Ecoturismo e desenvolvimento sustentável

A Maria da Fé da Maria Rita

4 de março de 2004

Conheça uma cidade que deixou de plantar batatas para plantar ecoturismo e passou a colher pousadas, empregos, turistas, renda e qualidade de vida

 







Maria Rita Gorgulho Farah é professora e
profissional na área de medicina estética

A realidade não está na saída e nem na chegada: está na travessia. E a minha travessia tomou novas cores por uma simples e real descoberta: a grandeza das pessoas e a beleza da paisagem de minha terra natal. Talvez muitos leitores da Folha do Meio Ambiente ainda não tenham ouvido falar num lugar chamado Pintos Negreiros. Mas devem conhecer o município ao qual pertence esse distrito: Maria da Fé, cidade do Sul de Minas Gerais. Podem acreditar, é uma das regiões mais bonitas do Brasil. E, para mim, uma das mais importantes. Foi lá que eu nasci.


Moro há mais de 40 em São Paulo. No colégio e nos encontros da vida, sempre saía a pergunta:
– De onde você é? E eu tinha a minha resposta prontinha, na ponta da língua:


– Nasci num lugarejo incrível, chamado Pintos Negreiros, que pertence a Maria da Fé. Fica próximo de São Lourenço – no sentido do Rio de Janeiro, cidade de águas minerais – e no sentido São Paulo fica bem perto de Itajubá, conhecida pela sua famosa Universidade Federal de Engenharia Elétrica.
Interessante é que, sem muita explicação, sempre tive um certo orgulho em dizer de onde sou, embora só tenha nascido lá e me mudado, aos seis anos, com minha família para São Lourenço. Aos 14, nova mudança. Desta vez para São Paulo.


Mas até hoje, eu e meus 13 irmãos, estamos visitando sempre nossa região. E nossa grande família – Gorgulho e Negreiros – chegou até a se organizar melhor para encontros anuais mais produzidos. Começou em 1978, em toda lua cheia de julho. É o Ecimoc – sugestiva sigla para Encontro de Confraternização Independente de Morte ou Casamento. Uma festa de três dias que fazia a alegria de tios, pais, irmãos, primos, namorados, amigos e agregados.


Bem, mas minha conversa é outra. Hoje, adulta, com os filhos criados, senti uma enorme vontade em voltar a origem. Em ter lá, uma propriedade para que eu pudesse desfrutar um pouco mais desse lugar que, em minha mente, tem ainda o mesmo encanto do tempo de menina.


Falei com meus filhos, paulistanos da gema, que também gostam muito das montanhas e dos vales dos Pintos Negreiros. Eles aplaudiram a idéia. Passamos um ano à procura de um pedaço de terra. Finalmente, no começo desse ano conseguimos. Sol e Lua nascendo na nossa cara! Ar puro no nosso pulmão! Tranqüilidade e harmonia na nossa alma!


De volta, fui logo visitar a grande metrópole de minha infância: Maria da Fé. Cheguei mi-nei-ra-men-te. Devagar, ressabiada. Fui até à prefeitura e pedi uma audiência com o prefeito. Para minha surpresa, fui recebida de imediato. E aí, meus amigos, começaram novas surpresas.


Apresentei-me com pompa! Maria Rita Gorgulho Farah. Fui explicando tão ansiosamente meu projeto que quase não dava chance do prefeito falar.


Na verdade, pensei que encontraria um político distante e desinteressado. Que nada! Alexandre Cardoso Pinto é um prefeito arejado, elegante, de boas idéias e muito preocupado com a parte socioambiental. É raro, heim? Gostei da primeira surpresa!


Mas depois de me ouvir, lá pelas tantas ele me perguntou:
– O que você sabe sobre Maria da Fé?


E eu tive que ser honesta. Respondi:
– Nada! Nasci nos Pintos Negreiros e fui embora muito pequena.


Muito sereno, ele chamou ao seu gabinete o Walter e a Carina. Melhor, o Walter Santos de Alvarenga, secretário Municipal de Cultura e Turismo, e Carina Miori Dihel sua assessora.








