-inchados. E mais: as terras destinadas ao plantio de fumo e matérias-primas para bebidas alcoólicas terão destino social, econômico e ecológico mais correto se empregadas na produção diversificada de alimentos.

Ecologia & Saúde

Água de Beber…

20 de abril de 2004

Quem mora na capital federal ou a visitou e conheceu seus principais pontos turísticos certamente esteve no Parque Nacional de Brasília (PNB). Ali, sem dúvida, o principal atrativo observado são as duas piscinas, tanto que o povo conhece o local mais pelo nome de “Parque da Água Mineral”. Isto mesmo: é onde, nos domingos e… Ver artigo

Quem mora na capital federal ou a visitou e conheceu seus principais pontos turísticos certamente esteve no Parque Nacional de Brasília (PNB). Ali, sem dúvida, o principal atrativo observado são as duas piscinas, tanto que o povo conhece o local mais pelo nome de “Parque da Água Mineral”. Isto mesmo: é onde, nos domingos e feriados, a galera se refresca e nada em água mineral, que muita gente leva em garrafas e galões para beber em casa.
Mas essa mordomia está com sintomas de que acabará em breve. Calma, minha gente! Não pensem que a punição está para ser publicada no Diário Oficial da União, na forma de mais um decreto punitivo-modernista de FHC. O que está sucedendo é que as águas do PNB estão sumindo. Quem se acostumou a fazer caminhadas pelos seus 30 e tantos mil hectares sabe disto: estão secos muitos locais onde, há poucos anos, brotava água farta até no período da seca costumeira no Planalto Central.
Dentro do PNB está a represa Santa Maria, de onde provém a água que abastece as asas Norte e Sul de Brasília, além dos moradores da Península Norte do Lago Paranoá. Este reservatório hídrico oferecia, inclusive, um espetáculo visual no final das tardes ensolaradas a quem se dirigisse a Brasília pela entrada norte, no começo da descida do Colorado. Era só olhar para o horizonte, no poente, para deslumbrar-se com o sol refletido num imenso espelho d’água. Como o nível da Santa Maria vem baixando ano a ano, agora  só de avião se vê o que antes era franqueado ao povão usuário da estrada.   
Também para quem freqüenta o PNB a fim de dar um trato no físico e na mente, caminhando ou correndo naquele ambiente florestal e depois dando uma nadada numa de suas duas piscinas cristalinas, o sumiço da água é notório. Nos vertedouros, já não há as outroras cachoeiras abundantes e brota cada vez menos água na mina onde o pessoal bebe e enche vasilhames, levando os antigos freqüentadores a visualizar a secura total no máximo em 10 anos. É o efeito dos desmatamentos e da perfuração de poços artesianos.
“E o que eu tenho a ver com isso?” – perguntará o leitor de cabeça feita contra Brasília. Resposta: Tem, e muito, por que se preocupar, porque, se as águas estão sumindo na capital federal, onde ficam os principais responsáveis pelo meio ambiente, deve ser aterrorizante o quanto se agride impunemente a natureza no resto do país, principalmente em termos de água de beber.Solventes
O uso de solventes sem proteção – luvas, máscaras etc. – pode causar danos à pele, olhos, órgãos internos e até câncer. A advertência é do médico alergo-dermatologista Salim Amed Ali, pesquisador da Fundacentro, órgão do Ministério do Trabalho. Já em termos de meio ambiente, alertam outros pesquisadores, o uso indiscriminado de solventes polui as água, terra e ar. Um exemplo disto é a bandidagem praticada no postos de combustíveis, com a adição de solventes baratos principalmente à gasolina, danificando os motores e fazendo sair pelas descargas fumaça ainda mais poluente.


Alimentos
“A educação em  higiene dos processadores de alimentos no Brasil deve receber atenção urgente”, conclama o engenheiro de alimentos Marcelo Bonnet Alvarenga, pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias). Para o técnico, a manipulação de forma higiênica dos alimentos não é apenas importante para os consumidores brasileiros, porque, sem ela, “será ainda mais difícil exportarmos qualquer tipo de alimento para países mais avançados se não abraçarmos rapidamente a idéia”. Marcelo Bonnet Alvarenga resume assim a questão: “A segurança dos alimentos pode ser avaliada segundo a probabilidade de conterem perigos à saúde dos consumidores de natureza biológica (microrganismos causadores de enfermidades), física (materiais estranhos aos alimentos, freqüentemente ocultos nos mesmos) e química (presença de substâncias em níveis considerados tóxicos, mas que, à exceção de situações extremas, não comunicam sabor estranho ao alimento).”


Biscoitos
Também da Embrapa vem a notícia de que seus pesquisadores desenvolveram processo de fabrico de biscoitos fritos tipo “chips” com 50% de mandioca, economizando-se, assim, na importação de trigo. “A mandioca nasce e cresce com facilidade no Brasil e costuma ser  desperdiçada, pois a oferta é maior do que a demanda”, diz o técnico José Luís Ascheri, um dos responsáveis pela pesquisa em questão, acrescentando: “O que fizemos foi aumentar o valor agregado desta raiz, proporcionando condições para que o agricultor tenha lucro de até 1000%.” Para se ter uma idéia, um quilo de pellets custa R$ l,60 e rende 10 sacos facilmente vendáveis a R$ l,00 cada. Empresários não só do setor de biscoitos, mas de panificação em geral, podem entrar em contato com a Embrapa, que lhes oferecerá consultoria e suporte técnico para diminuírem a despesa com farinha de trigo, complementando-a com a de mandioca. Esta, é uma cultura geralmente de âmbito familiar, que demanda muita mão-de-obra, favorecendo, assim, a fixação do homem ao campo, para livrar as metrópoles do inchaço populacional motivado pelo êxodo rural. E também os consumidores ficarão contentes, mastigando “chips” nutritivos, bons e baratos.

Ecologica & Saúde

Hipocrisia Fiscal

19 de abril de 2004

Sempre que se diz que a lavoura de fumo e a indústria de cigarros devem ser ferradas, surgem seus defensores, invariavelmente, argumentando que ambas as atividades empregam muita gente e carreiam para os cofres governamentais uma fortuna em impostos. Estes advogados do mal têm, em parte, razão: realmente, do plantio à colheita do tabaco é… Ver artigo

Sempre que se diz que a lavoura de fumo e a indústria de cigarros devem ser ferradas, surgem seus defensores, invariavelmente, argumentando que ambas as atividades empregam muita gente e carreiam para os cofres governamentais uma fortuna em impostos. Estes advogados do mal têm, em parte, razão: realmente, do plantio à colheita do tabaco é demandado um exército de pessoas e, depois, o cigarro é o campeão de pagamento ao erário.
Mas o outro lado da moeda é também incontestável, porque, por mais gente que a fumicultura empregue e por maior que seja o volume de impostos tomados na venda de pitos, ficam a sociedade e o Governo no prejuízo, devido  aos males provocados pelo tabagismo. Os fumantes, mais cedo, mais tarde, terminam baqueados por doenças e distúrbios orgânicos causados pelos componentes do cigarro e charuto. A nicotina é a vilã mais notória, mas o alcatrão é um bandido não menos perigoso atentando contra a saúde do viciado. E, o pior, é que também é afetado quem estiver por perto respirando o fumacê, composto de um coquetel de tóxicos.
O fumante é candidato preferencial a extenso prontuário médico. Ali, certamente, logo haverá registros de indícios ou constatação de distúrbios cardiovasculares,  enfisema pulmonar, úlcera gástrica e por aí vai, sem falar num sofrido tumor canceroso decorrente do contato do fumo como os lábios ou no percurso da fumaça até os pulmões. E o tabagista termina sendo um entrave no trabalho, não só poluindo o ambiente como, por sua própria condição sanitária, tendo reduzida a sua produtividade. O prejuízo afeta não só a contabilidade do empregador como igualmente a do sistema público ou privado de saúde, quando o viciado vai a tratamento caríssimo e demorado.
E tem mais: o fumo é prejudicial também em termos ecológicos. É um cultura que esgota os nutrientes do solo e requer muito agrotóxico. Melhor seria plantar alimentos nestas terras, de preferência os que empregam muita gente, como, por exemplo, o feijão. Então, sem esta de defender a lavoura e a indústria fumageira com o argumento de que combate o êxodo rural e rende impostos. Uma coisa e outra não compensam os malefícios do hábito de fumar. E o que dizer do alcoolismo? É, sem dúvida, um provocador de acidentes no trabalho, no trânsito, causador de desassossego familiar, doenças etc. Também as bebidas alcoólicas têm amparo na hipocrisia fiscal.MODERNIDADE
    Outro dia, o “Globo Repórter” mostrou o Parque Yellow Stone – a exemplar e maior reserva florestal norte-americana, onde os cuidados com a preservação da vida nativa nada têm a ver com os procedimentos feitos por aqui pelas autoridades brasileiras do setor. Lá (porque os EUA são um país “pobre”), vêem-se guardas florestais a cavalo, que os leva quase que em silêncio aos lugares mais agrestes, favorecendo a prisão de caçadores, pescadores e lenhadores. Aqui (como o governo tupiniquim “nada” em dinheiro), os guardas dos parques nacionais aposentaram os cavalos, passando a deslocar-se em pipocantes motocicletas ou mastodônticos jipes a diesel, ouvidos a quilômetros pelos predadores da natureza. É a tal modernidade adaptada a país de economia e mentalidade subdesenvolvidas.


ILHA DA FANTASIA
    Tanto falaram mal de Brasília que o mau-olhado parece estar pegando. Na capital federal, o índice de desemprego é o maior do país; o custo de vida, também, e a criminalidade está rivalizando com a do Rio e S. Paulo. Pior do que todas estas calamidades é o quadro de racionamento de água pintado em cores cada vez mais alarmantes. Acontece que Brasília está numa região sem rios de porte, com abastecimento d’água dependente de nascentes e, estas, estão secando. Quem mora, por exemplo, em Sobradinho, que já foi a cidade-satélite mais aprazível de Brasília, vive o desconforto de ter água encanada dia sim e dois não, rotina em vias de ser adotada até no Lago Sul, bairro  charmoso da capital. Azararam Brasília com tanta insistência que ela está virando aberração geográfica: uma ilha da fantasia sem água… Superstição e ironia à parte, a nordestinação do Distrito Federal decorre das agressões ao meio ambiente (queimadas, desmatamentos, poços artesianos etc.).

ecologia & saúde

Pegando no Tranco

14 de abril de 2004

Há leis que pegam; outras, não. O Brasil, desde que éramos meninos, é apresentado com vocação para “celeiro do mundo”. Se for como produtor rural, está longe da meta visualizada. Mas, certamente, há muito tempo é o maior celeiro de leis. Acontece que os legisladores tropicalistas votam matérias em quantidade e sem maior preocupação com… Ver artigo

Há leis que pegam; outras, não. O Brasil, desde que éramos meninos, é apresentado com vocação para “celeiro do mundo”. Se for como produtor rural, está longe da meta visualizada. Mas, certamente, há muito tempo é o maior celeiro de leis. Acontece que os legisladores tropicalistas votam matérias em quantidade e sem maior preocupação com a qualidade. Também não estão nem aí se o Executivo e o Judiciário têm condições, o primeiro, de  obrigar a coletividade a respeitar a legislação e, o segundo, de punir os transgressores. Muitos deputados, senadores e vereadores aprovam leis apenas jogando para a torcida eleitoral.
O nariz-de-cera acima vem a propósito da lei de punição dos crimes ambientais votada há anos por suas excelências, mas deixando as autoridades do Executivo e Judiciário sem os instrumentos indispensáveis para sua aplicabilidade. Mas, finalmente,  o diploma legal foi regulamentado, aprovado e publicado no Diário Oficial da União. Portanto, agora as autoridades têm de começar  para  valer o jogo contra os agressores da natureza. Antes, os contraventores do setor escapavam facilmente da responsabilidade. A partir do mês passado, não: a nova lei é rigorosíssima, impondo multas até milionárias e muitos anos para o condenado ver o sol nascer quadrado.
No entanto, não pense o distinto leitor e a gentil leitora que essa lei dos crimes ambientais finalmente nasceu devido a um passe de mágica. Negativo: ela veio a luz no contexto de um parto demorado e sofrido. Muito foi destruído do meio ambiente brasileiro devido à demora em dotar a fiscalização deste instrumento punitivo rigoroso. Florestas foram derrubadas; rios, poluídos e assoreados; lavouras, pastagens e a atmosfera que respiramos, tomadas por tóxicos. A catástrofe ambiental brasileira chegou a um ponto que as pessoas mais conscientes  perguntavam se os governantes tinham ficado cegos, surdos e mudos para esta tragédia.
E o estopim que detonou o desengavetamento da lei de crimes ambientais foram as queimadas inimagináveis deste ano. A fumaceira foi tamanha que as autoridades, impedidas de ir de avião aos currais eleitorais, resolveram dar um basta, mandando aplicar a lei mantida em banho-maria. Agora, é preciso que os ambientalistas fiquem atentos para evitar que mais esta lei não pegue e caia no esquecimento. No Brasil é assim: tem de ir pegando no tranco.

Tudo errado


A totalidade das reportagens sobre o Parque Nacional do Pantanal enfocam a rotina de vida do guarda florestal Benjamim. Também, pudera!: ele é o único funcionário do IBAMA a vigiar a preservação da fauna e flora naquele mundão alagadiço. E o “seu” Benjamim  já não é nenhum garotão malhado e sarado para se impor na marra diante dos pescadores e coureiros predadores.  É um senhor dobrando o cabo-da-boa-esperança da idade física. Mesmo assim, lá vai “seu” Benja na canoinha peitando quem estiver atentando contra aquele ecossistema. Enquanto isso, há parques nacionais do IBAMA com funcionários a pentear macaco. É mais um exemplo de que, no serviço público brasileiro, tá tudo errado, compadre!


Parabéns!


É claro que, mesmo com a generalização acima, sempre há exceções. E uma delas foi gerada justamente em outra unidade de conservação ambiental do IBAMA – o Parque Nacional de Brasília (PNB). Acontece que, ali, qualquer obra de engenharia costumava interditar suas dependências para o público por muito mais tempo do que o prometido. Querem um exemplo? Ei-lo: a placa da reforma da Piscina Nova dizia que o trabalho demoraria, no máximo, 120 dias. Arrastou-se por mais de dois anos… Mas, no mês passado, foi  reparada a  Piscina Velha em apenas seis dias, ou seja: um dia antes do prazo no qual ninguém acreditava, por força dos episódios anteriores. Então, o mínimo que se deve dizer à atual administração do PNB é parabéns!                                                                                 
    
Picaretagem ecológica


Como que num passe de mágica, o assunto sumiu do noticiário, parecendo que um ente superior protege os responsáveis pela matança. Não se informou a população se medidas de segurança enérgicas foram tomadas para não se repetirem tragédias como a recente, em Foz do Iguaçu (PR), onde seis turistas e o barqueiro morreram na arriscada aventura de ver as quedas d’água de baixo para cima. Também não se noticiou se o empresário dono dos botes infláveis pagou todos os procedimentos sepultatícios das vítimas e se os familiares foram devidamente  indenizados. A opinião pública precisa saber se foi dada chance ao responsável para que deixasse suas obrigações a ver navios, fugindo para o Paraguai, como fizeram, mandando-se para a Espanha, os malacaras donos do Bateaux Mouche IV, que emborcou na baía da Guanabara, matando 55 turistas, no reveillon de 1988. Sim, porque esta gente costuma não pagar apólice de seguro, para ter lucro líquido e certo, tirando o corpo fora quando ocorre uma fatalidade. O Brasil precisa, e muito, de empresários que dinamizem seu turismo ecológico. É uma atividade econômica que, em muitos países, comprovou ser grande fonte de renda e de empregos. Mas deve ser ferrada a picaretagem ecológica, que enxota turistas, principalmente os estrangeiros movidos a dólar.


 

Ecologia & Saúde

Empurroterapia

7 de abril de 2004

Querem um exemplo pronto e acabado de publicidade enganosa? Ei-lo:  quem assistiu à TV nos últimos dias e conhece alguns rudimentos do processo digestivo e dos males proporcionados pela vida sedentária certamente concordará que vai para a Cucuia mais cedo, mais tarde, quem seguir o exemplo daquela atriz gorducha desempenhando o papel de garota-propaganda de… Ver artigo

Querem um exemplo pronto e acabado de publicidade enganosa? Ei-lo:  quem assistiu à TV nos últimos dias e conhece alguns rudimentos do processo digestivo e dos males proporcionados pela vida sedentária certamente concordará que vai para a Cucuia mais cedo, mais tarde, quem seguir o exemplo daquela atriz gorducha desempenhando o papel de garota-propaganda de mais um destes remédios aos quais apelam os glutões. Para  os pouco chegados a ficar diante da telinha ou não se ligam ao que se passa nos intervalos comerciais, vale explicar de qual publicidade enganosa estamos nos referindo. É aquela em que a ex-doméstica do "Sai debaixo!" e ex-aluna-pornô da "Escolinha do professor Raimundo" comenta com seu suposto marido o tanto que haviam comido. O maridão anuncia que, a fim de evitar ter um troço, vai dar uma caminhada para ajudar na digestão da comilança. Ela diz preferir ficar estatelada no sofá, colocando o estômago nos trinques com uma boa dose de milagroso digestivo cujo frasco é mostrado aos distintos telespectadores.
E essa publicidade não fica por aí: é duplamente enganosa, já que, ato contínuo, a supracitada atriz adverte o maridão dizendo-lhe que, se também quiser tomar uma golada daquela beberragem, deve ir à farmácia comprar outro vidro, porque o  conteúdo do  que ela lhe mostrou antes já era. É outra encenação enganadora do distinto público, pois todo e qualquer remédio não pode ser usado em dosagem ilimitada ou repetitivamente, seja homeopático ou alopático.
O que está precisando haver é uma rigorosa legislação punitiva da propaganda e publicidade enganosas, pois muito raramente os Conselhos de ética da categoria profissional que elabora as mensagens veiculadas pelos meios de comunicação agem com eficácia para evitar esse estelionato sanitário e/ou econômico. A enganação se vale de atores e atrizes consagrados, os quais só pensam no cachê e, certamente, não usam os produtos que anunciam, para evitar puxões de orelha de seus médicos, nutricionistas e preparadores físicos. Isto mesmo, porque, se ficarem bebendo ou comendo o que trombeteiam,  correm o risco de ir cedo comer capim pela raiz. Quem sabe tenha sido essa empurroterapia a co-responsável pela necessidade de implantar-se um elenco de pontes cardíacas no peito da obesa atriz mencionada acima?

 

Poluição mental
    Mesmo antes de análises laboratoriais conclusivas, plantaram nos veículos de comunicação que está poluída a água mineral que os freqüentadores do Parque Nacional de Brasília ali bebiam e levavam para consumir em casa. Isto bastou para reduzir drasticamente o movimento das bilheterias do local, embora sem aparecer um caso sequer de pessoa que tenha passado mal após beber água daquela unidade de conservação da natureza. E é justamente este fato que coloca em dúvida a seriedade da notícia geradora do pânico, pois é sabido que o organismo reage quando as pessoas ingerem ou se banham em água contaminada. As respostas vêm na forma de doenças na pele, nos olhos e, certamente, constrangedores distúrbios gastrintestinais.
    Como era muita gente que ali bebia e levava água para casa, deixando de fazê-lo, surgiram comentários de que, se a tal notícia da poluição foi plantada pelos engarrafadores de águas minerais, acertaram no objetivo comercial. Mas há freqüentadores do Parque  Nacional de Brasília que vão mais longe, dizendo que tudo faz parte de um plano de privatizar a atual área do local aberta ao público. Argumentam que nada melhor do que uma campanha de desmoralização para abrir caminho à privatização. Ou seja: espalha-se a notícia de estar poluída a água dali, fazendo com que o público deixe de lá ir. Como a arrecadação com ingressos não paga os gastos que o Ibama tem,  aciona-se a toque de caixa mais uma alienação de patrimônio público. Feito isto, a água dali, como que num passe de mágica, deixará de ser poluída e o local virará um luxuoso parque temático ou estância hidromineral com hotel-cassino planejado para a legalização em marcha da jogatina. Tudo, é claro, inacessível ao dinheiro disponível pela maioria dos que lá iam para andar, correr, nadar ou simplesmente respirar ar puro.
    Então, é preciso que os ambientalistas acionem mecanismos para provar que a água do Parque Nacional de Brasília não está poluída. Também devem exigir do Governo que fiscalize melhor as construções nos arredores do parque, para que estas, em breve, não se transformem em fatores poluentes, principalmente com a abertura de poços artesianos perto de esgotos, o que fatalmente contaminará o lençol freático que origina as minas da água mineral do parque, hoje desmoralizada por uma interesseira campanha de poluição mental afugentadora dos que lá gostavam de ir.

Vingança
    Não é de agora que ecologistas denunciam e veículos de comunicação mostram o estrago que as superbarcaças graneleiras causam nos barrancos do Rio Paraguai. Estes monstrengos flutuantes trafegam pelo principal  curso  d'água pantaneiro transportando cereais e minérios e vão atropelando a vegetação ribeirinha. Resultado: muitos barrancos desmoronaram e o rio foi sendo assoreado. Na época da seca na região, até  embarcações de porte médio encalham nos bancos de areia, levando à previsão de que aquelas superbarcaças tornarão o Rio Paraguai navegável só de canoa. É a vingança da natureza agredida.

