Editorial

20 de abril de 2011

No ano em que se comemora o Cinquentenário do Parque Nacional do Xingu (não deixe de ler o artigo do Noel Villas-Boas) e no mês que se festeja o Dia do Índio, não há como não se lembrar dos Irmãos Villas-Boas. E eu os lembro com especial carinho, pois eles (Álvaro, Leonardo, Cláudio e Orlando)… Ver artigo

No ano em que se comemora o Cinquentenário do Parque Nacional do Xingu (não deixe de ler o artigo do Noel Villas-Boas) e no mês que se festeja o Dia do Índio, não há como não se lembrar dos Irmãos Villas-Boas. E eu os lembro com especial carinho, pois eles (Álvaro, Leonardo, Cláudio e Orlando) foram os padrinhos de formatura da minha turma, em 1972, na UFMG.


Orlando Villas-Boas foi a Belo Horizonte, ficou hospedado na minha república de estudante e fez um discurso de formatura mais para Aula Magna. Tanto é verdade que, quem ler o livro “100 Discursos Históricos”, de Carlos Figueiredo, na página 397, está lá a o discurso de Orlando.


Toda vez que falo, leio ou me lembro de Orlando Villas-Boas, tenho um profundo sentimento de injustiça e do pouco reconhecimento com o trabalho e com o legado que eles deixaram: os Irmãos Villas-Boas foram indicados, mas não ganharam o Prêmio Nobel da Paz. Um conforto logo me vem à cabeça. O símbolo maior da paz, Mahatma Gandhi, nem indicado foi. Pior para o Prêmio mais importante do mundo que tem esta terrível falha na sua “biografia” e não tem mais como consertar.


Sobre o Dia do Índio, além do artigo “Xingu: República dos Villas-Boas”, tem uma entrevista com líder Marcos Terena sobre a questão indígena e o Código Florestal e sobre a preparação da Conferência da ONU, a RIO+20. E para lembrar Orlando Villas-Boas, deixo aqui algumas frases dele no discurso de formatura para a turma de Comunicação da UFMG, em 1972.



“Foram os índios que nos deram um continente para que o tornássemos uma Nação. Temos para com os índios uma dívida que não está sendo paga”.



“Não fosse a Escola Paulista de Medicina, a FAB e a nossa teimosia, muitas tribos já teriam sido aniquiladas”.



“Desde o Descobrimento, o homem branco destrói a cultura indígena. Primeiro, foi para salvar sua alma, depois para roubar sua terra”.



“O índio só pode sobreviver dentro de sua própria cultura”.



E para terminar, uma lição de vida:


“Na tribo, o velho é o dono da história, o adulto é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo”.



Ah! se na aldeia do homem branco também fosse assim…


silvestre@gorgulho.com