Fotos: Walter S. de Alvarenga

O Programa de Paisagismo Canteiros da Alma revitalizou as praças e jardins, tornando-os atrativos turísticos e verdadeiros pontos de contemplação

Os encantos de Maria da Fé
Segunda surpresa: o Walter e a Carina abriram meus olhos para os encantos de Maria da Fé e para o trabalho que eles vêm fazendo em parceria com órgãos federais. Principal projeto: fazer de cada habitante um cidadão. Como? Pelo começo: resgatando em cada habitante a auto-estima e o orgulho em ser mariense. Orgulho esse que perderam devido a decadência da monocultura da batata. A economia da região era só o cultivo da batata. Só se falava em plantar, colher e vender batata. Passou o tempo das batatas e o povo ficou sem o que fazer. Pobreza e desolação. Mas da crise nasceram as oportunidades. Vi e comprovei a importância de se eleger lideranças sérias para administrar uma cidade.


O Alexandre, o Walter e a Carina formaram uma equipe para mudar. E a mudança começou pela cabeça de cada habitante:


– Olha, Maria Rita – dizia o Walter – começamos por colocar na cabeça de quem mora em Maria da Fé que ninguém nasce num continente ou num país. Todo mundo nasce num lugar pequeno chamado município.






Por isso tem que dar valor à sua primeira grande família: os habitantes do seu município. Não pode ter vergonha de dizer e de encarar esta verdade. Mostramos o valor de cada um repetir todos os dias: Maria da Fé, eu te amo!

Turismo verde para desenvolver a Amazônia

13 de fevereiro de 2004

Governo já tem estratégia para o futuro sustentado dos nove estados da Amazônia

Como nasceuA idéia surgiu em 1997, após uma reunião dos governos dos nove estados com os ministérios do Meio Ambiente, Indústria, Comércio e Turismo e Embratur. Da reunião também participaram municípios, empresas privadas que atuam no turismo na região, ONG’s e entidades representativas como associações de pescadores e de guias turísticos. “Estavam todos muito interessados em implantar o ecoturismo na Amazônia, mas não sabiam como”, lembra o coordenador-geral do Proecotur no Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Soavinski. “A partir dali criamos o Grupo Técnico de Coordenação do Ecoturismo na Amazônia (GTC) e passamos a promover a discussão do assunto numa série de oficinas realizadas em cada estado. Não queríamos impor uma solução, mas envolver a comunidade local na sua definição”.







Ricardo Soavinski, ex-Diretor do Ibama, é o Coordenador-Geral do Proecotur


A alternativa encontrada foi tão bem recebida que o Ministério do Meio Ambiente garantiu o apoio do Banco Mundial (BID) ao projeto, com a aprovação de um financiamento de US$ 200 milhões, a serem liberados num período de três anos. Mas antes de pedir a liberação dos recursos, a unidade de gerenciamento do Proecotur, vinculada à Secretaria de Coordenação da Amazônia do Ministério, teve o cuidado de negociar uma verba à parte – US$ 13,8 milhões – exclusiva para o planejamento do programa. “Como não tínhamos nada planejado nos estados e sequer uma estratégia nacional para a Amazônia, optamos por só pegar o dinheiro depois de definir os impactos ambientais, culturais e de mercado da atividade do ecoturismo na região”, explica Soavinski.


PlanejamentoEle e a equipe perceberam que só a partir do conhecimento deste contexto se poderia iniciar um planejamento estratégico para a região e, ainda, que a liberação da verba para colocá-los em prática seria mais eficiente se os projetos já estivessem prontos. “Caso o financiamento fosse liberado antes dessa fase de pré-investimentos, passaríamos todo o período previsto para sua duração, também de três anos, pagando juros desnecessariamente”, ponderou Soavinski.


A adoção desse critério prático mostrou-se mais do que acertada. De janeiro de 2000, quando foi iniciada a fase de pré-investimento, até agora, a equipe de coordenação do Proecotur – 20 técnicos em Brasília e cinco vinculados aos nove governos estaduais – conseguiu concretizar boa parte dos três componentes em que o programa foi dividido. Como primeiro passo do componente 1, que abrange o planejamento do ecoturismo na região, dividiu-se a Amazônia em Pólos distintos de atração turística (veja Box). “Ao contrário do que todo mundo pensa, a região não tem apenas aquela floresta imensa e os grandes rios que vemos na TV”, dismistifica Soavinski. “Pelo contrário, a Amazônia tem vários atrativos e bem diferenciados entre si. São muitos ecossistemas e paisagens cênicas, diversas culturas e tradições culinárias”.