Ecologia & Saúde

Século perdido

6 de abril de 2004

O Século XX está chegando ao fim e deixa para trás um rastro de acontecimentos positivos e negativos. Isto mesmo, pois durante os últimos 100 anos do segundo milênio da era cristã a vida no planeta Terra foi mais facilitada e, paralelamente, também mais agredida. Nesse período, duas guerras mundiais e conflitos regionais resultaram em … Ver artigo

O Século XX está chegando ao fim e deixa para trás um rastro de acontecimentos positivos e negativos. Isto mesmo, pois durante os últimos 100 anos do segundo milênio da era cristã a vida no planeta Terra foi mais facilitada e, paralelamente, também mais agredida.
Nesse período, duas guerras mundiais e conflitos regionais resultaram em  matanças entre a população civil maior do que o somatório das ocorridas em outros tempos. Acontece que, antes, os soldados lutavam peito a peito, com, no máximo, tiros e canhonaços de alcance visual. Mas, no Século XX, a tecnologia bélica inventou armas e munições para matar em massa e à distância. As bombas atômicas jogadas no Japão e os foguetes lançados contra o Iraque e Iugoslávia são exemplos da evolução perversa da ciência.
Mas não há como negar que foi durante o século que chega ao fim que mais se inventou também para beneficiar a vida. Na Medicina, cientistas descobriram vacinas contra muitas doenças antes mortais ou mutilantes, como a tuberculose e a paralisia infantil. Também remédios miraculosos foram inventados. A comunicação entre as pessoas foi tremendamente facilitada pela moderna telefonia e outros equipamentos. Para ir-se de um lugar para outro foram aposentadas as montarias, carroças e outros veículos jurássicos. Temos, hoje, confortáveis e velozes automóveis, ônibus, trens, navios e aviões supersônicos.
Mas um grande crime contra a ecologia cometido durante o Século XX mostra-se, agora, uma desgraça para a humanidade. Referimo-nos à exploração agropecuária com máquinas agressivas ao solo  no desmatar, plantar e colher, mais a adubação química e defensivos altamente tóxicos. Com estes recursos perversos, os proprietários das terras julgaram dispensável a quase totalidade da mão-de-obra e levas de desempregados do campo foram favelizar as cidades, que viraram caldeirões da miséria e violência.
A nova sistemática de produção agropecuária está resultando na desertificação de áreas antes férteis, assoreamento e poluição dos rios, devido à terra contaminada que vai para seus leitos. E, para complicar ainda mais a questão, estes rios recebem a sujeira das cidades favelizadas e rodeadas de indústrias poluente da terras, água e ar. Assim, o palco do Século XX tem sua cortina baixada revelando-se ecologicamente um século perdido.

Morrer de sede

O quadro pintado acima mostra um segmento muito trágico para a humanidade. É o caso da poluição da água. A do mar deixará de ser fonte de produção de alimentos para o homem, que nela logo nem poderá banhar-se. Já a água doce dos rios e lagos caminha para ser como a sua companheira do mar. Mas, aqui, a coisa se complica, porque, com a água doce totalmente poluída, as pessoas não estarão apenas privadas de peixes comestíveis, mas ficarão sem água até para beber. Nos Estados Unidos, o litro de água mineral já custa mais do que o de gasolina. Aqui, no Brasil, o produto caminha para este preço, devido à agressão desenfreada a nossos recursos hídricos. Não é nenhuma alucinação prever-se que logo haverá guerras entre países pela disputa de fontes de água potável. Então, que as autoridades pensem logo no que fazer para despoluir a água do planeta Terra antes que, já no século que se inicia, as pessoas comecem a guerrear para não morrer de sede.
 
Guerrinha candanga

A previsão genérica que acabamos de expor à meditação do leitor parece ser uma realidade em andamento no que se relaciona às minas d'água que brotam no Parque Nacional de Brasília. Ali,  foi feita a Represa Santa Maria, do onde provém a água que abastece a Asa Norte e a Península Norte da Capital Federal. Mas a Companhia de Águas e Esgotos de Brasília (Caesb) quer mais, principalmente agora que está sendo privatizada.
Acontece que, para localizar-se o novo Distrito Federal, no idos de 1950, foi escolhida uma área central do Brasil ideal para construir-ser uma capital administrativa sonhada para ter, no máximo, uns 500 mil habitantes. Mas a coisa explodiu e, hoje, Brasília e cidades-satélites somam mais de dois milhões de moradores. E, agora, vê-se que o empreendimento foi feito em local só com nascentes e alguns riachos já no limite abastecedor de uma população em crescimento.
Há um projeto de buscar-se água para Brasília no vizinho estado de Goiás, a uns 100 Km de distância. É uma providência caríssima e demorada. Como o dinheiro está curto e perto a crise no abastecimento d'água, a Caesb tenta conseguir autorização do Ibama para fazer mais uma barragem no Parque Nacional de Brasília. Projeto já foi apresentado há uns cinco anos, mas engavetado porque inundaria quase a metade daquela reserva de preservação ambiental.
Mas, agora, parece que se tenta outro caminho para atingir o mesmo  objetivo. Plantou-se nos veículos de comunicação que a água das piscinas do parque estão contaminadas. Os banhistas e quem lá bebia e levava água para casa reduziram a freqüência, dando munição aos defensores da privatização ou terceirização do local. Feito isto, a água dali, como que num passe de mágica, voltará à pureza, para ser engarrafada e canalizada para a população. Quem viver verá que começou uma guerrinha candanga.

Ecologia & Saúde

As águas de março

25 de março de 2004

Essas enchentes que ocorrem agora,  no Centro-Sul, assim como as que castigarão as demais regiões, em outras épocas, acontecem menos por decorrência meteorológica e mais por culpa das pessoas. Como assim? É que chover torrencialmente neste país é coisa de muito antes de aqui  chegarem as caravelas portuguesas. Também no passado remoto deveria chover um… Ver artigo

Essas enchentes que ocorrem agora,  no Centro-Sul, assim como as que castigarão as demais regiões, em outras épocas, acontecem menos por decorrência meteorológica e mais por culpa das pessoas. Como assim? É que chover torrencialmente neste país é coisa de muito antes de aqui  chegarem as caravelas portuguesas. Também no passado remoto deveria chover um pouco mais ou menos nuns e noutros anos. Mas, no geral, sempre fomos visitados por nuvens gordas, que gostam de desaguar em regiões tropicais.
Então, por que, a cada ano que passa, mais destruidoras são as enchentes?  Sucede que ainda não fomos castigados o suficiente para aprendermos a parar de agredir o meio ambiente. Assim, enquanto não se formar nos brasileiros uma mentalidade de preservação da natureza, as enxurradas aumentarão de volume. Tudo porque os desmatamentos desordenados continuam a ocorrer, principalmente em locais inclinados e nas beiras dos rios.
E o que isso tem a ver com as enchentes? Elementar, caro(a) leitor(a)! Pode chover grosso numa área com boa cobertura vegetal que quase toda a água fica por lá mesmo, infiltrando-se no solo. Já na área desmatada a água rola para as partes baixas, provocando danos, por arrastar terra, pedras e outros detritos. Se o material chegar aos rios, estes ficam entupidos (assoreados) e a água não vai em frente, esparramando-se pelas margens. E os rios ficam ainda mais assoreados se perderem as matas ciliares, porque a terras das  beiras, sem raízes para segurá-las, desbarrancarão, obstruindo ainda mais a calha fluvial. E tem mais: sem as matas ribeirinhas, os rios ficam sem peixes, por falta de alimentos gerados naquela vegetação.
Então, estamos de acordo que as enchentes são quase que uma decorrência exclusiva da falta de um colchão vegetal para absorver as chuvas? E nas cidades,  por que ocorrem os alagamentos? Porque nas metrópoles plantam-se poucos jardins e gramados e semeiam-se asfalto e concreto. Resta às águas pluviais escoar pelos bueiros, mas estes foram entupidos pelo lixo jogado na rua pelos sujismundos. Este é o palco dessa tragédia urbana…
E, assim, enquanto se continua a agredir o meio ambiente, os brasileiros ficam olhando para o céu, temendo que se formem nuvens escuras. E têm muito que se preocupar, porque (Compõe Tom Jobim; canta Elis Regina!) ainda faltam as fortes chuvas de março fechando o verão.


Um exemplo


No dia em que os donos dos veículos de comunicação, principalmente das estações de TV, decidirem partir para uma programação voltada para o respeito à ecologia, melhorarão em muito as condições de vida neste planeta. Não só quanto à pureza do ar e da água, mas também dos alimentos livres de resíduos tóxicos. E aqui vale lembrar a importância da preservação do mares, rios e lagos como fontes alimentares. Sim, porque nada mais saudável  para as pessoas e ecologicamente correto do que comer peixe de água limpa e pescado em quantidade e tamanho permitidos e fora da época de reprodução. Neste aspecto, foi muito didático um recente “Globo Repórter”, principalmente no bloco em que mostrou a matança do peixe-boi promovida durante anos por homens ignorantes ou só atrás do lucro fácil. Agora, com o peixe-boi tendo virado animal raro, sofrem o demais peixes. Acontece que, quando os rios enchem e derramam pelas margens, a peixarada vai junto, porque a terra alagada é farta em alimentos (minhocas, insetos, frutas etc.). O banquete dura até o rio começar a voltar ao leito normal, e é aqui que entra em cena o amigo do cardume (o feio mas simpático peixe-boi, que nem peixe é, pois, como a baleia, é um mamífero). Ocorre que, nas terras ribeirinhas alagadas, o capim cresce muito e forma uma barreira para o retorno dos peixes ao rio, mas o obstáculo é facilmente rompido pelo corpulento peixe-boi, que abre caminho ao resto da bicharada, inclusive por comer a vegetação. Não havendo quem faça este trabalho, os peixes ficam desnorteados e a mortandade é inevitável quando a alagado secar. Então, o programa de TV acima referido é um exemplo de como se deve mostrar ao povo que, na natureza, uma coisa depende da outra. Mas este tipo de aula ecológica deve ir ao ar quando a galera estiver diante da telinha, e não tarde da noite.


Atitude criminosa


Quem mora na capital do país foi bombardeado por uma campanha de notícias acusando de estar contaminada a água do Parque Nacional de Brasília (PNB). Com isso, afugentou-se do local grande parte dos antigos freqüentadores que ali faziam caminhadas, nadavam em suas duas piscinas e bebiam água mineral, levando-a também para consumo em casa. A campanha denegridora da imagem do PNB ficou só naquele tiroteio jornalístico contra a maior reserva florestal urbana do mundo (são 33 mil hectares). Não se incentivou a retirada de um lixão e favela de sua periferia, onde também ocorre invasão imobiliária desordenada, com a perfuração de poços artesianos em locais que podem abrir caminho para a contaminação do lençol freático. Mas este silêncio se explica, porque os loteadores do entorno do PNB têm as costas quentes junto ao Governo do Distrito Federal (GDF) e quem compra os terrenos para construir mansões é gente da elite brasiliense. Agora, só falta alegarem que a arrecadação com ingressos ao PNB não cobre os gastos com  a manutenção do local, fechando-o por medida de economia, numa atitude criminosa contra a saúde dos que ali respiram ar puro e bebem água dada como potável pela Universidade de Brasília, mas sem divulgação.

ECOLOGIA & SAÚDE

Juventude salvadora

24 de março de 2004

    Outro dia, o noticiário da TV mostrou um grupo de estudantes visitando uma reserva florestal em Brasília. Eram meninos e meninas na faixa dos 11, 12 anos. Quando entrevistados, impressionante como demostraram saber da importância da preservação ambiental, não apenas porque é bucólico o serpentear das águas de um córrego e os micos-leões-dourados… Ver artigo





 


 


Outro dia, o noticiário da TV mostrou um grupo de estudantes visitando uma reserva florestal em Brasília. Eram meninos e meninas na faixa dos 11, 12 anos. Quando entrevistados, impressionante como demostraram saber da importância da preservação ambiental, não apenas porque é bucólico o serpentear das águas de um córrego e os micos-leões-dourados são umas gracinhas. É que se aninhou na cabecinha deles a constatação de que, quanto mais agredirmos a natureza, mais estaremos inviabilizando a sobrevivência da humanidade no planeta Terra.


Então, conforme aquela garotada demostrou saber, se forem feitos desmatamentos nas cabeceiras dos córregos, estes fatalmente secarão, resultando também na morte dos rio alimentados por eles. Neste aspecto, a gurizada entende até melhor do que muitas autoridades por que os reservatórios das hidrelétricas ficaram com água na marca do “apagão”. Uma gatinha bem-falante lascou essa: “Não cola dizerem apenas que choveu pouco. É que, sem cobertura vegetal, a chuva cai na terra, rola ou evapora. Onde tem vegetação, a água infiltra, alimenta os córregos que, somados, formam os rios, depois as represas das usinas elétricas.”


É isso mesmo: nota 10 para aquela guria, porque, sem a infiltração das águas das chuvas nas cabeceiras dos rios, a alimentação dos reservatórios não é feita o ano todo. E essa observação vale ainda mais quando se precisa acumular água para beber e outras serventias, com os meninos e meninas demonstrando saber que, neste aspecto, não se deve poluir os cursos d’água. “Fica difícil, caro e, se muito poluída, até impossível tornar potável a água onde as pessoas jogam lixo”, frisou um dos estudantes, cujos colegas revelaram conhecimento do quanto é importante não poluir também o ar que respiramos e, com produtos tóxicos, os alimentos que consumimos.


Se as gerações passadas tanto agrediram a natureza, então vamos torcer para que estudantes, como os mostrados na TV, formem uma juventude salvadora cada vez maior e atuante na recuperação das agressões ao meio ambiente. Eles mostraram saber que as pessoas, flora e fauna têm uma interdependência vital. Isto mesmo, porque, sem os vegetais, ficaremos privados do oxigênio que eles liberam e intoxicados pelo gás carbônico que as plantas retiram do ar. “É a fotossíntese”, disse um garoto sabido.


Também sem os animais ficaremos privados de muitos tipos de plantas que são polinizadas e/ou replantadas apenas pelos bichos. E tem mais: quem garante que a extinção de certas variedades de plantas e animais, como ocorreu e vem acontecendo, não dificultará, até inviabilizando, as pesquisas para a descoberta da cura de muitas doenças? Será que a fauna e flora não acabarão com o câncer, aids?


O Velho Chico 


Demorou, mas chegou e só merece muitos aplausos o Projeto de Conservação e Revitalização da Bacia do Rio São Francisco, criado pelo Governo Federal no momento em que o rio da integração nacional foi colocado na UTI ecológica, ferido de morte pelas inúmeras e prolongadas agressões de pessoas que exploram os recursos naturais, hoje, sem pensar nas conseqüências, amanhã. O projeto foi bem-pensado, inclusive porque não terá paternidade eleitoreira, visto que será executado em parceria do Governo Federal com os dos estados por onde corre o Velho Chico – Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. É um projeto que deve motivar o resto do país a estruturar medidas de salvação de outros rios, tão ou mais agredidos do que o Rio São Francisco, como o Tietê, em S. Paulo; Guaíba, no Rio Grande do Sul; Capiberibe, em Pernambuco, e muitos outros, incluindo os pequenos, os riachos, córregos, enfim, toda a água brasileira. Para se ter uma idéia do mal que as agressões à água causam ao nosso povo, basta citar uma estatística do SUS (Sistema Único de Saúde), que revela ser originada pela água ou veiculada por ela a responsabilidade por 70% das internações hospitalares no país. Salvando nossos rios, teremos água boa e muita, para beber, irrigar, criar peixe, navegar, nadar, inclusive para fugir da ameaça de apagões pela carência de água nos reservatórios da hidrelétricas, e também para impedir que vençam as pessoas que querem semear usinas atômicas pelo país afora.


Explorar sem devastar 


É da maior importância o programa que vem sendo desenvolvido por um consórcio de órgãos públicos para definir as melhores formas de exploração racional dos recursos naturais do território brasileiro. É o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), através do qual se evitarão agressões ao meio ambiente, como as que reduziram a um quase-nada a Mata Atlântica e fazem o mesmo com o cerrado. O ministro Sarney Filho, do Meio Ambiente, sintetiza o que ocorreu: “Até agora”, disse, “tivemos um modelo econômico com altíssimo custo ambiental e um baixo retorno social, e o ZEE vai apontar as potencialidades de desenvolvimento sustentável nas diversas regiões do país.” Do território nacional, 11% já foram zoneados, e ficamos aqui torcendo para que este percentual cresça em disparada, para evitar novas ocorrências e a continuidade das atuais explorações devastadoras de nosso meio ambiente. Então, mãos à obra, tocadores do Consórcio ZEE Brasil, à frente a Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável do MMA, com o apoio do Ibama, INPE, IBGE, IPEA, Embrapa e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais.

ECOLOGIA & SAÚDE

Lixo que vira luxo

24 de março de 2004

    Se há uma coisa por demais preocupante para a preservação do meio ambiente ela se chama coleta e destinação do lixo bem feitas. E não são só as sobras domésticas mal recolhidas e não-recicladas que poluem a natureza. Há, também, o lixo das ruas e, o que é pior, os descartes industriais, muitos… Ver artigo





 


 


Se há uma coisa por demais preocupante para a preservação do meio ambiente ela se chama coleta e destinação do lixo bem feitas. E não são só as sobras domésticas mal recolhidas e não-recicladas que poluem a natureza. Há, também, o lixo das ruas e, o que é pior, os descartes industriais, muitos deles altamente tóxicos. A propósito, vejam o absurdo ambiental cometido em São Paulo, com a construção de residências em terreno usado durante anos como aterro sanitário de empresa industrial, que lá jogava rejeitos venenosos não-biodegradáveis. Os moradores, agora com a saúde ameaçada, vêem o sonho da casa própria transformar-se em pesadelo. Estão tendo de abandonar as moradias para viver o drama da suspeita de terem se contaminado.


Acidentes acontecem. Mas o relatado acima é decorrente da irresponsabilidade criminosa, pois os dirigentes da empresa que usava aquele local como lixão sabiam estar jogando lá descartes tóxicos. Assim também fizeram aqueles que largaram por aí cápsula de césio 137 de aparelho hospitalar de radiologia, contaminando gravemente catadores de lixo, com morte de três deles, em 1987, em Goiânia (GO), vindo a falecer outros dois, pelo mesmo motivo, anos depois, e mais oito sofrem até hoje. Aquele acidente goiano se insere no capítulo da coleta e processamento do lixo hospitalar, que é por demais assustador, pior do que o lixo doméstico e o industrial, porque nos rejeitos hospitalares há medicamentos, seringas e agulhas contaminadas, tubos com restos de fezes, urina, sangue; há tecidos humanos retirados em cirurgias, enfim, um conjunto de material infecto-contagiosos que não pode ficar exposto esperando pela biodegradação, porque, antes que isto aconteça, pessoas, animais, os vegetais, a terra, ar, a água ficam sujeitos à contaminação. Isto sem falar que, no lixo hospitalar e laboratorial, há materiais não-biodegradáveis, como a cápsula de césio de Goiânia.


Então, não basta jogar lixo no lixo, lixão, aterro sanitário ou que nome venha a ser dado a este locais. O lixo precisa, sim, ser reciclado, e muito bem reciclado, para não retirar-se dele só algumas coisas imediatamente reaproveitáveis, varrendo-se o resto para debaixo do tapete da natureza. Isto mesmo, porque, ainda que só 1% do lixo fique sem reciclagem, continuará havendo poluição ambiental. Assim, o que for orgânico deve ser processado para virar adubo, sendo conveniente que também se aproveite o gás desprendido, utilizável em motores, fogões e fornalhas. Os plásticos, vidros, papel, metais etc. têm como serem separados e reaproveitados, com alta lucratividade para quem o fizer. Neste aspecto, ilustrativa e altamente didática é a atividade de cooperativa de artesãos da Ceilândia, cidade-satélite de Brasília, onde material colhido no lixo está rendendo um bom dinheiro. Os artífices ceilandenses transformam panos, plásticos, vidros, ferro e outros descartes num grande elenco de objetos vendáveis, que vão de brinquedos a roupas, belas roupas, diga-se de passagem, como as exibidas por manequins em desfile mostrado na TV. Isto mesmo, como naquela alegoria carnavalesca de Joãzinho Trinta do célebre desfile da Beija-Flor, os artesãos do subúrbio brasiliense estão ensinando a transformar lixo em luxo. A natureza, certamente, está contente com eles…



Nova Caatinga


Quem é pioneiro em Brasília e vem observando como as pessoas ocupam o Brasil Central se assusta diante da progressiva extinção da fauna e flora do Cerrado, assim como de suas minas d’água. É uma biodiversidade pouco estudada e a perda definitiva de algumas de suas espécies, principalmente vegetais, poderá inviabilizar pesquisas descobridoras de alimentos e até remédios milagrosos. Pois bem, tramita no Congresso Nacional projeto de lei definindo o percentual máximo do Cerrado em cada propriedade que poderá ser desmatado. Só que a bancada ruralista trava o andamento da proposição, querendo reduzir a quase nada a área preservada, e, também, para ganhar tempo, permitindo mais ronco de motosserra e trator e poluição das carvoeiras. Então, as organizações ambientalistas precisam botar a boca no trombone, para que esse projeto vá logo à votação, sendo aprovado, é claro! Caso a coisa continue andando a passo de tartaruga, quando virar lei valerá para preservar quase nada, porque terão transformado o Cerrado numa nova Caatinga, constante dos registros históricos como região que teve fauna, flora e água abundantes, igual ao Cerrado dos primórdios de Brasília.



Nota 9,9 


Aqui vai um comercial de cortesia para a plim-plim da família Marinho: merece parabéns a direção desta rede de TV pelo bem elaborado “Globo Repórter” sobre a riqueza brasileira em plantas com propriedades medicinais. Mais ainda por ter mostrado que está assim de estrangeiros de olho neste patrimônio por nós pouco aproveitado, quase nada estudado e praticamente abandonado. Neste último aspecto, o programa televisivo procurou tocar nos brios das autoridades remuneradas para caracterizar o Brasil como um nação de verdade. Sim, porque o que se viu foi uma casa-da-mãe-joana florestal, onde estrangeiros contrabandeiam plantas sem a menor fiscalização. Com a borracha natural foi assim: sementes de seringueira migraram para o Oriente e, hoje, importamos o látex de lá. Agora, amostras de vegetais brasileiros com propriedades terapêuticas saem daqui ilegalmente e, logo, estaremos comprando no exterior remédios feitos com seus princípios ativos sintetizados em laboratório. Então, mais uma vez parabéns à Rede Globo por ter dado uma colher-de-chá ao nacionalismo, com aquele programa nota 9,9.

Ecologia & Saúde

Tabaco, fora!

24 de março de 2004

Chegou a hora de ambientalistas, sanitaristas e outros istas unirem suas vozes, agora não para berrar contra o governo federal mas para aprontar o maior alarido no Congresso Nacional, a fim de que ali role rápido projeto apresentado pelo Ministério da Saúde e vire lei a proibição da propaganda estimulativa do maledetto vício de fumar… Ver artigo


Chegou a hora de ambientalistas, sanitaristas e outros istas unirem suas vozes, agora não para berrar contra o governo federal mas para aprontar o maior alarido no Congresso Nacional, a fim de que ali role rápido projeto apresentado pelo Ministério da Saúde e vire lei a proibição da propaganda estimulativa do maledetto vício de fumar cigarro de tabaco.

O projeto-de-lei em questão foi encaminhado ao Parlamento no mês passado. De pronto, porta-voz da indústria fumageira, com a maior cara-de-pau do mundo, apareceu na TV dizendo que a propaganda em pouco ou nada estimula o tabagismo. Terá sido só uma demonstração de cinismo daquele sujeito? Ou faltou perguntar-lhe se a indústria do fumacê é caridosa ao ponto de gastar uma fortuna em propaganda apenas para aumentar o faturamento dos veículos de comunicação? Tadinhos, tão carentes de reforço de caixa!…


Então, que as pessoas decididas a dar uma força na aprovação rápida da proibitividade da propaganda do cigarro coloquem na parede os donos de tevês, rádios, jornais, revistas e, até, de agências de propaganda, para que se antecipem aos senhores deputados e senadores e deixem de veicular anúncios do gênero. Os que se negarem a fazer isto estarão passando recibo na suposta estratégia de suborno propagandístico da indústria fumageira.


Mas não basta fazer marcação cerrada apenas sobre os parlamentares e homens de comunicação social. É preciso cortar todos os tentáculos dessa poderosa atividade econômica. Para tanto, a turma antitabaco deve pegar no pé também do ministro da Agricultura, para que seus fiscais interditem lavouras e depósitos de fumo ao menor sinal do emprego de inseticidas, fungicídas e outros venenos prejudiciais à saúde humana.


E não pode ser deixado no sossego nem o ministro da Fazenda. Ele é uma peça importante na guerra sem fronteira contra o vício que mata por enfisema pulmonar, câncer na boca e ao longo do aparelho respiratório, ataque cardíaco, derrame cerebral, úlcera gástrica e outras causas. Mas o que o ministro da Fazenda pode fazer? Acertou quem respondeu que ele pode jogar nas alturas os impostos incidentes sobre o cigarro. E ele pode mais: pode inviabilizar que agricultores recebam crédito rural com juro subsidiado para produzir alimentos e empreguem o dinheiro no plantio de fumo.


Falta mais alguém nessa luta? Vejamos… Ah, sim! Claro que falta engajar a mulherada sem hálito nicotinoso para tornar ainda mais estridente a campanha antifumo. Elas serão duplamente importantes, pois gritarão “tabaco, fora!” e farão um trabalho de convencimento estatístico de suas colegas tabagistas, mostrando-lhes que este vício está matando mais mulheres do que homens.


Comemorar o quê?


No começo deste mês, aconteceu o Dia do Meio Ambiente. A data foi lembrada mais para lamentar do que para festejar. Também, pudera! Sucede que o que mais se vê por aí é gente agredindo a natureza e só uma meia dúzia de gatos-pingados tentando manter as condições de sobrevivência no planeta Terra. Mas parece que nem tudo está perdido. Se na maioria dos adultos pouca fé dá para botar, imagens de crianças mostradas pela TV revelaram que elas se preocupam, e muito, em consertar o meio ambiente degradado que os mais velhos lhes estão deixando.


Armação ilimitada (2)


A propósito do Dia do Meio Ambiente, este passou em brancas nuvens no principal atrativo ecológico de Brasília – o Parque da Água Mineral, onde os moradores da capital federal se refugiam do calor, seca e estresse da vida metropolitana. Acontece que os funcionários do IBAMA ali lotados barram a entrada dos freqüentadores desde o início de maio. Estão, conscientemente ou não, participando da armação ilimitada contra o Parque Nacional de Brasília (PNB), que sofreu recente ataque de notícias acusando suas águas de estarem contaminadas por coliformes fecais. A calúnia só foi desfeita depois que análises laboratoriais da Universidade de Brasília deram as águas do PNB como potabilíssimas. E, quando os usuários assustados começaram a retornar ao local, gangues baguncistas passaram a ser ali despejadas, aprontando as maiores brigas e arrastões, inclusive quebrando vidros de automóveis para furtos em seus interiores. Agora, os funcionários, dizendo-se em greve salarial contra o governo, usam do povo como massa de manobra. O que estão mesmo conseguindo é criar condições para que o PNB seja privatizado e eles transferidos para os cafundós-do-judas.


É fogo!


A seca no Centro-Oeste do país, de maio a setembro, é um acontecimento rotineiro e já assimilado por quem mora na região há anos. É beber muita água e esperar a explosão da vida na primavera. Mas este ano, segundo a Meteorologia, o bicho vai pegar com mais gana, porque há fortes indícios de que a seca será com níveis de umidade abaixo dos do deserto do Saara e podendo ir além de setembro. O recado foi dado há dias, e o que se vê é pouca ou nenhuma atuação das autoridades para ensinar a população a evitar a desidratação e, principalmente, trabalhos de prevenção de incêndios em gramados e áreas florestais, onde a proteção com aceiros é fundamental.


 

Ecologia & Saúde

500 anos de destruição

24 de março de 2004

     Muito festejados foram os 500 anos do descobrimento do Brasil. Agora, é cair na real, varrer do salão os restos festivos e transformar o recinto num plenário de debates para corrigir os erros cometidos neste imenso território pelos estrangeiros que o ocuparam nos últimos cinco séculos.Sendo este um jornal de temas ecológicos, vamos enfocar… Ver artigo

     Muito festejados foram os 500 anos do descobrimento do Brasil. Agora, é cair na real, varrer do salão os restos festivos e transformar o recinto num plenário de debates para corrigir os erros cometidos neste imenso território pelos estrangeiros que o ocuparam nos últimos cinco séculos.Sendo este um jornal de temas ecológicos, vamos enfocar alguns aspectos da agressão ao meio ambiente praticada desde que aqui aportou a turma do Cabral.


De cara, os portugas e invasores temporários holandeses e franceses fizeram um arraso nas matas com grande concentração de pau-brasil, utilizado principalmente para tingir tecidos nas tecelagens européias. Com isto, abriu-se caminho para a devastação da mata atlântica, onde também outros tipos de árvores foram derrubadas sem o menor critério, seja por madeireiros ou agricultores para monoculturas de cana-de-açúcar, cacau e café.


Os mineradores também fizeram sua parte na agressão ao meio ambiente brasileiro. Saíram por aí retirando a cobertura vegetal do solo ao menor sinal da existência de ouro ou pedras preciosas. Com isso, deixavam para trás peladouros e buraqueiras irrecuperáveis. Pior ainda fizeram na mineração fluvial, com a lavagem dos barrancos, provocando o assoreamento dos rios e, para complicar a coisa, depois passaram a purificar o ouro com mercúrio, extremamente prejudicial à saúde humana e animal.


Não bastasse essa agressão dos pioneiros aos rios, veio a urbanização e industrialização desordenadas, com os esgotos sendo despejados diretamente nos cursos d’água e o lixo jogado em qualquer lugar. Também a agricultura praticada sem preocupação ecológica contribuiu para modificar para pior o leito dos rios. Acontece que o solo arado de forma errada, principalmente em local inclinado, sofre uma lavagem quando chove e a terra escorre para os rios. A qualidade da água também piorou, sendo que hoje os rios de regiões habitadas são de águas turvas. E, se fossem só sujas de terra, essas águas seriam menos prejudiciais à saúde humana e animal. Mas acontece que nelas jogou-se esgotos e lixos, sem falar que, quando são de rios que cortam regiões de lavouras intensivas, as águas também estão poluídas por agrotóxicos.


Portanto, ecologicamente, quase nada temos para comemorar, mas, sim, muito a lamentar neste 500 anos de destruição do meio ambiente brasileiro. 


Um exemplo


Mas, como em outras fatalidades, aqui também se pode dizer que nem tudo está perdido. Acontece que a natureza é generosa para consigo mesma e, se não continuar sendo agredida pelas pessoas, regenera-se dos danos sofridos. Isto ocorre com maior rapidez se o próprio homem ajudá-la a sarar as feridas. Estamos nos referindo à destruição que agora se comete contra o cerrado, tão ou mais devastadora do que a praticada nas matas atlântica e amazônica. Entretanto, já começam a surgir fazendeiros no Centro-Oeste penitenciando-se do estrago feito em suas terras. Um exemplo é Mário Teixeira de Sousa, que está reflorestando sua propriedade, principalmente com árvores produtoras de frutas e sementes apetitosas para aves e outros animais, buscando restabelecer a vida nativa do local. A fazenda do Mário Passarinheiro fica em Buritis (MG), perto de Brasília. Ali, Fernando Henrique Cardoso também dá uma de fazendeiro, e seria ainda mais exemplar se igualmente replantasse boa parte do que mandou desmatar.


Outro exemplo 


Essa prática do desmatamento, como se faz no cerrado e na mata amazônica, é coisa muito séria. É o começo da desertificação. Quem viu com olhar ecológico recente “Globo Repórter” sobre o Deserto do Saara certamente ficou preocupado quando foram mostrados vestígios de enormes árvores no local, provando que a região já foi uma enorme floresta. Como lá também há restos de antigos moradores, deduz-se que estes usaram e abusaram dos recursos naturais do local, ao ponto de chegar à desertificação. É outro exemplo de que o meio ambiente não pode ser agredido à exaustão. Se a natureza for arranhada aqui e ali, ela mesma cicatriza as feridas. Mas, se o homem fizer agressões generalizadas e não providenciar correções a tempo, a desertificação será inevitável. Já existem amostras de terra brasileira arrasada, como na região da campanha do Rio Grande do Sul e no avanço para o interior das dunas no Maranhão. 


Armação ilimitada 


Pararam de plantar nos veículos de comunicação notícias acusando a água do Parque Nacional de Brasília de “estar contaminada por coliformes fecais”. A calúnia foi morrendo porque vários freqüentadores do local continuaram a beber daquela água e permaneceram sarados e, principalmente, depois que laboratoristas da Universidade de Brasília deram-na como água potabilíssima. Agora, como que patrocinadas por quem quer afugentar ainda mais o público do local, privatizando-o para o lazer de gente endinheirada, gangues lotando vários ônibus são ali despejadas e aprontam a maior zorra, inclusive arrombando automóveis. É mais um capítulo da armação ilimitada contra o PNB, mais conhecido como Parque da Água Mineral.

Ecologia & Saúde

Chega de matança!

22 de março de 2004

      A engenharia civil, particularmente a brasileira, está ameaçada de perder totalmente a credibilidade. É preciso, e com urgência, que suas entidades de classe (os creas) tomem medidas enérgicas contra construtoras que estão arrastando as demais para o buraco da desconfiança perante a opinião pública. Sim, porque se deixaram rolar uma Encol e… Ver artigo







 


 


 


A engenharia civil, particularmente a brasileira, está ameaçada de perder totalmente a credibilidade. É preciso, e com urgência, que suas entidades de classe (os creas) tomem medidas enérgicas contra construtoras que estão arrastando as demais para o buraco da desconfiança perante a opinião pública. Sim, porque se deixaram rolar uma Encol e aquela do Sérgio Naya, fazendo o que fizeram, só resta ao povo suspeitar das demais.


E não basta pegar no pé das construtoras só para evitar que tomem dinheiro dos contratantes e, depois, deixem-nos na condição de infelizes proprietários de esqueletos imobiliários. Ou (o que é pior) de prédios que vêm abaixo, até de modo trágico, com gente dentro, como aquele malfeito pelo Naya, no Rio de Janeiro.


É preciso, também, repensar a tal de arquitetura moderna, que pode até impressionar visualmente mas está deixando muito a desejar em termos de conforto para os ocupantes dos imóveis feitos hoje em dia. São prédios de telhados substituídos por lajes propícias à infiltração da água, de fachadas planas, sem ventilação natural e franqueados à entrada violenta da luz solar. Resultado: para sobreviverem nesses caixotes, as pessoas têm de apelar para aparelhos de ar condicionado e cortinas, que logo tornam o ambiente infectado de fungos e ácaros, para desespero dos alérgicos e asmáticos.


Portanto, são prédios ecologicamente errados e sanitariamente condenáveis. Isto se analisados apenas no aspecto do bem-estar das pessoas que os ocupam, porque também estão revelando-se agressores do meio ambiente, quando feitos em local impróprio e sem exame criterioso do solo e subsolo do local. O(a) leitor(a) quer um exemplo? Lá vai ele, e é brasiliense: Fizeram um prédio enorme, perto da Lagoa do Jaburu, às margens da qual está a residência oficial do vice-presidente da República. Para não ficarem inundados os vários subsolos daquele espigão, obturaram os veios d’água. Em decorrência, a lagoa de cartão postal começou a secar, o que está sendo contornado na forma de piada: estão bombeando água do Lago Paranoá para a lagoa, quando era ela que derramava no lago.


Se o dito acima é uma tragicomédia, agora vamos bradar: Chega de matança!, e requerer que se proíbam os vidros espelhados, como os metidos no anexo do Supremo Tribunal Federal (STF). Acontece que as aves se arrebentam nestes vidros assassinos, por refletirem o céu, horizonte e terra. Das duas uma: ou substituem este material ou coloquem nele tarjas bem visíveis aos pássaros, que a toda hora se estatelam em mais esta aberração da modernosa arquitetura. Zequinha Sarney, faça o STF dar o exemplo!


Efeito-jaburu


Também se constitui numa aberração arquitetônica associada a crime ecológico a construção de um viaduto na saída norte de Brasília, na BR que vai dar em Fortaleza (CE). Ocorre que, por erro de projeto ou para sobrar dinheiro, ao invés de fazerem o viaduto elevado, resolveram encravá-lo no solo. E as escavações terminaram rompendo o lençol freático, que na região é pouco profundo. Resultado: a obra virou questão judicial, ambiental e sanitária, pois ali perto fica a barragem Santa Maria, abastecedora de boa parte de Brasília. Sim, porque, até prova em contrário, aquele monstrengo de concreto ameaça a água de beber da capital federal, seja contaminando-a como, pelo efeito-jaburu, desviando seu curso rumo à barragem.


Professor-pardal


Recebemos nova carta do inventor-projetista-detalhista e algo mais Helmuth Wolfgang Hirth, contando-nos outras das certamente mais de 1001 idéias inventivas que fervem em sua mente para economizar combustíveis, inclusive usando alternativos não-poluentes; barateamento dos custos de produção; métodos produtivos preservadores do meio ambiente, enfim, um elenco de coisas bem boladas. Como estamos apenas aprendendo a produzir frases, encadeando-as para formarem um texto medianamente inteligível, sugerimos que capitães-de-indústria banquem as idéias de nosso professor-pardal, falando com ele pelo telefone (0xx12) 553-4963 ou escrevendo-lhe para Av. Sete de Setembro, 2, Vila Celeste, CEP 12606-150, Lorena (SP).


Terra arrasada


Já carta enviada à Folha do Meio Ambiente pelo prof. Altir Coelho, de Leme (SP), é muito ilustrativa para a questão da agropecuária feita de forma a transformar o solo em terra arrasada. Diz o prof. Altir que, “há mais de 50 anos, os conservacionistas vêm alertando os governantes e ruralistas acerca dos riscos que a degradação dos solos pode acarretar no suprimento da alimentação da população”. E sentencia: “Será dessas mesmas terras que os agricultores, pecuaristas e seus descendentes extrairão os alimentos de sobrevivência condigna.” Portanto, se os produtores rurais não quiserem deixar para os outros, inclusive para seus filhos, netos, enfim, para as futuras gerações, terras desérticas, devem explorar o solo de forma menos agressiva possível, para não ser corroído pela erosão e nem contaminado pelo uso desenfreado de agrotóxicos e adubação química. E reparar o que ainda não foi irremediavelmente degradado!

Ecologia & Saúde

Vanzolini

22 de março de 2004

    Boa, muito boa (quase excelente) a entrevista de Paulo Vanzolini, que ocupou cinco páginas da última edição desta Folha do Meio Ambiente. O médico formado pela USP e zoólogo, com doutorado em Harvard, tendo 76 anos de idade e pesquisando a Amazônia há 55, principalmente na área de répteis e anfíbios, disparou farpas… Ver artigo







 


 


Boa, muito boa (quase excelente) a entrevista de Paulo Vanzolini, que ocupou cinco páginas da última edição desta Folha do Meio Ambiente. O médico formado pela USP e zoólogo, com doutorado em Harvard, tendo 76 anos de idade e pesquisando a Amazônia há 55, principalmente na área de répteis e anfíbios, disparou farpas contra os que se metem a dar palpites sem conhecer a realidade nua e crua daquela região. Seus alvos favoritos são as organizações não-governamentais ambientalistas e religiosos infiltrados nas comunidades de caboclos amazônicos, iludindo-os de Bíblia em punho.


“ONG, para mim, não vale nada, com raríssimas exceções. E quem mora na Amazônia sabe que a região está cheia de falsos missionários”, alfinetou o dr. Vanzolini, diagnosticando que as ONGs são personalistas e, seus dirigentes, ignorantes e pretensiosos. Quanto aos supostamente a serviço de Deus, há muitos mais prestativos, isto sim, a potências estrangeiras de olho nas riquezas do território amazônico. E revelou que, quando esteve pesquisando no rio Negro e fez amizade com alguns missionários abnegados, eles mesmos deduravam certos pastores, dizendo: “Eles são espiões da CIA.”


Nesse aspecto, faltou na entrevista perguntar a Vanzolini se também muitos integrantes de ONGs não fazem o papel de lacaios de interesses alienígenas. Certamente, responderia que sim. É claro que a maioria dos ambientalistas é formada de gente preocupada com as agressões à Natureza, mas há, também, os de olho nas doações vindas do exterior. E, aqui, ainda valeria indagar ao entrevistado se o que os gringos mandam para alimentar as ONGs é só por amor ao meio ambiente ou é mais a fim de manter intocados os recursos naturais brasileiros, na forma reservas estratégicas para explorarem futuramente. E também para que a fotossíntese daqui lhes mande oxigênio…


O cientista, também poeta e sambista (é co-autor de “Volta por cima”, “Ronda” etc.), considera que, mesmo as boas ONGs deixam a desejar. “Os serviços que prestam são fracos, porque todo fanatismo não tem objetividade”, disse Vanzolini, ressalvando que “trabalho bom e inteligente de ONG só o do José Márcio Ayres”, em Mamirauá, entre os rios Japurá e Amazonas. “O Márcio, em termos de ONG, está fazendo a única coisa que conheço em defesa da Amazônia. Ele está organizando e educando as comunidades de forma sensata, democrática e com espírito público. Os outros, são fanáticos, radicais, pretensiosos”, disparou Vanzolini.


Mas, para nós, piores do que esses malucos espinafrados pelo velho cientista são os ecopicaretas, que se valem da causa ambiental para tirar proveito próprio, inclusive alimentados por interesses estrangeiros.


6 por 1/2 dúzia


A propósito do dito acima, conclamamos, através desta coluna, os filiados à Associação dos Amigos da Água Mineral (nome popularizado do Parque Nacional de Brasília) a escolherem novos dirigentes da entidade entre pessoas comprometidas a não usarem dela para promoção pessoal, a fim de não trocarem 6 por S dúzia. Os antigos aboletados no poder reagiram, mandando cartas peçonhentas a este jornal. Não vamos respondê-las: os eleitores do parque o fizeram por nós, derrotando os missivistas. Agora, é torcer para que os substitutos façam promoção ambiental e não pessoal. 


Vice-versa


A galera sofre mas não aprende, e temos nova safra de dengue, com as autoridades sanitárias obrigadas a gastar uma fortuna para tratar os doentes e combater os mosquitos transmissores. Tudo porque a turma deixa acumular água em objetos destampados. Em nossa casa, também fazemos isto, mas de propósito, na forma do vice-versa: colocamos bebedouros para os cachorros, gato e aves em vários pontos, lavando-os e trocando a água todos os dias, o que anula a desova dos pestilentos Aedes aegiptii e albopictus.


Pegando no pé


Por falar em autoridades sanitárias, elas pegaram no pé do amendoim por um motivo correto, já que ele e seus derivados, se estiverem com mofo, podem provocar câncer no fígado. Só que a ação dos agentes da Saúde Pública é tão parcial que parece encomendada pela indústria de óleo, que estaria querendo toda a safra de amendoim para si. Isto porque o ataque ao “viagra” caboclo também deveria disparar contra outras sementes oleosas, que, se mofadas, são igualmente um tiro e queda na saúde de seus consumidores.