Made in AmazôniaSegundo o coordenador-geral do programa, o Proecotur se propõe a transformar esses atrativos em um produto ou em vários produtos, que já vão nascer com uma marca muito forte – a made in Amazonia. Porém, para isso, os que oferecem esses produtos precisam estar organizados e aptos a receber os ecoturistas, com informação, treinamento e infra-estrutura adequada. Um dos instrumentos deve vir da licitação internacional que o Ministério do Meio Ambiente está finalizando, em conjunto com o PNUD, para a elaboração de uma estratégia de turismo sustentável para a Amazônia. Ela orientará as estratégias estaduais e municipais de ecoturismo. Também nesse ponto o programa está avançado: todas os estados já contrataram as empresas que vão elaborar essas estratégias.


CristalinoOutro ponto importante em fase de finalização pela equipe é o planejamento, gestão e criação de áreas protegidas na região. Os técnicos levantaram 16 já existentes e a necessidade de criação de outras quatro. Uma dessas já saiu do papel – o Parque Estadual do Rio Cristalino, no Mato Grosso, uma área de 200 mil hectares de matas e rios ainda intactos.






A Amazônia tem mais do que florestas e rios. Tem cultura e culinária fantásticas


No segundo componente, a equipe priorizou investimentos essenciais para os pólos turísticos da região, como aeroportos, cais, centros de visitante e redes de saneamento. “Para ganhar tempo, já estamos até providenciando o projeto executivo dessas pequenas obras”, revela Soavinski. Como, por exemplo, o terminal de passageiros do aeroporto de Alta Floresta-MT. O aeroporto já existe no local mas, como é usado somente como base de operações do SIVAM, não tem terminal de passageiros, embora haja demanda de turismo na região. O MMA já licitou o projeto e em seguida licitará a obra.


Mais, está lançando o edital para a capacitação e assistência técnica dos governos locais e da iniciativa privada que atua no setor do turismo da região Amazônica. “Isso será providenciado sem custos para os participantes”, adiantou o coordenador-geral.








GLOSSÁRIO

Amazônia Legal – Região formada pelos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Amazônida – Habitante natural da Amazônia.


Desenvolvimento Sustentável – Exploração racional e planejada dos recursos naturais renováveis, que permite seu uso econômico de forma equilibrada, garantindo a preservação.


Ecoturismo – Segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas.


Georeferenciado – Informações sobre determinada região (unidades de conservação, malha viária, atrativos turísticos etc.) em forma de mapas digitalizados.


Termo de Referência – Documento no qual a equipe técnica detalha tudo o que deve ser feito num determinado projeto, de que forma e em que período.


Os trabalhos estão tão adiantados que Soavinski estima encerrar a fase de pré-investimentos antes dos três anos previstos. “Somente nesse primeiro ano elaboramos e montamos mais de 70 termos de referência, que irão garantir que os projetos sejam dirigidos e realizados de acordo com o especificado pelos técnicos da equipe de coordenação”, revelou ele. Uma condição em comum permeia todos os termos de referência: que todos os projetos sejam feitos de forma participativa, envolvendo os governos e a comunidade organizada. “É um trabalho que nunca tinha sido feito antes no país”, comemora este paranaense que é oceanógrafo mas se apaixonou pela riqueza natural da Amazônia.


De fato, os termos de referência desceram a detalhes como a exigência de seminários de planejamento estratégico, estudos de mercado nacional e internacional do ecoturismo, diagnóstico da operação turística atual na Amazônia e até mesmo os concorrentes no setor, como a Costa Rica, Equador, Amazônia Peruana e Venezuelana. “Cruzando todos esses dados, sempre organizados de forma georeferenciada, é que podemos chegar a uma estratégia de ação para a nossa Amazônia, além de definir todo tipo de impacto que pode acontecer com a introdução da nova atividade na região – tanto os positivos como os negativos”, detalha. Também é desses dados que deve surgir um sistema de monitoramento do ecoturismo na Amazônia, que indique até mesmo a capacidade de suporte do número de turistas a serem recebidos. O objetivo é estabelecer os limites da atividade, para garantir que o desenvolvimento seja mesmo sustentável.


“Além disso, estamos dando largada à fase de sensibilização da comunidade para o início do projeto de capacitação e assistência técnica”, informa Suavinski. “A idéia é chamar a atenção da população dos locais que têm atrativos turísticos em sua região, orientando sobre como podem se organizar para transformá-los em um produto”. Até abril de 2002 a equipe deve trabalhar três municípios de cada estado com a sensibilização. Depois, serão treinados núcleos de capacitadores que vão reaplicar esse treinamento nos outros municípios, e o trabalho ainda será reforçado com mais seminários locais. “Após a execução de todo o programa, os municípios terão de andar sozinhos. Com as pessoas capacitadas, as instituições fortalecidas e a demanda de turistas garantida e controlada, a preservação da natureza, que é a matéria-prima da região, também é certa”, está convencido o coordenador-geral do programa. “Estamos criando, com o Proecotur, a possibilidade dessa população gerar negócios com a conservação. Aprender que preservar a natureza é um ótimo negócio”.