Ecologia


Em breve, quando você abastecer-se na seção de alimentos congelados, ou for servido nas refeições de viagens aéreas, poderá estar certo de que comerá não apenas produtos higienicamente elaborados e de altos teores nutritivos, mas ecologicamente corretos. Isto se tiverem a marca “Cuisine Solutions”, uma indústria presente na França, Noruega, Estados Unidos e que montou fábrica no Distrito Federal, com produção toda feita sem agredir o meio ambiente. Por exemplo, as sobras vão para a reciclagem, o esgoto é processado, com a água indo irrigar os jardins, enfim, nada sai da fábrica de forma a poluir a terra, água e o ar. Também as matérias-primas são analisadas.

Ecologia & Saúde

Conta-gotas

22 de março de 2004

      Bem-vinda a Agência Nacional de Águas (ANA), recém-instalada pelo Governo Federal para disciplinar a exploração e uso do líquido vital para os humanos, animais e vegetais. E o pessoal da ANA já pode começar mostrando um servição se atacar de frente a catástrofe hídrica que se desenha no futuro dos moradores de… Ver artigo

 

 

 

Bem-vinda a Agência Nacional de Águas (ANA), recém-instalada pelo Governo Federal para disciplinar a exploração e uso do líquido vital para os humanos, animais e vegetais. E o pessoal da ANA já pode começar mostrando um servição se atacar de frente a catástrofe hídrica que se desenha no futuro dos moradores de Brasília.

Ocorre que Brasília foi sonhada por Juscelino Kubitschek & Cia. para ter, nas asas sul, norte e entorno, uns 500 mil habitantes. Então, fez-se a nova capital federal num planalto que, pela própria topografia, só tem nascentes d'água. Tudo funcionaria a contento se a criação de JK não caísse na explosão demográfica motivada pelo chamarisco da distribuição até de graça de lotes e da venda dos imóveis funcionais. Neste segundo aspecto, servidores públicos que deixariam Brasília depois de completarem suas missões, como compraram as moradias que seriam de uso temporário, terminaram amarrados ao Distrito Federal, e mais casas e apartamentos tiveram de ser construídos para alojar os novos funcionários. Resultado: a nova capital já está com quatro vezes mais gente do que o previsto pelos seus planejadores. E haja água para tantos!

O rio mais viável de suplementar o abastecimento d'água do Distrito Federal (o Corumbá) fica a 100 Km de distância. Esta água chegará caríssima ao planalto brasiliense, pelos custos de represamento, tubulações, estações de bombeamento e outros quesitos, entre os quais o pagamento de direito de exploração a Goiás, onde corre o rio. Esta projeção de gasto a ser coberto pelos brasilienses não estaria hoje em cogitação se, na década de 80, tivessem represado o rio S. Bartolomeu, que recebe a água da quase totalidade dos córregos do DF, resultando num lago maior do que a Baía da Guanabara e a só 15 Km de Brasília. Mas as autoridades daquela época deixaram a idéia de lado, assustados porque o lago do S. Bartolomeu obrigaria a remover uma comunidade de seita religiosa (o Vale do Amanhecer). Agora, o projeto está inviabilizado, pois, embora morta tia Neiva, líder da crença, aquelas terras desocupadas na ocasião viraram condomínios residenciais.

E a crise no abastecimento d'água no Distrito Federal, de uns cinco anos para cá, ganhou mais um componente de agravamento: os poços artesianos. Como custam relativamente pouco, estão sendo abertos a torto e a direito, esgotando o lençol freático e até abrindo caminho para poluí-lo. E é aqui que conclamamos a Agência Nacional da Águas a agir com firmeza para que não poluam e sequem uma a uma as nascentes no Distrito Federal e a água termine chegando a seus moradores em conta-gotas. Sim, porque quem é antigo na região e costuma caminhar por aí sabe de muita mina d'água que secou. 

Privatização

O Parque Nacional de Brasília (PNB) está na mira da privatização, na modalidade eufemística de ter seus serviços terceirizados. Então, se é assim que caminha o destino do mais saudável recanto brasiliense, para o lazer e esporte, que a Associação dos Amigos do PNB caia na real, desatrelando-se do protesto-pelo-protesto, e se candidate a assumir a administração do mais conhecido como Parque da Água Mineral. Gabarito é que não falta aos freqüentadores para tocar a empreitada. Ali tem gente que é ou foi da alta direção de órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e da iniciativa privada. Isto posto, altere-se os estatutos da associação, para dar-lhe cunho empresarial, e vá-se à luta para ganhar a concorrência com outros, que só vêem o PNB pela ótica de ganhar dinheiro e que se dane a ecologia. Além do mais, o local está inserido na problemática exposta acima, nesta coluna. Acontece que, em sua área, fica a represa Santa Maria, responsável pelo abastecimento do Plano Piloto a Asa Norte de Brasília, ano a ano recebendo menos água das nascentes, inclusive pelo efeito dos poços artesianos. Ou a nova diretoria da associação também só quer aparecer e aporrinhar o IBAMA?

Vaca-louca

Não demorou para ficar provado que essa estória de estar o rebanho bovino brasileiro contaminado pelo mal da vaca-louca não passou de uma manobra de chantagem comercial internacional. Bastou uma rápida inspeção de sanitaristas estrangeiros em fazendas e frigoríficos daqui para que constatassem a sanidade da nossa carne bovina, que é, inclusive, produzida de forma ecologicamente correta, ou seja: o boi brasileiro continua vegetariano, portanto, comendo capim. Já o de onde surgiu o mal da vaca-louca recebe alta suplementação alimentar de farinhas de carne e ossos, o que resultou em desgraça para seus pecuaristas, porque se usou para fazer aquelas farinhas subprodutos de ovelhas cronicamente portadoras da doença.

Peixe-boi 

Como falamos do boi brasileiro produtor de carne ecologicamente correta, vale elogiar a repetição do "Globo Repórter" que mostrou a importância do peixe-boi. É que o assemelhado aquático do Faustão, quando o rio enche e inunda a várzea, vai lá pastar. Depois, com o fim das chuvas e a baixa das águas, usando o corpanzil ituano que a Natureza lhe dotou, rompe a vegetação, para retornar ao leito do rio, abrindo caminho aos outros peixes, evitando que se emaranhem no capim e morram quando a várzea secar. 

Ecologia & Saúde

Conta-gotas (2)

22 de março de 2004

    Na edição anterior desta Folha do Meio Ambiente, sugerimos que a recém-instalada Agência Nacional de Águas (ANA) começasse por Brasília a cuidar do futuro da coletividade. Naquela coluna, procuramos explicar que a nova capital do país está à beira do desabastecimento d’água. Isto porque, pela própria natureza do planalto escolhido para concretizar a… Ver artigo







 


 


Na edição anterior desta Folha do Meio Ambiente, sugerimos que a recém-instalada Agência Nacional de Águas (ANA) começasse por Brasília a cuidar do futuro da coletividade. Naquela coluna, procuramos explicar que a nova capital do país está à beira do desabastecimento d’água. Isto porque, pela própria natureza do planalto escolhido para concretizar a obra de Juscelino Kubitschek, ali só há nascentes e riachos, que estão secando em decorrência da ocupação desordenada do solo, com a sua impermeabilização por concreto e asfalto; dos desmatamentos e abertura desenfreada de poços artesianos. Tudo resultante do fato de a demagogia habitacional ter promovido a tomada de assalto de suas terras, fazendo com que os 500 mil moradores previstos no planejamento inicial para o ano 2000 sejam agora quatro vezes mais consumidores de bens e serviços. 


Naquele texto, informamos que autoridades do Governo do Distrito Federal buscam a solução simplista de canalizar para Brasília água de um rio de Goiás, distante uns 100 km. Salientamos que, com o custo de barragem, tubulação, bombeamento, tratamento e, é claro, mais o pagamento de direito de exploração ao estado vizinho, o líquido chegará caríssimo aos brasilienses. E lembramos que todo este drama não estaria em cartaz se, há uns 15 anos, tivessem formado a represa do ribeirão S. Bartolomeu, em terras da capital e perto dos consumidores. A idéia, que resultaria num lago maior do que a Baía da Guanabara, morreu no projeto, porque políticos da época ficaram com medo de remover uma comunidade mística da região e, hoje, o assunto não pode ser ressuscitado pois aquelas terras foram tomadas por condomínios irregulares até prova em contrário.


Pois bem: achamos que a Agência Nacional de Águas deveria buscar solução prioritária para a iminente falta d’água no Distrito Federal, começando por acabar com a farra da perfuração de poços artesianos, que, além de esgotarem os lençóis freáticos, abrem caminho para contaminá-los. Mas agora, diante de cenas de telejornais, revimos nossa recomendação. Acontece que outras cidades (S. Paulo, por exemplo) também reclamam ação urgente da ANA, para não terminarem sendo abastecidas d’água a conta-gotas.


As imagens da TV também levam a um diagnóstico preocupante quanto ao suprimento de energia elétrica. É mais um abacaxi a ser descascado pela ANA, porque as agressões ao meio ambiente não estão deixando sem água apenas as torneiras das cidades, como também as barragens construídas para fazer girar as turbinas das hidrelétricas. Há que agir rápido para que de dia não falte água e de noite se fique sem luz.


Caras-de-pau


A propósito do dito acima, mais exatamente no tocante ao mostrado nos noticiários da TV, apareceram na telinha uns caras-de-pau acusando a falta de chuvas de culpada pelo desabastecimento urbano e colapso iminente das hidrelétricas. É verdade que a estação chuvosa deste ano, no Centro-Oeste do país, está com precipitações abaixo dos níveis tradicionais. Mas não é por aí que se vai concluir por que as represas estão secando. A pouca chuva só fez com que aflorasse a verdadeira razão do problema, que se resume no seguinte: agressão ao meio ambiente. Traduzindo: os rios que abastecem as hidrelétricas e reservatórios para abastecimento canalizado estão recebendo menos água de seus afluentes, porque estes têm suas nascentes minguando por desmatamentos e esgotamento dos lençóis freáticos sangrados pela proliferação de poços artesianos. E a água destes rios também está sendo espoliada pelo desperdício facilmente observável nos sistemas de irrigação de lavouras, com regos levando água para lugar nenhum e pivôs desperdiçantes.


Preservação


Então, para não ficarmos de torneiras secas e no escuro pelo colapso das hidrelétricas, a saída se chama “preservação da água”. Isto mesmo, porque a água, no Terceiro Milênio, que acaba de começar, será mais importante do que o petróleo. Assim, as pessoas devem parar de poluir os cursos d’água, usando-a sem esbanjamento. Não desmatar nas nascentes, reflorestando onde a vegetação foi morta. Evitar ao máximo impermeabilizar o solo com asfalto e concreto, para que a água da chuva se infiltre no solo e recarregue o sistema de alimentação dos córregos. (Neste aspecto, jardins, gramados e o plantio de árvores retêm as águas da chuva, que, assim, não rolam por aí provocando inundações e erosão do solo.) E outra coisa: onde a água já está em quantidade crítica, deve-se providenciar sua reciclagem.


Parabéns


Quando escrevíamos esta coluna, deu no noticiário que a Companhia de Águas e Esgotos do Distrito Federal (Caesb) resolveu interditar os poços artesianos irregulares e cobrar pela água extraída nos demais. Se a medida for mesmo para valer, parabéns ao pessoal da Caesb.


Também merecem aplausos os novos dirigentes da Associação dos Amigos da Água Mineral (como é mais conhecido o Parque Nacional de Brasília). Eles decidiram transformar a associação numa entidade civil qualificada para assumir a administração e preservação daquele ecossistema. 

Ecologia & Saúde

Colecionador de vidas

22 de março de 2004

    É certo que não cairá no esquecimento a reportagem que ocupou as duas páginas centrais da edição de março desta Folha do Meio Ambiente, contando o que o empresário Carlos Schneider está fazendo para preservar as nascentes d’água de interesse para o abastecimento de Joinville (SC). Calejado pela constatação, ao longo de seus… Ver artigo







 


 



É certo que não cairá no esquecimento a reportagem que ocupou as duas páginas centrais da edição de março desta Folha do Meio Ambiente, contando o que o empresário Carlos Schneider está fazendo para preservar as nascentes d’água de interesse para o abastecimento de Joinville (SC). Calejado pela constatação, ao longo de seus 76 anos de vida, de que nem sempre funcionam os apelos para que as pessoas não agridam a natureza ao ponto de poluir e até fazer secarem as nascentes dos ribeirões, este descendente de imigrantes alemães, que construíram aquela pujante cidade, partiu para medida radical e bem no estilo germânico: foi comprando terras em glebas de tamanho suficiente para manter protegidos os minadouros de água ainda pura e farta.

Essas nascentes ficam nas encostas da Serra do Mar, e Schneider, depois de analisar se a topografia as protegia de futura contaminação, adquiria os terrenos ao redor delas em tamanho o maior possível. Assim, de compra em compra, já tem quase 10 mil hectares protegendo a minação de águas de alta potabilidade, e pretende acrescentar mais glebas a este seu projeto conservacionista. Neste aspecto, podemos derivar para considerações econômicas, visto que o que aquele catarinense faz hoje, aparentemente apenas com objetivo ecológico, amanhã se revelará vital ao abastecimento d’água para a população local. Então, queiram ou não os patrulheiros atuais e futuros do procedimento de Carlos Schneider, ele terá o direito de cobrar pelo fornecimento de água pura que preservou brotando em suas propriedades. 

Assim sendo, que outras pessoas imitem esse exemplo vindo do sul do país. Quem já é proprietário de terra com minação de água pura, providencie a proteção do local contra a erosão, inclusive plantando mais árvores no entorno e evitando acima de tudo a instalação nas cercanias de agentes poluidores, principalmente currais, chiqueiros, fossas etc. Em suma, deve-se manter a área em seu estado nativo ou reparar alguma agressão que tenha sofrido. Os dispostos a investir para o futuro próprio ou de herdeiros, que saiam por aí comprando terras virgens com minas d’água, como está fazendo Schneider em Santa Catarina. A médio ou longo prazo, não se arrependerão. E lucrarão…

Acontece que a água pura está ficando cada vez mais rara e mais requisitada, devido ao aumento populacional. Se no Século XX o líquido precioso foi o petróleo, observa-se que a briga no século que começa tende a ser pela água, principalmente a de beber. Então, que tal você também ser um colecionador de nascentes, ou melhor: um colecionador de fontes de vida, porque a água pura sempre foi e será ainda mais vital no Século XXI? Querem um exemplo: já há locais onde a água mineral é mais cara que a gasolina…

Lençol freático

A idéia delineada acima precisa entrar na cabeça das autoridades do Distrito Federal, nem que seja por força de ação enérgica do Ministério Público e Ministério do Meio Ambiente. Ocorre que é pouco profundo o lençol freático na região de Brasília. Mesmo assim, teima-se em construir na cidade e entorno fazendo-se escavações profundas. Em decorrência, a toda hora rompem-se veios d’água, provocando desperdício no reservatório hídrico e até expondo-o ao perigo de contaminação. Nas saídas sul e norte de Brasília, dois viadutos em construção são exemplos desta agressão à natureza.

Luz poluente

Fizeram-nos pagar uma das tarifas de energia elétrica mais caras do mundo. Tudo bem se este sobrepreço revertesse na construção de mais geradoras e redes de distribuição de eletricidade. Mas os fatos levam a crer que nosso suado dinheiro escorreu pelo ladrão das caixas coletoras, porque estamos na iminência de racionamento de luz e força, com a desculpa simplista de que choveu pouco. Então, mandam-nos comprar lâmpadas fluorescentes, alegando-se que gastam menos energia. Só que custam 20 vezes mais do que as convencionais e, quando quebradas, liberam um pó tóxico. 

Transgênicos

É claro que um alimento geneticamente modificado só deve ser vendido aos consumidores depois de exaustivas pesquisas quanto a suas vantagens econômicas, sanitárias e nutricionais sobre o produto convencional. Assim sendo, que o público (e principalmente a Polícia) fique de olho neste pessoal que investe com violência contra locais onde são feitas experiências para a produção de transgênicos, que já se revelaram mais produtivos e resistentes à pragas e doenças. A propósito destas características, investique-se se os patrulheiros antitransgênicos (inclusive alguns estrangeiros aqui infiltrados) não estão de cabeça feita e bolsos supridos pelos produtores de agrotóxicos.

Ecologia & Saúde

Apagão da vida

22 de março de 2004

    A crise no abastecimento de energia elétrica, que está deixando os consumidores em pé-de-guerra contra o Governo Federal, é uma decorrência do não-reforço na geração e/ou distribuição deste insumo e das agressões ao meio ambiente, que descontrolaram o regime de chuvas e da penetração da água no solo. No segundo aspecto, este quadro… Ver artigo







 


 

A crise no abastecimento de energia elétrica, que está deixando os consumidores em pé-de-guerra contra o Governo Federal, é uma decorrência do não-reforço na geração e/ou distribuição deste insumo e das agressões ao meio ambiente, que descontrolaram o regime de chuvas e da penetração da água no solo. No segundo aspecto, este quadro negro foi pintado por pessoas ignorantes dos malefícios que estavam provocando na natureza ou por ação consciente de gente só interessada em obter lucro às custas da derrubada de árvores e plantios sem a proteção do solo.


Há anos que entendidos no assunto vêm alertando os governantes para a iminente e grave crise no abastecimento de energia elétrica nas regiões distantes das grandes hidrelétricas de Iguaçu, no Paraná, e Tucuruí, no Pará, onde há sobra no fornecimento e capacidade de aumento na geração, instalando-se mais turbinas. Então, era preciso fazer novas redes de transmissão elétrica e reforçar as existentes (os “linhões”). Mas as autoridades andaram lento, quase parando, no encaminhamento da solução do desabastecimento que se aproximava.


E aquelas hidrelétricas (Iguaçu e Tucuruí) ficaram jogando água pelos ladrões, quando este líquido poderia estar gerando energia elétrica para as localidades agora carentes, onde seus moradores são forçados a cortar no consumo, sob ameaça de pagar sobretaxa pelo gasto excedente e de ficar no escuro se não fizerem este dever de casa imposto pelos governantes. A propósito, foram os governantes (muitos atuais e outros de presença recente na cúpula dirigente da nação) que não passaram a limpo as anotações das aulas da realidade que mostravam a necessidade de reforçar o fornecimento de energia elétrica. E mais: enquanto a área governamental energética ia a passo de tartaruga, o segmento liberal-modernoso estimulava o povo a comprar mais eletrodomésticos, inclusive liberando a importação de aparelhos gastadores de energia elétrica que, por isto mesmo, estavam encalhados em seus países de origem. Também empresários foram incentivados a gastar mais eletricidade.


E outra coisa: não cola essa desculpa de que os reservatórios das hidrelétricas das regiões do racionamento estão com pouca água devido à carência de chuvas. As chuvas não foram assim tão fracas, e não é de agora que tais represas recebem menos água. É uma escalada visivelmente progressiva, porque pouco se fez contra o apagão ecológico resultante da retirada da cobertura vegetal, que leva a uma cada vez menor infiltração de água da chuva no solo, prejudicando a alimentação permanente dos ribeirões que deságuam nos rios que formam os lagos das hidrelétricas.


 


Enganação


Entre as medidas recomendadas para diminuir o consumo de energia elétrica, algumas até com o respaldo de autoridades governamentais, estão uns contra-senso econômicos e, outras, são atentados ecológicos. Por exemplo: recomendam comprar-se lâmpadas “frias”, só que estas custam até 20 vezes mais do que as comuns, além de, se quebradas, liberarem um pó branco altamente tóxico. Também andaram expondo (até no Palácio do Planalto) eletrodomésticos ditos de baixo consumo de eletricidade, e também com preços estratosféricos, como uma geladeira de R$ 3 mil, quando sua equivalente convencional está na faixa de R$ 600,OO. Além do mais, estão estimulando a geração de energia elétrica com motores a diesel, poluidores sonoros e do ar, por fazerem um barulhão ensurdecedor e soltarem aquela fumaceira asfixiante. Outra enganação diz respeito ao estímulo à substituição dos aparelhos elétricos pelos a gás. É uma tragédia anunciada de intoxicações, explosões, queimaduras e mortes de muita gente, principalmente velhos e crianças. Tudo para que se poupe uma energia ecologicamente correta, porque a eletricidade não polui e é abundante no país, só que sobrando em alguns lugares e faltando noutros. Não por culpa dos usuários, que pagam uma das tarifas mais caras do mundo e não estão vendo, agora, retorno em abundância no fornecimento de energia elétrica.


Sucateamento


O Parque Nacional de Brasília, com 30 mil hectares de área, não fica muito tempo livre de notícias que só servem para afugentar os visitantes. Já plantaram nos veículos de comunicação informações dizendo que havia uma onça faminta rondando as piscinas; que um tarado ficava passando cerol na mão na Trilha da Capivara; que matilhas de cães ferais andavam atacando por lá; que a água da mina onde tradicionalmente se bebe e enche garrafões para consumo em casa está contaminada, embora quem a beba se sinta cada vez mais saudável, e, agora, que na mesma mina tem uma cobra venenosa. Os que conhecem há anos esta reserva florestal do IBAMA, mais conhecida como Parque da Água Mineral, não levam a sério estas notícias, por só andarem nas trilhas liberadas, observarem onde pisam e compararem a água de beber dali com a vendida na cidade, encanada ou engarrafada. Então, dá para suspeitar que o noticiário negativo acerca do Parque da Água Mineral tem por objetivo sucatear seu valor, para que seja privatizado (ou terceirizado) bem baratinho, devido à drástica redução que se observa em sua freqüência. Depois, dir-se-á que a área está livre de tarado, onça, cachorro bravo, que a mina foi purificada e o público pode ir lá comprá-la…

Ecologia e Saúde

Crimes ecológicos

22 de março de 2004

    Fomos metidos numa crise no abastecimento de energia elétrica parecendo que o país está em guerra, com suas principais geradoras e linhas de transmissão tendo sido bombardeadas, sabotadas ou coisa que o valha. Mas não: aí estão inteirinhas as fiações e suas enormes hidrelétricas, sobre as quais foi assentado o modelo eletroenergético brasileiro…. Ver artigo






 


 


Fomos metidos numa crise no abastecimento de energia elétrica parecendo que o país está em guerra, com suas principais geradoras e linhas de transmissão tendo sido bombardeadas, sabotadas ou coisa que o valha. Mas não: aí estão inteirinhas as fiações e suas enormes hidrelétricas, sobre as quais foi assentado o modelo eletroenergético brasileiro. Também nenhum mal acometeu as termoelétricas e o complexo atômico de Angra dos Reis (RJ).


Então, por que estamos sendo ameaçados de ficar no escuro, por efeito de apagões gerais ou individuais, caso alguém ultrapasse a cota de consumo estipulada, também com pagamento de sobretaxa pelo gasto além-cota? Porque os governantes consideram que S. Pedro não mandou chover o bastante para encher os lagos das hidrelétricas do centro-leste e nordeste do país. É uma meia-verdade, porque as chuvas na região não foram lá tão fracas assim. Acontece que, pelo efeito da retirada da cobertura vegetal do solo, as águas chegam mais rápido às hidrelétricas, tendo de ser jogadas fora pelos vertedouros. Tudo porque pouco se fez para que o solo retenha a água, que, infiltrando-se, alimenta gradativamente os rios, evitando, também, que sejam assoreados pela terra arrastada nas enxurradas.


A propósito do assoreamento dos rios, se essa agressão ecológica não for contida, logo os lagos das hidrelétricas estarão entupidos de barro, com suas turbinas impossibilitadas de continuarem gerando eletricidade. Aí, sim, seremos castigados por um apagão ecológico. Tudo porque as autoridades de hoje e de ontem não tomaram medidas enérgicas contra as agressões ao meio ambiente. Isso mesmo: faltou educação ambiental casada com punição exemplar para os maus alunos, e não venham agora os governantes ameaçando todos os consumidores de energia elétrica, quando a culpa é sua, não deles.


E tem mais: há hidrelétricas com folga na geração de energia, como Itaipu(PR) e Tucuruí(PA). Só que as autoridades foram mais uma vez imprevidentes e não providenciaram linhas de transmissão elétrica para reforçar a demanda nas regiões hoje necessitadas de luz e força. Pudera!, foram construir megahidrelétricas lá nos cafundós-de-judas… Tudo devido à megalomania de alguns governantes e ao banditismo de outros, para ganharem comissões também grandes… Não seria mais lógico semear-se pequenas e médias hidrelétricas em cada desnível dos muitos rios brasileiros? Se assim tivessem feito, nossas ilustres autoridades não teriam cometido os crimes ecológicos de inundarem milhões de hectares de terras das mais férteis do mundo, como as submersas por Três Marias(MG) e Itaipu(PR), e extinguirem parcela significativa do patrimônio vegetal e animal do país.


Exemplos


As pessoas, muitas vezes, ficam sem entender por que um país territorialmente pequeno como a Alemanha conseguiu sustentar uma luta duradoura contra tantos inimigos poderosos, na 2º Guerra Mundial. Uma das razões daquela proeza é que sua indústria bélica estava plenamente abastecida de energia elétrica. Mas como? Porque foram construídas usinas em todos os rios de montanhas escarpadas. Com isso, a alemoada tinha eletricidade barata e gerada perto, em terreno acidentado difícil de ser bombardeado. Além do mais, pouco se agredia o meio ambiente, visto que tal tipo de terreno montanhoso pouco tem de fauna e flora. Já aqui no Brasil Grande, fizeram hidrelétricas faraônicas, distantes dos centros consumidores e ferindo de morte a natureza. Até militarmente cometeram as maiores burradas, porque, no caso de entrar o Brasil em algum campeonato bélico, não será nada fácil cercar o inimigo, impedindo-o que exploda em vôos rasantes as gigantescas barragens construídas em áreas descampadas. Já no caso de Itaipu, mesmo em tempo de paz, pode meter o Brasil na maior encrenca com a Argentina. Acontece que o país vizinho, quando se projetava construir aquela hidrelétrica, julgou-se ameaçado e deixou registrado na História pedido para que não se fizesse obra daquele vulto. Então, se por uma fatalidade romper-se a barragem do enorme lago e parte da Argentina, inclusive sua capital, for quase que varrida do mapa, o Brasil não terá como fugir da responsabilidade e conseqüente indenização dos danos.


Petrobras boicotada


O leitor atento e a leitora perspicaz já devem ter observado como, de uns tempos para cá, a presença da Petrobras no noticiário mudou do positivo para o negativo. Antes, a grande estatal brasileira só era motivo de manchetes do tipo “Bateu mais um recorde na produção de petróleo”, “Descobre enorme lençol petrolífero”, “Está perto de tornar o Brasil auto-suficiente em combustíveis” e assim por diante. Agora, passou a gerar noticias contra a economia e a ecologia, de derramamento de petróleo no mar e rios, naufrágio de plataforma marítima valendo US$ 1 bilhão, rompimento de oleoduto bem no meio de condomínio residencial de luxo, vazamento de gás às margens de grande rodovia e outras tragédias. Este sucateamento da imagem e ações da Petrobras dói na memória nacionalista, porque a empresa nasceu de uma luta histórica, vinda desde Monteiro Lobato, que propugnava pela libertação do Brasil da dependência do petróleo estrangeiro. E este sonho vinha tornando-se realidade, mas parece que querem apagá-lo, boicotando a Petrobras.

ECOLOGIA & SAÚDE

Ecopicaretas

19 de março de 2004

Sergio Ângeli* O leitor sabe que rola uma CPI sobre as ONGs ambientalistas? Se sabe, é por acaso, pois raramente algum veículo de comunicação dá notícia desta comissão parlamentar de inquérito. Uma das exceções é esta Folha do Meio Ambiente, que já abordou o assunto várias vezes. Então, você deve disparar cartas, e-mails, telefonemas, ou… Ver artigo





Sergio Ângeli*

O leitor sabe que rola uma CPI sobre as ONGs ambientalistas? Se sabe, é por acaso, pois raramente algum veículo de comunicação dá notícia desta comissão parlamentar de inquérito. Uma das exceções é esta Folha do Meio Ambiente, que já abordou o assunto várias vezes. Então, você deve disparar cartas, e-mails, telefonemas, ou seja, botar a boca no trombone para que os jornais, revistas, rádios e TVs dêem mais novidades sobre o que os parlamentares apuraram a respeito dessas entidades não-governamentais. Assim, por tabela, o pessoal da CPI será forçado a liberar novas informações.


São coisas do arco-da-velha o que já veio à tona, como, por exemplo, que há ONG servindo de fachada para que estrangeiros comprem áreas no interior do Brasil até maiores do que a de seus municípios europeus, japoneses, norte-americanos tidos como grandes na terra deles, e, nestas glebas, há indícios da exploração de trabalho escravo. Outras destas entidades acobertam missões religiosas que fazem lavagem cerebral nos índios e caboclos, não só eliminando seus traços culturais como de brasilidade.


Claro que a CPI também apurou haver OGNs ambientalistas benéficas ao Brasil. Mas o que vem ao caso é denunciar, proibir que continuem funcionando e levar até para trás das grades os “ecopicaretas” que são testas-de-ferro de empreendimentos contrários aos interesses nacionais.


“ONG, para mim, não vale nada, com raríssimas exceções”, disse em entrevista publicada aqui na Folha do Meio Ambiente o médico e zoólogo Paulo Vanzolini, que há 55 anos pesquisa na Amazônia, alfinetando que “as ONGs são personalistas e, seus dirigentes, ignorantes e vaidosos”. O cientista, de 76 anos, formado pela USP e doutorado em Harvard, também revelou que, quando fazia pesquisas na rio Negro, fez amizade com alguns missionários que classificou de abnegados, e estes mesmos religiosos denunciaram a ele que “muitos pastores infiltrados no Brasil são espiões da CIA”.


O dr. Vanzolini, que, nas horas vagas, comete poemas e letras de samba (é co-autor de “Volta por cima”, “Ronda” etc.), considerou que, mesmo as boas ONGs deixam a desejar, explicando: “Os serviços que prestam são fracos, porque todo fanatismo não tem objetividade”, mas ressalvou que “trabalho bom e inteligente de ONG é o de José Márcio Ayres”, em Mamirauá, entre os rios Japurá e Amazonas. “O Márcio, em termos de ONG, está fazendo a única coisa que conheço em defesa da Amazônia. Ele está organizando e educando as comunidades de forma sensata, democrática e com espírito público. Os outros são fanáticos, radicais, pretensiosos”, disparou Vanzolini, que precisaria ser convidado a depor na CPI das ONGs, pois tem uma volumosa bagagem de informações sobre como algumas agem em benefício do Brasil e, outras, são cabides de emprego para ecopicaretas, havendo entre eles até os a serviço de interesses estrangeiros.



Dá pra desconfiar!…


De uns quatro anos para cá, deram para plantar nos veículos de comunicação notícias de que está contaminada a água da mina da Piscina Velha, do Parque Nacional de Brasília. Mas quem bebe no local e também leva aquela água para casa testemunha não sofrer nenhum desarranjo gastrintestinal, e também seus familiares passam bem. Agora, os fiscais de Saúde Pública do Distrito Federal fizeram uma operação-relâmpago por toda Brasília e cidades-satélites recolhendo de roldão folhas e raízes de árvores usadas pela medicina fitoterápica e de eficiência garantida de pai para filho há séculos. Tudo bem se fosse para condenar e recolher produtos mofados ou impuros, mas só se salvaram os encarecidos pela intermediação, manipulação, embalagem e custos de registro na burocracia governamental. Dá para desconfiar que por trás desse zelo pela saúde pública estejam outros interesses, pois os fiscais cuidariam melhor dela se, por exemplo, fossem fechar bares e restaurantes sujos. Também deveriam apreender remédios com prazo de validade vencido e muitos anabolizantes vendidos em academias de ginástica. Já no caso do Parque Nacional de Brasília os interesses ocultos são muitos, como o das engarrafadoras de água mineral; dos que querem depreciar o local, para privatizá-lo baratinho etc. e tal. E, ainda sobre a cruzada brasiliense contra os fitoterápicos, se a moda pegar, caro leitor, remédios naturais também serão perseguidos em sua cidade!

ECOLOGIA & SAÚDE

Impacto ambiental

19 de março de 2004

    Na Física, há uma lei implacável, impondo que à toda ação corresponde uma reação. Também na Ecologia ocorrem respostas inevitáveis ao que se fizer a favor ou contra o meio ambiente. É por isto que devemos meditar muito antes de mexer numa área que a Natureza levou sabe-se lá quanto tempo para ali… Ver artigo





 


 


Na Física, há uma lei implacável, impondo que à toda ação corresponde uma reação. Também na Ecologia ocorrem respostas inevitáveis ao que se fizer a favor ou contra o meio ambiente. É por isto que devemos meditar muito antes de mexer numa área que a Natureza levou sabe-se lá quanto tempo para ali equilibrar a convivência animal e vegetal.


Um exemplo positivo da ação do homem sobre o meio ambiente é o que se faz na recuperação da Mata Atlântica, com o replantio da flora típica do local e reprodução protegida de animais também de espécies dali nativas. Já um caso negativo é o observável no Parque Nacional de Brasília (PNB). Lá, alguém (seu nome não vem ao caso citar) soltou há uns 10 anos alguns macacos-prego. Resultado: os símios proliferaram ao ponto de acabar com os parentes nativos (micos e bugios), assaltam os freqüentadores, em busca de alimento, e também comem os ovos e filhotes dos passarinhos, tanto que ali não se ouve mais o trinado da passarada de outrora.


Também no Parque Nacional de Brasília, reforçando a ação predatória dos macacos-prego, ocorreu uma interferência ambiental que poderia ser perdoável não fosse ela praticada por quem se faz passar por zelador não-governamental dali. É que a intitulada Associação dos Amigos do PNB pendurou no quiosque do caldo de cana, na beira da Piscina Velha, um amplo mural envidraçado e com fundo de feltro verde, refletindo a mata do local. Como a associação é carente de cartazes, avisos ou o que quebre o espelhado daquele objeto, por muitos dias, pássaros foram ali batendo, alguns caindo mortos e outros ferindo-se provavelmente de modo fatal, algo que também ocorre em paredes brancas.


Isso que ocorreu no PNB parece uma imitação do que virou rotina na nada-ecológica arquitetura moderna, que projeta quase que só prédios com vidros espelhados. São mortais para as aves, que ali se esborracham, iludidas pelo reflexo do ambiente de vôo. Estes vidros espelhados também têm outro lado agressor do meio ambiente, por escurecerem o interior dos prédios, demandando iluminação artificial, consumindo energia elétrica vinda das atuais e forçando que se construam mais usinas agressoras da natureza, sejam as hidrelétricas, que exigem a inundação de terras férteis, ou as perigosas usinas atômica, que, felizmente, não proliferaram no Brasil.


Então, pessoal, vamos pensar muito bem ao interferirmos sobre a terra, água, ar, fauna e flora, para que o impacto ambiental não seja negativo, pois o que ofende estes elementos causará prejuízo a nós mesmos.



Casa de ferreiro…


Ano passado, depois de reforma em prédio vizinho à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no final da Asa Norte de Brasília, deixaram para trás enorme caixa de fazer massa de cimento. Choveu e a coisa ficou do jeito que pernilongo gosta. Telefonei para a Anvisa pedindo providência sanitária, inclusive por morar ali perto. Depois de dias, nada. Então, eu mesmo peguei uma alavanca e furei a masseira, escoando a água estagnada, o que acabou com a alegria do Aedes da dengue e seus parentes. Agora, chamou-me a atenção as floreiras externas da supracitada Anvisa. Fui lá xeretar e vi umas dez enormes bromélias cheias d’água e convidativas à pernilongada para a reprodução. Será que colocam veneno na água? Se responderem sim, é o caso do Ministério do Meio Ambiente multar a Anvisa, porque passarinho que for lá beber deixará de viver… Bromélia é para ficar na mata, onde há controle biológico natural de pragas e doenças, e não vou dar novo recado ao pessoal da Anvisa. Prefiro sugerir aos pauteiros dos veículos de comunicação que mandem ao local repórter e fotógrafo (ou cinegrafista). Dará uma matéria mostrando que certas autoridades pegam no pé dos outros e não sentem a sujeira a um palmo de seus narizes. É como dizem os antigos: casa de ferreiro, espeto de pau.



Quem cala…


Quem bebe habitualmente na fonte da Piscina Velha, do Parque Nacional de Brasília (PNB), testemunha que está bem de saúde. Aqueles que também levam o líquido para casa garantem que seus familiares dispensam médico e remédios. Apesar disto, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), a quem o PNB está subordinado, divulgou boletim dizendo que aquela água está contaminada. O comunicado se baseia em análises feitas pela CAESB (Companhia de Águas e Esgotos de Brasília). É estranhável que não se faz referência à pesquisa da UnB (Universidade de Brasília), que considerou aquela água passível de contaminação só depois de fortes chuvas. Sim, porque, além de enxurrada e infiltração, a mina é coberta por frondosas árvores, de onde pinga água que pode conter impurezas. Assim, surgiu um clima de suspeitas sobre essa água polêmica. Uns vêem por trás da denúncia as engarrafadoras de água mineral querendo acabar com o tanto de gente que se abastece no PNB. Outros julgam a CAESB de olho num PNB sendo apenas reserva florestal, para que ela possa captar a água de lá e viabilizar a urbanização pretendida pelo governador Roriz do Setor Noroeste. E há os que dizem fazer a denúncia parte do esquema de depreciação do PNB, para privatizá-lo ou terceirizá-lo baratinho. Neste contexto, a Associação dos Amigos do PNB fica entre calada e muda, embora tenha um mural mata-passarinho para firmar posição. E quem cala, consente.

ECOLOGIA & SAÚDE

Natureza rentável

19 de março de 2004

  Eis uma constatação fácil de fazer: as pessoas vivem cada vez mais e trabalham cada vez menos. No primeiro aspecto, porque melhorou o saneamento básico, campanhas de vacinações imunizam contra doenças, enfim, porque a Medicina deu um enorme salto de qualidade, e a alimentação é mais controlada e feita em parceria com exercícios físicos,… Ver artigo

 


Eis uma constatação fácil de fazer: as pessoas vivem cada vez mais e trabalham cada vez menos. No primeiro aspecto, porque melhorou o saneamento básico, campanhas de vacinações imunizam contra doenças, enfim, porque a Medicina deu um enorme salto de qualidade, e a alimentação é mais controlada e feita em parceria com exercícios físicos, num somatório que aumentou o desempenho e longevidade do corpo humano. Por outro lado, a tecnologia está cada vez mais dispensando mão-de-obra e reduzindo as horas de trabalho.


Então, vivendo mais e trabalhando menos, as pessoas fizeram aflorar um filão econômico de alta lucratividade e gerador de novos empregos. Referimo-nos às atividades criadas para ocupar o tempo cada vez mais livre não só de aposentados mas também dos empregados em seus momentos de folga. É a indústria do lazer, onde o turismo se destaca, e o Brasil começa a acordar para esta realidade. Sim, porque nosso país foi contemplado com as melhores características para engordar sua economia com o turismo, só faltando criar condições para tratar bem o visitante, seja ele estrangeiro ou nacional, para que fique contente, faça novas viagens e vire propagandista de nossas belezas naturais, hospitalidade e conforto oferecido.


É isso mesmo, porque o Brasil tem configuração geográfica privilegiada, com belezas naturais abundantes em seu enorme território, que proporciona a cada tipo de gosto clima frio ou quente, de norte a sul, em qualquer época do ano. Estando o turista mesmo a fim de só encarar coisas boas, aqui conviverá com um povo multirracial alegre e que é exemplo para outros países com permanente conflito entre seus habitantes. E (o que está tirando o sossego e neurotizando outros povos) nós, brasileiros, não temos inimigos lá fora para atentarem contra nossa tranqüilidade aqui dentro, sendo a terra em que vivemos também pacífica em termos de vulcões, terremotos, furacões e outras catástrofes. Então, repetindo, só falta dar mais conforto ao turista.


E o turismo ecológico? Ah!, este sim é o verdadeiro mapa-da-mina, porque a natureza foi por demais generosa com o Brasil. Aqui ainda temos muita vida florestal preservada, coisa rara em outros país e até extinta em alguns. Só falta um pouco de propaganda no exterior para que levas de turistas amantes da preservação ambiental venham nos visitar, gerando renda e novos empregos. Mas, neste setor do turismo, também é preciso melhorar as condições de conforto para os hóspedes, sem que se descambe para o suntuoso, que, além de encarecer as diárias, fatalmente redundará em agressão à natureza. Ou seja, a natureza rentável que temos não deve repetir o destino trágico da galinha dos ovos de ouro…



“Fala sério!” 


Há ocasiões em que nos vemos diante de situações e fatos inusitados e, então, não sabemos como reagir: se ficamos estáticos ou briguentos; se rimos ou choramos. É o caso da maluquice dessa guru australiana denominada Jasmuheen e de seus seguidores, que apareceram por aí pregando a fome e a sede “para vivermos com saúde”. Ou seja, fazem a cabeça das pessoas para que embarquem numa antidieta, segundo a qual devem parar de comer e beber, substituindo as atividades alimentares-nutricionais pela “ingestão apenas da luz solar”. Isto até parece com a piada daqueles namorados sem profissão, emprego ou herança, que decidem viver juntos, só de amor; ou do carroceiro, que estava ensinando seu burro a não comer e, este, pacientemente, aceitava cada vez menos capim, até que morreu de magreza; ou do jardineiro que se meteu a criar suas plantas fora da terra e sem água, para que fizessem a fotossíntese apenas recebendo a luz solar. A fim de que os adeptos dessa dieta maluca não terminem no necrotério ou, antes, num hospital para tentar-se curá-los da subnutrição e doenças conseqüentes, tudo, é claro, às custas do contribuinte, as autoridades do Ministério da Saúde devem encaminhá-los a um tratamento dieto-psiquiátrico. Quanto à dona Jasmuheen, se ainda estiver dando conferências pelo país, com entrada a R$ 120,00, deve ser interceptada pela Polícia Federal e despachada para seu país no primeiro vôo, justificando-se o procedimento com esta delicada exclamação: “Fala sério, dona Jasmuheen!” 



Farra do lote


Se a decisão do Poder Executivo Federal não ficar apenas no papel, vai, no mínimo, atrapalhar a vida de grileiros, burocratas e autoridades populistas, pois muitos, neste e governos anteriores, acham que o patrimônio imobiliário da nova capital do país é uma casa-da-mão-joana. Referimo-nos à medida legal que torna Brasília e entorno áreas de proteção ambiental (APAS). E, para quem não sabe, ou faz de conta não saber, principalmente os que dão esmolas na forma de terras governamentais, APAS são áreas tombadas ecologicamente e onde só se pode modificar a conformação original com licença do Ministério do Meio Ambiente, depois de projeto detalhadamente examinado e aprovado pelo IBAMA. Portanto, é o fim do dá-cá-toma-lá, que virou rotina depois que inventaram a política no DF, criando até uma Câmara de deputados distritais. Resultou daí a distribuição politiqueira de lotes residenciais para agradar quem lhes deu votos e cativar novos eleitores. Isto sem falar nas negociatas de mudança na destinação de terrenos empresariais, que têm valorização até decuplicada e venda posterior, para lucro de amigos, parentes e cabos-eleitorais.

“Dane-se o Cerrado!”