Pólos turísticos da Amazônia


Como a Amazônia Legal ocupa um território muito grande, os coordenadores do Proecotur decidiram implementar vários pólos turísticos nos nove estados que compõem a região. Cada um definido em relação ao ponto mais forte de atração turística. Conheça alguns desses pólos:


1) Praias Fluviais – Localizadas no rio Tapajós, no município de Alto do Chão, Pará, e também no rio Guaporé, em Rondônia, no município de Costa Marques, na fronteira com a Bolívia. Ambas com florestas e reservas extrativistas.


2) Florestas de Manguezais – Localizadas no litoral do Maranhão, com a presença nativa das aves guarás vermelhas.


3) Região do Amazonas – Localizada no entorno de Manaus, composta por floresta seca (não indundável), cachoeiras, cavernas e sítios arqueológicos, estes na região de Presidente Figueiredo. Também forma esse pólo a mata de várzea ao longo do rio Negro e do Solimões.


4) Mato Grosso – Localizado na região Norte do Estado, com florestas de terra firme, formadas por árvores altas e ricas em espécies de pássaros para observação.


Ecoturismo na Mantiqueira

Pelas Terras Altas de Minas

5 de fevereiro de 2004

Mais do que um festival de flores, o turista participa de um festival gastronômico com um cardápio bastante inusitado:“Salada de frutas e flores capuchinha”, “salada de manga e côco com flores de violeta”, “filé de truta com pinhão e amor perfeito” e “sorvete de rosas”. Num passado não muito distante, essa serra sofreu com a… Ver artigo



Mais do que um festival de flores, o turista participa de um festival gastronômico com um cardápio bastante inusitado:
“Salada de frutas e flores capuchinha”, “salada de manga e côco com flores de violeta”,
“filé de truta com pinhão e amor perfeito” e “sorvete de rosas”.



Num passado não muito distante, essa serra sofreu com a derrubada de florestas inteiras para a obtenção de madeira e frequentes queimadas. A caça também foi um problema que colaborou para a extinção de algumas espécies. Hoje não se vêem mais o papagaio Amazonea vinacea, a anta e o lobo-guará. Grande parte das “Terras Altas da Mantiqueira” foi transformada em área de preservação. Da Mata Atlântica original de outrora sobrou pouco mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados de verde, restando apenas 7% em todo o território nacional. Os primeiros europeus que aqui chegaram se encantaram com tamanha biodiversidade e beleza.


Famosos expedicionistas, naturalistas e escritores, como Richard Burton e Auguste de Saint Hilaire, andaram por estas terras, descrevendo com detalhes cada caminho percorrido.
Quase dois séculos depois, a Mata Atlântica ainda sofre com a caça ilegal, exploração de palmito, biopirataria e especulação imobiliária. Com uma enorme quantidade de espécies da fauna e flora ainda não catalogadas, segundo a fundação SOS Mata Atlântica, o que mais ameaça a floresta hoje em dia é sua fragmentação. Ilhas de mata sem ligação contínua desfavorecem a reprodução das espécies, contribuindo para o fim desta rica diversidade genética. No entanto, a Serra da Mantiqueira ainda preserva um pouco do que restou da Mata Atlântica, sempre contando com o apoio de várias ONGs como “Conservation International”, “Instituto Sócioambiental” e “SOS Mata Atlântica”.


A geografia acidentada da região favorece a formação de cachoeiras que despencam entre araucárias, trilhas ecológicas, matas, parques e um mar de morros sem fim. Localizada entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, a imponente serra possui alguns dos picos mais altos do país: Pedra da Mina (MG/SP- 2.797m), Pico da Agulhas Negras (MG/RJ- 2.789m), Pico Três Estados (SP/MG/RJ- 2.665m), Pico dos Marins (SP- 2.420,7m), Pico Itaguaré (MG/SP- 2.308m).
Esta fascinante topografia, de milhões de anos, merece, e muito, o respeito de todos os brasileiros.