15 de março de 2004

São preocupantes para o meio ambiente as declarações de algumas autoridades da nova administração federal sobre como aumentar a oferta de alimentos para viabilizar o programa “Fome Zero” do governo Lula. É que defendem a tese da ampliação da fronteira agrícola. Como logo provocaram a reação dos defensores da preservação da Amazônia, garantiram a eles… Ver artigo

São preocupantes para o meio ambiente as declarações de algumas autoridades da nova administração federal sobre como aumentar a oferta de alimentos para viabilizar o programa “Fome Zero” do governo Lula. É que defendem a tese da ampliação da fronteira agrícola. Como logo provocaram a reação dos defensores da preservação da Amazônia, garantiram a eles que aquelas matas continuarão verdejantes. Então, por eliminação, quem sobra para ser atacado pela tal ampliação da fronteira agrícola?
O Cerrado, claro! Sim, porque seria o fim da picada se investissem contra o pouco que resta da Mata Atlântica. Mas o Cerrado também não pode mais ser agredido. Basta a insanidade contra ele cometida na época do “milagre econômico” da ditadura tecnocrata-militar, quando teve uns 60% de sua área desmatada e com trechos hoje nitidamente em processo de desertificação, além dos rios da região Centro-Oeste assoreados e com água reduzida, pela secagem das minas de suas cabeceiras.


E o pior é que o Cerrado foi tomado por grandes empreendimentos agropecuários, que demandam pouca mão-de-obra, devido à mecanização da lavoura e o emprego só de alguns peões quando forem fazendas de criação de gado de corte. Então, toda aquela gente que tocava a vida com suas pequenas plantações e criações foi expulsa da terra natal e migrou para engrossar a problemática vivencial das cidades. Em contrapartida, a economia do país não ficou às mil maravilhas, pois onde antes se produzia de tudo um pouco a coisa virou monocultura, principalmente de soja, e para exportar…
Agora, que não se provoque novo êxodo rural no que sobrou do Cerrado, porque as cidades já estão superinchadas. Mas o Cerrado remanescente pode, sim, contribuir produzindo mais alimentos para o “Fome Zero”, sem ser agredido como naquela corrida para o Oeste das décadas 1970/80. Basta que a pesquisa agropecuária ensine a colher mais neste tipo de solo em sintonia com a preservação do meio ambiente. E tudo com investimentos modestos, diferentemente dos empréstimos fabulosos que o Banco do Brasil liberava aos desbravadores de outrora, muitos não tendo pago até hoje, por mau-uso e até porque, simplesmente, embolsaram a grana.


Para alimentar os milhões de brasileiros marginalizados há muitas saídas, inclusive revendo a utilização do cerrado agredido, criando nele agrovilas produtoras de alimentos variados, fazendo retornar ao campo os dele expulsos. Isto é socialmente justo. Não a monocultura beneficiadora de uma minoria. De resto, e explorar de forma ecologicamente correta toda a terra brasileira, seja a área do cerrado remanescente e até a floresta amazônica, que podem produzir muito alimento com o mínimo de agressão.
No mais, e de importância fundamental, é preciso acabar com o desperdício de alimentos, que é da ordem de 20% entre a colheita e a venda aos consumidores, estes também devendo participar do “Fome Zero” não comprando em excesso para, depois, jogar no lixo o que pode alimentar nossos semelhantes.


Os ecochatos – Algumas pessoas, quando se metem a defender o meio ambiente sem conhecimento de causa, terminam por prejudicar a causa da conservação da natureza e até fazem mal à saúde humana. É o que ocorre no Parque Nacional de Brasília, como resultado de campanha bem orquestrada de desmoralização da potabilidade da água de suas nascentes. Em decorrência, agora só uma minoria bebe a água dali, principalmente na mina da Piscina Velha, onde há anos era visto um acúmulo de pessoas matando a sede e enchendo vasilhames para levar o líquido para casa. Isto tudo apesar de quem ali continuar bebendo dizer que ele e seus familiares que assim o fazem estão bem de saúde. Portanto, venceram as engarrafadoras de água mineral, que estão vendendo num local onde antes a galera bebia de graça. E ganharam fácil porque tiveram a ajuda de inocentes úteis, no caso, uma patota de ecochatos que via por todos os lados focos de contaminação da água do Parque Nacional de Brasília. Agora, esta gente está calada, embora permaneçam os tais fantasmas contaminadores. Já quem lá vai para andar, correr, em suma, para suar, termina prejudicando a saúde, pois, quando muito, compra uma garrafinha de água mineral, que lhe reporá pouquíssimo do líquido perdido na suadeira. E há os que nem isto fazem, por não terem levado uns trocados para pagar o que beber. Então, voltam para casa desidratados e sob ameaça de comprometimento dos rins, algo que antes não acontecia porque na mina bebiam de graça como camelos sedentos.

Ecologia & Saúde

Ecologia lá

15 de março de 2004

A não ser que estejamos no limiar de um novo estelionato eleitoral, podemos esperar por dias melhores para a recuperação das áreas degradadas do meio ambiente brasileiro e preservação dos ecossistemas ainda pouco ou nada agredidos. Sim, porque, com a eleição de Lula presidente, chega ao poder também toda aquela gama de entidades ecológicas ligadas… Ver artigo


A não ser que estejamos no limiar de um novo estelionato eleitoral, podemos esperar por dias melhores para a recuperação das áreas degradadas do meio ambiente brasileiro e preservação dos ecossistemas ainda pouco ou nada agredidos. Sim, porque, com a eleição de Lula presidente, chega ao poder também toda aquela gama de entidades ecológicas ligadas umbilicalmente aos partidos de esquerda que deram sustentação eleitoral ao candidato do PT nas quatro vezes em que concorreu ao cargo maior de mando do Poder Executivo federal.
Então, agora que Lula chegou lá e a ele vêm atreladas as Ongs ecológicas, só podemos esperar que o meio ambiente brasileiro seja tratado com mais zelo. Mas, como vamos sonhar de olhos abertos, deveremos ficar bem atentos para que as composições políticas para viabilizar a governabilidade do governo lulista não terminem por colocar em cargos de mando pessoas ligadas aos setores que tradicionalmente exploram de forma predadora os recursos naturais brasileiros. Isto mesmo, porque foi só Lula ter ganho a eleição que o adesismo ao novo governante se manifestou, podendo levar camuflados nesta legião elementos perniciosos à preservação de nosso patrimônio ecológico.
É claro que Lula precisa formar um bloco parlamentar majoritário para ver aprovados seus projetos na Câmara dos Deputados e Senado Federal. Mas que isto não seja feito à custa dos interesses maiores do Brasil, na base do dá-cá-toma-lá. Então, no aspecto que motivou esta coluna a falar no assunto, todas as pessoas preocupadas com a preservação do meio ambiente brasileiro devem ficar atentas, denunciando sempre que souberem da adesão ao novo presidente da República de políticos ligados ao antiecologismo. Este tipo de gente – é claro! – não dá ponto sem nó: vai querer que o Ibama pare de pegar no seu pé e de seus amigos por crimes ambientais e também que sejam perdoadas multas já emitidas e engavetados processos principalmente por desmatamentos ou poluição do ar, água e solo. Isto não quer dizer que, descoberta a adesão ao novo governo de um político desta espécie, seja ele simplesmente descartado. Poderá até ser aceito no ninho, mas terá de ficar de quarentena e piando conforme as regras da nova forma de governar. Neste particular, será fundamental a vigilância das Ongs ambientalistas, para que o novo governo não saia da linha de preservação do meio ambiente, que sempre foi uma das bandeiras nas tentativas eleitorais do agrupamento partidário que terminou por chegar à Presidência da República.
Assim sendo, vamos botar fé para que, a partir de janeiro do próximo ano, a ecologia também tenha chegado lá…


O grande perigo
Para não deixar cair a peteca levantada na abertura desta coluna, devemos ficar atentos quanto aos procedimentos que serão tomados pelo novo governo para cumprir a promessa eleitoral de garantir a todos os brasileiros o direito a três refeições por dia. Aí, teremos de protestar se isto descambar para o assistencialismo demagógico e eleitoreiro, causador de mais êxodo rural, que está infernizando a vida nas cidades. Só poderemos aplaudir um programa nutricional do tipo que ensina a pescar e não o que dá o peixe já frito ou cozido. Assim, as populações do interior devem ser estimuladas a produzir para o próprio sustento, dando-se, também, condições para que retornem ao campo os que foram engrossar a miséria metropolitana. Já em termos ecológicos, o grande perigo é o de o novo governo cair no conto da ampliação da fronteira agrícola para produzir mais alimentos. Isto significará outros desmatamentos desastrosos, acabando, por exemplo, com o pouco que restou do cerrado, ampliando a erosão do solo e assoreamento dos rios, sem falar na poluição por defensivos agrícolas. O que merecerá aplausos é se mais alimentos forem produzidos em lavouras familiares fixadoras das pessoas ao campo ou em escala empresarial amparada pela assistência técnica e pesquisa agropecuária que proporcionem aumento da produtividade sem degradação do meio ambiente.


E viva o sabiá!
Agora é para valer: o sabiá é a ave nacional brasileira de fato e de direito, porque o presidente FHC assinou decreto dando-lhe este título. Nada mais justo, pois o sabiá é conhecido de todos nós, seja pelo seu canto mavioso e também por ser mencionado em poemas e letras de canções. Não há quem não admire o sabiá e ele também gosta de nós, tanto que vai amansando ao ponto de podermos chegar perto dele, bastando, para tanto, colocarmos em nosso jardim um destes pratos usados em vasos de samambaias, com água renovada todos os dias, e um pedaço de abacate. Logo, serão muitos e mansos sabiás comendo, bebendo, banhando-se, cantando e fazendo ninho nas árvores de nossa vizinhança, gerando filhotes que serão mais cordiais conosco do que seus pais. Assim, o sabiá não será apenas nossa ave nacional, como também vizinha de todos nós, algo que não acontece nos Estados Unidos, porque a ave nacional dos norte-americanos – a águia – está fugindo para o Canadá, em busca de um meio ambiente mais preservado.

Ecologia & Saúde

Quartel de Abrantes

15 de março de 2004

Faz dois anos que escrevi o seguinte: “Há muita gente que ainda não despertou para o grave problema que se avizinha (o do abastecimento de água potável) e continua usando e abusando deste líquido, que valerá mais do que petróleo no começo do próximo século. Isto mesmo, porque a população mundial continua crescendo, resultando numa… Ver artigo

Faz dois anos que escrevi o seguinte: “Há muita gente que ainda não despertou para o grave problema que se avizinha (o do abastecimento de água potável) e continua usando e abusando deste líquido, que valerá mais do que petróleo no começo do próximo século. Isto mesmo, porque a população mundial continua crescendo, resultando numa demanda de água cada vez mais difícil de ser atendida, principalmente a preços compatíveis com o poder aquisitivo da maioria das pessoas.


Nos Estados Unidos da América do Norte, a água mineral já é vendida mais caro do que a gasolina, assim como em muitos outros países, não estando os brasileiros distantes deste desembolso. E a água tratada e servida à população também enfrenta processo de encarecimento no custo final. Portanto, quem viver verá em breve uma grande crise no abastecimento de água, por causa do aumento da população, do desperdício e das agressões ao meio ambiente.


Nesse aspecto (o da depredação do meio ambiente), está provado e comprovado que está a causa da cada vez menor disponibilidade de água para se beber, para uso doméstico, industrial, irrigação e até para nadar sem perigo de contaminação. A natureza ofendida por desmatamentos vai secando suas nascentes de água; quando tem seus cursos d’água poluídos, fica com o líquido imprestável ou com tratamento caríssimo para que se torne potável, e, se a poluição for da atmosfera, disto resulta a chuva ácida, que prejudica tudo e a todos.


Temos, portanto, de nos conscientizar de que a água já começou a ser o calcanhar-de-aquiles da sobrevivência no planeta Terra. Acontece que nem um por cento dela está disponível para o homem, animais e vegetais. A outra quase totalidade da água está retida nas geleiras perenes dos cumes das montanhas e nas regiões polares ou nos mares e oceanos, podendo ser dessalinizada, mas a um custo proibitivo se for para consumo generalizado. O problema já está sendo sentido nas grandes cidades, que sofrem constantes racionamentos d’água, porque os mananciais das vizinhanças são insuficientes. Não bastasse o aumento do consumo e a poluição das fontes supridoras, a água também é profanada por desatinos como o dos dois rapazes que foram se banhar em reservatório de bairro paulistano, sendo sugados pela tubulação, deixando milhares de pessoas a seco por muitos dias.”


Escrevendo sobre a água, também cometi há anos este comentário: “Nesta época do ano, repetem-se as enchentes no Centro-Sul do país. E quem é o culpado pelas calamidades? Condenar as chuvas é que não dá, porque chover faz parte do ciclo vital das águas e os aguaceiros de verão, deduzo, ocorrem desde quando só havia índios no pedaço. Certamente antes mesmo do surgimentos deles. E silvícola conviveu com o sobe-desce das águas fazendo suas moradias nos terrenos altos ou no estilo palafita. Portanto, os primitivos, considerados por alguns como bichos-do-mato, têm muito a ensinar aos saberecos brasileiros urbanos.


“Então, só resta acusar o consórcio governantes-população pelos danos causados pelas enxurradas. O pessoal do governo tem culpa no cartório por permitir que o povo agrida o meio ambiente. É o caso das permissões ou licenciosidade para construírem moradias nas encostas ou locais pouco acima do nível normal dos cursos d’àgua. No primeiro caso, com a destruição da cobertura vegetal dos morros, que firmava a terra e pedras, fica aberto o caminho para que as enxurradas rompam o que encontrarem pela frente. Quanto às edificações em terrenos de várzeas, é óbvio que naufragarão toda vez que as águas transbordarem. O jeito é deixar os morros seguirem a vocação florestal e as terras baixas para exploração agropecuária. Urbanização segura, só em terrenos altos e com leve inclinação.”


Moral da história: O que republico acima mostra que, no tocante às agressões ao meio ambiente, tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.


Controle biológico
A campanha de combate à dengue ensina que não se deve deixar água depositada e descoberta. Mas é justamente neste aspecto que reside uma artimanha de controle biológico do mosquito transmissor da doença. Ou seja: pode-se recomendar a quem tem quintal ou varanda no apartamento que mantenha ali, em ponto com sol e sombra intercalados, uma vasilha com água pura. O artefato servirá de bebedouro para animais e também para que nele o temido Aedes aegypti coloque seus ovos. Como a água deverá ser trocada todos os dias, jogando-a na terra seca de floreiras, a desova do pernilongo dengoso não prosperará. Será uma água gasta de forma sanitária e ecologicamente correta. Mas, repito, renove sempre esta água.


Matança
E o Ministério do Meio Ambiente não fará nada para impedir que continue a matança de aves porque esbarram na fachada de prédios com vidros espelhados? Aqui em Brasília, então, virou uma praga a instalação de vidraças deste tipo. Acontece que as aves, principalmente as migratórias, confundem-se ao se aproximarem destes edifícios, onde se refletem nuvens, céu e horizonte. E não dá em outra: seguem voando e se esborracham contra os vidros assassinos, que não são ecologicamente incorretos apenas neste aspecto, já que, como impedem a entrada da luz solar, obrigam manter-se acesas as lâmpadas, forçando a construção de mais hidrelétricas inundadoras de terras férteis. Não seria melhor o uso de persianas ou cortinas?

Ecologia & Saúde

Quartel de Abrantes

15 de março de 2004

Faz dois anos que escrevi o seguinte: “Há muita gente que ainda não despertou para o grave problema que se avizinha (o do abastecimento de água potável) e continua usando e abusando deste líquido, que valerá mais do que petróleo no começo do próximo século. Isto mesmo, porque a população mundial continua crescendo, resultando numa… Ver artigo

Faz dois anos que escrevi o seguinte: “Há muita gente que ainda não despertou para o grave problema que se avizinha (o do abastecimento de água potável) e continua usando e abusando deste líquido, que valerá mais do que petróleo no começo do próximo século. Isto mesmo, porque a população mundial continua crescendo, resultando numa demanda de água cada vez mais difícil de ser atendida, principalmente a preços compatíveis com o poder aquisitivo da maioria das pessoas.


Nos Estados Unidos da América do Norte, a água mineral já é vendida mais caro do que a gasolina, assim como em muitos outros países, não estando os brasileiros distantes deste desembolso. E a água tratada e servida à população também enfrenta processo de encarecimento no custo final. Portanto, quem viver verá em breve uma grande crise no abastecimento de água, por causa do aumento da população, do desperdício e das agressões ao meio ambiente.


Nesse aspecto (o da depredação do meio ambiente), está provado e comprovado que está a causa da cada vez menor disponibilidade de água para se beber, para uso doméstico, industrial, irrigação e até para nadar sem perigo de contaminação. A natureza ofendida por desmatamentos vai secando suas nascentes de água; quando tem seus cursos d’água poluídos, fica com o líquido imprestável ou com tratamento caríssimo para que se torne potável, e, se a poluição for da atmosfera, disto resulta a chuva ácida, que prejudica tudo e a todos.


Temos, portanto, de nos conscientizar de que a água já começou a ser o calcanhar-de-aquiles da sobrevivência no planeta Terra. Acontece que nem um por cento dela está disponível para o homem, animais e vegetais. A outra quase totalidade da água está retida nas geleiras perenes dos cumes das montanhas e nas regiões polares ou nos mares e oceanos, podendo ser dessalinizada, mas a um custo proibitivo se for para consumo generalizado. O problema já está sendo sentido nas grandes cidades, que sofrem constantes racionamentos d’água, porque os mananciais das vizinhanças são insuficientes. Não bastasse o aumento do consumo e a poluição das fontes supridoras, a água também é profanada por desatinos como o dos dois rapazes que foram se banhar em reservatório de bairro paulistano, sendo sugados pela tubulação, deixando milhares de pessoas a seco por muitos dias.”


Escrevendo sobre a água, também cometi há anos este comentário: “Nesta época do ano, repetem-se as enchentes no Centro-Sul do país. E quem é o culpado pelas calamidades? Condenar as chuvas é que não dá, porque chover faz parte do ciclo vital das águas e os aguaceiros de verão, deduzo, ocorrem desde quando só havia índios no pedaço. Certamente antes mesmo do surgimentos deles. E silvícola conviveu com o sobe-desce das águas fazendo suas moradias nos terrenos altos ou no estilo palafita. Portanto, os primitivos, considerados por alguns como bichos-do-mato, têm muito a ensinar aos saberecos brasileiros urbanos.


“Então, só resta acusar o consórcio governantes-população pelos danos causados pelas enxurradas. O pessoal do governo tem culpa no cartório por permitir que o povo agrida o meio ambiente. É o caso das permissões ou licenciosidade para construírem moradias nas encostas ou locais pouco acima do nível normal dos cursos d’àgua. No primeiro caso, com a destruição da cobertura vegetal dos morros, que firmava a terra e pedras, fica aberto o caminho para que as enxurradas rompam o que encontrarem pela frente. Quanto às edificações em terrenos de várzeas, é óbvio que naufragarão toda vez que as águas transbordarem. O jeito é deixar os morros seguirem a vocação florestal e as terras baixas para exploração agropecuária. Urbanização segura, só em terrenos altos e com leve inclinação.”


Moral da história: O que republico acima mostra que, no tocante às agressões ao meio ambiente, tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.


Controle biológico
A campanha de combate à dengue ensina que não se deve deixar água depositada e descoberta. Mas é justamente neste aspecto que reside uma artimanha de controle biológico do mosquito transmissor da doença. Ou seja: pode-se recomendar a quem tem quintal ou varanda no apartamento que mantenha ali, em ponto com sol e sombra intercalados, uma vasilha com água pura. O artefato servirá de bebedouro para animais e também para que nele o temido Aedes aegypti coloque seus ovos. Como a água deverá ser trocada todos os dias, jogando-a na terra seca de floreiras, a desova do pernilongo dengoso não prosperará. Será uma água gasta de forma sanitária e ecologicamente correta. Mas, repito, renove sempre esta água.


Matança
E o Ministério do Meio Ambiente não fará nada para impedir que continue a matança de aves porque esbarram na fachada de prédios com vidros espelhados? Aqui em Brasília, então, virou uma praga a instalação de vidraças deste tipo. Acontece que as aves, principalmente as migratórias, confundem-se ao se aproximarem destes edifícios, onde se refletem nuvens, céu e horizonte. E não dá em outra: seguem voando e se esborracham contra os vidros assassinos, que não são ecologicamente incorretos apenas neste aspecto, já que, como impedem a entrada da luz solar, obrigam manter-se acesas as lâmpadas, forçando a construção de mais hidrelétricas inundadoras de terras férteis. Não seria melhor o uso de persianas ou cortinas?

Ecologia & Saúde

O sabiá na cabeça

15 de março de 2004

O previsível aconteceu, porque só quem não tem olhos para ver a beleza desta ave, só quem não tem ouvidos para ouvir a maviosidade do canto deste pássaro conhecido de todos os brasileiros poderia imaginar que não desse sabiá na cabeça na pesquisa de opinião promovida por esta Folha do Meio Ambiente para a escolha… Ver artigo


O previsível aconteceu, porque só quem não tem olhos para ver a beleza desta ave, só quem não tem ouvidos para ouvir a maviosidade do canto deste pássaro conhecido de todos os brasileiros poderia imaginar que não desse sabiá na cabeça na pesquisa de opinião promovida por esta Folha do Meio Ambiente para a escolha da ave símbolo do Brasil.
Sim, porque o sabiá, cantado em prosa e verso desde os tempos do Brasil colônia, foi eleito nossa ave nacional por 91,7% dos que opinaram pela Internet ou por carta. Já os apenas 8,3% recebidos pela segunda opção parecem um reflexo do rolo compressor da globalização, pois de pouco valeu ter a ararajuba plumagem verde e amarela, inclusive porque esta ave, de tão traficada e contrabandeada, é quase desconhecida dos brasileiros, figurando no rol das espécies ameaçadas de extinção.
Ainda bem que a ararajuba foi pouco votada, pois, se merecesse a preferência dos participantes dessa pesquisa de opinião, certamente estimularia a voracidade dos que a capturam e comercializam, principalmente contrabandeando-a para o exterior, onde já houve casos de o casal deste tipo de arara ter alcançado o preço de 50 mil dólares.


Burroecologia
Não deu em outra: algumas árvores foram para o beleléu, conforme previmos nesta coluna. E isto aconteceu num trecho da Rodovia Brasília-Fortaleza bem na frente do Parque Nacional de Brasília, onde meteram fogo no canteiro que divide as duas pistas. Também, foi o cúmulo da burroecologia terem amontoado serragem em contato com o tronco das árvores. Deveriam, sim, colocar o pó de madeira afastado pelo menos um palmo, ou terem enterrado esta matéria orgânica para adubar as plantas. Agora, as árvores que não tiveram o tronco assado poderão também morrer sob o efeito do apodrecimento da serragem no colo da planta, quando há igualmente produção de calor, ácidos, cupins e fungos.


Ecopicaretas
Que a CPI das ONGs não fique na pobreza de só desmascarar quatro destas entidades, pois são muitas, principalmente as do ramo da ecopicaretagem, que precisam fechar suas portas e seus dirigentes irem acertar contas com a Justiça. Se a Cooperíndio retira ilegalmente pedras preciosas de reservas indígenas; se a Associação Amazônia é testa-de-ferro, comprando para estrangeiros terras em Roraima; se a Napacan é, na verdade, lobista na área de medicamentos, e a americano-canadense Focus faz a cabeça de nossos agricultores, dizendo o que devem ou não plantar, os senhores parlamentares devem também investigar ONGs que recebem dólares, veículos e outros equipamentos do exterior, para seus dirigentes fazerem ecopicaretagem por aí, inclusive no sentido de manter o Brasil como reserva ecológica para atual e futura exploração por estrangeiros.


Ecocampeão
Enquanto os ecopicaretas atuam, também há pessoas que mantem acesa a chama da esperança no fim das agressões ao meio ambiente, ensinando a pessoas a agirem ecologicamente corretas. É o caso do professor Genebaldo Freire Dias, que está lançando mais dois livros de defesa da natureza. Também chefe do Centro de Visitantes do Parque Nacional de Brasília, os novos livros deste ecocampeão em bibliografia ambiental se chamam “Pegada Ecológica e Sustentabilidade Humana” e “Antropoceno – Iniciação à Temática Ambiental”.


A dengue
A primavera já chegou no Centro-Sul, e, quando o verão também vier, com ele fatalmente teremos aqueles aporrinhativos pernilongos que agem de dia e gostam de picar nossas pernas e pés, transmitindo-nos a dengue, caso tenham antes chupado o sangue de pessoa com esta doença. Então, é preciso bater na tecla de conscientizar as pessoas a não deixarem água parada, que vira criatório do mosquito transmissor da dengue – o Aedes aegiptii. Mas é, também, ecologicamente correto deixar-se propositadamente água em vasilhas espalhadas pela casa e quintal, inclusive servindo de bebedouros para animais, atraindo os pernilongos para que ali coloquem seus ovos. Mas o importante é, de dois em dois dias, jogar fora a água, lavar os recipientes e reabastecê-los. Com isto, estaremos quebrando o ciclo de reprodução do temível Aedes aegiptii e evitando a dengue, que os pesquisadores alertam ter passado por mudança para pior, provocando mais sofrimento nos que forem contaminados.

As queimadas
O pessoal não tem jeito, mesmo, porque continua mexendo com fogo sem os devidos cuidados para evitar incêndios florestais. Muitas áreas de proteção ambiental foram seriamente danificadas pelas chamas no Centro-Sul do país, com perdas na fauna e flora que, em alguns casos, são irreparáveis, por atingirem espécies em processo de extinção. Felizmente, as chuvas chegaram cedo na região, acabando com focos de incêndio e evitando novas queimadas, pelo menos até a próxima estação da seca. Neste aspecto, a falta de chuvas agora se desloca para o Norte-Nordeste do país, e é ali que as pessoas precisam se conscientizar que fogo, assim como é fundamental para o preparo de nossas refeições, também é motivo de desgraça, quando mal manipulado. Se não houver o máximo cuidado, o fogo foge de nosso controle e, quando queima uma grande cobertura florestal, acaba também com os vegetais que nos fornecem oxigênio para respirar. E planta queimada nos castiga porque foi transformada em fumaça que irrita nossos olhos e vias respiratórias e gás carbônico que nos intoxica.

ECOLOGIA & SAÚDE

Horário nada ecológico

15 de março de 2004

      Ainda bem que se esgotou a última edição do horário de verão, mas este fantasma ficará adormecido até o final do ano, para novamente aporrinhar a vida de milhões, não só pessoas mas também animais. Claro que tem muita gente fanática por esta artificialidade cronométrica, mas é igualmente certo não serem sujeitos… Ver artigo

   

 

Ainda bem que se esgotou a última edição do horário de verão, mas este fantasma ficará adormecido até o final do ano, para novamente aporrinhar a vida de milhões, não só pessoas mas também animais. Claro que tem muita gente fanática por esta artificialidade cronométrica, mas é igualmente certo não serem sujeitos obrigados a sair cedo de casa para ir ao trabalho a pé e em ruas escuras até o ponto do ônibus, trem, metrô.

É um horário imposto aos organismos vivos, provocando um desarranjo em seus relógios biológicos, que têm como pontos de referência o nascer e o pôr do sol. As pessoas, pela capacidade de racionalizar os acontecimentos, depois de alguns dias, terminam conformando-se com a obrigação de adiantar ou atrasar o relógio em uma hora. Muitas engolem o horário de verão por acreditarem na alegação governamental de que a medida faz reduzir o consumo de energia elétrica.

Já o animais, coitados, sofrem quando o homem mexe nos ponteiros do relógio. É claro que não estou falando dos bichos do mato, que estes, felizes da vida, levam suas existências de acordo com o relógio biológico de cada espécie. Por exemplo, as aves vão dormir quando anoitece e acordam ao alvorecer, fazendo o contrário os felinos e outros notívagos. Quem paga o pato com o horário de verão, seja quando começa como ao terminar, são os animais domesticados pelo homem. É estressante para eles, que não têm o poder de racionalizar os fatos, terem seus hábitos bruscamente adiantados e, depois, atrasados em uma hora.

Para entender o que eu disse acima, procure o leitor imaginar uma criação de gado leiteiro, granja de frangos ou de suínos. Nelas, de um dia para o outro, o agito é alterado em uma hora, provocando certamente alterações fisiológicas na bicharada. Isto é mais sentido no caso do gado leiteiro que passa o dia na pastagem e é recolhido ao curral no final do dia para a apartação dos bezerros, com o intuito de, no dia seguinte, haver a ordenha. Como o caminhão da coleta do leite chegará uma hora atrasado, isto no "relógio" das vacas, ou adiantado, conforme esteja acontecendo o início ou fim do horário de verão, elas serão molestadas por uma ordenha em ocasião não habitual. Será que a tal economia de energia elétrica compensa também mais este sacrifício imposto aos bichos que tanto nos têm sido úteis?

Da minha parte, passei por uma demonstração do quanto o horário de verão é estressante para os bichos. Aconteceu naquele domingo, 17 de fevereiro, quando o relógio da maioria dos brasileiros teve de ser atrasado em uma hora. Estava eu assistindo pela TV ao jogo São Paulo x Flamengo e os cachorros da casa começaram a ficar impacientes. Não pense o leitor que fosse uma decorrência de mais uma derrota flamenguista acontecendo em pleno Maracanã. É que estava escurecendo lá fora e, àquela altura, nos domingos anteriores, os jogos de futebol haviam terminado e eles, os cães, já estavam felizes dando suas mijadinhas na caminhada do entardecer dominical que costumo fazer com eles pelos gramados de Brasília.

Então, é uma economia de araque a de energia elétrica decorrente do horário de verão, por não compensar outros prejuízos, aí incluindo-se os acidentes no trânsito e transtornos familiares provocados por pessoas que ficam mais um hora enchendo a cara nos botecos.

De novo, a dengue

Sai horário de verão, entra outra vez a dengue na pauta do noticiário, tudo porque as pessoas não lidam ecologicamente com a água, deixando-a armazenar em pratos de vasos de flores, pneus, garrafas e outros recipientes, onde o mosquito transmissor da doença pode reproduzir-se. Então, pessoal, entendam que água não é para ficar parada pois, inclusive, "apodrece". E aqui vai uma dica para vocês acabarem com a esperteza do Aedes aegiptii: é só renovar diariamente a água, principalmente de bebedouros de animais, pois assim as larvas do mosquito vão para os quintos do inferno.

Otimismo, gente!

Rui Barbosa, no seu tempo, e nós, jornalistas, agora, somos atacados o tempo todo pela síndrome da indignação, porque nos revoltamos ao ver tanta gente inútil vencendo na vida, tantos criminosos-colarinho-branco livres, leves e soltos por aí, apesar de terem metido a mão no dinheiro de nossos impostos. Mas não explodimos porque, volta e meia, deparamos com uma notícia que nos restabelece o entusiasmo pelas pessoas. Um exemplo disso é reportagem recém-exibida pelo DF-TV, da Globo/Brasília, mostrando como age um grupo de amantes da natureza. Eles integram o Clube da Semente, entidade sem fins lucrativos, e saem por aí coletando material reprodutivo, principalmente de árvores em perigo de extinção, seja pelos desmatamentos, incêndios florestais ou aproveitadas sem critério pelo homem, que não faz a sua reposição. Pelo que mostrou aquela reportagem, esse pessoal do Clube da Semente merece todo o apoio. Então, otimismo, gente!, e se você também se preocupa em recuperar o que a nossa e gerações anteriores destruíram no meio ambiente, entre em contato com aquela turma, somando-se a eles, para que nossos sucessores vivam num mundo respirável, pela via do reflorestamento. O telefone deles é (62) 322-6184.

ECOLOGIA & SAÚDE

A Natureza dá o troco

15 de março de 2004

      É sempre assim: sai ano velho, entra ano novo e o noticiário das calamidades decorrentes da meteorologia se repete. E cada vez com lances mais dramáticos, contabilizando-se maiores perdas materiais e de vidas humanas. Tudo porque pouco ou nada é feito para evitar a reedição deste filme de terror. O que as… Ver artigo






 


 


 


É sempre assim: sai ano velho, entra ano novo e o noticiário das calamidades decorrentes da meteorologia se repete. E cada vez com lances mais dramáticos, contabilizando-se maiores perdas materiais e de vidas humanas. Tudo porque pouco ou nada é feito para evitar a reedição deste filme de terror.


O que as pessoas fazem, isto sim, é criar condições para a repetição desses desastres em maiores proporções. Isto mesmo, pois o que mais se vê por aí são agressões ao meio ambiente, que se farão sentir tanto na época das chuvas como da estiagem. No primeiro aspecto, redundarão em enchentes nos terrenos baixos e desmoronamentos nas áreas com declividade acentuada, levando de roldão casas e o que houver pela frente. E quando fica sem chover, a seca se manifesta mais cedo e se prolonga. Tudo porque as pessoas, por ignorância, outras por burrice mesmo, e, muitas, para obterem lucro fácil e imediato, agridem a natureza num aspecto fundamental para regularizar o regime das águas.



Cobertura vegetal


E que aspecto fundamental é este? É o da cobertura vegetal da terra, sem a qual as chuvas só provocam estragos. Então, chover, que é um ato indispensável para todas as formas de sobrevivência no planeta Terra, mais e mais passou a ser sinônimo de pesadelo, principalmente para quem mora perto de cursos d’água ou em terrenos inclinados, uns temendo enchentes e, outros, desmoronamentos, com perda das moradias e mortes por soterramento.


E o que dizer dos prejuízos para os contribuintes? Estes, vêem o dinheiro de seus impostos ir para o beleléu, quando aparece no noticiário imagens de açude rompido, estrada destruída, ponte levada pela enchente. São obras que custaram fortunas, sem falar que a falta delas complica a vida de seus usuários ou beneficiários. E, para reconstruí-las, mais dinheiro de nossos impostos será gasto, quando poderia ir para novas escolas, hospitais etc.


Acontece que, destruída a cobertura vegetal de uma área, ali a água da chuva pouco penetrará no solo. Se for uma chuvinha, tudo bem; mas numa chuvarada a água rolará agressiva, levando terra, pedras e tudo o mais, para, inclusive, entupir a calha dos rios. Já num terreno com cobertura vegetal, principalmente árvores, a água despencada das nuvens terá, primeiro, seu impacto amortecido pela folhagem das copas, caindo mansa no chão protegido por folhas, capim e gravetos. Então, o líquido infiltrará na terra.


Simples, não? Mas as pessoas teimam em complicar a coisa, só derrubando árvores em vez de plantá-las cada vez mais. Até gramados, que também absorvem água, dão lugar a cimentados e outros pisos impermeáveis. Este procedimento, além de contribuir para aumentar a intensidade das enxurradas, ajuda a aquecer cada vem mais a atmosfera, armazenando por tempo maior o calor solar do que quando os raios térmicos incidem sobre uma cobertura vegetal. E, pelo que se vê por aí, logo tudo estará impermeabilizado, para desespero de quem mora lá embaixo.



Agropecuária


E alimentos, não é preciso ferir a terra para produzi-los? Sim, mas é possível tocar uma agropecuária ecologicamente correta. Por exemplo, plantando lavouras em curva de nível, que evitam a enxurrada, e não deixando que as pastagens fiquem com a terra exposta porque foram superlotadas de bois, cavalos, bodes, ovelhas. Mas o zelo agropecuário pela natureza ficará capenga se o produtor rural não cumprir à risca as normas técnicas para o uso de adubos e defensivos químicos. O homem do campo tem de evitar não só que os produtos artificiais poluam a terra, ar e água como os trabalhadores que os manuseiam e, principalmente, os alimentos que irão para a mesa dos consumidores.


Então, a respeito da água, devem-se reverter os maus tratos a que é submetida. Caso contrário, até para beber faltará água potável de forma progressiva nos períodos de estiagem. Como assim? Simplesmente porque, acabando-se cada vem mais com a cobertura vegetal, menos água das chuvas penetrará na terra, deixando sem recarga os lençóis subterrâneos. Com isso, secam as minas d’água, os córregos vão desaparecendo, menos água chega aos rios quando não chove, e o resultado disto nós sentimos de supetão, ano passado, quando nos impuseram drástico racionamento de energia elétrica, porque os reservatórios das usinas estavam secando.


Agora, tendo chovido que só nas cabeceiras dos rios que suprem as hidrelétricas problemáticas, as autoridades do setor resolveram afrouxar as rédeas, porque o problema está resolvido. Mas só por um tempo, porque, com a agressão ao meio ambiente correndo solta, a natureza dará o troco, já que ela, bem tratada, facilita a vida terrena. Caso contrário, inferniza nossa permanência por aqui.

Ecologia & Saúde

5 de março de 2004

  As crianças são a esperança Confesso que já estava meio descrente na salvação do meio ambiente brasileiro, depois de observar o tanto que nossos recursos naturais foram degradados e continuam sendo pela ação predadora de adultos insensíveis, que parecem não atinar para o fato de que estão abrindo caminho para a desertificação de grandes… Ver artigo

 


As crianças são a esperança


Confesso que já estava meio descrente na salvação do meio ambiente brasileiro, depois de observar o tanto que nossos recursos naturais foram degradados e continuam sendo pela ação predadora de adultos insensíveis, que parecem não atinar para o fato de que estão abrindo caminho para a desertificação de grandes áreas de nosso País. É uma herança maldita que estão deixando para filhos e netos que, neste aspecto, nada terão para reverenciar a memória de seus antepassados. Mas meu idealismo ecológico retomou o fôlego depois de acompanhar o noticiário, principalmente da TV, durante a Semana do Meio Ambiente deste ano, quando foram mostradas crianças agindo e falando de forma ecologicamente corretas.


E não eram as crianças embasbacadas de outrora, recitando poeminhas de amor às plantinhas e de carinho pelos bichinhos. Eram meninos e meninas parecendo e falando como gente grande sobre a problemática da degradação do meio ambiente. É claro que se notava estarem sedimentados, por detrás do que diziam, os ensinamentos bem dados pelas professoras e os colhidos em leituras e observação das ações de agressão aos nossos recursos naturais. Portanto, parabéns aos mestres, pelo empenho em introduzir na sociedade brasileira um nova geração de futuros dirigentes que, ainda crianças, já estão puxando as orelhas dos adultos poluidores e predadores, e que, quando estiverem em posição de comando, certamente irão promover a recuperação das áreas degradadas pela exploração desenfreada de gerações passadas.


A propósito da importância da escola e professores na preservação dos recursos naturais, vale aqui uma consideração sobre a absurda extinção, no Ministério da Educação, da Coordenação de Educação Ambiental, logo que Lula assumiu a Presidência da República, para que a verba ali gasta viabilizasse empregos em outros órgãos. Mas o governo petista caiu na real e já reativou aquele órgão, porque seria o fim-da-picada deixar o ensino fundamental privado de um órgão normativo de uma questão vital para a sobrevivência da população num meio ambiente degradado em decorrência da ignorância e ganância das pessoas. Mas só a reativação da Coordenação de Educação Ambiental do MEC não basta: é preciso dar ao órgão mais condições humanas e materiais para que a educação ambiental chegue às escolas de forma a fazer ainda mais a cabeça da criançada para a importância da preservação do meio ambiente, sem o que as condições de vida no futuro sejam as de fim do mundo, com poluição generalizada da água, ar e terra.


De olho nas domésticas – Há um programa de uso racional da água que, de bom, pode ficar ótimo se for estendido para todo o país, principalmente objetivando reeducar as empregadas domésticas, para que deixem de desperdiçar esse líquido tão precioso e que chegará às nossas casas a preço exorbitante devido à escassez e se os cursos d’água continuarem sendo poluídos, demandando gastos cada vez maiores para a potabilização. Refiro-me a programa desenvolvido no Nordeste pela ONG Redeh (Rede de Desenvolvimento Humano) que, partindo da constatação de que são as mulheres as maiores usuárias de água, elas devem ser o alvo preferencial das campanhas de economia da água que chega às residências. Então, que se conscientize particularmente as empregadas domésticas, por exemplo, mostrando a elas que a água que elas pouparem na casa das patroas poderá viabilizar o abastecimento onde moram seus familiares.


Exemplo brasiliense – Em Brasília, então, a crise no abastecimento d’água já se avizinha. Acontece que a nova capital do País foi construída num planalto que só tem pequenos rios, cujas nascentes estão minguando devido aos desmatamentos, proliferação de poços artesianos e impermeabilização do solo com asfalto e concreto, impedindo a infiltração da água da chuva para recarga dos aqüíferos. Se o Distrito Federal tivesse crescido segundo a meta idealizada por Juscelino Kubitschek, o fantasma do desabastecimento d`água não assombraria, porque JK queria uma cidade-admistrativa de no máximo 500 mil habitantes. Mas os governantes pós-JK perderam o controle sobre os grileiros e os especuladores imobiliários e, hoje, o DF passa dos 2 milhões de habitantes. Agora, tenta-se resolver o impasse do abastecimento d`água aproveitando o lago de uma hidrelétrica em construção nas cercanias da capital. Só que será uma água que os consumidores pagarão caro, devido aos gastos com tubulações, bombeamento e tratamento, visto que o rio represado (o Corumbá) é o receptador do esgoto das fazendas, chácaras e núcleos residenciais da região.


Turismo verde-amarelo – Nestas férias de meio do ano (e também em todas as outras), vamos parar com esta mania de achar que só há boas atrações no exterior. Está na hora de olharmos para nosso próprio umbigo, viajando por este brasilzão, inclusive porque, se gastarmos nosso dinheiro aqui, daremos condições financeiras para a melhoria da infra-estrutura do turismo nacional, em termos de hotéis, restaurantes etc. Podemos fazer turismo de lazer e principalmente ecoturismo para sentir como é encantadora a natureza de nosso País. Então, quem tem filhos terá a oportunidade de aumentar nas crianças o amor pela terra onde nasceram e desenvolvendo nelas o espírito de preservação ecológica. Assim, que tal levar a galera ao Pantanal, Amazonas, Fernando de Noronha, ao Itaimbezinho, que deu os maravilhosos cenários da novela “A casa das sete mulheres”? Isto para citar um pouco dos muitos locais encantadores para fazermos ecoturismo verde-amarelo.

Ecologia & Saúde

5 de março de 2004

As lixeiras do mundo Outro dia, reportagem na TV, em emissora que não vem ao caso citar, apresentou as formigas como se fossem o maior de todos os males. Foram mostrados exércitos de minúsculos, pequenos e médios exemplares destes insetos himenópteros, que deveriam ser imitados pelas pessoas, no aspecto de viverem em sociedade trabalhando em… Ver artigo

As lixeiras do mundo


Outro dia, reportagem na TV, em emissora que não vem ao caso citar, apresentou as formigas como se fossem o maior de todos os males. Foram mostrados exércitos de minúsculos, pequenos e médios exemplares destes insetos himenópteros, que deveriam ser imitados pelas pessoas, no aspecto de viverem em sociedade trabalhando em benefício da coletividade.