Para mostrar o que anda acontecendo lá no alto, com suas matas, sua gente e seus sonhos, um grupo de ambientalistas percorreu uma trilha de 80 km, também conhecida como “Volta dos 80”.
Partiram de Pouso Alto, a 20 km de São Lourenço, onde os Bandeirantes apareceram pela primeira vez, por volta de 1710, em busca do cobiçado ouro dessas terras. A serra foi então ocupada por uma população entregue a criação de gado, burro de carga e a tradicional fabricação de queijos, manteiga e doces. A cidade ainda guarda alguns trechos da antiga trilha do ouro. Naturalmente, hoje o “ouro” é verde e está na beleza dos campos e matas do belíssimo percurso que começa aqui, ao pé da serra.


Seguindo em direção a Itanhandú, o grupo pegou uma das rodovias mais altas do país, a BR-354, que vai até Itamonte. Uma boa dica é usar um veículo com tração nas quatro rodas, já que os longos trechos de terra e pedras exigem alguma habilidade.
Lá em cima, o ar da manhã parece mais denso e o sol chega com dificuldade.


Como o clima é tropical de altitude, ainda se encontram bosques de araucária – Araucaria angustifólia – preservados. A região abriga parte do Parque Estadual do Papagaio e parte do Parque Nacional do Itatiaia. Vales imensos, cachoeiras e lagos são boas surpresas que vão surgindo ao longo do caminho. A represa dos Braga, uma antiga usina desativada, parece ter saído de um cartão postal e hoje é um dos pontos turísticos da região. Embora a tentação seja grande, em meio a tantas cachoerias e lagos, é preferível não mergulhar em lugares que não se conhece, pois nunca se sabe o que há no fundo. Cuidado também com a hipotermia, as águas da serra costumam ser bem geladas.


A próxima parada do grupo foi em Campo Redondo, vilarejo encrustado no alto das montanhas. Lá as crianças recebem educação ambiental, aulas de inglês e artes interagindo completamente com a natureza. Orientados por Hélène Arthur Delmonte, que fundou a casa de estudos “Nos entre Nós”, as crianças aprendem brincando como respeitar a natureza e dela usufruir, sem destruir.
“Substituimos o uso de materiais que ofendem drasticamente o ambiente, pois é fundamental reconsiderarmos de forma consciente nossos padrões de consumo”, diz Hélène.


Sempre subindo, em direção a Serra Negra, o grupo de ambientalistas e turistas deparou com a cachoeira da Fragária, uma das mais belas da região. Rodeada por uma pequena mata de araucárias, é linda de se ver e fotografar. Passando pela Pousada dos Lobos, onde se saboreia uma deliciosa comida feita no fogão a lenha, já estão quase chegando ao Parque Nacional de Itatiaia. Numa área de 30 mil hectares, o primeiro parque nacional brasileiro foi fundado em 1937.


“Ïtatiaia” em tupi – guarani significa “penhasco cheio de pontas”. Não poderia mesmo existir outro nome. Ótima opção para pernoite, mas atenção, acampamentos dentro do parque só são permitidos com a autorização da administração. Quem preferir se hospedar em pousadas dentro da reserva do parque nacional, deve saber que é proibido entrar e sair do parque após as 22 horas.
É chegada então a hora de navegar nesse mar de morros abaixo, de volta a Itamonte, e completar o “Circuito dos 80”.


As flores comestíveis


Mas antes de partir, vale a pena conhecer quem cultiva umas flores muito interessantes. Cezar, que trabalha no hotel São Gotardo, cultiva num sítio próximo, flores comestíveis. Com a chegada da primavera, o hotel promoveu o festival das flores com um cardápio bastante inusitado: “Salada de frutas e flores capuchinha”, “salada de manga e côco com flores de violeta”, “filé de truta com pinhão e amor perfeito” e “sorvete de rosas”.


As flores cultivadas por Cezar são as capuchinhas, Tropaeolum majus L., de um vermelho vivo ou alaranjadas. Suas pétalas começaram a ser usadas em saladas no Oriente, muito saborosas e com um leve sabor apimentado. Excentricidades a parte, é fato que desde a antiguidade as flores já eram utilizadas na culinária. Porém, nem todos os tipos de flores podem ser consumidos. Algumas, como a azaléia e o bico-de-papagaio são venenosas.


Bem alimentado, o grupo se despede da bela serra e volta com uma certeza.
Não é difícil desfrutar das belezas que a Serra da Mantiqueira oferece, mas todos devem ter a obrigação de conservá-la, esforçando para mantê-la, senão intacta, pelo menos preservada e sem rastros que denunciem qualquer passagem. A natureza agradece!