Só que naquele noticiário da TV as formigas não foram enaltecidas por sua convivência socialista, mas, sim, amaldiçoadas por invadirem as casas do bicho homem. Acontece que se elas assim o fazem é porque na minha e na tua casa, leitor(a), deixamos alimentos e até lixo expostos, atraindo-as. Então, o maior culpado pela invasão formigueira somos nós mesmos.


Elas atuam com mais inteligência do que certos moradores, do tipo que deixa a casa meio ou toda bagunçada, não recolhendo restos de comida na mesa e chão, deixando açucareiro aberto e outros atrativos à disposição delas. Aí, dá no que dá, pois nossas moradias são constantemente vistoriadas por formigas-espiãs. Quando estas arapongas descobrem ter encontrado uma casa no desleixo, avisam o grupo e acontece a invasão tão detestada pelos humanos moradores do local, por culpa da falta de limpeza, já que as formigas estão na delas, levando avante o antiqüíssimo programa de fome zero para sua comunidade.


Mas, se forem colocadas ordem e higiene no lar, as formigas vão embora. Já se a bagunça perdurar, aí a invasão formigueira ganha proporções de calamidade. Isto porque quando só por descuido e eventualmente deixamos alimentos expostos atraindo as formigas elas desaparecem depois de retirado o que as convidou. Mas, se houver sempre comida ao alcance delas, o bicho pegará, com elas já não vindo de longe, mas mudarão suas moradas para dentro de nossas casas, principalmente quando o desleixo chegar ao ponto de não só deixarmos alimentos expostos mas também havendo rachaduras e buracos abertos no chão e paredes, locais onde elas adoram instalar-se, livrando-se de longa caminhada.


Então vamos manter nossas casas em ordem, limpas e consertadas, que as formigas nos deixarão em paz e vão viver as suas vidas em outros lugares. E vamos parar de odiá-las, porque, no dia em que as formigas desaparecerem, vamos morrer de saudade delas. Ou melhor: vamos adoecer por causa de epidemias decorrentes do apodrecimento de lixo orgânico exposto por aí, e que, agora, é eliminado antes de virar foco de doenças, justamente por ser comido pelas formigas, estas valorosas lixeiras do mundo.


Índio quer… – Estão cobertos de razão os indigenistas contrários à inclusão pura e simples dos índios entre os beneficiários do programa Fome Zero, que nasceu contaminado pelo assistencialismo tão criticado pelas esquerdas quando fora do poder governamental. Alegam os indigenistas que os silvícolas devem ser amparados, sim, no aspecto de terem suas terras protegidas contra invasores. Assim, continuarão sobrevivendo conforme a tradição – caçando, pescando e fazendo roçados com plantios de subsistência, hábito que irá para o beleléu se os caras-pálidas também chegarem nas aldeias despejando cestas básicas com arroz, feijão e outros gêneros alimentícios estranhos à dieta alimentar indígena. Portanto, índio quer apito só em marchinha de carnaval…


Que falta ele faz! – Se tivéssemos uma legião de gente tipo José Lutzenberger vigiando o meio ambiente não teríamos tantas agressões aos nossos recursos naturais. A propósito do ?alemão?, lembro que, quando ele morou no Parque Nacional de Brasília, na condição de titular da Secretaria Nacional do Meio Ambiente (depois transformada em ministério), era comum vê-lo batendo pernas por lá. Dava conselhos ecológicos aos freqüentadores e bronca nos funcionários que pisassem na bola, como fazem hoje, por exemplo, aparando a grama com a retirada de pedações, deixando desprotegidos os meios-fios, calçadas e pistas. É também dele a idéia da placa esculpida em madeira fincada até hoje perto da Trilha da Capivara, dizendo que folha morta se transforma em vida, se ficar no solo para virar adubo orgânico. Mandou fazer a placa depois de dar o maior puxão de orelha nos que deixavam o pessoal da limpeza ensacar as folhas varridas para coleta pelo caminhão do lixo. Hoje, as folhas são jogadas na mata para refertilizarem o solo. Que falta faz o “alemão”, pois foi para o andar de cima!


Carvão ecológico – Parabéns para o pessoal da engenharia florestal do Ibama pelas pesquisas que redundaram no aproveitamento ecologicamente correto da serragem e outros restos de madeira gerados pelas serrarias. Com isto, evita-se a continuidade de agressões ao meio ambiente praticadas por estas empresas geralmente instaladas às margens de rios, onde jogam os refugos da madeira, quando não os queimam a céu aberto, provocando poluição duradoura. Esta prática antiecológica pode ser evitada reaproveitando-se o que para as madeireiras é lixo, como o imaginado pelos técnicos do Ibama, resultando num carvão ecológico, para uso, por exemplo, em padarias e churrascarias. Tal reciclagem mostra que é com idéias e atitudes nada complicadas que se preserva o meio ambiente, principalmente, neste caso, usando-se o resto de serrarias em vez de derrubar um sem-número de árvores para carvoejamento. Outra idéia iluminada é a de Marco Antônio Duarte, aluno de Biologia da Universidade de Brasília, merecedor de palmas por pesquisar e transformar tocos de cigarro em papel de alta qualidade. (S. A.)

Ecologia & Saúde

Rainha da poluição

5 de março de 2004

  Quase todas as ações executadas pelas pessoas têm componentes agressores ao meio ambiente. Até um casal passeando romanticamente sobre um gramado não deixa de estar compactando o solo e ferindo a relva com seus calçados. Mas, tudo bem, se João e Maria pisaram leve, pois o solo e vegetais são dotados de um fabuloso… Ver artigo

 


Quase todas as ações executadas pelas pessoas têm componentes agressores ao meio ambiente. Até um casal passeando romanticamente sobre um gramado não deixa de estar compactando o solo e ferindo a relva com seus calçados. Mas, tudo bem, se João e Maria pisaram leve, pois o solo e vegetais são dotados de um fabuloso poder regenerativo. Já se nossos enamorados forem e vierem pela na mesma trilha muitas vezes aí, sim, criarão um carreiro de chão pelado, tipo caminho de rato…


O que dizer, então, dos desmatamentos para formar pastagens e lavouras? São agressões violentas, que acabam com o ecossistema onde conviviam vegetais e animais, numa troca de favorecimentos – uns dando de comer aos outros, que retribuem com fezes adubadoras e contendo sementes prontas para germinar e repor as plantas mortas por velhice, doença e até por raio. Mas, paciência, porque é preciso produzir alimentos para uma população privada de uma política de controle da natalidade. Então, o jeito é fazer plantios em terras planas ou levemente inclinadas e em curvas de nível para, pelo menos, evitar a erosão que arrasta a camada mais fértil da terra para dentro dos rios, assoreando-os. Até os próprios animais são agressores ecológicos em suas atividades de sobrevivência. Mas o que eles fazem é por instinto e num entendimento com o meio ambiente acertado desde os tempos de Adão e Eva…


Portanto, para sobreviverem no planeta Terra, homens e bichos têm direito de explorar os recursos naturais. No caso dos humanos, de forma o menos agressiva possível. Já os animais dispensam receber orientações, pois nascem com sabedoria instintiva, de que não devem destruir o que lhes dá abrigo e comida, comportamento que falta a muitas pessoas com vocação para formar desertos.


E é nesse aspecto que encerro este tópico, dizendo que o homem precisa deixar de ser súdito da rainha da poluição e da destruição, que é a guerra, como esta que contamina terra, ar e água e arrasa o que restou do patrimônio histórico e arqueológico que nos maravilhava quando a professorinha de História falava da antiga Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque, arrasado de forma imbecil para dali tirar um ditador nutrido pelo próprio país agressor.


Só aplausos – O que a ONG Redeh (Rede de Desenvolvimento Humano) está fazendo no Nordeste do Brasil precisa ser imitado em todo o país. Partindo da constatação de que são as mulheres as maiores usuárias de água, devido às atividades domésticas, elas precisam ser alvo preferencial das campanhas de economia no emprego do líquido vital para nossa sobrevivência e que está cada vez mais precisando de caríssimos processos de purificação, dada à crescente poluição dos mananciais. Então, só aplausos para a Redeh!


A Itaipu também – A direção da Hidrelétrica de Itaipu também merece palmas, pelo seu entrosamento com as colônias de pescadores que atuam no enorme lago formado para mover as turbinas geradoras de eletricidade, assim como nos rios que o alimentam. Em decorrência, estão sendo promovidos mutirões de limpeza daquelas águas e um corpo-a-corpo com as populações ribeirinhas, para que evitem jogar novamente lixo no local. É um ajudando o outro, pois este lixo é fator de danificação das turbinas de Itaipu e água poluída dá pouco peixe e geralmente contaminado.


“Então, comam!” – É preciso acabar com essa novela, que se arrasta há anos, sobre a conveniência ou não de produzir alimentos geneticamente modificados. Certas pessoas, principalmente os ecochatos, acusam os transgênicos de colocarem em risco o meio ambiente e serem uma ameaça para a saúde humana e animal. Já os cientistas envolvidos nas pesquisas para a produção destes alimentos juram de pés juntos que eles só trarão benefícios para a humanidade, pois podem ser colhidos em maior quantidade, visto terem redução de custos, como, por exemplo, precisando de menos venenos para combater as pragas da lavoura. Assim sendo, esta discussão precisa ser desempatada, inclusive por já ter se tornado cansativa de nossa paciência, e aqui vai uma sugestão para colocar um ponto final nesse nhenhenhém: os ministros da Agricultura e da Saúde devem aparecer em rede nacional de TV, entrando num auditório e trazendo pratos de comidas feitas de produtos geneticamente modificados. Numa mesa, estarão postados alguns dos principais cientistas defensores dos transgênicos, aos quais os ministros servirão aquelas eguarias, dizendo-lhes: “Então, comam!” Se eles assim o fizerem e sem repugnância, ponto final nessa novela e vamos todos comer transgênicos e mandar os ecochatos arrumarem outro assunto para aporrinhar nossa paciência.


Andar de cima – A mão do destino muitas vezes tira de nosso convívio gente jovem que muito de bom ainda poderia dar, por exemplo, para a preservação do meio ambiente e deixa por aí, livres, leves e soltos, certos tipos que só sabem agredir a terra, ar e água. Refiro-me à ida para o andar de cima, com apenas 49 anos de idade, do pesquisador, conservacionista e biólogo paraense José Márcio Ayres, que, no município amazonense de Tefé, criou a reserva ecológica de Mamirauá. Neste empreendimento, com l,1 milhão de hectares, Zé Márcio estava provando por A mais B que é possível explorar economicamente a floresta com o mínimo de agressão ao meio ambiente.
Se o câncer quis tirá-lo tão cedo de nosso convívio, dia 7/3/03, fica o consolo de ver que sua obra ganhou fama internacional.

Ecologia & Saúde

5 de março de 2004

De mal a piorSai ano, entra ano e as outrora poéticas chuvas de março cada vez menos são vistas como sinalizadoras da despedida do verão e mais temidas pelas tragédias que causam, levando de roldão na enxurrada tudo o que houver pela frente. São morros que deslizam, soterrando casas com seus moradores dentro. São estradas… Ver artigo

De mal a pior
Sai ano, entra ano e as outrora poéticas chuvas de março cada vez menos são vistas como sinalizadoras da despedida do verão e mais temidas pelas tragédias que causam, levando de roldão na enxurrada tudo o que houver pela frente. São morros que deslizam, soterrando casas com seus moradores dentro. São estradas com trânsito inviabilizado por terra e grandes pedras desprendidas das encostas ou porque pontes não suportaram a força da correnteza, o mesmo acontecendo com tubulações que agora se mostram de diâmetro pequeno para escoar a água emporcalhada pelas pessoas, principalmente com garrafas plásticas e latinhas de bebidas, que viraram uma praga ecológica dos tempos modernos.
É isso mesmo, porque chove agora nem muito mais nem muito menos do que quando Elis Regina cantava melodiosamente apenas “as chuvas de março fechando o verão”. Sim, porque naquele tempo as encostas do morros não tinham sido desmatadas. Agora, em grande parte devido ao êxodo rural, as pessoas foram forçadas a agredirem o meio ambiente das montanhas, no aspecto da retirada da cobertura florestal para construírem suas casas. Resultado: terra e pedras, sem as raízes da vegetação para fixá-las, vão parar lá embaixo depois de uma chuva mais forte, quando antes, também com a ajuda das folhas caídas das árvores, a quase totalidade de água infiltrava suavemente no solo.
Com isso, além de destruir moradias e até matar seus ocupantes, essa água barrenta e pedregosa vai assorear córregos e rios, que terminam por transbordar cada vez mais facilmente a cada ano. E ao barro e pedras que vêm das montanhas se soma o lixo jogado por aí pelas pessoas, inviabilizando ainda mais o escoamento das águas e aumentando o saldo da catástrofe, que tem um componente sanitário, pois essa água imunda é provocadora de várias doenças. Portanto, para que a chuva volte a ser fator de vida e não de tragédias com tendência de mal a pior, é preciso que as autoridades conscientizem o povo a respeitar o meio ambiente, para viver com mais conforto, paz e saúde.


Martelando a dengue
Machado de Assis disse que certas idéias só entram na cabeça da maioria das pessoas como se fossem pregos, ou seja, na base das marteladas. É o que acontece no combate à dengue, já que a população teima em esquecer que não deve deixar jogados por aí objetos que possam armazenar água, servindo de criatório para o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Então, galera, vamos deixar de criar quem nos adoece e até mata, e também levando em conta que água parada serve igualmente para proliferar aquele pernilongo que aporrinha nosso sono com seu violino desafinado – o Cúlex, sugador de sangue e provocador de coceira infernal no local onde pica. Mas, a exemplo da cobra cujo veneno se combate com vacina feita do próprio veneno, podemos igualmente combater o Aedes e o Cúlex com a mesma água vital para a reprodução de ambos. Como assim? É só deixar vasilhas com água em locais visíveis, para não nos esquecermos de trocar o líquido de dois em dois dias, jogando-o, por exemplo, na terra dos vasos de flores. Com isso, morrerão as larvas dos mosquitos e estaremos agindo ecologicamente corretos, pois evitaremos a dengue, o Cúlex zoeirento e coceirento e também o uso de inseticidas tóxicos de emprego inevitável se deixarmos os mosquitos nascerem e saírem picando todo mundo.


É ruim, hem!?
Recente edição do “Globo Repórter”, sobre o tráfico de animais brasileiros, só não merece de mim a classificação de ótima porque dedicou pouco tempo à questão da biopirataria. Espero que a produção do programa volte ao assunto, denunciando de forma didática e prolongada que animais brasileiros são contrabandeados não só porque os gringos gostam da beleza e exoticidade deles mas também para muitos serem submetidos a experiências científicas, algumas até cruéis, feitas inclusive por psiquiatras para, por exemplo, sentirem respostas a estímulos que podem oscilar da fome à dor. Também no contexto do tráfico de animais está a questão da biopirataria, com espécies animais e vegetais levadas do Brasil para o exterior com objetivo farmacêutico. Com material muitas vezes só encontrado em nossas matas terminam os cientistas lá de fora descobrindo remédios para a cura de doenças resistentes à medicação convencional. Então, os medicamentos obtidos através de matéria-prima retirada da fauna ou flora brasilienses são patenteados em seus países e nós, embora “pais da criança”, seremos obrigados a pagar-lhes royalties se quisermos sarar nossos doentes com eles. É ruim, hem!?

Só palmas
Por outro, só merece palmas a decisão do Ibama de acabar com a perseguição pura e simples às pessoas que criam engaiolados pássaros da fauna brasileira. Agora, a partir da Instrução Normativa 1/2003, publicada no Diário Oficial de 24 de janeiro, os passarinheiros de boa índole fazem seus cadastros junto ao Ibama e, se obedecerem as normas impostas pelo órgão protetor de nosso meio ambiente, poderão criar sem perigo de multa e até prisão seu galos-da-campina, canários-da-terra, curiós, bicudos, pássaros-pretos, azulões e outras das muitas e belas aves de nossas matas. É claro que continuará proibida, por exemplo, a posse de canário-da-terra para uso em brigas de tal crueldade que muitos terminam aleijados e até mortos. Agora, portanto, pode-se ter passarinhos de estimação e até para procriação sem risco de enquadramento em crime ambiental. Mas, claro, se tudo estiver nos conformes da Instrução Normativa 1/2003 do Ibama.

Ecologia & Saúde

As crianças são a esperança

28 de janeiro de 2004

Confesso que já estava meio descrente na salvação do meio ambiente brasileiro, depois de observar o tanto que nossos recursos naturais foram degradados e continuam sendo pela ação predadora de adultos insensíveis, que parecem não atinar para o fato de que estão abrindo caminho para a desertificação de grandes áreas de nosso País. É uma… Ver artigo

Confesso que já estava meio descrente na salvação do meio ambiente brasileiro, depois de observar o tanto que nossos recursos naturais foram degradados e continuam sendo pela ação predadora de adultos insensíveis, que parecem não atinar para o fato de que estão abrindo caminho para a desertificação de grandes áreas de nosso País. É uma herança maldita que estão deixando para filhos e netos que, neste aspecto, nada terão para reverenciar a memória de seus antepassados. Mas meu idealismo ecológico retomou o fôlego depois de acompanhar o noticiário, principalmente da TV, durante a Semana do Meio Ambiente deste ano, quando foram mostradas crianças agindo e falando de forma ecologicamente corretas.


E não eram as crianças embasbacadas de outrora, recitando poeminhas de amor às plantinhas e de carinho pelos bichinhos. Eram meninos e meninas parecendo e falando como gente grande sobre a problemática da degradação do meio ambiente. É claro que se notava estarem sedimentados, por detrás do que diziam, os ensinamentos bem dados pelas professoras e os colhidos em leituras e observação das ações de agressão aos nossos recursos naturais. Portanto, parabéns aos mestres, pelo empenho em introduzir na sociedade brasileira um nova geração de futuros dirigentes que, ainda crianças, já estão puxando as orelhas dos adultos poluidores e predadores, e que, quando estiverem em posição de comando, certamente irão promover a recuperação das áreas degradadas pela exploração desenfreada de gerações passadas.


A propósito da importância da escola e professores na preservação dos recursos naturais, vale aqui uma consideração sobre a absurda extinção, no Ministério da Educação, da Coordenação de Educação Ambiental, logo que Lula assumiu a Presidência da República, para que a verba ali gasta viabilizasse empregos em outros órgãos. Mas o governo petista caiu na real e já reativou aquele órgão, porque seria o fim-da-picada deixar o ensino fundamental privado de um órgão normativo de uma questão vital para a sobrevivência da população num meio ambiente degradado em decorrência da ignorância e ganância das pessoas. Mas só a reativação da Coordenação de Educação Ambiental do MEC não basta: é preciso dar ao órgão mais condições humanas e materiais para que a educação ambiental chegue às escolas de forma a fazer ainda mais a cabeça da criançada para a importância da preservação do meio ambiente, sem o que as condições de vida no futuro sejam as de fim do mundo, com poluição generalizada da água, ar e terra.


De olho nas domésticas – Há um programa de uso racional da água que, de bom, pode ficar ótimo se for estendido para todo o país, principalmente objetivando reeducar as empregadas domésticas, para que deixem de desperdiçar esse líquido tão precioso e que chegará às nossas casas a preço exorbitante devido à escassez e se os cursos d’água continuarem sendo poluídos, demandando gastos cada vez maiores para a potabilização. Refiro-me a programa desenvolvido no Nordeste pela ONG Redeh (Rede de Desenvolvimento Humano) que, partindo da constatação de que são as mulheres as maiores usuárias de água, elas devem ser o alvo preferencial das campanhas de economia da água que chega às residências. Então, que se conscientize particularmente as empregadas domésticas, por exemplo, mostrando a elas que a água que elas pouparem na casa das patroas poderá viabilizar o abastecimento onde moram seus familiares.


Exemplo brasiliense – Em Brasília, então, a crise no abastecimento d’água já se avizinha. Acontece que a nova capital do País foi construída num planalto que só tem pequenos rios, cujas nascentes estão minguando devido aos desmatamentos, proliferação de poços artesianos e impermeabilização do solo com asfalto e concreto, impedindo a infiltração da água da chuva para recarga dos aqüíferos. Se o Distrito Federal tivesse crescido segundo a meta idealizada por Juscelino Kubitschek, o fantasma do desabastecimento d`água não assombraria, porque JK queria uma cidade-admistrativa de no máximo 500 mil habitantes. Mas os governantes pós-JK perderam o controle sobre os grileiros e os especuladores imobiliários e, hoje, o DF passa dos 2 milhões de habitantes. Agora, tenta-se resolver o impasse do abastecimento d`água aproveitando o lago de uma hidrelétrica em construção nas cercanias da capital. Só que será uma água que os consumidores pagarão caro, devido aos gastos com tubulações, bombeamento e tratamento, visto que o rio represado (o Corumbá) é o receptador do esgoto das fazendas, chácaras e núcleos residenciais da região.


Turismo verde-amarelo – Nestas férias de meio do ano (e também em todas as outras), vamos parar com esta mania de achar que só há boas atrações no exterior. Está na hora de olharmos para nosso próprio umbigo, viajando por este brasilzão, inclusive porque, se gastarmos nosso dinheiro aqui, daremos condições financeiras para a melhoria da infra-estrutura do turismo nacional, em termos de hotéis, restaurantes etc. Podemos fazer turismo de lazer e principalmente ecoturismo para sentir como é encantadora a natureza de nosso País. Então, quem tem filhos terá a oportunidade de aumentar nas crianças o amor pela terra onde nasceram e desenvolvendo nelas o espírito de preservação ecológica. Assim, que tal levar a galera ao Pantanal, Amazonas, Fernando de Noronha, ao Itaimbezinho, que deu os maravilhosos cenários da novela “A casa das sete mulheres”? Isto para citar um pouco dos muitos locais encantadores para fazermos ecoturismo verde-amarelo.