Mais informações:
Flores comestíveis – Cezar: (35) 91139734
Pousada Vila Minas (Itanhandú): (35) 3361 16 45/
www.vilaminas.com.br

Pousada dos Lobos (Itamonte): (35) 3332 27 79
www.pousadadoslobos.com.br
Hélène Arthur Delmonte
(Campo Redondo) – fone/fax: (35) 3366 12 88
Hotel Serra Verde (Pouso Alto): (35) 3364 12 81
www.serraverde.com.br
Programa Trackmaker:
www.gpstm.com/port


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GPS, a bússola dos novos tempos
Aplicação do “GPS” em levantamento de trilhas ecológicas e outras atividades


Beatriz Fernandes Barros – de São Lourenço
O homem é um ser curioso. Desde que aprendeu a andar, começou a sair por aí explorando
novas terras, oceanos e montanhas. Se guiava pelas estrelas, pela lua e marcava suas trilhas com o que tivesse a mão. Provavelmente não era a melhor maneira de se marcar um caminho, já que tempestades e outros acontecimentos naturais poderiam facilmente apagar os rastros.
Já na época das grandes navegações, Américo Vespucio (que acreditava estar a caminho
das Índias) levava consigo um almanaque, com as posições dos corpos celestes, que lhe
indicavam o melhor caminho. De acordo com suas observações e com o valor aproximado do
diâmetro da Terra, concluiu que não poderia estar na costa da Índia. Deste modo, pôde afirmar
que Colombo havia, sim, descoberto um novo continente, o qual mais tarde receberia seu nome.


Alguns séculos depois das aventuras de Colombo, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos resolveu criar um Sistema de Posicionamento Global, ou GPS, que lhes permitissem um sistema de defesa inacessível às interferências. Baseado em uma constelação de 24 satélites ao redor da Terra, este sistema utiliza uma tecnologia exata para apontar posições em qualquer parte do mundo, 24 horas por dia. O GPS permite armazenar pontos em sua memória, através das coordenadas de um mapa. Estes pontos podem se combinados formando rotas que permitem analisar o horário provável de chegada e distância até o próximo ponto ou destino, horário do nascer e por do sol, rumo a ser mantido durante a rota e muito mais. As aplicações do GPS são praticamente ilimitadas.


Os topógrafos podem saber com exatidão, por exemplo, a largura de uma rua e outras medições com até 1cm de erro. Na ciência, pesquisadores podem coletar dados e registrá-los com precisão de micro-segundos, quando a amostra foi obtida. Muito popular em esportes como balonismo e ciclismo, já começa a ser utilizado também por pescadores e ecoturistas que, simplesmente, querem planejar e se orientar durante suas viagens. Sua utilidade é incontestável entre guardas florestais, trabalhos de prospecção e exploração dos recursos naturais, geólogos, biólogos, arqueólogos e bombeiros, que se beneficiam da tecnologia deste sistema. Na agricultura, mais do que nunca, o GPS permite armazenar dados relativos a produtividade e otimizar a aplicação de corretivos e fertilizantes.


Curso de GPS na Faculdade de São Lourenço
Foi pensando nas diversas aplicações do GPS que a Faculdade Santa Marta, em São Lourenço, MG, promoveu nos dias 19, 20, 26 de outubro um curso sobre GPS. Com um público variado, desde estudante, polícia ambiental, até médico e praticante de vôo livre, o curso superou as expectativas de muitos. Segundo um empresário local, Heli Nogueira, que já possuía um GPS, agora tudo ficou mais fácil: “Aprendi muito mais do que esperava e já estou até pensando em um novo aparelho mais potente para aproveitar melhor as minhas viagens”. Já Joselito Fonseca, médico de resgate de vôo livre: “Interessantíssimo e de uma utilidade imprescindível para mim.


Pois preciso saber, com precisão, o menor percurso, em menor tempo para chegar ao local do acidente”. Segundo o tenente da polícia ambiental, Gilson Pereira: “O GPS é de fundamental importância para o nosso trabalho, como por exemplo, a localização exata das áreas de atuação para que seja feita a perícia adequada. Com o levantamento aéreo das infrações, poderemos enviar viaturas aos locais certos. Com isso há uma melhora significativa na qualidade do serviço, aumentando a credibilidade”.
Maiores informações: Programa Trackmaker: www.gpstm.com/port


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